4 Liturgisk lovgivning: I dag og i historien
4.2 Historisk bakgrunn: Den katolske kirkes liturgiske lovgivninger
4.2.1 År 33-1904: Fra begynnelsen til pave Pius X
Compareceram para entrevista de triagem Marcos e Paula, pais de Vitor. Eles foram encaminhados a um psicodiagnóstico pela Terapeuta Ocupacional que atendeu a criança nos dois últimos meses, pois o menino, quando em situação de tensão, apresentava o comportamento de tensionar e repuxar o braço e mão esquerdos.
Logo de início os pais contaram sobre um episódio marcante vivido pela criança em setembro de 2010, em que Vitor teve um quadro de encefalite com sintomas de febre muito alta e ficou internado por vinte e dois dias. Tanto o pai quanto a mãe foram muito minuciosos no relato de cada dia da internação e dos procedimentos adotados pela equipe médica, além de se emocionarem enquanto falavam. Vitor teve primeiramente febres muito altas, em torno de quarenta graus, durante uma semana e em uma das consultas no pronto socorro apresentou um “surto”: via situações, perguntava e chamava pela irmã e não reconhecia quem estava por perto. Permaneceu assim por um dia inteiro e uma noite, no dia seguinte teve uma convulsão e ficou três dias em estado de coma na U.T.I. Já fora do coma, continuou na U.T.I. por mais oito dias, depois foi para o quarto, com monitoramento, totalizando vinte e dois dias de
internação. Nesse período, diversosos exames foram realizados, de cultura e de sorobiologia, sempre com resultados negativos, e a hipótese diagnóstica foi de encefalite viral grave com coma e epilepsia.
Segundo os pais, Vitor saiu da internação com a prescrição pela neurologista de Trileptal (5mg) e relatam que perceberam leve alteração de humor já no hospital. Quanto a essas oscilações de humor, atualmente Vitor reage impulsivamente a algumas situações, a mãe contou que ele em alguns dias acorda mais agressivo e grita como resposta a alguma solicitação do cotidiano. Nesse momento da entrevista os pais mostraram-se preocupados e emocionaram-se, tanto com o episódio da internação quanto com o estado atual do filho.
Foram feitas as perguntas do formulário de triagem e nessa situação os pais revelaram a separação desde que Vitor tinha dois anos e seis meses, época em que a mãe estava grávida de Vivian, irmã que atualmente tem sete anos. Na época da separação procuraram um atendimento psicológico, pois a criança não queria ir com o pai nas visitas quinzenais. A mãe e a criança foram atendidos por dez sessões e interromperam o tratamento.
Vitor estuda em uma escola particular e sobre o rendimento escolar, relataram que apresenta bom desempenho geral, preferindo matemática e ciências em detrimento de português e história. Na escola tem bom relacionamento com amigos. Em casa gosta de jogos eletrônicos, possui bonequinhos de coleção e brinca bem com a irmã ou sozinho.
Em relação a antecedentes familiares de doenças, nem o pai ou a mãe relataram dificuldades, bem como em relação aos avôs. Os avôs maternos são muito próximos, atualmente moram com a mãe e os dois filhos. O avô é aposentado, mas ainda trabalha e a avó ajuda na educação das crianças. Em relação aos avos paternos, o avô já é falecido e a avó mora com sua mãe, a bisavó da criança, que descrevem como a matriarca da família.
Foram apresentados os termos de consentimento para pesquisa e os dois concordaram plenamente, autorizando a inclusão dos dados para esta investigação. Os dois leram as cartas e a mãe assinou os papéis. A mãe ficou
com as cópias e guardou junto aos documentos que havia trazido sobre a internação e atendimentos que Vitor recebeu.
No final fiz a proposta do atendimento em psicodiagnóstico para Vitor com a perspectiva dos encontros, explicando cada etapa do processo. As entrevistas de anamnese com os pais, que nesse caso seriam separadas, os dois encontros com Vitor e as entrevistas familiares. Nesse momento esclareci que seriam duas, uma com a mãe e outra com o pai, e que a irmã deveria estar presente em ambas, ao que concordaram prontamente.
Encerramos a sessão já agendando os próximos encontros e nos despedimos.
Impressões
Após um atendimento saímos com muitas perguntas, hipóteses a serem verificadas e construímos uma primeira ideia do que possa estar acontecendo com a criança e qual a relação com a dinâmica familiar.
A primeira impressão que tive foi de certo estranhamento em relação ao contato entre os pais: pareciam muito educados um com o outro, mas não se olhavam. Na sala de espera estavam sentados distantes um do outro, mas poderia ser porque a sala de espera estava com grande ocupação naquele horário. Então, logo nos primeiros minutos da entrevista levantei a hipótese de que fossem separados, mas esperei o momento oportuno para saber.
O tema inicial dos dois, e que permeou toda a entrevista, foi o episódio da internação de Vitor. Contaram tudo com detalhes milimétricos e pareceram aliviados por fazerem isso. A emoção foi demonstrada pelo choro, mais intenso na mãe e, como até então não haviam dito nada sobre a separação, precisei perguntar, pois embora naquele momento já estivesse
óbvio, se não perguntasse, algumas coisas ficariam sem sentido. Mas era claro que eles não queriam falar sobre isso, estavam evitando o tema.
Outro aspecto que chamou minha atenção foi o fato da mãe relacionar a alteração de humor do filho à medicação, o que pode ser fato, mas em nenhum momento nomearam alguma possibilidade associada aos fatores relacionais. Ainda sobre a mãe, ela levou Vitor para um atendimento psicológico logo após a separação porque ele não queria sair com o pai. Mas e ela, queria que ele fosse? Provavelmente, naquele momento Vitor expressava o desejo da mãe de afastamento, de recusa a qualquer contato com o pai.
Em relação ao pai, chamou minha atenção seu tom cordial e passivo, sempre silenciando quando a mãe discordava de alguma opinião dele, ou de alguma impressão sobre Vitor. Mostrou-se muito preocupado, disponível para os atendimentos, mas retraído.
Ao final da entrevista marquei entrevistas individuais com a mãe e com o pai para investigar mais dados da história familiar e de Vitor, agora que já conhecia o padrão de funcionamento deles juntos. Essa decisão ficou evidente a partir do clima emocional entre eles, entendi que seria mais produtivo entrevistá-los individualmente para que pudessem se expressar mais livremente.
Em relação a Vitor, queria saber mais dados que fossem além da internação, pois saí da entrevista sem saber muito dele e estava curiosa.