A população-alvo deste estudo incidiu sobre todos os formadores (N=40) de um centro de formação profissional na zona norte do país. Foram realizadas entrevistas a seis formadores (n=6), um deles que acumula funções como coordenador pedagógico.
Dado ser impossível entrevistar todos os formadores, por indisponibilidade dos mesmos e tempo, optamos pela entrevista a seis formadores e o preenchimento de um inquérito por questionário a todos os formadores (N=40) com a pretensão de recolher/generalizar os dados a toda a população de formadores do centro em estudo.
Salientamos a amostra razoável de inquiridos conseguida para este estudo. O nosso universo passou pela distribuição de 60 questionários aos formadores do centro de formação em causa, mas só 40, desses questionários, é que foram entregues. De qualquer modo consideramos este número uma boa taxa de retorno e avançamos com o nosso estudo.
Os dados a seguir apresentados ajudam a conhecer e a caraterizar melhor a amostra do presente estudo, ajudando a clarificar o perfil dos participantes, desde as idades, o nível de escolaridade, o percurso profissional, entre outras variáveis pertinentes.
Na entrevista, como já referido, a amostra é constituída por um total de seis participantes, sendo que três são do sexo feminino e três do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 29 e os 41 anos. (cf. Quadro 1)
Quadro 4 – Perfil dos Formadores
Formadores /Entrevistados Idades Género Habilitações
Académicas
E1 34 Anos Masculino Licenciatura em Engenharia
Mecânica
E2 41 Anos Feminino Licenciatura em Ensino de
Matemática
E3 29 Anos Feminino Licenciatura em Psicologia
E4 36 Anos Masculino Licenciatura em Engenharia
Eletrónica Industrial E5 34 Anos Feminino Licenciatura em Português/Francês (Ensino de) E6 38 Anos Masculino 12º Ano. Técnico de programação de máquinas de eletromecânica.
A seleção da amostra obedeceu aos seguintes critérios:
Diferentes modalidades da atividade formativa de cada formador(a);
Habilitações académicas diferentes (3 da formação de base e 3 do ensino profissionalizante)
Situação profissional (3 terem desenvolvido formação para este centro de formação e os restantes já terem ministrado formação para outras entidades)
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Quadro 5 - Situação Profissional dos Formadores
Formadores
/Entrevistados Situação Profissional
E1
Vínculo interno à instituição (Acumula funções de coordenador pedagógico e formador de áreas técnicas)
E2 Vínculo externo à instituição. No entanto só dá formação para esta
atividade. E3
Vínculo interno à instituição. Formadora que acumula funções como técnica de formação e até ao encerramento do CNO (centro novas oportunidades) também desempenhava a função de técnica de diagnóstico e encaminhamento.
E4 Vínculo externo à instituição. No entanto só dá formação para esta
atividade. E5
Vínculo externo à instituição. No entanto só dá formação para esta atividade no momento, apesar de já ter desenvolvido trabalho noutras instituições de ensino.
E6
Vínculo externo à instituição. É colaborador de uma empresa de metalomecânica desempenhando a função de técnico de programação e maquinação e acumula funções como formador externo nesta instituição nas áreas técnicas.
A seleção dos entrevistados resultou de uma seleção deliberada pela diretora do centro de formação de acordo com os critérios acima referidos, critérios esses comunicados antecipadamente pela autora do estudo no início do trabalho de campo.
Referindo-nos ao trabalho desenvolvido para a realização das entrevistas, podemos referir que tivemos o trabalho facilitado, no sentido em que a diretora do centro de formação nos apoiou neste trabalho servindo de intermediária entre equipa pedagógica, formadores e autora deste estudo, dispensando os procedimentos formais para todo o trabalho que medeia entre o estabelecimento do contacto com o formador e a realização das próprias entrevistas.
As entrevistas realizaram-se no mês de Junho de 2013, realizando-se nos horários livres dos formadores. No decorrer de cada entrevista apenas se encontraram a entrevistadora e o entrevistado(a) possuindo já autorização para a realização de gravação em áudio e para transcrição integral de toda a informação para posterior análise. Depois de transcritas, estas foram alvo de leitura e análise/interpretação das informações prestadas.
Findo o trabalho de campo recorremos à análise de conteúdo para a análise dos dados recolhidos através das entrevistas, segundo o sistema de categorização e codificação, no sentido de facilitar a descrição e compreensão dos mesmos. De acordo com as questões formuladas nas
entrevistas, identificámos um conjunto de dimensões e de categorias que apresentamos de forma sintética.
Quadro 6 - Síntese das dimensões e das categorias de análise
Dimensão Categorias
Identidade Profissional dos formadores
- Decisão de tornar-se formador (a);
- Avaliação da experiência enquanto formador(a); -Imagem implícita e explícita relativamente ao seu trabalho;
- Perceção acerca do seu trabalho; - Sentimento de realização Profissional;
Situação Profissional Atual
- Tipo de vínculo ao centro de formação; - Tempo de serviço enquanto formador; - Razões que levaram à escolha da profissão; - Visão da profissão;
Organização do Centro de Formação
- Razões para a escolha pelo centro de formação; - Efeito da dimensão organizacional no exercício da profissão;
- Impacto das políticas públicas sobre a construção da identidade profissional;
- Influência dos contextos macrossociais sobre a construção da identidade profissional;
Procedemos à análise de conteúdo já que é a técnica que mais se adequa ao tratamento das entrevistas, conforme refere Bardin (1977:38): “um conjunto de técnicas de análise de comunicações visando obter por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição de conteúdo de mensagens”.
Segundo Quivy (1992) a análise de conteúdo permite uma análise metódica do tratamento de informação com um grau de profundidade e complexidade, como no caso dos testemunhos retirados das entrevistas semiestruturadas. A análise por categorias permite classificar a informação de forma a sistematizar e interpretar os dados.