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3. Kulturhistorisk del

3.1 Østfold som kulturområde

Na primeira etapa, analisamos o desenvolvimento da oralidade com apoio nos aspectos narrativos dos recontos realizados, os elementos linguísticos e extralinguísticos e o desenvolvimento sociocognitivo dos sujeitos. Na segunda etapa, avaliamos a evolução da oralidade pela capacidade narrativa na modalidade oral e escrita nos textos oralizados e escritos pelos sujeitos.

Os dados pré-linguísticos que a criança aprende na relação inicial permitem o domínio não somente do léxico, como também da gramática. Nas palavras de Bruner (1997, pp. 70-71), “uma vez que a criança domine, através da interação, as formas pré-linguísticas apropriadas ao manejo ostensivo de referência, ela pode ultrapassá-las para operar, por assim

dizer, dentro dos limites da linguagem adequada”. O narrador deve também ser capaz de

articular o tempo, as ações e as personagens, de modo que todos os constituintes da ação narrativa se encaminhem para um estado final. Nas palavras do autor,

Uma história descreve uma sequência de ações e experiências de um determinado número de personagens, sejam reais ou imaginários. Esses personagens são representados em situações que mudam... às quais eles reagem. Essas mudanças, por sua vez, revelam aspectos ocultos das situações e dos [sic] personagens, dando lugar a uma nova condição que pede reflexão ou ação, ou ambos. A resposta a esta condição leva a história à sua conclusão. (1997, P. 46).

88 Segundo esse estudioso, são quatro as constituintes gramaticais necessárias para se proceder à narrativa. Vejamos: primeira - apreender informações; segunda - sequencialidade, ou seja, estabelecer e manter ordem sequencial de eventos e estados; terceira - sensibilidade à norma canônica; e quarta - conteúdo internalizado por um agente narrador.

A análise se fundamenta nas inter-relações do texto literário com o desenvolvimento da linguagem oral e com a mediação cultural, com base na teoria sociointeracionista. Quanto aos aspectos narrativos, nos textos orais e escritos, utilizamos os parâmetros definidos por Adam (1992), que estabelece critérios mínimos para se considerar um texto como de natureza narrativa27. Desse modo, são cinco os elementos que compõem a estrutura narrativa, quais sejam:

 Orientação - em que são apresentadas as personagens, podendo referenciar o lugar e o

tempo e ser acompanhada ou não por situações tensas.

 Complicação - conjunto de motivos que violam o equilíbrio inicial;  Resolução - processo responsável pela transformação da narrativa e pelo

restabelecimento do estado inicial de equilíbrio;

 Situação final - apresenta a situação final das personagens, a retomada do equiílibrio.

Fecha o mundo da narrativa.

 Coda ou Avaliação - que marca um retorno ao mundo exterior à narrativa, ou seja,

emitir uma opinião, um fechamento da história. (ADAM, 1992; GONDIM, 2004).

Com esteio em Adam (1992), em Bruner (1997) e Teberosky (2004), que consideram as fases de desenvolvimento da narrativa de acordo com a idade da criança e com a qualidade das interações sociais nessa elaboração, analisamos e confrontamos nossos dados com outros resultados de pesquisa.

27

Optamos por não descrever cada um desses aspectos para evitar a repetição, uma vez que conceituamos e exemplificamos, ao mesmo tempo, cada um deles no capítulo da análise. Para uma leitura acessível cf. GONDIM, Meire Virginia Cabral. Conta outra Vez...: O texto literário como suporte mediador do desenvolvimento de narrativas orais. Dissertação, UFC - 2004.

89 Assentada nesses parâmetros, e com base na leitura dos dados, elaboramos uma escala de critérios de classificação para as narrativas orais na ordem de 0 a 4. Vejamos:

0 - Ausência de participação oral, produção de turnos de fala28 curtos sobre a história, sem encadeamento lógico, ou acerca de outros temas, sob a nossa mediação.

1 - Produção de turnos de fala sobre a história, mediados ou não por nós, sem encadeamento lógico, com elementos contraditórios e/ou confusos.

2 - Produção de turnos de fala sobre a história, mediados pela pesquisadora, com encadeamento lógico, mas com ausência de elementos fundamentais da trama ou contemplando canonicamente um aspecto narrativo independente de elo causal.

3 - Narrativa sem alternância de turnos em sequência temporal e causal.

4 - Narrativa completa com encadeamento causal, inclusive com a voz interior das personagens, alternância de discurso direto e indireto e traços de autoria.

