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Økonomiske virkemidler

3.3 Hovedtrekk ved dagens virke- middelbruk

3.3.2 Økonomiske virkemidler

O barroco obteve a sua mais perfeita manifestação artística durante o decorrer da Idade Moderna. As artes monumentais das catedrais e de outras igrejas não se resumiam apenas à sua arquitetura, mas abarcavam também a música, a pintura, a literatura, o teatro e o mobiliário interno das igrejas e palácios. Se transpusermos todo esse esplendor e ostentação, para o meio popular, para os rituais litúrgicos, as procissões, os acompanhamentos fúnebres das pessoas mais abastadas, e para as demais festas públicas

de caráter popular1, percebemos como ele se alargou e estendeu ao cotidiano de todos. As

pessoas ficavam estupefatas com tantas novidades em seu meio, era como se cada festa fosse um momento único nas suas vidas. Para os mais humildes, que passavam seus dias no campo trabalhando para conseguir comer algo, o acesso a esse luxo acontecia raramente,

mas era possível em alguns momentos da vida2. Neste trabalho, limitamo-nos apenas às

manifestações públicas de caráter fúnebre3.

Tendo como base as obras de misericórdias, a ajuda mortuária aos irmãos constituía também em diminuir as dívidas com Deus. Entre os principais objetivos das confrarias podemos destacar a segurança de um enterro digno e a realização de missas e orações para sufragar as almas dos pecadores, levando ao ápice o sentimento de pertença à irmandade durante os momentos fúnebres. Tendo em vista que, a entrada numa confraria visava a ajuda mútua entre os confrades durante a vida, em algumas ajudavam-se os irmãos mais carentes, que em determinadas épocas passavam maiores necessidades. Todavia, o maior significado era a busca da salvação individual após a morte.

Os rituais mais simples eram os que estavam relacionados com os irmãos mais pobres. Compreendiam a mortalha, os círios, a presença dos confrades no acompanhamento e um determinado número de missas. Sendo rico ou pobre, na profissão barroca, podemos                                                                                                                

1 Para melhor entendimento acerca dos cenários populares na Idade Moderna, confira-se Burke, Peter, La Cultura popular en la Edade

Moderna, Madrid, Alianza Editorial S.A, 1996, pp. 167-172.

2 Leia-se Milheiro, Maria Manuela, “Subsídios para o Estudo da Festa Barroca. A Festa Fúnebre”, in Cadernos do Noroeste, vol. 4, 1991, pp. 369-380. Sobre a mentalidade barroca e seus mártires protetores, confira-se García Bernal, José Jaime, “Relatos de vida desde el lecho de muerte: hombres de Dios y comunidades devotas en la España del primer barroco (ca. 1604-1614)”, in Araújo, Maria Marta Lobo de; Esteves, Alexandra; Silva, Ricardo; Coelho, José Abílio (coords.), Sociabilidades na vida e na morte (séculos XVI-XX), Braga, CITCEM, 2014, pp. 203-217; analise-se ainda Muir, Edward, Fiesta y rito en la Europa Moderna, Madrid, Editorial Complutense, 2001, pp. 259-271. 3 Relativamente às manifestações fúnebres durante o barroco, veja-se Vovelle, Michel, La mort et l’occidente de 1300 à nos jours, Paris, Gallimard, 1983, pp. 239-256.

encontrar vários níveis de pompa fúnebre, mesmo quando se tratasse das inumações mais

modestas4. Ajudar a enterrar os mortos estava ao mesmo nível de vestir os nus, alimentar os

famintos e visitar os doentes e presos5. As Misericórdias tinham certos privilégios régios que

lhes permitiam destaque nas realizações dos acompanhamentos fúnebres e no enterro dos mortos. Desde finais do século XVI que as demais confrarias estavam proibidas de possuir

tumbas e fazer cortejos funerários de igual ou superior solenidade às Misericórdias6.

