Neste capítulo foi a apresentada a pesquisa e a revisão da literatura, de quatro pontos complementares: o paradigma produtivo atual; a gestão de produção Lean, praticada de alguma forma em inúmeras organizações de pequena e grande dimensão; análise de linhas de produção, e por fim, o enquadramento e explicação, de uma forma geral, da metodologia Methods-Time Measurement (MTM), utilizada na análise de postos de trabalho de várias organizações industriais.
Num mercado cada vez mais exigente e competitivo como o automóvel, as construtoras procuram soluções para avaliar os seus processos produtivos de forma a serem desenvolvidos projetos que implementem melhorias no chão de fábrica e, se possível, reduzam custos operacionais. O paradigma
Lean assenta nessa visão de identificação e eliminação do que não acrescenta valor e, nesse sentido, as
empresas procuram recursos humanos com capacidade de analisar e desenvolver ações que permitam ganhos de eficiência.
A metodologia MTM permite “mapear” com detalhe os processos desenvolvidos pelo operador no posto de trabalho, analisando o que acrescenta e não acrescenta valor à produção. Assim, é possível determinar os tempos e, por consequência, as cargas de trabalho, fundamentais para balancear a linha de produção.
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Capítulo 3 – Caracterização do Caso de Estudo e Diagnóstico
Este capítulo tem como objetivo fazer uma breve caracterização da insdústria automóvel, caracterizar a organização e dar a conhecer ao leitor a metodologia utilizada, para a avaliação da produtividade dos postos de trabalho que serão analisados, a metodologia Methods-Time Measurement – Universal
Analyzing System (MTM-UAS).
O capítulo prossegue com a apresentação dos postos de trabalho onde o estudo é desenvolvido. Serão estudados postos de trabalho em duas áreas de produção distintas: a Área de Montagem e a Área de Expedição da fábrica. Apresentar-se-ão os resultados do estudo efetuado, resultados em termos de cargas de trabalho para todos os postos de trabalho e as folhas de trabalho standard, que foram desenvolvidas particularmente para a Área de Montagem.
2.1. A Indústria Automóvel no Mundo
A indústria automóvel teve uma notável evolução nos últimos sessenta anos, com uma produção que passou dos 10 milhões de veículos por ano, para números superiores a 90 milhões no ano de 2015 (INTELI, 2005; OICA; 2016). Esta indústria atravessou uma profunda alteração na sua organização, o veículo evoluiu no sentido de se tornar um produto cada vez mais complexo e orientado para as necessidades específicas de um mercado que tende a segmentar-se cada vez mais. O grande esforço realizado pelos japoneses a partir da década de cinquenta do século passado, veio revolucionar a produção e a indústria automóvel, que se tornou cada vez mais global, à medida que os construtores foram instalando fábricas fora da sua região de origem, ultrapassando barreira ao livre comércio (INTELI, 2005).
A concorrência nesta indústria é enorme, e as construtoras reúnem esforços para colocar no mercado produtos que lhes permitam maximizar as suas vendas. No ano de 2015, a Toyota destacou-se ao ser o construtor a nível mundial com o maior número de vendas, com cerca de 10,08 milhões de veículos vendidos, seguindo-se o Grupo Volkswagen com 9,93 milhões e a General Motors com 9,8 milhões (Forbes, 2016).
A figura 3.1 apresenta a produção de veículos a nível mundial por região, no ano de 2015. Segundo os dados estatísticos da Organização Internacional dos Construtores Automóveis, no ano de 2016 a Ásia e a Oceânia destacam-se na produção automóvel a nível mundial, com mais de 47 milhões de veículos produzidos. Este destaque deve-se ao crescimento do mercado chinês com mais de 24,5 milhões de veículos produzidos em 2015, enquanto o Japão contribuiu com a produção de mais de 9 milhões de veículos. A Europa destaca-se como sendo o segundo continente que mais produziu em 2015, muito devido ao contributo da Alemanha com mais de 6 milhões de veículos produzidos. No mercado NAFTA
40 o maior contributo é dos Estados Unidos com mais de 12 milhões, enquanto no mercado sul-americano, destaca-se o Brasil com mais de 2 milhões de veículos produzidos. O continente africano apresenta uma produção residual, em que se destaca a produção na África do Sul com uma produção no ano de 2015 na ordem dos 615 mil veículos.
2.2. A Indústria Automóvel em Portugal
A indústral automóvel portuguesa têm como marco o ano de 1962, quando na época foi criada a “Lei da Montagem”, que proibia a importação de veículos completamente produzidos e exigia que os automóveis fossem montados localmente. As grandes empresas de produção automóvel abriram em Portugal, nessa época, fábricas sobretudo de montagem de veículos. Na década de oitenta foi feito o primeiro grande projeto de produção de veículos, exclusivamente em Portugal. A Renault avançou com uma unidade de produção de veículos em Setúbal, a criação de uma fábrica de órgãos mecânicos em Cacia e a restruturação de uma fábrica de fundição na Guarda. Extinto em 1998, o projeto Renault, permitiu o desenvolvimento de empresas fornecedoras de componentes, formou operadores, quadros especialiazados e gestores que transitaram da Renault para os fornecedores (INTELI, 2005).
A Opel Azambuja foi uma outra unidade produtiva importante, com origem em 1963, era na época uma fábrica apenas de montagem, a fábrica adaptou-se e chegou a ter uma capacidade de produção de 70 mil unidades por ano, em 2002. No entanto, fechou portas em 2006 devido a deslocalização da sua produção para uma fábrica espanhola, por questões financeiras a General Motors considerou esta fábrica em Portugal desvantajosa (INTELI, 2005).
Atualmente, produzem veículos em Portugal quatro fábricas: i) a PSA Peugeot Citroën, em Mangualde, que produz dois modelos distintos; ii) a Mitsubishi Fuso Truck, no Tramagal, que produz o comercial Canter na versão ligeira e pesada; iii) a Toyota Caetano, com uma fábrica localizada em Ovar, que produz um único modelo para exportação no mercado da África do Sul e a iv) Volkswagen Autoeuropa, o maior produtor automóvel em Portugal, com um impacto de cerca de 1% no Produto
18,2 2,9 17,9 3,0 47,8 0,8 0 10 20 30 40 50 60 Europa dos 27 Estados Resto da Europa NAFTA América do Sul Ásia e Oceânia África P ro du çã o de veículo s (em m ilh ões de un ida des )
Figura 3.1 – Produção de veículos no ano de 2015 por região Adaptado de: OICA (2016)