• No results found

7året er 136 planoverganger fjernet

In document Årsmelding 2005 (sider 27-31)

Jernbaneverkets mål innenfor hovedområdet er:

7året er 136 planoverganger fjernet

Como já sinalizado, para educação do campo e os camponeses ocuparem a universidade foi um processo conflituoso e dificil. Desde aprovar os cursos até encontrar professores para lecionar as disciplinas, como ressaltam os coordenadores dos cursos. O coordenador do curso de Ciências Agrárias, Marcos Barros de Medeiros (2010), durante entrevista concedida para esta pesquisa, trâmites dos processos e do desconhecimento sobre os projetos:

Para chegar até essas etapas eles (os projetos) sofreram incompreensões, processos paravam, pareceres equivocados... As pessoas que estavam fazendo a leitura não tinham uma idéia da vivência do que estava acontecendo no curso e acabavam centralizando de uma forma muito seca, nua e crua em cima do que estava ali escrito.

Outro contratempo encontrado que dificulta e atrasa a execução dos cursos foi o repasse de recursos por parte do INCRA, como ressalta a coordenadora do Curso de Pedagogia, Maria do Socorro Xavier Batista (2011):

Muitas questões dos recursos financeiros também dificultam aqui na Universidade porque o dinheiro chega tarde, a gente não tem condições, faz a licitação da compra dos materiais, atrasa, a Universidade quase todo ano devolve o dinheiro porque não consegue comprar a tempo os materiais porque os recursos chegam tarde demais.

Os preconceitos contra os estudantes e militantes dos movimentos sociais dificultaram a presença dos estudantes na universidade e foi um grande desafio por eles vividos. Isso porque os demais estudantes não reconheciame os camponeses como sujeitos de direitos iguais a eles. achavam que eles não o direito de ocupar todos os espaços da Universidade. A fala do coordenador do curso de História relata bem essa questão:

A gente enfrentou muito preconceito, muitas incompreensões. Foi uma coisa pesada, nós chegamos até a temer pela segurança de alguns militantes. Tivemos muito preconceito, expressões do tipo assim: por que esse pessoal quer assistir aula numa sala com ar condicionado? Eles não vivem debaixo de uma lona preta acampados? Pra quê? Eles agora querem o luxo aqui da universidade? Por que esse pessoal tem direito a almoçar aqui nessa universidade? (COSTA, 2010).

Essa fala expressa as contradições de classe, o preconceito que historicamente a sociedade brasileira tem com os povos do campo, como os camponeses não tivessem os mesmos direitos que os estudantes regulares.

Apesar de todas as contradições, os coordenadores dos cursos expressaram de forma positiva as mudanças desencadeadas tanto para a UFPB como para todos os sujeitos que participaram e participam do processo. Expressaram que a Universidade, embora com toda a sua expressão elitista abriu as portas para a inclusão os camponeses, para os filhos do povo, muito embora que pelas pressões dos movimentos sociais.

Jonas Duarte Costa (2010) relata que foi fundamental a luta dos movimentos nesse processo de inclusão: “essas pessoas jamais entrariam na universidade pelo processo convencional de ingresso que nós temos aqui... é um processo extremamente cruel contra os pobres, contra os excluídos socialmente”.

Os cursos do forçaram a universidade repensar-se, a abrir-se para o povo, para responder as necessidades das populações mais pobres do país, a dialogar com sujeitos desse processo histórico. Foram os cursos do PRONERA que trouxeram essa nova visão como reflete o coordenador do curso de História, Jonas Duarte Costa (2010):

Nós somos a negação do projeto hegemônico... nós construímos uma contra-hegemonia...e hoje quando você escuta os reitores, os dirigentes falando... já falam que uma universidade tem de ter compromisso com as transformações, tem que mudar, tem que tá sempre no campo da criticidade, da criatividade.... Esses cursos tiveram um papel importante nisso aí.

Essas mudanças no interior da Universidade são resultados da ação dos movimentos que levaram a Universidade a assumir um compromisso com as demandas das populações historicamente excluídas que encontraram eco no comprometimento político de professores, fato que repercutiu em ações de ensino, pesquisa e extensão que passam a ter o campo como objeto, como se pode destacar na fala da coordenadora do curso de Pedagogia, Maria do Socorro Xavier Batista (2011):

Realmente eles provocaram a Universidade para dizer: “Olha, o campo,

ele está aqui, o campo precisa da Universidade, nós temos também

direitos”, que isso é uma coisa importante, saber que eles estão aqui como

resultado das lutas dos movimentos sociais e isso é uma coisa que torna também esse curso diferente. Eu acho que eles provocaram a Universidade para se preocupar com o campo, projetos de extensão que foram criados, vários professores começaram a se envolver com o curso, aí começaram a desenvolver projetos sobre as questões do campo, pesquisa e extensão, então, eu acho que eles têm trazido também contribuições para que a Universidade passar a se preocupar mais com a questão rural.

A experiência que a universidade passou com as primeiras turmas e vem passando se trata de um momento privilegiado na história das lutas e de conquistas dos camponeses pelo direito à educação. Do ponto de vista dos movimentos ocuparem um espaço que sempre lhes foi negado e da Universidade se repensar e de se comprometer com aqueles segmentos da população com os quais ela tem uma dívida histórica. Como afirma o coordenador Jonas Duarte (2010):

A gente que achava que os movimentos sociais iam ficar eternamente agradecidos a universidade, houve que a universidade também agradece essa oportunidade muito interessante de ver a universidade viva, atuando na sociedade brasileira com posições na sociedade brasileira.

In document Årsmelding 2005 (sider 27-31)