Sendo os projetos uma forma de interação com a comunidade, a divulgação desses mesmos projetos nomeadamente as imagens selecionadas para esse efeito, dizem muito da forma como o Grupo se quer mostrar. Uma análise aos cartazes mais recentes do Festival
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permite constatar a predominância de elementos que remetem para o património imaterial, principalmente para a dimensão do dançar. Em duas situações, os cartazes foram uma homenagem a elementos que fizeram parte do Corpo Artístico do Grupo e que pela sua relevância foram merecedores deste tipo de homenagem, como é o caso do cartaz da XXX edição do Festival de Folclore.
FIG. 10 – CARTAZ DE DIVULGAÇÃO DO XXVIII FESTIVAL INTERNACIONAL DE FOLCLORE DE AROUCA
FIG.11 – CARTAZ DE DIVULGAÇÃO DO XXX FESTIVAL INTERNACIONAL DE FOLCLORE DE AROUCA
No material de divulgação do Conjunto Etnográfico de Moldes é notório uma
proximidade às artes plásticas e, principalmente, a artistas de Arouca. As capas das revistas Rurálias são um dos melhores exemplos. Tratam-se de pinturas de José Carlos Belém, artista plástico de Arouca que para além das capas das revistas, foi o autor de diversas imagens de cartaz do Festival, entre as quais as do ano de 2010 e 2012.
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FIG. 12– CAPAS DAS 4 EDIÇÕES DA REVISTA RURÁLIA
Nas últimas edições do Festival, os trabalhos de artistas plásticas foram substituídos por imagens fotográficas por uma questão de gestão financeira da associação, por ser uma opção menos dispendiosa. É o caso das edições dos anos de 2009 e 2013.
FIG. 13 – CARTAZ DE DIVULGAÇÃO DO XXVII FESTIVAL INTERNACIONAL DE FOLCLORE DE AROUCA
FIG. 14 – CARTAZ DE DIVULGAÇÃO DO XXI FESTIVAL INTERNACIONAL DE FOLCLORE DE AROUCA
As opções mais artísticas nem sempre recolhem uma boa aceitação em algumas pessoas nomeadamente as do Corpo Artístico. A avaliar pelos comentários e reações, a
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dimensão artística parece não representar qualquer mais-valia nomeadamente estética, apelam, algumas vezes, ao uso de imagens do próprio Grupo. Em trinta e duas edições do Festival aconteceu raras vezes, sendo que duas delas foram de homenagem a ex-elementos do Grupo, como é exemplo o cartaz da XXX edição.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
O Conjunto Etnográfico de Moldes de Danças e Corais Arouquenses – Rancho de Moldes está prestes a completar 70 anos de existência. Uma longa existência traduzida numa história que merecia um estudo mais aprofundado quer enquanto processo reflexivo no interior do Grupo como para memória futura da comunidade.
Este trabalho de análise da construção do Grupo de Moldes surge num período, também ele de transição. Um grupo composto com indivíduos que viveram o folclore de forma intrínseca e, ainda, por jovens que nascidos e criados em contexto rural já não o vivenciaram. Para estes, tanto as vivências rurais propriamente ditas que o Grupo representa como o contexto de origem do Grupo começam a estar cada vez mais distantes. Ao longo dos últimos 70 anos, Portugal conheceu alterações significativas tanto a nível social, cultural como económico e político. Desde o “orgulhosamente só” a uma multiplicidade de relações quer económicas quer culturais, resultado de um mundo cada vez mais globalizado, encontramos entre as décadas de 1940 e a atualidade uma evolução muito significativa. Perante este facto importou perceber a capacidade de reposicionamento do Grupo face a estas transformações. Percebeu-se que a dialética criada viabilizou o seu funcionamento ao invés de o conduzir para um estrangulamento. O Grupo conseguiu interagir com a sociedade, absorver as suas dinâmicas e devolver a essa mesma sociedade a sua visão de um passado que transporta uma carga identitária.
