2.2 Dagens nett- og tariffstruktur i Norge
2.2.2 Økonomisk regulering
Concordo com Vasconcelos (2000) quando enfatiza que é importante que o pesquisador tenha consciência de que o método de investigação deve ser consistente com o corpo teórico adotado e é esse corpo que comandará o processo de pesquisa, uma vez que o pesquisador escolherá, desde o início de seu trabalho, o caminho a ser trilhado. A construção do objeto, apresentada no capítulo anterior, está articulada à escolha metodológica de uma pesquisa-ação, uma vez que o objetivo da capacitação proposta é desencadear a reflexão sobre a prática cotidiana dos trabalhadores em saúde e, a partir dessa, contribuir para realizar uma transformação no processo de trabalho em saúde.
A pesquisa-ação caracterizada pela preocupação com uma melhor articulação da teoria com a prática e pela busca de novas formas de intervenção e transformação social configurou- se em distintas modalidades de pesquisa de acordo com as peculiaridades do contexto em que foram desenvolvidas.
As contribuições de Carr e Kemmis (1988) e Thiolent (1984), foram utilizadas neste trabalho para auxiliar a construção dos pressupostos epistemológicos da pesquisa-ação e as de Serrano (1990) e Ander-Egg (1990) para nos ajudar à sua operacionalização. No entanto, é importante pontuar que foi realizada uma adequação das formas de desenvolver a pesquisa- ação para o cenário com o qual eu trabalhei e para as condições institucionais e o momento político que vivia a Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre.
A vertente anglo-saxônica da pesquisa-ação, no início de seu desenvolvimento, foi influenciada pelas propostas de Lewin (1991), psicólogo alemão radicado nos Estados Unidos, a quem é atribuída uma das origens do termo pesquisa-ação, situada no início da década de 1940. Lewin (1991) propôs uma nova forma de investigação no campo da psicologia que poderia integrar o enfoque experimental da ciência social a projetos de ação social com o propósito de enfrentar os problemas sociais da época.
Um dos expoentes desta vertente é Carr que, juntamente com Kemmis, da vertente australiana da pesquisa-ação, ofereceu uma sistematização da pesquisa-ação no campo da educação (CARR; KEMMIS, 1988). Os dois autores foram influenciados pela teoria crítica da Escola de Frankfurt e enfatizaram o caráter emancipatório deste modo de investigar as questões educacionais (SANTOS; SILVA; KETZER, 1994).
O método da pesquisa-ação, sistematizado por Carr e Kemmis (1988), está fundamentado na teoria crítica que, conforme Habermas, tem como preocupação central articular a teoria científica com a missão de emancipar as pessoas da dominação do pensamento positivista, mediante seus próprios entendimentos e atos. Assim, a teoria crítica passou a reconsiderar a relação da teoria com a prática à luz das críticas surgidas sobre o pensamento positivista (HABERMAS, 1991).
Segundo Habermas (1991), a teoria crítica coloca em questão dois pontos fundamentais, que Carr e Kemmis (1988) salientam. O primeiro é o fato de que o conhecimento científico deve ser encarado como um dos vários tipos de conhecimento possíveis. O segundo é a idéia de que a ciência está condicionada por interesses humanos particulares que determinam a produção do conhecimento. Assim, não é possível existir uma ciência neutra, uma vez que ela sempre está relacionada aos condicionantes históricos, sociais, culturais e às percepções de cada sujeito.
Dentro da proposta da teoria social crítica, a discussão da relação entre a teoria e a prática é um dos pontos centrais. A teoria é produto de um processo de crítica da prática. São essas críticas que transformam a consciência. No entanto, necessariamente não se traduzem em uma reforma da prática e do mundo.
Habermas (1991) procura superar essa contradição, propondo uma integração da teoria com a prática num processo permanente e dialético de reflexão, ilustração e luta política. A teoria somente faz sentido se estiver a serviço da prática e a prática tem sempre uma teoria que a embasa. Assim, somente consegue teorizar sobre a prática quem vivencia esse cotidiano. Carr e Kemmis (1988) trazem os exemplos das teorias educativas e reforçam a necessidade de uma estar a serviço da outra.
