4.1 Analyse og tolkning av mitt datamateriale
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Notícias
2561915
10/03/1915 – Jornal do Commercio
TRIANON – Está por dias a inauguração do Trianon na Avenida Rio Branco. Vai inaugurá-lo a companhia organizada pelo Sr. Cristiano de Souza.
A estréia será na próxima sexta-feira, com o vaudeville em 1 ato de Robert de Flers – Guilherme, o conquistador, tradução de Cristiano de Souza, e a burleta de Eustórgio Wanderley Apaches em casa, em 1 ato e com sete números de música, originais de seu autor. Do elenco da companhia fazem parte os artistas Cristiano de Souza, Carlos Abreu, Augusto Campos, João Silva, Aníbal Augusto, Arthur Silva, Julio de Oliveira, Ema de Souza, Laura Corina, Elisa Campos, Maria Amélia e Belmira de Almeida.
16/03/1915 – Jornal do Commercio
TRIANON – Com este nome inaugura-se hoje, na Avenida Rio Branco, uma luxuosa casa de diversões. Haverá duas sessões, à noite, representando-se a comédia Guilherme, o
conquistador.
16/03/1915 – Gazeta de Notícias
Gazeta Teatral
O “Trianon” abre-se hoje
O novo cinema - teatro que é o “Trianon”, na Avenida, onde foi o “Eclair”, abre-se hoje. E abre-se para a estréia da troupe organizada e dirigida por Cristiano de Souza, o elegante e distinto ator que todos nós conhecemos e estamos habituados a aplaudir.
A estréia será com a representação das peças em 1 ato, Guilherme, o conquistador, tradução de Cristiano de Souza e Apaches em casa, de Eustórgio Wanderley. Das duas peças já demos a distribuição.
O “Trianon” é hoje o teatro mais chic do Rio. É um mimo, um encanto e com as idéias que Cristiano tem para mantê-lo será um teatro de novidades contínuas, dirigido pela coragem e a competência do festejado ator.
Certo, o nosso público, principalmente a alta roda, saberá secundar o esforço de Cristiano.
As obras por que passou o antigo “Eclair” estiveram a cargo do Dr. Franco Lima. O “Trianon” é de propriedade do Sr. comendador M. Motta, conceituado capitalista desta
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demais referências, que diferem das normas utilizadas pelos jornais. Trechos ilegíveis são informados entre colchetes. Em alguns casos, arriscam-se interpretações, também entre colchetes.
praça. A gerência do “Trianon” está a cargo do Sr. Daniel Alves, e é secretário o Sr. Dr. Franco Lima.
Haverá duas sessões, uma a começar às 7 e 1/2 e outra às 9 e 1/2, ambas principiando com uma fita cinematográfica.
Serão levadas à cena a comédia em 1 ato, Guilherme, o conquistador e a burleta também em 1 ato Apaches em casa.
A inauguração do “Trianon” vai movimentar hoje toda a elite carioca.
17/03/1915 – Jornal do Commercio
TRIANON – A Avenida Rio Branco, rasgando o coração da velha cidade, abrindo de mar a mar a larga via, orlada hoje de palácios, embelezada com árvores que expandem frondes umbrosas, não podia deixar de possuir um teatro seu. E nasceu e cresceu o Elefante Branco, que ali jaz, como a afundar-se pelo solo adentro, ao peso do granito, dos mármores e dos bronzes, abrindo, de longe em longe, as suas portas para ostentar magnificências, e que afugentam o tímido Carioca, consciente da sua pobreza e da sua incompatibilidade com os esplendores da sala opala e rosa.
Era preciso um teatro menor, leve, simples, aconchegado, que oferecesse conforto, franqueza e bem estar ao paletot do homem de trabalho e acolhesse sorridente e amável à saia e blusa, ou o tailleurs modesto e singelo. E foi construída a Phenix, que não mereceu as simpatias do público, ou se fez por demais exigente, como se só para ela devessem trabalhar os empresários. Estreou-se com o cinematógrafo e não levou mais longe as suas ambições: ficou abandonada e fechou as portas. A Avenida, porém, rica de cinemas luxuosos, continuou sem um teatro popular, e era preciso inventá-lo.
