5. Taekwon-Do
5.4 Årsrapporter fra Trondheim Taekwon-Do klubb
Os componentes cognitivos mais investigados no CCL são a ME e as FEs, como abordado no tópico anterior. Porém, nos últimos anos, de acordo com nossa busca, iniciaram-
se estudos sobre o processamento da linguagem no CCL, apesar de aparecerem em menor número se comparados aos estudos de linguagem com DA. O objetivo deste mapeamento da linguagem é encontrar características linguísticas dos idosos com CCL que possam trazer evidências para um diagnóstico diferencial e complementar entre CCL e DA.
É bem documentado que idosos com CCL geralmente manifestam déficits no processamento da linguagem em fases iniciais do comprometimento. As dificuldades se dão na fluência verbal, nomeação, conhecimento semântico e processamento do discurso, enquanto que habilidades sintáticas e fonológicas parecem estar preservadas (TALER, PHILLIPS, 2008).
Considerando a fluência verbal (FV), Radanovic et al. (2009) realizaram uma investigação com população brasileira, verificando a influência da variável escolaridade. A FV foi escolhida por ser uma importante ferramenta na detecção de disfunções executivas e prejuízos léxico-semânticos no CCL. As categorias semânticas utilizadas foram animais e frutas, com o intuito de discriminar controles de idosos com CCL e DA. Os grupos foram divididos por escolaridade, de 4-8 anos e com mais de 9 anos de educação formal. Os resultados mostraram que ambas as categorias foram boas para discriminar controles de pacientes com DA, porém foram menos sensíveis para diferenciar controles de pacientes com CCL, e pacientes com CCL de pacientes com DA. Nenhum dos dois testes diferenciou os grupos de CCL e DA com baixa escolaridade. Já Maseda e colegas (2014) encontraram maior sensibilidade do teste de FV para o reastreio de CCL. Os pesquisadores conduziram uma investigação por meio do teste de FV, teste de nomeação e teste de compreensão, com idosos diagnosticados com CCL, escolaridade baixa, pareados com grupo controle. Da avaliação de linguagem, o teste de FV e o teste de compreensão diferenciaram o grupo controle do grupo com CCL, mostrando-se importantes marcadores para o CCL.
A nomeação é outro teste bastante utilizado na investigação neuropsicológica. Segundo Adlam et al. (2006), o desempenho das pessoas com CCL na nomeação é pouco comprometido em itens pouco frequentes, quando comparado a controles saudáveis, e melhor do que o desempenho de idosos com DA. A nomeação, assim, parece estar mais prejudicada à medida que a doença progride. O CCL, por ser um estágio intermediário entre o envelhecimento saudável e a DA, em alguns estudos parece mais com o desempenho do grupo de idosos saudáveis e em outros mais com o grupo com DA. Mesmo com a ocilação entre os resultados obtidos nos estudos, o teste de FV e de nomeação parecem importantes ferramentas na investigação do CCL.
Estudos que tratam da comunicação são importantes na investigação de CCL. Eles servem como janela para analisar déficits de recepção, produção e processamento da mensagem tanto em termos de compreensão como produção, configurando um importante domínio da vida diária (JOHNSON, 2014). No Quadro 1, abaixo, segue um resumo dos estudos encontrados na literatura.
Quadro 1 – Estudos nacionais e internacionais sobre a produção discursiva no CCL Autor Objetivos Participantes Métrica Tarefa de
linguagem Resultdos Drummond et al. (2015) Verificar parâmetros para avaliação do discurso de pessoas com CCL e DA. 77 participantes: 22com CCL 14 com DA 41 controles Tipo de discurso, tempo de narração, número de palavras, coerência global Produção de narrativa Os grupos diferenciaram- se nas testagens prospostas, sendo que o
grupo com DA teve o desempenho mais comprometido. Fleming (2014) Verificar a habilidade linguística de pessoas com CCL. 18 participantes: 9 com CCL 9 controles Quantidade de palavras e qualidade das informações Produção discursiva A qualidade do discurso diferencia indivíduos com
CCL e controles. Tsantali; Tsolaki (2013) Verificar déficits linguísticos em idosos com CCL. Confrontar o desempenho linguístico e cognitivo dos participantes. 119 participantes: 28 com CCL 53 com DA 38 controles Análise lexical, sintática e discursiva. Produção discursiva A produção de discurso escrito diferencia grupos
com CCL e DA. Shimitter- Edgecombre et al. (2012) Verificar a funcionalidade comunicativa de pessoas com CCL. 76 participantes: 38 com CCL 38 controles Tempo e acurácia em uma tarefa naturalística. Produção de narrativa
Idosos com CCL passuem maior lentidão e acurácia na produção discursiva. Fleming; Harris (2008) Verificar em que medida a complexidade sintática diferencia indivíduos com CCL e controles. 16 participantes: 8 com CCL 8 controles Sintaxe e qualidade da informação Produção de narrativa e produção de discurso elicitado A qualidade e a quantidade de palavras do discurso diferencia indivíduos com
CCL e controles.
Fonte: A autora (2016).
O estudo de Shimitter-Edgecombre e colegas (2012) buscou verificar a funcionalidade comunicativa de pacientes com CCL no cotidiano, sendo solicitado a eles que narrassem os eventos de um dia de folga. Os resultados da tarefa sinalizaram maior lentidão e menor acurácia dos idosos com CCL em relação aos controles. Os autores aliaram esse desempenho com as dificuldades de memória.
