numa expan-
são, vamos
dizer assim,
das pragas
do Egito, do
número de
alunos…
Não estamos
interessados
na reprodução
das lacraias,
estamos
interessados
efetivamente
em garantir ao
nosso aluno
um mercado
quando ele
sair…
ao nosso aluno um mercado quando ele sair — e quando ele voltar, porque ele nunca mais sai da Cândido Mendes. Não há mais hoje a pos- sibilidade de atendermos profundamente à vocação universitária sem procurarmos viver, dentro da universidade, a determinação das quali- ficações que o perfil empresarial reclama. É por isso que temos essa preocupação e esse ensejo de realizar, num espaço como esse, a uni- versidade corporativa. As reuniões de grandes empresas com o nosso
staff num trabalho de internação sucessivo permitirão conhecer os
seus experimentos, fazer case studies de sucesso ou de insucesso da sua especialização, que nos dêem condição de saber qual aluno deu certo e qual não deu certo na profissão. Por causa disso já criamos um conse- lho, em Ipanema, de 35 dos nossos formados em dez anos que se trans- formaram em presidentes ou em CEOs, chief executive officers, de grandes empresas nacionais e internacionais, para definir, vamos dizer assim, o sexo da criança no útero universitário. A universidade corporativa vai articular sempre ensino e extensão. Ela é extensão quando capta os ajustes de mercado e, portanto, dá a configuração da conjuntura. Ela é ensino quando, reconhecendo essa atividade, reajusta programas, redefine matérias a serem dadas, no tempo e no seu conteúdo.
E qual a previsão para o complexo de Canoas entrar em funcionamento?
Isso vai depender de um profundo exame de realidade que estamos enfrentando, mas provavelmente estará em funcionamento no ano que vem.
Universidade
Entrevistado
A origem da Universidade de Cuiabá (Unic) remonta a 1988, quando da criação das primeiras faculdades isoladas da União das Escolas Superiores de Cuiabá (Uesc), mantenedora da instituição. Logo no ano seguinte, os diversos cursos foram reunidos nas Facul- dades Integradas de Cuiabá. A carta-consulta objetivando a trans- formação da instituição em universidade foi enviada ao Conselho Federal de Educação em inícios de 1991, sendo em seguida nomea- da a comissão de acompanhamento do processo. A criação da Unic foi aprovada pelo plenário do CFE em agosto de 1994, às vésperas da extinção do órgão, tendo sido a portaria do MEC assinada em dezembro do mesmo ano, pelo ministro Murílio Hingel.
ção Prudentina de Educação e Cultura (Apec), mantenedora da futura Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), da qual chegou a ser vice-reitor. Transferindo-se para Cuiabá, fundou a Uesc e foi o responsável pelo desenvolvimento das Faculdades Integradas de Cuiabá. Fundador, reitor e mantenedor da Universidade de Cuiabá, recebeu-nos na Reitoria, em Cuiabá, no dia 7 de junho 2001, para uma entrevista de 5h40m de duração.
Gostaríamos de começar por aquilo que achamos que é o começo — vamos ver se o senhor acha que é o começo também: sua trajetória pessoal que o levou ao campo da educação. Sabemos que o senhor nasceu em Indiana, no dia 14 de outubro de 1940…
Primeiro, deixa eu agradecer a oportunidade de participar desse projeto do CPDOC e da Capes. Vou procurar ser o mais claro pos- sível, prestando as informações com toda a veracidade, porque real- mente é um ato histórico participar desse projeto. Nasci em Indiana no dia 14 de outubro de 1940 e vivi lá a minha infância. Indiana fica no interior do estado de São Paulo, bem próximo à divisa com Mato Grosso do Sul e Paraná — naquele bico do estado de São Paulo. Logo depois, passamos para uma cidade vizinha, Martinópolis, onde fiz o grupo escolar.
Qual era a atividade de seus pais?