Foi o Sr. Cristiano de Souza que se lembrou de transformar o “Eclair-Palace” na bela e risonha sala de espetáculos que se abriu ontem à invasão de um público numerosíssimo, que ali se achava contente e satisfeito, risonho para a brancura da sala iluminada numa orgia de luz, com as suas elegantes colunas rodeadas de espirais de lâmpadas miúdas, como se nelas se enroscassem serpentes luminosas.
Um film mitológico, com extraordinários efeitos de cerúleas vagas a beijarem as ilhotas pitorescas, precedem a primeira peça representada, a comédia de De Flers e de Caillavet, La chance du mari, traduzida com o pouco feliz título de Guilherme, o
conquistador.
Era a primeira vez que se representava no Rio de Janeiro uma peça desses incomparáveis irmãos de teatro, depois da morte de De Caillavet, cuja perda lamentamos há pouco nestas colunas; essa triste recordação influiu um pouco para que decorressem aquelas cenas tão alegres e de tão bom humor, com uma ponta de melancolia. A argúcia daquele marido perspicaz, que evita a primeira catástrofe iminente, opondo a um apaixonado mundano, fútil e elegante, a sentimentalidade tão rude quanto sincera de um yankee, de uma observação penetrante, e trabalhada com habilidade, não conseguiu ontem desopilar o auditório, um pouco surpreendido com a novidade de uma sala alegre e com a estranheza de uma representação em que algo se percebia de preocupação de arte. Não havia bastante vivacidade para a corrente engraçada das ocorrências, para a oposição flagrante de dois temperamentos que colidiam nos impulsos pela mesma mulher, por ambos cobiçada? É que uma estréia não pode traduzir a normalidade das coisas, quando elas se exibem novas para o público, que é um censor exigente.
Não há negar, entretanto, que a representação correu bem, e promissora de uma série apreciável de bons espetáculos. Cristiano de Souza foi um sentimental americano, um
Bobby Hanson bem desenhado; Carlos Abreu coloriu de futilidades o Paulo d’Arzac; Augusto Campos demonstrou, pelo tom um tanto pesado dado ao papel do marido, que este era um experimentado na vida e nos mistérios da alma feminina.
A Suzanna d’Essenil encontrou na Sra. Ema de Souza um intérprete capaz de torná-la adorável na sua volubilidade, resistindo, com esforço, ao primeiro embate.
Depois da engraçada comédia de De Fleur e de De Caillavet, vimos em cena a burleta em um ato Apaches em casa, do Sr. Eustórgio Wanderley, autor de diferentes produções para o teatro, sendo a de ontem a mais feliz. O quid pro quo, ou antes, a confusão de dois apaches vindos de Paris, com dois primos que se fantasiaram em apaches para acompanharem a um baile masqué duas primas vindas também de Paris, forma o fundo da burleta que tem graça, tem música, tem canto, tem damas e tem resistência para algumas representações.
Ema de Souza brilhou ainda nessa burleta; secundaram-na com felicidade as Sras. Laura Corina, Elisa Campos, Corina Silva e Maria Amélia. Do grupo masculino é justo mencionar os Srs. Augusto Campos e Carlos Abreu.
Percebia-se em todo o espetáculo a influência da arte de Cristiano de Souza, desde a representação até os magníficos cenários. Parece que o Trianon fará carreira.
17/03/1915 – O País O Trianon
Nessa magnífica casa de diversões que acaba de ser inaugurada na Avenida e que de certo será um dos pontos preferidos pela sociedade carioca, realizam-se hoje três espetáculos: matinée, às 4 horas da tarde, e duas sessões, às 7 e 1/2 e 9 e 1/2 da noite.
As sessões começarão por uma fita cinematográfica e figuram no excelente programa, para o palco, o vaudeville Guilherme, o conquistador, e a burleta, ornada de música, Apaches em casa.
É mais uma brilhante tentativa de Cristiano de Souza pelo estabelecimento do teatro popular e que por isso mesmo merece todo o favor público.
20/03/1915 – Jornal do Commercio
TRIANON – A iniciativa de criação de um teatro elegante na Avenida Rio Branco foi acolhida pelo público com o maior carinho. Todas as noites o Trianon transborda de espectadores, nas três sessões realizadas pela companhia que obedece à direção artística do operoso ator Cristiano de Souza.
Continuam em cena o vaudeville Guilherme, o conquistador e a burleta Apaches
em casa.
