3.2 Mest mulig målretta virkemiddelbruk: Hva er
3.2.3 Økt verdiskaping i Nord-Norge: Noen utfordringer . 33
Este estudo foi dividido em três partes. Esta introdução justifica a escolha do objeto de estudo, apresenta a metodologia proposta para a efetivação dos objetivos traçados e aponta o aporte teórico que sustenta a pesquisa.
O primeiro capítulo apresenta o movimento de consolidação do gênero literatura infantil, com o objetivo de mapear referências que posteriormente viriam influenciar a produção literária no Brasil, com foco referencial na ilustração.
O segundo capítulo elenca dados sobre os antecedentes do livro ilustrado no Brasil, destacando alguns autores e obras significativos neste percurso de constituição de uma literatura infantil brasileira, também com foco referencial na ilustração. Também evidencia, a partir da retomada da série histórica, alguns ilustradores/escritores 2
representativos de uma produção contemporânea da literatura infantil, os quais abriram
2 Importante ressaltar que se optou por empregar nesta pesquisa o termo “ilustrador/escritor” para um
único autor que assume as funções de escrever e ilustrar uma obra literária. Apesar de não se pretender neste estudo evidenciar uma hierarquia de um ou outro papel, conferindoigual importância para essas autorias, destaca-se que todos os autores selecionados para este estudo iniciaram suas carreiras primeiramente como ilustradores, fato este que contribuiu para a decisão de colocar a palavra ilustrador antes da palavra escritor para mostrar a relação que pressupõe o duplo papel autoral.
espaço para essa condição de escrever e ilustrar, consolidando uma dupla função de autoria no mercado editorial de livros infantis.
O terceiro capítulo analisa entrevistas realizadas com os ilustradores/escritores Marilda Castanha, Cláudio Martins, Marcelo Xavier e André Neves, e propõe o estabelecimento de algumas categorias para a compreensão dos textos verbal e visual, a partir de evidências mostradas nos processos criativos e em algumas obras selecionadas desses autores.
Sabe-se que adentrar no campo da pesquisa acadêmica exige escolhas e as estratégias de investigação nem sempre se mostram muito claras a princípio, pois as possibilidades de trabalho são inúmeras. O percurso de pesquisa escolhido inevitavelmente nos abre novos caminhos que não correspondem ao nosso desejo inicial. E esse talvez seja o traço mais fascinante de uma pesquisa. As indagações no processo de investigação se avolumam, abrindo uma nova estrada sinuosa que vai aos poucos se distanciando daquela que se vislumbrava na elaboração inicial do projeto. Fazer recortes torna-se uma habilidade importante que deve ser desenvolvida pelo pesquisador no trabalho de costuras textuais.
Os recortes dos estudos exigem uma objetividade que transita entre os princípios da academia e a subjetividade do pesquisador(a), principalmente numa pesquisa de caráter qualitativo. O impessoal, por vezes, se personifica, nas entrelinhas. Isso ocorre principalmente quando o que nos move para realizar o estudo é justamente uma vivência ou a própria experiência profissional, a qual faz suscitar indagações em busca de um suposto conhecimento, às vezes não tão desconhecido.
No caso deste estudo, foi justamente uma experiência pedagógica com alunos do ensino fundamental que fomentou vários questionamentos sobre a condição de produção de livros para crianças na contemporaneidade e também sobre a possibilidade de a literatura infantil poder andar de mãos dadas com a disciplina Arte na escola, já que um texto literário, assim como um objeto artístico podem ser produzidos e apreciados de forma subjetiva e estética.
Dessa forma, esta pesquisa de caráter qualitativo, prioriza compreender características e comportamentos da situação e dos objetos investigados por meio de análise de livros de
literatura e de entrevistas com ilustradores/escritores. De acordo com Goldenberg (2004, p.53),
Os dados qualitativos consistem em descrições detalhadas das situações com o objetivo de compreender os indivíduos em seus próprios termos. Estes dados não são padronizáveis como os dados quantitativos, obrigando o pesquisador a ter flexibilidade e criatividade no momento de coletá-los e analisá-los.
Assim, não existe regras definidas a priori, pois depende da “sensibilidade, intuição e experiência do pesquisador” (idem, p.53). O cuidado que se deve ter, neste caso, segundo esta autora, é que a possibilidade de um envolvimento mais próximo do pesquisador não interfira nos resultados, em função da sua personalidade ou crença em determinados valores. Os autores Fraser e Gondim (2004, p. 8) complementam sobre a premissa deste tipo de pesquisa, afirmando que:
[...] na abordagem qualitativa, o que se pretende, além de conhecer as opiniões das pessoas sobre determinado tema, é entender as motivações, os significados e os valores que sustentam as opiniões e as visões de mundo. Em outras palavras é dar voz ao outro e compreender de que perspectiva ele fala.
