Phần II. KINH TẾ HỌC NGHỀ KHAI THÁC THỦY SẢN
Chương 4. PHÂN TÍCH ĐẦU TƯ TRONG NGHỀ CÁ
4.5. Đường chuyển tiếp được hiệu chỉnh
O direito de responder diferentemente o que já se encontra respondido
As duas respostas já existentes a “como lidar intelectualmente com a literatura” evocadas por Wellek e Warren na cena de abertura da Theory convertem-se em “duas soluções extremas”, alertam os autores, à medida que a primeira “identifica método científico com método
histórico e conduz seja à mera coleção de fatos seja ao estabelecimento de ‘leis’ históricas altamente generalizadas”, e a segunda, “negando que a pesquisa literária seja uma ciência”, afirma tanto (a) “o caráter pessoal da ‘compreensão’ literária”, dando ensejo a “uma ‘apreciação’ meramente emocional, à completa subjetividade”, como (b) “a ‘individualidade’, mesmo a ‘singularidade’ [uniqueness] de toda obra de literatura”, o que implica esquecer “que nenhuma obra de arte pode ser completamente ‘única’, já que seria, então, completamente incompreensível” (WELLEK; WARREN, 1984, p. 18).
Bem entendido, cada uma das referidas respostas não seria reprovável em sua totalidade, mas apenas naquilo em que se afigura extremada. Sobre a “difundida aplicação da ciência natural ao estudo literário”, Wellek e Warren reconhecem mesmo que “existe, sem dúvida, um grande campo no qual as duas metodologias entram em contato ou, mesmo, sobrepõem- se”, já que “métodos fundamentais como a indução e a dedução, a análise, a síntese e a comparação são comuns a todo tipo de conhecimento sistemático” (Ibid., p. 16). Essa consonância metodológica, por assim dizer, com a primeira resposta não deveria obliterar, contudo, aquilo em que, no que concerne ao objeto do estudo literário, a segunda resposta é que teria razão: “Mesmo estudando um período, ou movimento, ou uma literatura nacional específica, o estudante de literatura estará interessado nisso como uma individualidade com feições e qualidades características que o separam de outros grupos similares” (Ibid., p. 18).
Em suma, Wellek e Warren mostram-se propensos a se alinharem, em linhas gerais, do ponto de vista metodológico, com a primeira resposta, desde que a mesma seja depurada de sua feição historicista e de sua inclinação para a “coleção de fatos” e o “estabelecimento de leis”; e, do ponto de vista de delimitação do objeto de estudo, com a segunda resposta, desde que a mesma seja depurada de seu intuicionismo e de sua inclinação para o totalmente individual ou singular na obra literária. Assim, “deve-se reconhecer que cada obra de literatura é tanto geral quanto particular, ou – possivelmente melhor – tanto individual quanto geral” (Ibid., p. 19). Eis, para todos os efeitos, o razoável caminho-do-meio a ser trilhado por uma teoria-da-literatura-como-órganon-de-métodos em vias de se constituir.
Mas se Wellek e Warren assumem mesmo o ar de ponderados, criteriosos avaliadores que buscam delimitar o que haveria, enfim, em cada uma das referidas respostas, de conceitualmente, de metodologicamente positivo e negativo, válido e inválido, a questão que se impõe é: de onde, afinal, eles fazem derivar os critérios que pautam essa avaliação e qual a legitimidade dos mesmos como pretensas balizas de avaliação epistemológica?
O grande critério avaliativo explicitado pelos autores é o da recusa do “extremismo”, daquilo que, nas referidas respostas, as converteria em “soluções extremas”. Mas com base
em que, afinal, estabelecer o limiar a partir do qual algo deve ser considerado “extremo”? Por que, por exemplo, a identificação do “método científico” com o “método histórico” alegadamente perpetrada pela primeira resposta deveria ser tomada como um extremismo? A partir de que ponto, afinal, a preocupação com “fatos” e com “leis” passa a ser extremada? E a afirmação do caráter pessoal da “compreensão” literária, a partir de que ponto degringolaria para a “completa subjetividade”? E a ênfase na “individualidade” da obra literária, em que ponto, exatamente, passaria a confundir-se com a postulação de uma “singularidade” tão absoluta que tornaria a obra “completamente incompreensível”?
