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ÅRETS AKTIVITETER OG RESULTATER

In document Årsrapport 2015 (sider 9-14)

O desemprego está grande em relação ao serviço que é convencional, tipo do pessoal que trabalha na fábrica e tudo. Porque, para diminuir os custos, que fica mais barato mandar o serviço para faccionista, então as fábricas estão reduzindo muito o número de funcionários, que não têm encargo social, não têm as despesas diárias da fábrica que é luz, é água, vai diminuindo, diminui também. Então, está levando muito serviço para a facção e com isso as pessoas que não têm condição de trabalhar na facção, não têm máquina, não têm nada, estão acabando perdendo o emprego. Porque nessa de diminuir os custos diminui o número de operários e não tem espaço para todo mundo, está sendo faccionista, fazendo facção e com isso na área da costura, da confecção, está havendo até desemprego (Entrevista, Faccionista 5, 17 de julho de 2003).

Não é possível ter um registro preciso sobre o número de facções existentes em Divinópolis, mesmo porque uma das características do trabalho nas facções seria a invisibilidade desse tipo de atividade. Mas, segundo pesquisa do Instituto Centro de Capacitação e Apoio ao Empreendedor (2000), estima-se um número aproximado de 1.500 (um mil e quinhentas) facções situadas no município de Divinópolis, mais de duas vezes o número de fábricas de confecção registradas, que em 1999 era de 679.

Esse processo de terceirização, que tem levado parte da produção para as facções, tem ocorrido quase fundamentalmente com o objetivo de redução dos custos, eliminação dos riscos de produção e transferência do pagamento de mão-de-obra às facções. Parte da produção, em alguns casos toda a produção, é realizada pelas costureiras faccionistas em suas próprias residências, livrando as empresas dos encargos sociais, da aquisição de

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equipamentos, das despesas com energia, local para o funcionamento, entre outros. No trabalho a domicílio, não existem as garantias de registro em carteira de trabalho ou qualquer outro protocolo legal.

Os objetivos do processo de terceirização dentro da indústria de confecção são reconhecidos pelas faccionistas.

Eu trabalho na minha mãe, eu trabalho na casa da minha mãe, e assim eu pego serviço de três fábricas; fábricas não, são pessoas que dão facção. Elas têm etiqueta, tudo registrado, mas não têm fábrica, só faccionista; por causa de imposto, por causa desses negócios, então sai mais barato para elas (Entrevista, Faccionista 3, 19 de agosto de 2003).

O fortalecimento das práticas de trabalho a domicílio, como foi possível perceber, é acompanhado de duas tendências já apontadas. A primeira, o aumento do trabalho feminino, absorvido pelo capital preferencialmente no universo do trabalho part time, precarizado e desregulamentado. No que refere ao trabalho a domicílio, as mulheres continuam a prevalecer, tanto em virtude do viés de gênero como pelas responsabilidades familiares que recaem sobre elas.

A segunda, o crescimento intenso do mercado informal nas últimas décadas, como conseqüência da atual conjuntura de desemprego e das medidas que estão sendo implementadas pelas políticas públicas, assim como o crescente número de pessoas que fazem do mercado informal uma forma de sobrevivência. A clandestinidade cerca o trabalho a domicílio, por isso nomeado por Abreu e Sorj (1993) de “trabalho invisível”.

Essa “nova” organização do trabalho e da produção traz também o retorno à mais- valia absoluta, produzida pelo prolongamento da jornada de trabalho. As costureiras faccionistas são submetidas a jornadas extensas de trabalho nos períodos de grande demanda que ultrapassa até mesmo os dias considerados de folga como sábado e domingo. Pode-se falar também numa contenção da porosidade do trabalho, tendo em vista que o tempo que é

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dado para confeccionar uma peça é menor do que necessitam as trabalhadoras, e, se elas param por algum motivo, terão de adiantar no horário de descanso.

A faccionista, de início, fala que nos últimos dias teve muito trabalho, que essa semana trabalhou no sábado até anoitecer e no domingo até as 15 horas. No domingo, entregou 240 peças, e foi bom porque, como a empresária precisava rápido das peças, não arrematou as blusas. Diz que a empresária que trouxe o trabalho no final de semana queria trazer mais 500 peças para ela fazer no próximo final de semana. Ela falou que só trabalhou no último final de semana porque achou que conseguiria terminar o trabalho, mas que não gosta de trabalhar no final de semana (Diário de Campo, Faccionista 3, 5 de setembro de 2003).

A empresária liga e diz que quer as peças que estão sendo confeccionadas para hoje às 17 horas. As costureiras começam a trabalhar em um ritmo mais acelerado. Uma das costureiras diz que nem era para estar pronto hoje, que elas trabalharam no sábado e por isso está no ponto que está. A costureira que atendeu a empresária ao telefone fala que ela disse que já está faltando peças na loja (Diário de Campo, Faccionista 1, 17 de novembro de 2003).

No entanto, mesmo submetidas a jornadas extensas de trabalho no período de grande demanda, também possuem uma liberdade maior na definição dos dias e horários de trabalho.

A faccionista diz que não vai trabalhar no próximo sábado, que trabalhou todos os outros sábados anteriores e já estão muito cansadas, precisam descansar um final de semana inteiro, porque, senão, não conseguem terminar o ano (Diário de Campo, Faccionista 1, 11 de dezembro de 2003).

É diferente, que lá eles querem que você trabalha muito e na minha casa, não. Na minha casa, igual meu marido fala assim, acha que assim, você acha difícil numa fábrica, porque na fábrica você senta ali, chego às 7 horas. Você senta. Levanta só pra almoçar até 11 horas. Eu não. Eu levanto ali, levanto venho aqui na cozinha, levanto vou atender um telefone, se eu quiser levantar pra tomar um café, aqui 9 horas eu levanto e tomo, eu venho aqui no meu banheiro e lá na fábrica, não. Na fábrica tem horário, talvez nem deixa a gente ir no banheiro, a água vai na máquina para gente, chega 7 horas, pára 11 horas, que também é trabalhoso. Olha para você ver aqui na minha casa, eu vou aonde eu quero, por isso meu marido fala que você não dá conta de seguir uma meta igual à fábrica, porque na sua casa você faz do jeito que você quer, e aí a gente também já está velha, não agüenta o tranco muito mais forte, não (Entrevista, faccionista 4, 7 de setembro de 2003).

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