5.5 V URDERING AV KAPITALREGLENE
5.5.13 L ÅN OG ANNEN FINANSIELL BISTAND TIL ERVERV AV AKSJER I SELSKAPET
Como se referiu, o complexo do templo 1230-1234 é a área central de toda a cidade durante este período ocupacional. Quando se diz central é no duplo sentido de ser o grande espaço, símbolo visual, mas também no sentido de ser o colectora das maiores actividades com impacto social.
Perceber como é que se organizavam estas actividades e sob que normas pré- determinadas, é perceber também que tipo de grupos nelas interagiam e em que medidas se visavam hierarquias e se introduziam novos elementos ou se mantinham invariavelmente outros. Sendo um espaço público, as regras comportamentais eram
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estritamente respeitadas e é por elas que começaremos a análise vigente, servindo esta como molde para as seguintes considerações finais.
Como já se definiu anteriormente, a religião pública, na sua componente prática, é de cariz local, ligada à cremação e sacrifício animal, em diferentes etapas do serviço, desde a escolha do animal, à degolação, escorrimento dos fluídos, oferendas e consumo comunitário. É na Bíblia que se encontram os maiores exemplos destes processos que são naturais na região e que se mantêm nos períodos posteriores, mesmo sob a alçada de outros povos.
Além das taças de grandes e médias dimensões, alguns cálices locais e de características micénicas foram encontrados, espalhados entre as salas do forno e dos quartos auxiliares e pátio 1228 e templo 1234. A estes juntam-se o punhal, encontrado no exterior do templo, junto ao altar de pedra e as grandes fossas de cremação animal, nos mesmos espaços já mencionados.
Dão mostras de acções específicas, que tinham lugar em redor do complexo e que eram executadas por objectos locais e micénicos. Acerca dos primeiros é fácil compreender a escolha, uma vez que são normais aos grupos cananaicos que habitam a cidade e praticam as actividades descritas, contudo, quanto aos segundos, como se veio a referir várias vezes, não se conseguindo entender concretamente o papel dos grupos micénicos no sítio, pressupõe-se por ora que entrem na mesma linha de raciocínio dos objectos locais, uma vez que as relações entre Canaã e as ilhas do Egeu eram já uma tradição do Bronze Médio.
Outras práticas religiosas dizem respeito aos cultos de fertilidade e fecundidade, comuns a toda a região do Levante e aqui representados pelas figurinhas femininas de entidades genéricas que poderiam ganhar uma identidade diferente consoante o grupo que delas fizesse uso.
Esta faceta adaptacional dos materiais religiosos de Bet-Chan é uma das principais características de todo o sítio, sendo o entrosamento cultural muito comum nos vários quarteirões expostos. Sabe-se que tanto cananeus, quanto egípcios e mitânicos tinham cultos femininos, cada qual com os seus rituais específicos, que, no entanto, não parecem ter requerido dentro da cidade de um espaço individual, tendo o complexo do templo, servido todos os grupos e todas as tradições, mesmo que em momentos diferentes.
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A capacidade que os grupos tiveram de se adaptar uns aos outros implicou que principalmente por parte dos egípcios ali acantonados houvesse respeito em relação aos cananeus que já ali se encontravam, como integrante da política inclusiva que vinham já a aplicar perante os outros povos com quem contactavam. É certo que em momentos ulteriores, quando a religião pública passa a ser uma ferramenta de agrilhoamento político, a implementação de um panteão e a construção de templos e palácios ao estilo egípcio, bem como a criação de práticas públicas ligadas ao culto faraónico e acolhidas pelos grupos egípcios e não locais, quebrou o ritmo de respeito e adaptação que no nível IX ainda se verifica como a principal artéria interactiva.
O aparecimento algo parco de cilindros-selo nos espaços públicos para culto, também é importante para definir o grupo mitânico que os utilizaria. Mesmo sem haver certezas quanto à natureza destes objectos, que podem ter sido de fabrico local, a quantidade e a dispersão impõem pensar numa alternativa, que aqui se acabou por descrever através da presença efectiva de grupos mitânicos na cidade. Embora raros no templo, são abundantes noutros espaços e relacionam-se sempre com a presença de objectos egípcios e indígenas fora do âmbito público.
Mesmo no caso dos cilindros do exterior do templo, onde se processavam um grande número de actividades públicas, parecem reportar para uma presença, mas não para uma actividade em primeira mão dos membros utilizadores, uma vez que em mais contexto nenhum se destacam, sem ser no Quarteirão Nordeste, cujo ambiente é especialmente distinto.
Sendo a crença uma escolha pessoal, ela implica, para ser mantida por longos períodos de tempo, de contínuos estímulos externos, comuns a um conjunto de pessoas e endurecido por acontecimentos aceites pelo grupo e perpetuados no tempo. Também em Bet-Chan o elemento ideológico é respeitado, porque o contacto com outros povos era recorrente e a natureza das crenças tinha sempre inúmeros pontos em comum entre grupos.
Independentemente desta semelhança essencial, em termos formais a prática é distinta, embora com elementos análogos, como é normal em ideologias deste género. Em Bet-Chan, como já se referiu, também práticas semi-privadas ou privadas tiveram espaço para existir, embora, tendo em conta a quantidade de
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amuletos e outros objectos do género, que se encontraram nas áreas habitacionais revele que os grupos prefeririam fazê-lo fora dos espaços públicos.
Só os grupos locais, utilizariam mais recorrentemente o espaço, sobretudo porque a arquitectura, sendo muito específica e comum à Palestina daquele período, apresenta nichos, escadarias, pequenos altares e disposições espaciais que por si mesmos já implicam uma utilização com conhecimento de causa e uma adaptação às crenças indígenas tradicionais.
Foi-se aludindo ao longo do trabalho para a relativa diferença entre as práticas públicas e locais e para a diferença destas para com o universo ideológico dos diferentes aglomerados humanos, pelo que importa agora referir apenas que enquanto espaço comunitário, os cananeus estavam no topo hierárquico do sítio, independentemente da classe social a que pertenciam.
Esta hierarquia, honraria obviamente a hierarquia já implementada em Bet- Chan, pelo que seriam os sacerdotes e servidores do templo, bem como a elite local administrativa, a usar a área mais activamente e com maior reconhecimento público, não implicando, no entanto, a ausência de grupos cananaicos de classe mais baixa, apenas sendo mais complicado ter deles sinais materiais.
Divididos em grupos étnicos e depois profissionais, as actividades religiosas tinham carácter público e privado, aceitando todos aqueles que socialmente fossem propensos a poder nelas participar e/ou assistir, e permitiam a manutenção material e abstracta das normas já existentes bem como a introdução de novos constituintes, desde que fossem capazes de se imiscuir gradual e subtilmente nos antigos. A coesão é notória e a inclusão de novos grupos e respectivas culturas também, independentemente de como decorreu o processo, de que infelizmente não temos mostras precisas.