É de se supor que do ponto de vista de cada uma das próprias respostas em questão, isto é, de alguém que falasse a partir de dentro das mesmas, essas perguntas não se colocassem, ou então se colocassem de outra forma, ou, mesmo, que se colocassem e pudessem ser resolvidas por meio de recursos internos a cada uma das próprias respostas. Não é aí que se econtram, evidentemente, Wellek e Warren, posto que falam de fora delas – mas de onde exatamente?
As perguntas acima a propósito do limiar do “extremo”, poder-se-ia querer respondê-las com base no que Wellek e Warren chamarão, na sequência, de estudo “centralmente literário” ou “ergocêntrico”, com base no que eles estabelecerão, enfim, ao longo da Theory, acerca da natureza, do escopo, dos procedimentos e dos fins desse tipo de estudo – e então as coisas pareceriam consideravelmente mais simples e fáceis. O chamado “método histórico” sendo uma abordagem extrínseca ao estudo da literatura, como se poderia querer restringir a ele o estatuto de “método científico”? Não parece isso uma atitude extrema? Nesse mesmo sentido, a preocupação do pesquisador com “fatos” e “leis” só se justificaria quando se tratasse de fatos e leis internos ao universo literário, a busca, a título de causalidade, por fatos e leis
externos a esse universo – de natureza biográfica, psicológica, sociológica, etc. – afigurando-
se um excesso, um extremismo cientificista que coloca em segundo plano o propriamente literário, subordinando-o a elementos não-literários. Já a individualidade da obra literária deveria ser declarada tão-somente em vista da configuração formal específica que a projeta como uma estrutura estética que compartilha propriedades com estruturas análogas a ela, podendo, por isso mesmo, ser apreendida, analisada, avaliada objetivamente, racionalmente, como tal; a ênfase numa singularidade supostamente irredutível à forma literária e que demandaria uma compreensão de tipo intuitivo, não-analítico, implica, pois, um sacrífício da estrutura estética em nome de instâncias não-racionais de fruição e apreciação, o que só pode ser visto como um intolerável extremismo anticientificista.
Sim, as coisas se tornariam mais simples e fáceis, mas responder as perguntas a propósito do limiar do “extremo” dessa forma equivaleria a respondê-las com base na própria
teoria da literatura de Wellek e Warren, e o problema é que, nesse momento inicial, isto é,
quando da cena de abertura da Theory, ela não existe, ainda, como tal, quer dizer, ainda não
há, ainda não pode haver, nem de fato nem de direito, uma teoria propriamente dita de
Wellek e Warren, a qual, para todos os efeitos, deve surgir tão-somente a posteriori, na esteira da avaliação imposta pelos autores às soluções existentes a “como lidar intelectualmente com a literatura”, não podendo servir, portanto, de fundamentação a priori para essa mesma avaliação. Responder as perguntas a propósito do limiar do “extremo” dessa forma equivaleria, em suma, a contar com a resposta antes da resposta, isto é, antes que se tenha podido, de fato, elaborar uma resposta propriamente dita a “como lidar intelectualmente com a literatura”, já que se trata, aí, nesse momento inicial, justamente de conquistar o direito de
responder – pautado, ele próprio, pela possibilidade de uma resposta outra.
O “capítulo perdido” da Theory: um contrato de leitura, uma decisão
Seria mesmo possível, afinal, outra resposta a “como lidar intelectualmente com a literatura”? É essa, basicamente, a questão que Wellek e Warren levantam e procuram responder afirmativamente no vigésimo e último capítulo da primeira edição (1949) da Theory, chamado “The study of literature in the graduate school” [O estudo da literatura na pós-graduação].
O primeiro passo nesse sentido pareceria ser mesmo o de desmobilizar a resposta hegemônica corrente de sua posição de única resposta à questão que se quer, então, responder diferentemente – o que equivaleria a desmobilizar, na verdade, todo um aparato acadêmico- pedagógico solidamente institucionalizado. Os autores começam aludindo a certo desconforto que estaria tomando conta, há pelo menos uma geração, de “americanos com interesses literários”, os quais, dirigindo-se a instituições de pós-graduação “com a esperança de receber uma educação literária séria”, ou “desistiram”, ou “tornaram-se ressentidos mas resignados”, ou “concluíram mas foram desviados de seu rumo correto e apenas tardiamente procuraram dar a si mesmos aquela disciplina literária que perderam” (WELLEK; WARREN, 1949, p. 285). “Nosso atual currículo de pós-graduação”, observam mais à frente, “oferece dois tipos de cursos – aqueles sobre períodos e aqueles sobre grandes autores, ambos (na prática) ilustrações de uma história literária frouxamente concebida; e há uma tendência para pensar em cursos compulsórios sobre os grandes períodos e autores” (Ibid., p. 294).