As entrevistas semiestruturadas, realizadas com alguns ilustradores/escritores selecionados a partir de alguns critérios, servirão para triangular aspectos relacionados a obras analisadas sob o prisma do papel de ilustrar o livro para crianças. Tal tipo de entrevista assim se denomina porque “o caráter flexível deste tipo de abordagem permite aos sujeitos responderem de acordo com sua perspectiva pessoal, em vez de terem de se moldar a questões previamente elaboradas” (Bogdan e Biklen, 1994, p.17). Dessa forma, expressam-se mais livremente, de acordo com suas considerações sobre algum tema ou assunto. Outra característica evidente nesse tipo de coleta é uma natural interação entre sujeito pesquisado e pesquisador. Para aquele, deve-se adotar ainda uma atitude total respeito como afirma Ludke e Andre (1986,p.35),
[...] ao lado do respeito pela cultura e pelos valores do entrevistado, o entrevistador tem que desenvolver uma grande capacidade de ouvir atentamente e estimular o fluxo natural de informações por parte do
entrevistado. Esta estimulação não deve, entretanto forçar o rumo das respostas para determinada direção. Deve apenas garantir um clima de confiança, para que o informante se sinta à vontade para se expressar livremente.
Ainda Goldenberg (2004, p.56) pauta que mesmo sendo um tipo de entrevista mais flexível em relação às questões, ainda assim, é fundamental um planejamento das questões e principalmente um equilíbrio, “para não ir além do que pode perguntar, mas também não ficar aquém do possível”.
As questões para a entrevista dos ilustradores/escritores contemplaram quatro eixos e, a partir deles, se orientaram para os seguintes temas:
1- Questões referentes à formação dos ilustradores/escritores (dados bibliográficos voltados para a formação profissional dos sujeitos).
2- Questões relacionadas à produção, aos livros publicados, às fases do trabalho de ilustração e escrita, etc.
3- Questões relacionadas ao processo de criação dos ilustradores/escritores.
3.1- o processo de criação das ilustrações.
3.2- O processo de criação do texto verbal.
3.3 O processo de articulação ente texto verbal e visual.
4- Questões relacionadas ao processo de produção editorial.
4.1- A programação visual /diagramação.
4-2- O projeto gráfico.
As entrevistas com alguns ilustradores/escritores objetivaram aprofundar aspectos relacionados aos processos de criação de sua produção literária em geral. Os critérios utilizados para a seleção de algumas obras literárias infantis de ilustradores/escritores:
composição do texto escrito e do texto imagético, com enfoque na lustração, temática da narrativa e sua adequação ao universo infantil, presença de elementos lúdicos no conjunto da obra, recursos da linguagem verbal e visual, bem como os efeitos gerados pelas relações entre as linguagens.
Para a efetivação desses procedimentos metodológicos, foi realizado, inicialmente, um levantamento dos autores que hoje no Brasil assumem o duplo papel de escrever e ilustrar livros de literatura infantil. Em seguida, foi listado um universo de nove possíveis autores participantes da pesquisa. O critério para essa escolha considerou a condição desses profissionais já apresentarem uma carreira consolidada, como escritores e como ilustradores, e apresentarem também algum reconhecimento nessa condição, com premiações relevantes na área. Feito o levantamento, ainda foi realizada uma nova filtragem, para a seleção de quatro ilustradores/escritores. Foram selecionados Marilda Castanha, Cláudio Martins, Marcelo Xavier e André Neves.
Isto se fez necessário, visto que o grupo anterior (nove) era um número alto para o estudo proposto, além também de alguns deles, após serem convidados para participarem da pesquisa, não terem retornado com alguma resposta à pesquisadora. Após seleção de um universo menor de participantes da pesquisa, foi feito contato individualmente com todos eles via email ou telefone. Todos os ilustradores/escritores se pronunciaram de forma positiva e retornaram o contato, bem receptíveis, aceitando fazer parte dessa pesquisa. Ficou definido que, devido à importância desses artistas no percurso da história da ilustração, eles estariam fazendo parte do estudo com a declaração dos respectivos nomes legítimos, sendo sua trajetória incluída no desenvolvimento da pesquisa bibliográfica.
Por amostragem, posteriormente, foi feita análise de uma obra literária infantil de cada autor selecionado, com a finalidade de verificar aspectos relacionados aos processos criativos desses autores, quando escrevem e ilustram, cruzando elementos identificadores do estilo dos ilustradores/escritores com os dados da entrevista. Nessa etapa da pesquisa, foi feita análise das narrativas verbais e visuais, além do projeto gráfico que inclui capa, composição das imagens e texto verbal, diagramação, etc.
Antes, porém, de focalizar ilustradores/escritores da atualidade, para se evitar anacronismos ou análises que não consideram o papel de ilustrar dentro de uma série histórica de longa duração, mostrou-se necessário um breve rastreamento de ilustrações em livros de literatura para crianças com o foco no lugar ocupado por elas em livros selecionados da tradição ocidental e da produção brasileira.