2. Metodisk verktøykasse for samtalenivåene
2.2. Øvelser i andre samtalenivå
Movimento Energia vital Vitalidade Alegria Ímpeto Vital Entusiasmo Autonomia Contato Carícia Sexualidade Desejo Prazer Fusão orgânica Voluptuosidade Liberdade Expressão Curiosidade
Criatividade Exaltação criativa Criação artística
Criação científica Proteção (segurança) Nutrição Afetividade Ternura Amor Amizade Altruísmo Harmonia (criação harmônica
com o ambiente circundante) Respiração Livre Transcendência Beatitude Serenidade Êxtase Fonte: Toro, 2005.
A palavra vivência significa estado de ser vivente, vida, condições, estilo e experiência de vida. Esse significado relaciona todos os seres vivos (animal ou vegetal), os quais, conforme as condições próprias de existência passam por experiências de vida, diferenciadas e singulares ao seu processo particular de evolução, enquanto espécies viventes. Da simplicidade da definição de vivência, pode-se também perceber a sua complexidade, quando consideradas as conexões que há entre todas as vivências, de todos os estados de seres viventes, que, numa visão sistêmica, ecológica profunda e biocêntrica de ver a totalidade universal, acontecem em rede de relações, de dependência e interdependência, em que tudo e todos fazem parte dessa imensa rede unificada, a vida, na sua conotação mais ampla e profunda de existência (DIÓGENES, 2006).
É importante nesta análise, citar o filósofo historicista alemão Dilthey (1949), pois foi quem primeiro investigou o sentido de vivência, (Erlebnis) a traduzindo, em alemão, a define, como “[...] algo revelado no complexo psíquico dado na experiência interna de um modo de existir a realidade para um indivíduo.” (TORO, 2005, p. 29).
Na teoria da Biodança foi redefinido o conceito de vivência como “[...] a experiência vivida com grande intensidade por um indivíduo no momento presente, que envolve a cinestesia, as funções viscerais e emocionais. A vivência confere à experiência subjetiva a palpitante qualidade existencial de viver o aqui e agora.” (TORO, 2005, p. 29). A experiência de um instante vivido na metodologia do SB é chamada de vivência, cujo acontecimento é resultado da combinação do seguinte tripé: movimento (exercícios do SB, música sugerida conforme o exercício) e a emoção (sentimentos individuais e grupais dos participantes).
Custódio (1994 apud GÓIS, 1995, p. 64) percebe a vivência acontecendo de duas maneiras: a vivência epistemológica (possibilidade da vivência dar a conhecer ou dar-se a conhecer) e a vivência ontológica (vivência mesma do ser). Isso significa dizer que: a primeira vivência refere-se à possibilidade da significação do conhecimento adquirido através da vivência, logo restrita, e a outra está subordinada à vivência própria do ser, enquanto ser vivente, portanto com abrangência do todo. Reforçando esse pensamento o referido autor coloca que Buber (1977) compreende essa dualidade da vivência como essencial para o acontecimento da relação intrínseca do homem com o mundo, que se realiza tendo em vista as Palavras Elementares EU - ISSO (conhecimento, experiência) e EU - TU (encontro, diálogo, amor). (GÓIS, 1995, p. 64)
Complementando o conceito de vivência, novamente Góis (1995) cita as reflexões de Custódio (1994) que afirma:
A tese que defendo é a de que a vivência que leva ao conhecimento filosófico ou científico é uma vivência que se dá ao nível da consciência, portanto, captável metodologicamente por um esforço do pensamento; enquanto a vivência do ser, uma vivência da vida em toda a sua dimensão. Em outras palavras, há uma diferença entre uma vivência epistemológica e outra ontológica. (CUSTÓDIO 1994, p. 32
apud GÓIS, 1995, p. 64).