Já no estudo de Fleming e Harris (2008), o propósito foi o de investigar em que medida a complexidade na produção de discurso elicitado pode diferenciar indivíduos com
CCL dos controles. As variáveis investigadas foram comprimento, complexidade sintática e qualidade da informação. Participarem do estudo oito idosos com diagnóstico de CCL (escolaridade média de 16.13 anos) e oito idosos sem declínio cognitivo (escolaridade média de 14.63 anos). A tarefa de produção discursiva foi a narração e descrição das atividades associadas à preparação de uma viagem a Nova Iorque. O teste foi realizado sem apoio de pistas, sendo necessário planejamento, organização e flexibilidade cognitiva para realizá-lo, habilidades já sabidas como deficitárias em casos de comprometimento cerebral. Os resultados mostraram que os itens de quantidade e qualidade das informações distinguiram os grupos, porém não houve diferenciação em termos de complexidade sintática. Estes achados sugerem um baixo desempenho dos idosos com CCL, em termos de quantidade e qualidade nas produções, sendo esses importantes elementos para diferenciação dos grupos.
Em um estudo mais recente, Fleming (2014) buscou verificar mudanças linguístico- cognitivas no CCL, por meio do mesmo teste utilizado no estudo anterior, pareando o componente de planejamento e a flexibilidade cognitiva com outros testes neuropsicológicos. O componente de planejamento foi mensurado no Teste das Torres (The Tower Test) e pelo Teste de Trilhas, ao passo que a flexibilidade cognitiva foi correlacionada com Teste de Fluência e Fluência Verbal (The Verbal Fluency and Design Fluency Test of D-KEFS). A autora propôs duas hipóteses: (a) a quantidade e a qualidade da produção do discurso diferencia indivíduos com CCL e controles e (b) o declínio na produção do discurso no CCL está relacionado ao declínio nos componentes de planejamento e flexibilidade cognitiva. De acordo com os resultados obtidos, o desempenho na produção de discurso oral distingue os grupos, especialmente em termos de medidas qualitativas; ao passo que os componentes de flexibilidade cognitiva das FEs mostram-se importantes para a habilidade de produção do discurso. Desse modo, os resultados do estudo fornecem suporte para o uso de atividades de produção discursiva como importante ferramenta na detecção precoce de CCL.
Com o objetivo de introduzir um parâmetro quantitativo para a avaliação do discurso elicitado por idosos, Drummond et al. (2015) realizaram um estudo nacional com produção de narrativas orais, por meio da tarefa The Car Accident Task, de Ska e Duong (2005). As medidas utilizadas foram tempo de narração, número de palavras, tipo de discurso e coerência global. Testes de nomeação e de fluência verbal (semântica e fonêmica) igualmente foram realizados. Idosos com CCL amnéstico, DA e grupo controle foram os grupos de investigação, todos com oito ou mais anos de escolaridade. No teste de nomeação, o grupo com CCL só diferiu dos controles. Já no teste de fluência, o grupo controle e o grupo CCL tiveram desempenho semelhante, havendo diferença somente entre o desempenho do grupo de
CCL e DA. Dos parâmetros utilizados para avaliação da narrativa, não houve diferença significativa entre os grupos no tempo de narração e no número de palavras produzidas. O tipo de texto foi predominante narrativo para os grupos controle e CCL, ao contrário do grupo com DA, que produziu textos mais descritivos. Na estrutura narrativa o grupo controle diferenciou-se dos grupos com CCL e DA, mas CCL e DA não se diferenciaram entre si. A análise de microproposições não diferenciou os grupos CCL e DA do grupo controle, porém a análise macrolinguística sim. No uso de elementos coesivos, os grupos CCL e controle não se diferenciaram, no entanto houve diferença do grupo com DA. Os autores concluíram que os déficits do grupo com CCL não são tão severos quanto às dificuldades do grupo com DA.
Ainda com foco na investigação linguística para fins de diagnóstico diferencial de declínio cognitivo, destacamos o estudo de Tsantali e Tsolaki (2013), intitulado “Could
language deficits really differentiate Mild Cognitive Impairment (MIC) from mild Alzheimer’s disease?”, o qual busca diferenciar CCL de DA. O título é um tanto provocador e os
resultados bastante positivos. Após realizar inúmeros testes de linguagem, os autores verificaram que, de todas as tarefas do Teste de Boston, desde o nível da palavra até o nível discursivo, a tarefa mais sensível para diferenciação das populações foi a de produção textual, podendo esse ser considerado um instrumento de diagnóstico diferencial entre DA e CCL.
Conforme apresentado, a investigação linguística pode contribuir para identificarem-se marcadores tanto de CCL como de DA. Entretanto, faltam estudos nacionais, e mesmo internacionais, que incluam um grupo de CCL entre os demais grupos de investigação, pois a maior parte dos estudos ou compara idosos saudáveis e idosos com CCL, ou compara idosos saudáveis e idosos com DA. Há carência de estudos que façam uma triangulação de dados, comparando o desempenho linguístico e cognitivo de grupos de idosos saudáveis, CCL e DA, especialmente com escolaridade abaixo de oito anos. Segundo nosso conhecimento, apenas o estudo de Drummond et al. (2015) realizaram triangulação de dados com população nacional, porém com escolaridade acima de oito anos. Não temos conhecimento de estudos internacionais que tenham realizado tal investigação no CCL. Faltam igualmente estudos, nesse âmbito, que tratem de aspectos de organização do discurso/texto, como coerência local e global, comparando com escores de testes que mensurem memória episódica e funções executivas, um campo ainda a ser explorado. Na próxima seção serão abordados os aspectos cognitivos e linguísticos da DA.