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Økonometriske importandelsrelasjoner

3. Eksport og import

3.3. Økonometriske importandelsrelasjoner

A construção composicional é a forma organizacional do texto. Trata-se de sua estrutura formal.

Segundo Fiorin em Em busca do sentido. Estudos discursivos (2008), é necessário ancorar uma comunicação diferida em um tempo, um espaço, em uma

relação de interlocução, de modo que sejam compreendidos os dêiticos utilizados em determinada comunicação. O autor (2008) traz o exemplo das cartas que trazem como indicação o local e a data em que foram escritas, o nome de quem escreve e para quem se escreve.

Segundo Fairclough (1992) ao focalizar o gênero como um tipo de texto em um gênero particular, esse gênero pode ser diretamente associado a uma estrutura composicional, ou seja, a um tipo de atividade particular, que pode ser uma sequência estruturada de ações das quais determinado texto, gênero ou situação é composto, considerando evidentemente os participantes envolvidos nessa atividade. Fairclough interessantemente exemplifica um tipo de atividade social que tem sua construção composicional bem definida:

Por exemplo, a atividade de comprar produtos em uma mercearia envolve o freguês e o vendedor como tipos de sujeito designados, e uma sequência de ações, algumas das quais podem ser opcionais ou repetidas, conforme se segue: o freguês entra na loja e aguarda a vez; o vendedor cumprimenta o freguês. O freguês retribui o cumprimento, eles trocam amabilidades e solicita o pedido da compra; o freguês faz o pedido da compra (possivelmente precedido por uma sequencia pré-pedido como: “ Como estão as maças esta semana?” (– “Bem as ‘Coxes’ estão boas”); o vendedor apanha as mercadorias (pesa, empacota, etc.) e as entrega ao freguês. O freguês e o vendedor possivelmente conversam sobre se as mercadorias são aceitáveis, se a solicitação no peso solicitado são aceitáveis, etc.; o freguês agradece ao vendedor; o vendedor informa o freguês sobre o custo; o freguês paga; o vendedor da o troco e agradece ao freguês; o freguês agradece ao vendedor e faz uma saudação de despedida; o vendedor retribui a saudação de despedida (1992, p. 163).

A relação dialógica citada trata de uma construção que compõe o ato de comprar mercadorias em uma mercearia. Ato esse que pressupõe pergunta e resposta, ou seja, um princípio dialógico.

É possível traçar um paralelo entre construção composicional e forma arquitetônica; ambos os conceitos instituídos por Bakhtin.

Bakhtin em Para uma filosofia do ato responsável (2009) desenvolve uma teoria sobre ato responsável. Essa “responsabilidade” relaciona-se, ao ser humano, que a

partir de seus pensamentos, sentimentos, ações e fala provoca no outro ser humano determinada resposta.

O mundo que é dado ao individuo é o centro axiológico de manifestação pelo qual o indivíduo sozinho se encontra como ser participante concreto e insubstituível de uma consciência ativa em que esse participante desse mundo, como um todo

arquitetônico, é disposto como único centro de realização do indivíduo que é

responsável pelo seu ato.

Bakhtin esclarece sobre a posição do sujeito (“eu”) a partir da concepção de um conjunto arquitetônico:

Tenho a ver com este meu mundo, à medida em que, eu mesmo me realizo em minha ação-visão, ação-pensamento, ação-fazer prático. Em correlação com o meu lugar particular que é o lugar pelo qual parte minha atividade do mundo, todas as relações espaciais e temporais pensáveis adquirem um centro de valores, em volta do qual se compõem (cf.) um determinado conjunto arquitetônico concreto estável e a unidade possível se torna uma singularidade real (2009, p.118).

Bakhtin (2009) acrescenta no que tange o posicionamento do individuo no todo arquitetônico do mundo, que é oportuno considerar e lembrar que viver pelo interior de si mesmo, partindo de si mesmo nas ações próprias, não significa de jeito algum viver e agir por si. A centralidade da participação única do indivíduo no existir dentro da arquitetônica do mundo da experiência vivida, em absoluto não corresponde à centralidade (cf.) de um valor positivo pelo qual todo o resto do mundo não é mais do que um fator de auxílio.

Ao propor uma refiguração Bakhtin, propõe uma descrição da arquitetônica real concreta do mundo dos valores realmente vivenciados, cujos participantes sejam realmente reais, podendo-se levar em conta espaço e tempo, mas que esses participantes sejam unidos por relações concretas de eventos “no evento singular do existir” (2009, p.124).

Esta teoria do ato responsável bakhtiniana pressupõe uma arquitetônica do mundo de valores realmente vivenciados que sugere, e que evidentemente não

pode excluir a questão do diálogo entre locutor/enunciador, resposta e diálogo entre discursos, ou seja, dialogismo.

Observa Fiorin a respeito do conceito bakhtiniano de dialogismo:

Quando se diz que o dialogismo é constitutivo do enunciado, está se afirmando que, mesmo que, em sua estrutura composicional, as diferentes vozes não se manifestem, o enunciado é dialógico. Todo enunciado possui uma dimensão dupla, pois revela duas posições: a sua e a do outro (2006, p.170).

Ao falar de dialogismo, Faraco nota que a palavra diálogo é o que remete a: “solução de conflitos, entendimento, promoção de consenso”, contudo dialogismo é “tanto convergência quanto divergência; é tanto acordo, quanto desacordo; é tanto adesão, quanto recusa; é tanto complemento, quanto embate” (FARACO, 2003, p.66 apud FIORIN, 2006 p.170).Faraco nota ainda segundo Fiorin que, “o circulo de Bakhtin entende as relações dialógicas como espaço de tensão entre enunciados”, por tanto, “mesmo a responsividade caracterizada pela adesão incondicional ao dizer de outrem se faz no ponto de tensão deste dizer com outros dizeres (outras vozes sociais)” (FARACO, 2003, p.67 apud FIORIN, 2006 p.170).

Para Fiorin além do dialogismo que não se mostra no fio do discurso, há um outro dialogismo que no fio do discurso se mostra. Trata-se de quando as diferentes vozes são incorporadas no interior do discurso. Segundo o autor, neste caso, o dialogismo é uma construção composicional. Entretanto o dialogismo vai além dessas formas em que as vozes entram em contato na composição do enunciado evidenciando que o dialogismo é o modo de funcionamento real do próprio enunciado. A incorporação do discurso de outrem é a maneira de se tornar palpável e visível o próprio funcionamento das atividades reais de comunicação, ou seja, os enunciados.

De acordo com Fiorin há duas formas de incorporação de distintas vozes no corpo do enunciado:

a) Aquela em que o discurso do outro é abertamente citado e nitidamente separado. b) aquela que o enunciado é bivocal, ou seja, internamente dialogizado.Na primeira categoria, entram formas composicionais como o discurso direto e o discurso indireto, as aspas, a negação; na segunda, aparecem formas composicionais como a paródia, a

estilização, a polêmica velada ou clara; o discurso indireto livre (2006, p.174).