• No results found

økonomirapport per 2~. tertial 2018 1MB

In document november 2018 (sider 100-104)

2.3.1. Regranulado de Cortiça

A cortiça é um material originário do sobreiro (Quercus suber L), sendo extraído do revestimento do tronco e ramos desta árvore mediterrânica. É um material bastante leve, elástico e praticamente impermeável tanto a líquidos como a gases. É isolante térmico e elétrico, tem boas capacidades de absorção acústica e de vibrações, é inóculo e praticamente imputrescível, com a capacidade de ser comprimido praticamente sem expansão lateral. Microscopicamente, a cortiça apresenta um aspeto alveolar (Figura 2.6), contendo no seu interior um gás semelhante ao ar. Quando sujeita a compressão, as células da cortiça encurvam e dobram, sendo praticamente nula a expansão lateral das mesmas, havendo uma recuperação posterior devido à pressão do gás no interior das células (Gil 2005).

Figura 2.6 – Estrutura alveolar da cortiça A cortiça é quimicamente constituída por estes constituintes (Gil 2005): Suberina (45%), responsável pela sua compressibilidade e elasticidade; Lenhina (27%), estrutura das paredes celulares;

Celulose e polissacáridos (12%), associados à estrutura da cortiça; Ceróides (6%), repelem a água e contribuem para a impermeabilidade; Taminos (6%), cor e proteção/conservação do material;

Estudo de Um Material Compósito à Base de Gesso e Cortiça

Os montados (floresta onde predomina o sobreiro) são ecossistemas delicados presentes em países mediterrânicos, especialmente nas regiões sul da Península Ibérica. Portugal é o país com a maior área de montado de sobro, cerca de 33% da área mundial (Figura 2.7 (a)). A produção de cortiça em Portugal encontra-se maioritariamente no Alentejo e na região de Lisboa e Vale do Tejo com 72% e 21% respetivamente da produção nacional (Figura 2.8). No entanto, a maioria da indústria corticeira concentra-se no concelho de Santa Maria da Feira, cerca de 75% da indústria transformadora nacional. Portugal é atualmente o maior produtor e transformador de cortiça a nível mundial, tendo uma cota de mercado de 53% e 70% respetivamente (Figura 2.7 (b)) (Pereira et al. 2008).

(a) (b)

Figura 2.7 – (a) Área de distribuição mundial do sobreiro; (b) Produção mundial de cortiça (Pereira et al. 2008)

Na construção, o produto derivado da cortiça mais utilizado é o aglomerado negro de cortiça (sob a forma de placas ou aglomerado), que tem na sua origem um tipo específico de cortiça, a falca, que provém da poda e desbaste dos sobreiros, sem que a árvore sofra qualquer dano ou abate (Figura 2.9). Após a extração da falca dos ramos, esta é triturada e os seus grânulos expandidos numa autoclave através de vapor de água, formando o regranulado de cortiça. É um produto originário de uma matéria-prima renovável e natural, com excelentes propriedades de isolamento (térmico e acústico)(Gil 2005).

Figura 2.9 – Extração de cortiça

O regranulado de cortiça (Figura 2.10), tem diversas aplicações tal como um bom isolamento acústico e térmico no interior e exterior de paredes, coberturas e terraços. Funciona também como um isolamento hidrófugo, tem como facilidade um enchimento leve nos diversos elementos construtivos, que os torna funcionais no papel de isolamento. Este tipo de produto também pode ser utilizado como agregado no fabrico de betões ou argamassas para obtenção da redução de peso do betão (Eires et al. 2005; Pereira et al. 2006).

Figura 2.10 – Regranulado de cortiça

A utilização de regranulado de cortiça em compósitos permite uma redução do peso, bem como uma melhor eficiência térmica e acústica.

Estudo de Um Material Compósito à Base de Gesso e Cortiça

2.3.2. Fibras Têxteis

As fibras têxteis são a matéria-prima fibrosa, cuja principal utilização é no fabrico de tecidos têxteis. Estas podem ser classificadas segundo a sua origem, em naturais e em químicas. As fibras naturais podem ser diferenciadas, segundo a sua origem, em vegetal, animal e mineral. Este tipo de fibras necessita de passar por vários processos de tratamento até a sua transformação em fio. As de origem vegetal podem ser obtidas dos caules, folhas, sementes ou frutos, tal como o algodão e o linho, as de origem animal são provenientes de pêlos ou secreções animais, tal como a seda e a lã, as fibras minerais têm a sua origem em rochas com estrutura fibrosa constituídas essencialmente por silicatos, como o amianto e o basalto.

As fibras químicas são obtidas a partir de polímeros, sendo moldadas em forma de filamento. Estas podem ser artificiais ou sintéticas. As fibras artificiais utilizam como matéria-prima polímeros naturais como a celulose, sendo a mais utilizada a viscose. Em relação às fibras sintéticas, a matéria-prima são produtos químicos derivados da indústria petroquímica, sendo as mais utilizadas o poliéster, o polipropileno e o elastano.

Ao longo do tempo, foram surgindo novos materiais através da reciclagem. Um dos exemplos mais mediáticos é a reciclagem de pneus usados, dos quais se consegue reaproveitar diversos componentes, como partículas de borracha, fibras metálicas e fibras têxteis.

As fibras têxteis (Figura 2.11) podem ser aplicadas em materiais de isolamento tal como por exemplo em alvenarias de revestimento, em reforço de produtos de betão entre outros.

Estas fibras constituem um subproduto que pode ser utilizado em compósitos à base de gesso, de modo a aumentar a ductilidade, bem como melhorar o comportamento do compósito na análise do pós-pico da resistência máxima.

2.3.3. Vantagens da Utilização de Subprodutos

A proteção ambiental é um dos maiores desafios das sociedades atuais. A redução dos consumos energéticos, do consumo de matérias-primas naturais e a redução de resíduos são as principais preocupações da atualidade. A reciclagem e reaproveitamento de materiais estão cada vez mais presentes na sociedade e, obviamente, também na construção civil.

A construção sustentável é um conceito que denomina um conjunto de práticas adotadas antes, durante e após os trabalhos de construção, com o objetivo de obter uma edificação que não agrida o meio ambiente, com melhor conforto térmico sem a necessidade (ou com necessidade reduzida) de consumo de energia e que melhore a qualidade de vida dos seus moradores/utilizadores, além de utilizar materiais e técnicas que garantam uma maior eficiência energética.

Um subproduto é um produto secundário, resultante de um processo de fabricação, uma reação química ou uma via bioquímica, e não um produto ou serviço primário. Um subproduto pode ser útil e comercializável, ou pode ser considerado um resíduo.

A indústria da construção civil é das que tem maior capacidade de aproveitamento de subprodutos, sendo uma das indústrias com maior perspetiva de consumo dos resíduos, com o objetivo de preservar o meio ambiente e, ao mesmo tempo, produzir construções mais duráveis e com menor custo económico e social.

In document november 2018 (sider 100-104)