4.2 Bedrift 2 (Veidekke)
4.2.7 Års – og bærekrafts rapport
Ao se falar em gestão no contexto da saúde, é preciso ter em mente que na área da saúde, como se viu, há diferentes projetos ético-políticos em disputa e, no domínio desses projetos, ninguém governa sozinho e que co-governar é tarefa inerente a todos os membros de uma equipe. Portanto, corrobora-se com Ferraz e Valle quando afirmam que
é preciso começar a metamorfose da enfermagem universitária, tomando- se por base o paradigma ético-estético da Pós-Modernidade. Isto exigirá um pensar e agir diferentes, o abandono ou a diminuição das atividades tecno-burocráticas e o deslocamento para uma atuação dirigida ao cuidado do doente, partilhada no grupo de profissionais e dinamizada de forma interdependente entre o pessoal de enfermagem do hospital e da academia, os médicos e as outras categorias profissionais.(1999, p. 223).
Portanto, o enfermeiro precisa buscar modelos gerenciais mais contemporâneos, desempenhando ações de uma gerência inovadora, possibilitando a melhoria da qualidade da assistência em Enfermagem, maior satisfação da equipe, bem como o alcance dos objetivos organizacionais. (GALVÃO et al., 2000).
Numa vertente próxima à dos autores citados, Merhy (2000) propôs a criação de mecanismos, no interior dos serviços de saúde, que procuram tanto, impactar o modo cotidiano de acolher os usuários quanto o de se produzir responsabilizações entre equipes e profissionais e desses com os usuários, em um movimento combinado de singularização da atenção e publicização da gestão organizacional e do processo de trabalho. Na verdade, esse autor afirma que uma
característica do cuidado que está voltado à constituição de saúde como qualidade de vida é que envolve, ao mesmo tempo e de forma associada, ações de um núcleo clínico e de um núcleo de gestão.
O autor leciona ainda que
o núcleo cuidador é o que deverá se impor, o que favorecerá inclusive a diminuição das relações de dominação que se estabelecem entre os vários profissionais, como representantes de certos interesses e modos de operá- los no interior dos modelos de atenção. E, mais ainda, pode-se abrir a partir desse núcleo em comum, o cuidador, com espaço semelhante e equivalente de trabalho na equipe, que explore a cooperação entre os diferentes saberes e o partilhamento decisório.(MERHY, 2000, p. 210).
Concorda-se com a idéia do autor, porém, pensa-se que para se tornar concreta é necessário, em se tratando de hospitais, que os mesmos tenham uma estrutura organizacional mais horizontalizada, descentralizando o poder decisório. Entretando, compreende-se também que pequenas mudanças são passíveis de ocorrer nos microlocais de trabalho, mas, para isso, faz-se necessário que os profissionais, com foco aqui nos enfermeiros, consigam romper com os princípios da abordagem clássica da Administração, refletindo constantemente a possibilidade de reorientação da prática de Enfermagem, no sentido de compreendê-la como parte de um processo coletivo e interdependente de trabalho e essencial ao processo de atenção à saúde. É preciso romper, sobretudo, com uma divisão tornada essencial emtre gestão e cuidado, que associou o segundo ao contato com o usuário e a primeira à administração de recursos para viabilizá-lo. Essa divisão fixou a ambos em pólos opostos e lhes atribuiu status diferenciado. Mas, sobretudo, seqüestrou sua potência criativa e inventiva e a submeteu às normas e à técnica
É nos microespaços de atuação que são visualizados muitos movimentos de estriagem e alisamento, cortados por linhas que definem capturas e devires incessantes na lida cotidiana. Mas para visualizar esses movimentos, é preciso ter olhar sensível que recoloque no processo de cuidado sua dimensão tecno-
assistencial e gerencial.
Nesse panorama, podem ser mencionados Deleuze e Guattari quando apontam a formação de espaços lisos e estriados. O espaço liso é um espaço nômade, e o espaço estriado é um espaço sedentário capturado por forças instituídas. Os espaços podem traduzir desde uma simples oposição binária a uma
diferença mais complexa, que faz com que os termos sucessivos das oposições consideradas não coincidam inteiramente. Outras vezes ainda devemos lembrar que os dois espaços só existem de fato graças às misturas entre si: o espaço liso não pára de ser traduzido, transvertido num espaço estriado; o espaço estriado é constantemente revertido, devolvido a um espaço liso. (2002, p. 180).