21/03/1915 – Gazeta de Notícias
Gazeta Teatral - Reclames
Trianon – O Trianon é indiscutivelmente o teatro do dia. A criação de Cristiano de Souza é
incontestavelmente o sucesso do ano. As sessões do Trianon têm tido extraordinária concorrência, o que prova que o novo gênero de teatro está definitivamente lançado entre nós.
TRIANON – Neste elegante teatro, onde todas as noites se reúne a melhor sociedade, realizou-se ontem a primeira representação da interessantíssima comédia de Tristan Bernard, tradução de Eduardo Garrido, O Língua de Fora.
O afinado desempenho dado à hilariante produção do festejado escritor francês, fez com que fossem muitíssimo aplaudidos os Srs. Augusto Campos, Carlos Abreu, Antonio Silva e João Silva e as Sras. Ema de Souza e Laura Corina.
Figuram nos espetáculos de hoje a burleta Apaches em casa, que continua a agradar francamente, pois no gênero é uma das melhores que temos aqui ouvido ultimamente, e O Língua de Fora, não menos interessante.
29/03/1915 – Jornal do Commercio
TRIANON – No elegante teatro da Avenida e que é hoje o preferido da nossa melhor sociedade, realizar-se-ão hoje as últimas representações das aplaudidas comédias Apaches em
casa e Língua de Fora, que ainda ontem levaram numeroso público tanto à matinê como nos dois espetáculos da noite, estando ocupados todos os lugares da sala.
Para amanhã está anunciada a primeira representação da brilhante peça bíblica em verso, intitulada Maria Magdalena, da lavra do poeta Sr. Batista Cepêllos, em que, estamos certos, agradará francamente, pois além de serem lindos os versos do inspirado poeta paulista, a Companhia Cristiano de Souza está empenhada em dar a essa peça a melhor interpretação possível.
Fará a protagonista a atriz Sra. Ema de Souza.
Os cenários, vestuários e adereços são de grande efeito.
06/04/1915 – Jornal do Commercio
TRIANON – O prestígio do nome do Sr. Eustórgio Wanderley, que tanto fizera rir noites seguidas no Trianon com a burleta Apaches em casa levou ontem ao elegante teatrinho da Avenida uma concorrência notável. A peça para ontem anunciada traía pelo sugestivo do título. E não se enganaram os que foram ao Trianon, em busca de alguns momentos de riso são, provocado por boas pilhérias, situações cômicas e trocadilhos felizes. Os filhos da
Candinha, a peça do Sr. Wanderley, fez rir pelo mérito que realmente tem. E o seu bom êxito garantiu o progresso do Trianon, tentativa em boa hora levada a cabo e que se positiva rapidamente em um fato auspicioso.
Os filhos da Candinha tem um enredo simples e feliz. Passa-se nas Paineiras em um dos clássicos pic-nics oficiais de vasos de guerra estrangeiros, à sombra patriarcal das árvores que têm abrigado tantos uniformes diferentes, diante do espetáculo maravilhoso que é sólida razão do orgulho indígena...
É melhor, porém, não resumir o enredo. A engraçada peça tem oito números interessantes de música.
Agradou muito, pois fez rir a valer e [ilegível] seu maior mérito e a garantia de que ficará por muitos dias no palco do Trianon.
O desempenho foi bom, merecendo destaque em relevo o ator Campos, que é alma da simpática sala de espetáculos da Avenida. Acompanharam-no de perto os demais artistas: a Sra. Ema de Souza, a Sra. Maria Amélia, o Sr. Abreu, o Sr. Aníbal e os outros que tomaram parte da peça.
Depois da representação da peça do Sr. Wanderley, foi representada a comédia portuguesa O braço de pau que serviu para por em confronto o espírito de lá e o espírito de cá. A qual a palma? Os que forem ao Trianon que respondam... Ainda nessa peça o trabalho
do ator Campos encheu a platéia, que riu a valer. Sem exageros, naturalmente, o inteligente ator mostra que sabe fazer espírito para qualquer público.
As duas peças vão hoje novamente a cena nas sessões do Trianon.
14/04/1915 – Jornal do Commercio
TRIANON – A BISCA EM FAMÍLIA – Está vencedora a iniciativa do ator Cristiano de Souza. O público encaminhou-se para o Trianon. De há muito que se sentia, na Avenida Rio Branco, a falta de uma casa de espetáculos no gênero idealizado pelo simpático artista. Peças ligeiras e escritas com adequação de linguagem, atrizes apresentáveis, atores que se soubessem vestir...