Carr e Kemis (1998) propõem um modelo estruturado “de baixo para cima”, a integração da teoria com a prática, a construção conjunta da investigação e a discussão de seus resultados e reforçam a necessidade de um processo constante de indagação e análise da realidade, que parta de um problema prático e procure refletir sobre ele, mudá-lo e questioná- lo constantemente. Assim, a pesquisa-ação supõe que o processo de conhecer e intervir ocorra simultaneamente e que o estudo seja orientado para a organização, mobilização, sensibilização e conscientização. Para tanto, é necessário que um dos grupos que compõe a equipe da pesquisa tenha um conhecimento sistematizado sobre o assunto.
Acreditam que uma ciência educativa crítica deve ser participativa, sendo seus participantes os que criam, mantém, desfrutam e suportam as disposições educativas. Essas disposições têm conseqüências tanto individuais como sociais e incluem a alienação, a solidariedade social, a divisão social e o autoritarismo da sociedade contemporânea. A partir da ciência crítica é possível explorar essas contradições e procurar superá-las. Os participantes devem se organizar para tomar decisões sobre como vão transformar a realidade e quais as conseqüências dessas transformações (CARR; KEMMIS, 1988).
Segundo Thiollent (1984), existe uma clara distinção entre pesquisa-ação e pesquisa participante. Acredita que toda pesquisa-ação deve ser participante, pois suas preocupações giram em torno da relação entre investigação e ação. Enquanto a pesquisa participante está mais preocupada com a participação do pesquisador e não do pesquisado, a pesquisa-ação acredita que, além da participação do investigador, deve ser garantida a participação dos interessados na própria pesquisa, organizada em torno da ação. Assim, a pesquisa-ação pressupõe que haja apoio do movimento, da organização social, cultural ou institucional e deve estar voltada para a emancipação e para o fortalecimento da autonomia de todos os envolvidos. É centrada no agir e planejada visando uma intervenção com mudanças dentro da realidade investigada. Na fase de coleta de dados, várias técnicas podem ser utilizadas e ao final da pesquisa, deve ser elaborado um plano de ação, onde o planejamento da ação é concretizado (THIOLLENT, 1984).
Os princípios que nortearam a pesquisa-ação são o caráter participativo, democrático e voltados para a transformação social. Esse enfoque abandonou os pressupostos da neutralidade científica, da crença de que a pesquisa social é apolítica e se contrapôs ao modelo racionalista ou quantitativo que preconizava a unidade do método científico e analisava somente aqueles fenômenos que poderiam ser observados, mensurados e controlados experimentalmente. Situou-se a partir de uma atitude comprometida com a ação, com a opção de classe e com os interesses populares. Para tanto, propôs que a pesquisa social
se configurasse a partir de uma nova metodologia, na qual o pesquisador, que não é neutro, possa ser sujeito da própria pesquisa (SERRANO, 1990).
Na pesquisa-ação, é importante que o investigador possa, antes de iniciar o processo de pesquisa, conhecer os cenários e as pessoas. É interessante um mergulho do pesquisador no real, para captar a dinâmica das relações e do discurso de cada ator social. Para fazer esse reconhecimento do território com o qual vai trabalhar, é importante que o investigador se aproxime, converse com as pessoas e realize um registro bem detalhado das observações.
O tipo de abordagem que propusemos neste trabalho permite uma compreensão mais aprofundada da teia de significados que permeiam e intermediam as relações sociais estabelecidas e possibilita que se desencadeia uma ação a partir dessa reflexão. Nossa opção metodológica está relacionada ao fato de que o objetivo do estudo é desencadear uma ação. Mais do que qualificar os programas de vigilância da saúde da criança que já estão sendo desenvolvidos pela rede básica de serviços de saúde é possibilitar que as equipes locais reflitam sobre a necessidade de se trabalhar com a saúde da população e reorientem suas ações, deslocando o foco da doença, que é hoje a prática que predomina. Para que as ações de saúde possam ser norteadas pelo conceito positivo de saúde e pela prática da educação popular em saúde, foi necessário que a capacitação dos trabalhadores partisse da reflexão sobre as dificuldades e facilidades do trabalho cotidiano e do entendimento que a equipe de saúde tem de vigilância da saúde. Foi necessário partir do cotidiano de trabalho e discuti-lo nas equipes locais, para que se desencadeasse uma revisão de todo o processo de trabalho e para que as ações de saúde pudessem ser planejadas levando-se em conta as dificuldades e a realidade local.