Como ficou dito, por analogia, apreende-se que o trabalho do enfermeiro está preenchido por espaços lisos e estriados, mesmo sabendo que o espaço é constantemente estriado devido à coação de forças exercidas (normas, rotinas, procedimentos e políticas instituídas); observou-se, também, que ele desenvolve outras forças secretando, assim, novos espaços lisos por meio da estriagem, adquirindo um contorno diferente diante das novas combinações e passagens produzidas no contexto do trabalho em saúde.
O enfermeiro se constitui em um emaranhado, compõe essa micropolítica afetando e sendo afetado por uma multiplicidade de possibilidades de encontros, construindo territórios de referência ante a movimentos pró-ativos e reativos na configuração da realidade na qual desejo e produção são imanentes.
É importante reconhecer também que o cuidado tem o papel de mobilizar os saberes em construção dentro e fora da Enfermagem, proporcionando articulação para colocá-los em ação (atos cuidadores).
Reflete-se sobre discussões acerca do cuidado na prática do enfermeiro, definindo-o como um elemento que tem sido apropriado pela Enfermagem no sentido de trazer cientificidade à profissão. Com efeito, trazendo para debate a
questão da integralidade, ou seja, a integralidade do cuidado, observa-se o quanto o discurso acadêmico, dentro da Enfermagem, não considera de fato o cuidado como um elemento que expressa articulação entre saberes e prática, mas como um campo específico da Enfermagem que se esfacela diante do discurso de que “o enfermeiro não consegue desenvolver o cuidado direto”, relacionando-o ao estar/fazer junto com o paciente. Há que se lembrar que é o usuário o marcador do cuidado.
Tomando aqui a idéia de Guattari (1981) acerca do grupo sujeito e grupo
assujeitado, é possível fazer um paralelo com relação à figura do enfermeiro, que se
apresenta muitas vezes assujeitada a questões instituídas no ambiente de trabalho, tendo uma performance verticalizada, hierarquizada, impedindo o aparecimento de movimentos instituintes – criativos -- operando desse modo num sentido totalizante e estereotipado. Dessa forma, a equipe de Enfermagem não fica à margem de tal processo, tornando-se um grupo também sujeitado na dinâmica do trabalho em saúde.
Pensando na recomposição dos saberes e das disciplinas que se revestem como totalidades completas e acabadas, lança-se luz na direção de novas formas de agir em saúde tomando como princípio a dinamicidade e a provisoriedade, criando articulações entre os saberes e fazeres na produção de um campo (coletivo e individual) de multiplicidades e singularidades, na tentativa de escapar dos processos individualizantes e castradores, ainda presentes no trabalho em Enfermagem, em especial, no trabalho do enfermeiro.
Partindo-se do discurso que o enfermeiro é responsável pela gestão do cuidado, vê-se a necessidade de buscar um aporte conceitual que permita a abertura de brechas para se pensar a própria gestão do cuidado, que expresse um modo de trabalhar em saúde que não esteja centrado em um núcleo específico
profissional (Enfermagem).
Portanto, o enfermeiro no seu cotidiano de trabalho, necessita lançar mão de tecnologias que qualifiquem sobremaneira os atos cuidadores. Segundo Merhy
as tecnologias envolvidas no trabalho em saúde podem ser classificadas como: leves (no caso das tecnologias de relações do tipo produção de vínculo, autonomização, acolhimento, gestão como uma forma de governar processos de trabalho), leve-duras (como no caso de saberes bem estruturados que operam no processo de trabalho em saúde, como a clínica médica, a clínica psicanalítica, a epidemiologia, o taylorismo, o fayolismo) e duras (como no caso de equipamentos tecnológicos do tipo máquinas, normas, estruturas organizacionais). (2002, p. 49).
Há que se refletir, como e quais tecnologias estão sendo utilizadas pelos enfermeiros, bem como seu impacto nos processos de trabalho.
3.3 O HOSPITAL E SUAS IMPLICAÇÕES COM O ESTUDO: REFLETINDO O