A gestão do Grupo de Moldes assentou ao longo dos tempos essencialmente em duas dimensões, uma mais fixista visível na opção constante de um trajar uniforme e outra de interação com a sociedade e com as suas políticas nomeadamente culturais. A primeira, apesar de não recolher a validação por parte de instituições que se arrogam de tutela na representação do folclore foi a que deu um maior contributo à “imagem” do Grupo. Atualmente, este é um fator distintivo. Para uns pela negativa, para outros como sendo a opção mais legítima e de respeito à história do próprio Grupo. A viabilidade deste lugar de memória foi, também, conseguido graças à sua capacidade de renovação assente numa dialética entre novos e velhos. Os mais velhos como detentores de memória e conhecimentos que seriam transmitidos aos mais novos. Esta dimensão funcional do Grupo assente em novos e velhos é transversal a todo o período da sua existência e um dos pilares da sua sobrevivência.
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A representatividade geográfica do lugar de memória em estudo, começou por ser numa primeira fase a freguesia de Moldes e passa numa segunda fase para o concelho. Internamente, no concelho de Arouca, o Grupo é sempre o de Moldes e fora do concelho é o Grupo de Arouca. O projeto Festival Internacional de Folclore de Arouca é o projeto que melhor demonstra a sensibilidade existente a nível de representatividade geográfica. O facto de ser organizado na vila de Arouca e não na freguesia de Moldes cria sensibilidades tanto na população de Moldes que se queixa de não ser na freguesia como na população de Arouca que refere não sermos de Arouca e que devemos ir para Moldes.
Concluímos que o Conjunto Etnográfico de Moldes foi construído em função dos objetivos que assumiu e sobretudo dos protagonistas que assumiram esse trabalho de construção. Sendo que este trabalho de construção foi influenciado de diferentes formas e por diferentes agentes desde instituições tanto de âmbito nacional como local. Esta construção não foi imune aos contextos políticos e económicos. Percebemos que o alargamento das suas ações, foi possível graças a apoios financeiros de diferentes instituições e verifica-se que sem este suporte financeiro o Grupo não funcionaria. Os protagonistas, nas tomadas de decisões são necessariamente os órgãos diretivos. Nestes, sempre estiveram, em maior ou menor número, indivíduos com formação superior e, embora não exista uma relação direta, poderá ser entendido como um fator propiciador de escolhas mais conscientes de que o folclore constitui um “campo social” autónomo delineando outros caminhos que propiciaram uma melhor funcionalidade ao Grupo.
O associativismo, enquanto dinâmica organizada, foi essencial para viabilidade do Conjunto Etnográfico de Moldes, nas últimas décadas. Ao adquirir personalidade jurídica passou a ter acesso a um conjunto de apoios e inseriu-se numa dinâmica que permitiu que não caísse em letargia. A capacidade de adaptação às transformações da sociedade permitiu que a dimensão funcional deste lugar de memória tivesse um papel ativo e dinâmico. No que diz respeito à dimensão artística, a atitude parece ter sido a oposta pois verifica-se um certo “fixismo” visível principalmente no Corpo Artístico em que a orientação é tentar manter sempre como era. Sem inovações e alterações no tocar, no cantar, no dançar e principalmente no trajar. Se na dimensão funcional se procura manter sempre atualizado, na dimensão simbólica a intenção é não mexer, como forma de melhor preservar. Num grupo com quase sete décadas, é expectável que os níveis de representatividade venham a ser questionados como efetivamente acontece da parte de
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algumas visões mais conservadoras no que diz respeito à construção de espaços de representação assumidas por algumas instituições.
Do presente trabalho gostaria que resultasse uma contraproposta para essas instituições que deveriam assumir-se como organismos aglutinadores das diferentes perspetivas na representação do povo e da sua cultura e não ser apenas mais uma perspetiva que se quer apresentar como sendo de verdade absoluta. A dimensão histórica e as suas influências deveriam ser aceites como um patamar na representatividade dos grupos, daqueles que se justifiquem e cuja existência assim o legitime, como é o caso do Grupo de Moldes.
88 FONTES
Ata de reunião ordinária de Câmara de 20.09.1948, Livro 40 Semanário Defesa de Arouca
Quinzenário Jornal de Arouca Mensário Roda Viva
Semanário Discurso Directo
Correspondência do Conjunto Etnográfico de Moldes Entrevista a Alexandre Pinho
Entrevista a Adosinda Duarte Entrevista a Nilde pereira Entrevista a Fernando Miranda Entrevista a césar Silva
Entrevista a Palmira Moreira Entrevista a Alcides Duarte
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