É preciso ir apurando essa coisa a que chamaremos um dia com orgulho – teatro nacional.
Naquele ambiente do Trianon o espectador se sente bem e a empresa tem sabido atraí-lo oferecendo-lhe a par do conforto da instalação, peças cuidadosamente escolhidas. Daí, sem dúvida, o segredo da concorrência numerosa a ponto de se retirarem as peças de cena em pleno êxito.
Ontem foi a première de um trabalho interessante: A bisca em família. É um vaudeville com situações as mais pitorescas e cenas de graça irresistível.
Não vá o leitor pensar que no vaudeville A bisca em família se trata desse conhecido jogo da bisca. A “bisca” em questão é muito outra. É uma “bisca” mais suave, criatura alegre que passa a fazer parte da família.
Mas isso é um incidente à margem, no complicado enredo desse trabalho. Calcule um oficial de marinha reformado, que se casa ocultando ser pai de um rapagão, homem já feito e passa pela surpresa de ver inesperadamente o filho casado com a sogra, criatura divorciada... É uma situação de pai de seu sogro...
Entretanto, tudo acaba bem, sendo de reparar apenas que o vaudeville não tenha um desfecho mais natural. A tradução foi feita pelo Sr. Raul Pederneiras, apreciado artista e conhecido homem de letras.
O desempenho foi dos mais harmônicos. Isso, aliás, é de esperar em todas as peças, dada a homogeneidade do conjunto que forma a companhia do Trianon.
Já conhece o público o trabalho do ator Campos. No velho marinheiro, o Sr. A. Aníbal apresentou um tipo de rara felicidade no característico e no desempenho.
A Sra. Ema de Souza e Maria Amélia encheram a cena com a sua graça e a sua vivacidade. Estão anunciadas para hoje mais duas sessões com A bisca em família.
20/04/1915 – Jornal do Commercio
TRIANON – A renovação freqüente do programa do Trianon é uma das garantias do sucesso que vai tendo a iniciativa, em boa hora levada a efeito na criação do elegante teatrinho da Avenida.
No espetáculo de ontem, representou-se uma nova peça, adaptada para o português, com o título O senhor Comissário é bom rapaz, é uma opinião que o comissário tinha de si próprio, apesar de parecer bem o contrário.
Nessa peça, que não deixa de agradar, tomaram parte o Sr. Campos, o Sr. Abreu, o Sr. Aníbal e a Sra. Maria Amélia.
O espetáculo terminou com a reprise da comédia O Língua de Fora, que é de fato engraçadíssima. O ator Campos tem nessa peça uma criação admirável, que lhe garante um dos primeiros lugares, – senão o primeiro – entre os cômicos atuais dos nossos teatros.
O Sr. Abreu, que nela toma parte também, no papel saliente de [ilegível], mostra uma grande vocação para representar em línguas estrangeiras.
As duas peças vão a cena hoje, novamente.
27/04/1915 – Jornal do Commercio
TRIANON – SHERLOCK - A empresa do Trianon ofereceu, nas sessões de ontem, peça nova aos freqüentadores dessa casa de diversões. Foram duas salas lindas, transbordantes de famílias, que já habituaram às reuniões elegantes do Trianon.
Não era nova para nosso público a comédia posta em cena – Sherlock – com seus três atos reduzidos de maneira a não prejudicar o trabalho de seu entrecho geral. Mas os
habitués do Trianon compareceram para animar o conjunto de artistas dirigido pelo Sr. Cristiano de Souza.
Pondo em cena peças conhecidas e que não alcançaram êxitos em outras temporadas, não nos parece estar a empresa agindo com felicidade. Não foi mesmo esse o objetivo que determinou a criação do elegante teatrinho da Avenida Rio Branco.
Peças finas, ligeiras, habilmente traduzidas e sobretudo originais de autores nacionais...
Devemos, entretanto, registrar que Sherlock agradou grande parte da numerosa assistência do Trianon.
Esse trabalho põe ensejo para que o ator Campos reafirmasse as suas excelentes qualidades de artista, representando um trabalho cheio de naturalidade e de observação. A Sra. Maria Amélia secundou-o em uma caricata que muito comprometeu a estética do seu porte elegante naquelas poucas horas de representação.