Por essa desidentificação com o ensino literário em vigor à época, não apenas se via desmobilizada a abordagem historicista de sua posição de única resposta a “como lidar intelectualmente com a literatura” – “a” resposta, uma vez desnaturalizada por
questionamentos vários, revelava-se, na verdade, uma resposta –, como se vislumbrava, no mesmo lance, a abertura para a possibilidade de respostas outras à mesma questão. “O que há com nosso ‘estudo superior’ de literatura? Não se nos oferece nenhuma escolha mais ampla do que aquela entre o ‘método histórico’ [...] e o diletantismo?”, perguntam-se, com efeito, Wellek e Warren (Ibid., p. 285).
Os indícios de mudança que eles identificam no horizonte acadêmico pareceriam apontar para um outro caminho possível. “Há, indubitavelmente, alguns sinais promissores”, observam, com efeito, destacando, na sequência, o exemplo de Chicago, em que “todo o programa de pós-graduação tem sido ousadamente reorientado do histórico para o crítico”, e o da School of Letters de Iowa e seu abrangente e flexível “doutorado crítico”, sendo que “quase em toda parte tem havido algumas mudanças numa direção análoga” (Ibid., p. 289). Seja como for, essa perspectiva que os autores chamam então de propriamente “crítica” [critical] em oposição à “histórica” [historical] ainda se apresentava, à época, como um posicionamento minoritário: “Nos últimos vinte e cinco anos, aqueles que sentem a necessidade de reforma converteram-se numa minoria ruidosa [a vocal minority]” (Ibid., p. 289).
Para os autores não há dúvida de que as coisas deveriam mudar: “o domínio exclusivo do ‘método histórico’ deveria ser contestado”, sentenciam (Ibid., p. 294). Dentre “as óbvias forças que trabalham para a preservação da ordem existente”, esclarecem Wellek e Warren, há aquelas de “natureza institucional”, mas “a principal é indubitavelmente a inércia” (Ibid., p. 289). É justamente tal inércia o que esse capítulo final, cujo tom difere consideravelmente dos demais, se esforça por abalar, na esperança de desencadear as mudanças necessárias à consolidação de um novo regime crítico acadêmico (de que a Theory seria o grande “órganon”). Mas que razões aventar, afinal, para a superação da inércia em favor de uma trabalhosa “reorientação” do “histórico” para o “crítico”?
“Uma escola de pós-graduação existe para introduzir estudantes literariamente sérios num conhecimento dos objetivos e métodos do estudo literário e para prover supervisão crítica de sua leitura e escrita”, alegam os autores. “Tal concepção inclui tanto ‘erudição’ [scholarship] quanto ‘crítica’ [criticism]”, prosseguem, “e recusa-se a distinguir em seus métodos de estudo entre literatura anterior ao século vinte e ‘literatura contemporânea’” (Ibid., p. 294). Esses argumentos certamente poderiam ser questionados em si mesmos, tanto no que se refere àquilo que determinam ser o papel da pós-graduação em literatura, quanto no que se refere à tendenciosidade com que o fazem, por exemplo ao falar em “estudantes literariamente sérios” [literarily serious students]. Supondo, contudo, que fossem aceitos, não
seria rigorosamente impossível que as determinações aí previstas se cumprissem à luz da
própria orientação historicista que os autores então combatem – trabalhando-se, é claro, com
concepções de “seriedade literária” e de “objetivos e métodos do estudo literário” diferentes daquelas que têm em mente Wellek e Warren. Os autores parecem querer sobrepor, além do mais, a distinção entre a “erudição” [scholarship] e a “crítica” [criticism] à distinção entre o “histórico” [historical] e o “crítico” [critical], mas a verdade é que se o modo “crítico” que eles defendem abrange, para além da “crítica”, também a “erudição”, o modo “histórico” ao qual se opõem abrange, por sua vez, para além da “erudição”, também a “crítica”, incontornável mesmo numa abordagem historicista da literatura (essa, aliás, uma lição proferida ad nauseam pelo próprio Wellek). Finalmente, não seria impossível, a rigor, voltar o próprio “método histórico” em questão para a chamada “literatura contemporânea” (expressão cuja manutenção já trairia, por si só, uma ubiquidade do aporte historiográfico), à guisa de um estudo do “passado recente” em literatura, o que sói acontecer, aliás, quando quer que se aborde um autor dito “contemporâneo” pela via biográfica.