Em relação às narrativas escritas, consideramos os critérios estabelecidos por Adam (1992) e Bruner (1997), porém, como a elaboração de uma narrativa escrita é uma tarefa muito mais complexa do que uma produção de narrativa oral, utilizaremos critérios mais gerais que se referem à conservação de características do gênero e da estrutura dos Contos de Fadas. Consideramos que a criança observou: a) estrutura narrativa mínima se, em seus textos escritos, constar a noção de gênero; b) estrutura narrativa média se, em seus textos escritos, contemplar, além da noção de gênero, começo, meio e fim; e c) estrutura narrativa máxima se o seu texto escrito contiver encadeamento lógico causal.Desse modo, elaboramos uma escala de critérios de classificação para as narrativas escritas na ordem de 0 a 4. Vejamos:

28 Turnos de fala diz respeito a produção de fala de cada sujeito, marcada pela alternância entre os falantes

90 0 – Não produziu texto ou ausência de tópico narrativo.

1 – Texto pequeno, com estrutura narrativa mínima, noção de gênero, mas sem encadeamento lógico e com elementos contraditórios e/ou confusos.

2 – Texto pequeno, conservando a noção de gênero, começo, meio e fim sem encadeamento lógico, ou contemplando canonicamente um aspecto narrativo independente de elo causal.

3 – Texto médio ou grande, conservando a noção de gênero, começo, meio e fim, em sequência temporal e causal, mas com ausência de aspectos narrativos ou de detalhes que os constituem.

4 – Texto grande com estrutura completa e encadeamento causal, inclusive, com a voz interior das personagens e traços de autoria. Desse modo, os textos escritos serão avaliados mesmo que a criança suprima detalhes importantes, mas que não descaracterizem ou comprometam a compreensão da história. Exemplificamos com o texto escrito da história de A Bela e a Fera, por Daiany (CASO 5 - S3E2):

Era uma vez um menina que sichamava Bela. Ela tenha uma irmã mais bonita do que a outra um dia seu pai teve que o seu Pia teve que viajar i um as filhas pediu para uma coíza um pediu tesido outra pe dui jóia para uE a Bela pediu um rosa Seu pai Rezolveu seus proBrema i ele viu um castelo E comeu dormiu E pegou um rosa pro sua filha . Bela E a Bela Foi Vizita Seu pai

E a Fera foi a tacada e a bela Viu Fera a i ela rochori E dia bela Fera não mora eu ciamor

E os dois sicasaro E vivero Felze prara sen per. (Etapa 4 - 20/10/2010).

A classificação dos aspectos narrativos, de acordo com a escala que elaboramos, é a seguinte:

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Figura 1 - Evolução da estrutura narrativa oral - CASO 5 - S3E2 - DAIANY

Fonte: Produzido pela autora

O texto exprime a compreensão de gênero narrativo pelo início e o final canônico, que caracterizam, especialmente, não só o gênero narrativo, mas, dentre eles, os contos de fadas. Há também a sequência começo, meio e fim, porém, não há tensão nem complicação, o que compromete a qualidade de seu texto, uma vez que, em se tratando de narrativa, a trama da intriga é indispensável ao enredo (ADAM, 1992; GONDIM, 2004), além da sequencialidade causal.

A atividade de escrita das narrativas para as crianças foi espontânea. O único comando consistia em solicitar que escrevessem a história que haviam acabado de recontar.

Cada criança foi analisada e comparada consigo mesma com base nas produções de textos orais mostradas na primeira etapa da pesquisa e evolução subsequente na oralidade e na escrita, de acordo com a apropriação desse conhecimento, utilizando o método da análise comparativa.

Assim, os sujeitos foram avaliados na oralidade e na escrita com amparo na apropriação da narrativa em sequência temporal e causal, gênero e estrutura do texto. E ainda, em relação à escrita, níveis de escrita conforme Ferreiro e Teberosky (1999), de acordo com o estádio de aprendizagem de cada sujeito.

No que concerne à análise da relação entre oralidade e escrita, utilizamos a perspectiva socioconstrutivista, que compreende a aprendizagem da oralidade e da escrita como um processo contínuo, ou seja, as primeiras marcas de teor gráfica da criança são consideradas como escrita e a interpretação dessas marcas é considerada leitura.

92 Assim, utilizaremos os postulados de Vigotski, para referendar nossos achados, bem como outros autores que compartilham de sua orientação histórico-cultural de aprendizagem e desenvolvimento concernente à aprendizagem da oralidade e da escrita.