Os demais artistas esforçaram-se para dar à complicada comédia um desempenho aceitável.
Nas sessões de logo à noite repete-se Sherlock, que também será representada à tarde.
27/04/1915 – Gazeta de Notícias
Gazeta Teatral
No Trianon
Sherlock, comédia em três atos, pela companhia Cristiano de Souza.
O Trianon surgiu com a maior simpatia da nossa sociedade. O Trianon impôs-se. Era um teatro elegante, chic, montando peças leves escolhidas a dedo por Cristiano de Souza. Subitamente o Trianon mudou de orientação e pôs em cena peças como O
comissário é bom rapaz e agora Sherlock, uma comédia de Chagas Roquette e Álvaro Lima. Fez mal. Não que essas duas peças deixem de ser interessantes. Absolutamente. Mas é que o público encarreirado para o novo e alegre teatrinho da Avenida é um público especial, que ainda não tinha gozado os ligeiros e cômodos espetáculos por sessões, um público fino demais, para ir assistir às gastas revistas em que o Sr. Carlos Leal, faz de cômico irresistível e o Sr. Pinto Filho, finge de grande ator.
Pois bem. Os espetáculos do agradável teatrinho começaram a perder o brilho das primeiras noites com estas duas peças – que, aliás, fariam carreira em qualquer dos teatros da praça Tiradentes e adjacências. Mas revestidas de um aspecto um pouco popular demais para a assistência fina de que o Trianon teve logo preferência, essas peças caíram pela base.
É preciso, por isso que a direção de Cristiano de Souza, ator distinto e competente, insista na orientação primitiva do seu programa, tornando cada vez mais o Trianon o nosso mais elegante e chic teatrinho.
Ontem o público, um público escolhido, ainda encheu-lhe a sala.
Não aplaudiu, porém, o esforço dos artistas – o que é injustificável. Augusto Campos por exemplo, esteve magnífico no administrador do Conselho e a galante atriz Ema de Souza, foi uma cocote bem brejeira e perturbadora. Os outros, bem.
Mas, como o público não aplaudiu o esforço dos artistas, pôde-se deduzir que não gostou da peça ou não achou boa a representação.
Agora...talvez nos enganemos, porque assim nunca o público apreciou as representações do Trianon. É que nunca as aplaudiu.
11/05/1915 – Jornal do Commercio
TRIANON – Os freqüentadores do elegante teatrinho da Avenida Rio Branco, tiveram ontem, em primeira mão, dois originais de escritores patrícios.
Tratando-se de peças de autores nacionais, era natural que despertassem interesse as sessões do Trianon e foi isso o que aconteceu. À tarde, como nas sessões da noite, encheu- se o Trianon de uma sociedade distinta, ansiosa por ouvir Madame Chá, a peça do Sr. Fábio Aarão Reis e Podre de chic, comédia charge do Sr. Calixto Cordeiro.
A peça do Sr. Fábio Reis é tecida em torno de uma tese em que há algo de nebuloso e discutível, mas escrita com brilho e elevação de linguagem. É um ato sutil e vaporoso, com cenas cheias de vida e teatralidade.
A montagem não pode ser mais própria nem mais distinta. Os cenários, leves e delicados, harmonizando-se com o assunto da peça, contribuem para o encanto e beleza do conjunto. O desempenho foi bom na movimentada cena do chá e na última que se segue àquela jogada entra a Sra. Ema de Souza e o Sr. Carlos Abreu.
O trabalho do Sr. Calixto Cordeiro Podre de chic, é uma crítica, esfuziante de graça, a costumes locais. É um chefe de família que se vê em apuros para manter uma representação social muito em desacordo com as suas finanças.
A comédia charge do Sr. Calixto Cordeiro tem graça a valer e foi motivo de boas gargalhadas. Os tipos estão desenhados com felicidade e as críticas às nossas coisas e aos nossos homens, feitas com justeza e habilidade.
O autor Augusto Campos tem no Podre de chic mais uma criação feliz e defendida com a galhardia costumada.
Aos autores desses dois trabalhos, ligeiros mas interessantes, o público festejou com chamadas; cena de muitos aplausos ao apreciável desempenho dado ao Podre de chic e à
Madame do chá pela troupe que ocupa o Trianon sob a direção desse fino e inteligente artista que é o Sr. Cristiano de Souza.
Nas sessões de hoje repetem-se os mesmos originais.