Os autores se verão impelidos, assim, em vista de seu intento, a levantar um outro tipo de argumento, na verdade bastante peculiar: o da promessa de uma primazia americana nos estudos literários. Passando muito rapidamente em revista a situação, na época, dos estudos literários na Inglaterra, na Alemanha, na França e na Rússia, situação pouco ou nada animadora pela avaliação que aí se faz, Wellek e Warren declaram, com efeito:
Não se pode antecipar o modo pelo qual o estudo literário europeu será reconstituído. Mas parece provável que, em todo o caso, a capacidade de liderança passou para os Estados Unidos. Aqui as bases materiais têm permanecido intactas; aqui tem sido possível reunir acadêmicos europeus com preocupações tanto metodológicas e especulativas quanto de aprendizagem; e aqui há um movimento crítico nativo, independente, começando a se fazer academicamente sentido. Aqui há uma chance – a qual, entretanto, podemos perder ou usar mal – de reconstituir o estudo literário em linhas mais críticas: dar ao aprendizado meramente antiquário sua apropriada posição subsidiária, romper com provincianismos nacionalísticos e linguísticos, trazer a pesquisa para relações ativas com a literatura contemporânea, dar à pesquisa consciência teórica e crítica (Ibid., p. 288).
É curioso observar que no mesmo parágrafo em que defendem a ruptura com “provincianismos nacionalísticos e linguísticos” – mal esse que, pelo que se expõe anteriormente, teria contribuído para a fragmentação metodológica dos estudos literários na Europa –, os autores falem, numa referência indireta ao New Criticism, em nome de um “movimento crítico nativo” estadunidense que estaria “começando a se fazer academicamente sentido”, e que deveria, portanto, ser apoiado nessa sua ascensão (justamente por ser
americano, supõe-se). No geral, é como se os autores se pusessem a injetar, mais ou menos
o que parece particularmente evidente no trecho em que, aludindo à sugestão do crítico francês Albert Thibaudet de que fossem criadas, a exemplo das cátedras de filosofia, cátedras de “literatura” para investigações que pertencem à teoria da literatura geral, eles, então, declaram: “A sugestão é boa. Mas nós, americanos, deveríamos fazer mais: deveríamos procurar transformar nossos professores de Inglês em professores de Literatura” (Ibid., p. 290). Qualquer que seja o conteúdo propositivo em questão, uma sentença que se inicia por “But we Americans should do more...” parece mesmo fadada a soar como uma conclamação às armas de cunho nacionalista.
Os autores mencionam, já no encerramento do capítulo e, portanto, da própria Theory, a objeção feita “a um programa como o nosso de que ele demanda uma reforma do homo
Americanus, de que ignora sua preocupação com o trabalho, seu ideal de eficiência, sua
crença em ensinar qualquer um e todo mundo, seu positivismo inato”, e então respondem que não, que “o plano proposto não é utópico nem contradiz tradições americanas fundamentais” (Ibid., p. 297), que uma “virada para o estudo e a crítica de teoria não é nem ‘idealista’ nem não-americana” (Ibid., p. 298). A despeito da inegável graça em se testemunhar um acadêmico como Wellek, ele próprio um imigrante europeu nos EUA, defendendo a “americanidade” de sua proposta teórica, num eco involuntário, aliás, às preocupações tipicamente historicistas herdadas do século XIX com o “propriamente nacional”, o Volkgeist, etc., é preciso reconhecer estar aí em jogo algo muito sério, algo de que dependeria a factibilidade de se tomar a teoria da literatura sistematizada na Theory como resposta à questão que ela se propõe a responder.