Tanto meu pai quanto minha mãe vieram de Pernambuco. Eram pessoas muito humildes, que vieram de pau-de-arara tentar a vida em São Paulo. Moraram um pouquinho em São Paulo e foram para o interior, exatamente Indiana, onde terminavam os trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana, que hoje é a Ferrovia Paulista S.A., a Fepasa. Co- meçaram a trabalhar na lavoura e depois meu pai passou para o comér- cio. Eles tinham uma sapataria. Ele também trabalhou como produtor de algodão, mas não se deu nada bem. Foi naquela época em que o Ge- túlio…1Ele tinha comprado muito algodão, mas houve uma desvaloriza- ção do preço, que baixou de dez para um, então ele teve um prejuízo muito grande e retornou ao comércio. Minha mãe sempre foi domés- tica, sempre cuidou dos filhos, e não dava mesmo para ela fazer outra coisa, porque nós éramos 11 irmãos! Ela também não tinha se prepara- do para outra coisa; sempre trabalhou ajudando a família em casa.
O senhor era o mais velho da família?
O mais velho dos 11. Aos 15 anos fui para Presidente Pruden- te, que era uma cidade mais desenvolvida, para fazer o nível médio. Em razão da necessidade de trabalhar logo, optei por fazer o curso de técnico em contabilidade. Terminei no Colégio São Paulo, cujo diretor era o prof. Machado, que nós chamávamos de Machadão. Era um gran- de educador em Presidente Prudente, que dedicou muitos anos de sua vida à formação de pessoas. Fui morar no hotel de uma parente do meu pai, que a gente chamava de tia por afinidade — tia Quitéria. Em troca de morar, eu ajudava minha tia, desde servir as mesas na hora das refeições a tudo o que o hotelzinho dela precisava: arrumar cama, carregar mala, acertar conta dos viajantes… E ela me dava todo o apoio: me pagava o colégio, me dava roupa, alimento…
A opção pela contabilidade foi por quê?
Fui realmente movido pela situação e a necessidade de ar- ranjar um trabalho logo. Se eu fizesse o normal, seria para ser pro- fessor, mas naquela época eu não vislumbrava essa hipótese; se fizesse o científico, eu teria que fazer depois uma faculdade de me-
1 Em 1952 houve uma recessão da indústria têxtil mundial que levou à queda das exportações brasileiras de algodão em 80%. O governo Vargas (1951-1954) financiou os excedentes de algodão, sendo a safra de 1951-52 adquirida a preços comerciais pelo Banco do Brasil. Ver DHBB.
dicina ou de engenharia, e eu não teria condições. Como técnico de contabilidade, eu já podia exercer a minha atividade profissional. Naquela época não havia curso superior de contabilidade, e ao técni- co de contabilidade era dado o poder de assinar balanços, montar es- critório etc. Quando foi criado o curso superior, foi ressalvada, àque- les que já eram formados, a possibilidade de continuar exercendo a atividade. Terminado o curso, fiquei alguns anos trabalhando como contador em Presidente Prudente, enquanto minha família estava em Martinópolis e Indiana. Alguns anos depois resolvi fazer o curso de direito. Tinha sido instalada em Presidente Prudente a Instituição Toledo de Ensino, a primeira faculdade a se instalar na cidade e que até hoje está lá — uma faculdade boa, respeitada. Prestei vestibular, conse- gui classificação, fiz o curso, que era de seis anos na época, e me formei bacharel em direito na segunda turma da faculdade. Logo depois da formatura, também comecei a exercer minha atividade. Eu trabalhava com um advogado muito amigo e tradicional de lá, chamado Ítalo Lu- chino. Ele era de uma cidade do Triângulo Mineiro e estava há muitos anos em Prudente.
Estava sendo criado um movimento, liderado pelo prof. Agri- pino de Oliveira, para criar a segunda faculdade particular em Presi- dente Prudente — a Toledo já era a primeira. Prudente, apesar de ser a capital regional, não tinha outras. Cidades muito menores tinham faculdade: Tupã, Adamantina… Foi criada a Apec, a Associação Pru- dentina de Educação e Cultura, e o grupo de professores liderados pelo prof. Agripino resolveu montar o projeto da faculdade. Eles fo- ram me procurar para, como advogado, ajudar na parte administra- tiva, porque o primeiro projeto que eles tinham montado não havia sido aceito pelo MEC. Era uma área nova para mim, mas eu estudei, procurei me informar como advogado e, aí sim, montamos um proje- to compatível. Isso foi por volta de 1969, 1970. Era uma loucura de movimento de papel. Você tinha que mandar para o MEC 15 cópias de cada documento. Por exemplo, se tínhamos 50 professores, tínhamos que mandar 15 cópias de 50 currículos!
Comecei então a me envolver e, seis meses depois, eu tinha que tomar uma decisão: ou eu me engajaria nesse projeto de criação