A pesquisa-ação é um tipo de investigação que pressupõe a contínua e dialética experiência de aprendizagem, pois, por meio da interação, todos os participantes descobrem, redescobrem, aprendem e ensinam. Com isso, promovem-se relações humanas novas, em que o sujeito é o próprio objeto de investigação e a transformação do objeto investigado supõe a transformação do próprio investigador (SERRANO, 1990).
Esse método de pesquisa tem a intenção de promover a participação ativa da população investigada, estudar sobre a realidade e desencadear uma ação que possibilite a transformação dessa situação. As várias experiências que foram sendo relatadas pelas equipes procuraram refletir sobre as dificuldades comuns do grupo e a preocupação central foi de buscar alternativas conjuntas que pudessem apontar para a resolução dos seus próprios problemas (ANDER-EGG, 1990).
Ander-Egg (1990) menciona a importância do surgimento das idéias de Paulo Freire e da educação popular quase ao mesmo tempo em que surgiram as propostas da pesquisa-ação. Todas elas ajudaram a conhecer os problemas, necessidades e interesses que têm os participantes de uma ação.
A pesquisa-ação preocupa-se com que as pessoas que estão inseridas no processo de pesquisa apropriem-se de conhecimentos, habilidades e capacidades técnicas que lhes permitam atuar como protagonistas da ação. Isso somente é possível a partir do momento em que os participantes estejam mais capacitados para desencadear a ação. Assim, o sujeito da pesquisa acaba sendo o próprio objeto de investigação. Nessa ótica, investigar significa problematizar e questionar a realidade para descobrir, a partir do aparente, os acontecimentos e os condicionantes dessa realidade. Esse processo é interessante uma vez que possibilita o desenvolvimento da consciência crítica dos participantes (SERRANO, 1990).
Segundo Serrano (1990), são os seguintes os pontos essenciais na pesquisa-ação: a) a investigação-ação propõe uma troca, transformação ou melhora da realidade
social;
b) orienta-se para uma melhora da ação educativa e do próprio investigador, a partir de uma visão mais dinâmica da realidade;
c) implica a colaboração do grupo, que irá optar por uma tarefa de transformação da realidade em que está inserido;
d) implica não só a ação, mas principalmente a aprendizagem a partir da reflexão sobre a ação em que cada um está implicado;
e) desenvolve-se seguindo um ciclo de planejamento, ação, observação sistemática, reflexão e novo planejamento;
f) é um processo sistemático de aprendizagem contínua em que as pessoas atuam conscientemente;
g) orienta-se para a criação de grupos de reflexão e auto-crítica; h) é participativa;
i) do ponto de vista metodológico, é concebida de um modo amplo e flexível,
podendo utilizar várias técnicas de coleta de dados: entrevistas, análises documentais, registros de observações, dentre outras;
j) possibilita um novo tipo de investigador, que se apropria de sua realidade e contribui para a resolução de seus problemas;
l) começa modestamente, pois opera transformações em grupos pequenos, com o objetivo de que se expandam para toda a comunidade;
m) permite criar registros das transformações ou melhoras na realidade, o que possibilita refletir sobre elas.
A metodologia da pesquisa-ação estabelece definitivamente que a relação entre o pesquisador, seu campo de estudo e os sujeitos envolvidos interajam durante todo o processo da pesquisa, o que significa dizer também que as diversas visões de mundo permeiam todo o processo do conhecimento. Essa proximidade entre todos os sujeitos implicados permite que apareçam o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, atitudes e valores de cada um dos envolvidos. Assim, o objeto de pesquisa, construído a partir do que está sendo vivenciado, não se constitui em uma réplica do fenômeno, mas em uma aproximação ditada pelas possibilidades e limitações da prática da pesquisa científica e da percepção dos diversos atores envolvidos (MINAYO, 2001). Para tanto, é importante que o investigador possa, antes de iniciar o processo de pesquisa, conhecer os cenários e as pessoas, para captar a dinâmica das relações e do discurso de cada ator social. Para fazer esse reconhecimento do território com o qual vai trabalhar, é importante que o investigador se aproxime, converse com as pessoas e realize um registro bem detalhado das observações.