Entretanto, é importante destacar que a confraria da Santíssima Trindade contava com duas tumbas entre os seus aparelhos de apoio mortuário. Em Mesa de 20 de julho de 1743,

ordenou-se que se fizesse uma justificação ad perpetuam rei memoriam para a tumba da

irmandade, já que a confraria sempre realizou os seus acompanhamentos, levando a tumba sobre os ombros. O que estava em causa era a posição da confraria no meio das restantes da cidade e muito particularmente da Misericórdia. Levantar a tumba ao nível dos ombros era

algo dignificante que nem todas estavam autorizadas a fazer7.

Para o estudo da assistência da alma na confraria da Santíssima Trindade, faremos uma análise dos acórdãos de 1413 e 1416, dos estatutos de 1629 e dos de 1740,

mostrando a necessidade da cura8 da alma, quando o indivíduo estivesse enfermo9 e que, ao

mesmo tempo, existia também a elaboração de todo o processo para que a alma seguisse                                                                                                                

4 Para mais informações a propósito de como se realizavam os enterros dos pobres na Misericórdia de Ponte de Lima, veja-se Araújo, Maria Marta Lobo de, Dar aos pobres e emprestar a Deus: as Misericórdias de Vila Viçosa e Ponte de Lima (séculos XVI-XVIII), Barcelos, Santa Casa de Misericórdia de Vila Viçosa e Ponte de Lima, 2000, pp. 534-539.

5 Acerca do papel das Misericórdias na assistência aos mais carentes durante o Antigo Regime, consulte-se Sá, Isabel dos Guimarães; Lopes, Maria Antónia, História breve das misericórdias portuguesas, 1498-2000, Coimbra, Imprensa da Universidade, 2008; leia-se também Abreu, Laurinda, “O papel das Misericórdias na sociedade portuguesa do Antigo Regime”, in Araújo, Maria Marta Lobo de (org.), As Misericórdias das duas margens do Atlântico: Portugal e Brasil (séculos XV-XX), Cuiabá, Carlini & Caniato, 2009, pp. 13-40.

6 Relativamente às questões da assistência material e espiritual nas confrarias, leia-se Lopez Muñoz, Miguel Luis, “La hermandad de Ntra. Sra. de Covadonga, de Asturianos y Montañeses, de Granada (1702-1810)” in Chronica Nova, 18, Universidad de Granada, 1990,p. 103; também Ariès, Philippe, O homem perante a morte, vol. 1, Lisboa, Europa América, 2000, pp. 219; Lebrun, François, “As Reformas: devoções comunitárias e piedade individual”, in Ariès, Philippe; Duby, Georges (dir.), História da Vida Privada. Do Renascimento ao Século das Luzes, vol. 3, Porto, Edições Afrontamento, 1990, pp. 88-91; confira-se ainda Araújo, Ana Cristina, “Corpos sociais, ritos e serviços religioso numa comunidade rural. As confrarias de Gouveia na Época Moderna”, in Revista Portuguesa de História, nº 35, Coimbra, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 2001-2002, pp. 274-275.

7 AIP, Fundo da confraria da Santíssima Trindade, Livro de Termos da Irmandade da Santíssima Trindade da Sé Primaz, 1731-1762, nº 24, fl. 53v.

8 A respeito dos últimos sacramentos recebidos pelo enfermo para alcançar a cura da alma, leia-se González Lopo, Domingos L., Los

comportamientos religiosos en la Galicia del Barroco, Santiago de Compostela, Xunta de Galicia, 2002, pp. 171-223.

9 Em Cantábria, Espanha, os irmãos se organizavam conforme a proximidade de residência do enfermo, criando uma rotatividade ininterrupta para velar o irmão. Em algumas Ordens Terceiras de São Francisco, era muito comum a figura do enfermeiro, que tomava conta do doente e também levava as informações à Mesa. Acerca deste assunto, confira-se Mantecón Movellán, Tomás Antonio, Contrarreforma y Religiosidade popular en Cantabria. Las confradías religiosas, Cantabria, Universidad de Cantabria – Asamblea Regional de Cantabria, 1990, pp. 84-85.

um caminho mais tranquilo para o além. A irmandade ajudava a preparar a morte, agindo em particular com os seus irmãos que estavam para partir e mesmo depois da sua morte.