Góis (1995, p. 64) explica que neste conceito, a vivência é colocada através de Hussel 1989) como o lugar de obtenção do conhecimento e Dilthey 1978) como criadora dos fatos promovidos pela consciência, em que se tratando da vivência do SB é possível uma confirmação ontológica e biocêntrica, onde a identidade do ser é construída de forma instantânea e singular a partir de sua relação com o mundo, ou seja, ser-no-mundo; acrescenta ainda que
[...] a vivência biocêntrica é a vivência ontológica evolutiva, integradora, do ser em construção por fazer-se presença, mesmo que o instante seja de dor e sofrimento. Em vez de uma totalidade em degradação, onde o ser perde energia vital, uma totalidade que abarca, cada vez mais, novos circuitos energéticos, totalidades maiores, fortalecendo a homeostase e a transtase, aumentando o grau de autonomia, vinculação, complexidade e abrangência da identidade presentificada como ser-no- mundo. (GÓIS, 1995, p. 72).
Justificando o seu conceito de vivência em Biodança, Toro (2005, p. 33), aproveita o pensamento de Eugenio Pintore (1996) afirmando que:
A função central da vivência na biodança permite recuperar o aspecto experiencial da abordagem cognitiva, superar a cisão entre experiência e consciência, e, assim modificar a própria idéia de ciência. A Biodança propõe uma epistemologia e uma teoria da consciência absolutamente inovadora e revolucionária, e o centro desta “revolução” considera essencialmente o conceito de vivência. [...] Uma epistemologia com base na vivência tem potencial para promover, além de uma consciência essencial da realidade, também a sabedoria, que consiste na relação com o mundo, na interpretação do ser como o cosmo. A Biodança inaugura, assim, uma forma de acesso extremamente profundo à consciência de si e do mundo por meio da vivência. (TORO, 2005, p. 33).
Ainda, segundo Toro (2005, p. 30) a vivência no SB acontece em três níveis:
[...] o cognitivo, o vivencial e o visceral, logo, neurologicamente ligados, favorecendo um condicionamento mútuo, mesmo preservando uma forte autonomia. Isso torna a vivência uma prioridade na metodologia da Biodança, pois tem efeito imediato de integração que, sem retirar a sua cognição, consciência e simbologia, torna-se desnecessário ser analisada posteriormente ao nível da consciência.
Conforme Góis (1995, p. 32) o SB abrange vários campos de estudos, como da
biologia, da física e da psicologia, além de contar com contribuições da arte, música, tradição e filosofia. A sessão de Biodança tem duração de três horas e consiste em dois momentos:
inicialmente um “verbal” para compartilhamento de experiências e idéias do grupo dentro de uma temática; em segundo, o “vivencial” ou aplicação das vivências biocêntricas.
No primeiro momento, o “verbal” é possível ocorrer nos seguintes moldes: aula teórica, círculo de cultura, intimidade verbal. Esse momento requer uma profunda atenção através da escuta do outro, sem conceitos, preconceitos e qualquer intenção de promover terapia. Todavia, o respeito e a forma autêntica como o grupo recebe e responde aos estímulos de um relato vivencial de um ou mais de seus membros contribui para o fortalecimento da identidade individual e grupal (GÓIS, 1995, p. 105-106).
O segundo, o “vivencial” faz uso de três recursos: a música, o movimento e a emoção, os quais em combinação simultânea e atrelados a consigna (solicitação ou convite) feita pelo facilitador(a) de Biodança, pode proporcionar o que o SB chama de “vivência” que acontece naturalmente, desde que haja uma autêntica entrega do participante à metodologia do SB, resultando em um processo progressivo e direcionado ao desenvolvimento de uma consciência ecológica profunda da condição humana, enquanto ser-no-mundo. Essa condição favorece uma maior conexão do indivíduo com a Teia da vida, capacitando-o para uma abertura às questões socioambientais e para uma mudança de postura ou reeducação no estilo de viver, através de uma nova forma de se expressar no mundo, resgatando o princípio de valorização da vida e de sua identidade pessoal e coletiva.
A abordagem do SB identifica-se com a proposição da EAI por constituir-se para ela um recurso metodológico de potente aplicação, considerando que a mesma promove o autoconhecimento do sistema humano, o reconhecimento de sua pertinência com a totalidade socioambiental e o desenvolvimento de uma consciência ecológica profunda acerca de sua vinculação com a teia da vida, quando o homem deve sentir-se responsável pela integridade da paisagem construída através das redes relacionais (naturais e sociais) de dependência e interdependência existentes na referida teia.