Eis o drama em que então se encontram Wellek e Warren: em seu intuito de provocar a “reorientação” dos estudos literários do “histórico” para o “crítico”, os autores permitem-se recorrer a um critério, por assim dizer, e para empregar um termo tornado célebre por eles,
extrínseco ao embate propriamente epistemológico em que estão enredados, e ao qual de outra
forma muito provavelmente jamais recorreriam, pelo simples (mas grave) fato de que, de um ponto de vista intrínseco ao referido embate, não há critério epistemologicamente neutro ao qual se possa recorrer a fim de atestar a superioridade inequívoca de qualquer um dos lados. Os autores acabam por arrastar, assim, o leitor para uma espécie de grau zero epistêmico, no qual não mais/ainda não há uma resposta a “como lidar intelectualmente com a literatura”: (a)
não mais porque a resposta habitualmente admitida para a questão, ora desnaturalizada por
questionamentos vários, vê-se desmobilizada de sua posição de única resposta, passando de “a” para uma resposta, ou melhor, para uma possibilidade de resposta: alguém que, a essa altura, insistisse na manutenção de seu estatuto de resposta, só poderia fazê-lo a título de
reafirmação, portanto de deliberada escolha, decisão; (b) ora, justamente esse é o motivo pelo qual, a rigor, ainda não há uma resposta propriamente dita: revertida a antiga resposta única ao nível de mera possibilidade, e possibilidades de respostas outras necessariamente se anunciam no horizonte, incluindo aquela que gostariam de proferir Wellek e Warren, nesse ponto enunciada como uma promessa cuja concretização dependeria, também ela, de uma escolha deliberada, de uma decisão.
É a figura de um contrato que parece então se desenhar nesse capítulo final, um contrato entre os autores da Theory e seus leitores, um contrato de leitura, bem entendido. O bom andamento das coisas dependeria da assinatura desse contrato pelo leitor, sem a qual todo o esforço prévio de argumentação, de conceituação rigorosa, de sistematização terá sido em vão. A explicitação do lance contratual se dá pelo tom programático, sob a forma condicional, assumido pelo capítulo final, em franco contraste com a assertividade predominante nos capítulos anteriores: a partir daquele altissonante “But we Americans should do more...”, vários e vários “we should” [nós deveríamos] ou “he/it should” [ele/isso deveria] capítulo afora armarão essa estrutura contratual de tipo imperativo-condicional, por assim dizer: “Um professor de literatura deveria ser capaz [should be able]...” (Ibid., p. 291); “Ao invés de formar o quadro de um departamento em termos de ‘homens de Shakespeare’ e ‘homens de Wordsworth’, nós deveríamos [we should], melhor, invocar...” (Ibid., p. 291); “Nas exigências linguísticas, uma mudança radical deveria ser feita [should be made]” (Ibid., p. 293); “Tanto a teoria educacional do curso quanto o domínio exclusivo do ‘método histórico’ deveriam ser contestados [should be challenged]” (Ibid., p. 294); “Para as exigências curriculares, nós deveríamos planejar [we should plan] ‘tipos’ de cursos” (Ibid., p. 294); “Deveria haver [there should be] um curso em teoria da literatura” (Ibid., p. 294); “A tese de doutorado deveria ser concebida [should be conceived]...” (Ibid., p. 294), etc.
“We should”, “we should”, propõem, reiteradamente, Wellek e Warren ao leitor, mas
por que, afinal, deveríamos? “O estudo literário em nossas universidades – nosso ensino e
nossa escrita – deve tornar-se [must become] proprositadamente literário”, sentenciam, à guisa de síntese, os autores (Ibid., p. 298). É de uma decisão, sem dúvida, que se trata, uma decisão entre o “histórico” e o “crítico” (o “propositadamente literário”). Dessa decisão depende a resposta que se dará a “como lidar intelectualmente com a literatura”. Com essa decisão, nasce, na verdade, a resposta como resposta. Nenhuma resposta, portanto, antes da decisão. A decisão em questão encontra-se, pois, desamparada, sem garantias fora dela mesma. O contrato não tem fiador. A decisão revela-se, assim, a um só tempo necessária e impossível.
Por outro lado, fica claro que justamente porque não há garantias é que uma decisão, uma verdadeira decisão se faz necessária (ainda que impossível). Contássemos de antemão com a resposta a por que, afinal, deveríamos ou não decidir por esta ou aquela possibilidade, e então nenhuma decisão digna do nome se faria realmente necessária. Onde há resposta, uma determinada decisão já foi tomada.
O fato de o referido contrato surgir apenas no final da Theory, enfeixando, na verdade, todo o volume, pareceria mesmo atestar a lisura, a boa-fé, por assim dizer, de seus proponentes: o leitor, a essa altura, teria os elementos necessários para saber exatamente o que está assinando, e, mais importante ainda, em que condições. Justamente por esse mesmo motivo é de se indagar o porquê de o capítulo final ter desaparecido do livro já a partir de sua segunda edição (1956), a Theory passando a constituir-se, desde então, por dezenove ao invés de vinte capítulos. No breve prefácio dos autores à segunda edição, eles notificam que apesar