5.2 Den eksperimentelle musikkverkstaden
5.2.2 Å eksperimentere fram ein komposisjon
A expressão, nas suas dimensões estar, comunicar e criar, exige uma intervenção. Na medida em que o indivíduo expressa uma necessidade de se afirmar, de comunicar ou de criar, esses desejos deve encontrar uma resposta educativa. Luís Aguilar (2001, p. 39)
As artes assumem um papel importante na vida, pois ajudam-nos a melhor compreender e interpretar o que nos rodeia. As artes, como forma de expressão, ajudam a criança a comunicar com os outros, a expressar sentimentos e a estimular a criatividade, sendo “formas de saber que articulam imaginação, razão e emoção” (DEB, 2001, p. 149). Possibilitada essa liberdade de expressão, a criança é capaz de explicar o mundo à sua volta através das diferentes expressões artísticas, dando-se assim mais significado à aprendizagem.
Na minha prática, procurei sempre articular as expressões com os aspetos trabalhados nas outras áreas do saber, de forma intencional, contextualizada e articulada. Assim, apresento duas EEA, uma da área de expressão dramática e outra da área de expressão plástica, sendo que estas áreas ocupavam sessenta minutos, respetivamente, da carga horária semanal da minha intervenção.
Na área da expressão dramática, no dia 2 de janeiro, na sequência da aula de estudo do meio, que abordou o ciclo da água, propus aos alunos que o dramatizassem. Os objetivos a alcançar foram: (i) realizar situações de dramatização [de temas trabalhados
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; (ii) desenvolver a expressividade e criatividade; (iii) desenvolver a capacidade de relação e comunicação com os outros; e (iv) elaborar, previamente, em grupo, os vários momentos do desenvolvimento de uma situação, de acordo com o programa (ME, 2004). Esta foi a primeira EEA que desenvolvi nesta área. Os alunos mostraram-se, desde logo, muito entusiásticos com a ideia porque habitualmente é dedicado pouco tempo a esta área. Tal facto é uma menos valia, pois esta área “assume um estatuto privilegiado ao apostar, decididamente, nas componentes estimuladora, [personalizadora] e socializadora da educação” (Gomes & Rolla, 2003, p. 3).Formei quatro grupos heterogéneos e, em grande grupo, expliquei que cada um deles teria que representar a peça intitulada: “O ciclo da água na EB1 de Cruzeiro”, acordando trinta minutos de ensaio e outros trinta para as apresentações. Combinamos que eu seria a apresentadora da peça, ficaria responsável por apresentar o grupo e chamá-lo ao “palco” e, ainda, colocar a música de fundo para acompanhar a dramatização de dois grupos. Cada grupo escolheu um nome para si e eu registei a ordem das atuações no quadro. Para os ensaios, optei por distribuir os grupos por dois locais diferentes, a sala de aula e o refeitório, onde poderia ter visão para todos, estando num ou noutro local, pela grande janela de vidro que separava os espaços, isto para que
não houvesse tanta confusão e para preservar a surpresa de cada atuação. Esta opção foi bem-sucedida mas, numa próxima oportunidade, optarei pelo mesmo lugar de ensaio para todos os grupos, apelando para a necessidade de fazerem menos barulho, pois houve alguma perturbação das salas vizinhas. Eu fui circulando pelos grupos a fim acompanhar a distribuição das personagens e seguir os ensaios, fazendo sugestões. Cada personagem (sol, nuvem, chuva, rio, solo, animal, água em estado gasoso, etc.) teria de ensaiar uma fala, uma postura e um deslocamento de acordo com a função que o elemento representado desempenha no ciclo da água.
Aquando do momento das apresentações à turma, a minha surpresa foi grande pelas apresentações que surgiram. Foi bem visível o empenho dos alunos, a autonomia, a responsabilidade e a criatividade com que desenvolveram a tarefa. Houve grupos que, por própria iniciativa, criaram coreografias e até uma música sobre o ciclo da água.
Constatei que a expressão dramática, para além da aquisição e consolidação de saberes, proporcionou a aquisição de posturas, de competências comunicativas e de relacionamento (Melo, 2005) e permitiu que os alunos se desinibissem, o que promove o desenvolvimento da autoestima. Foi um gosto observar três alunos que normalmente eram tímidos e calados nas aulas, a rirem-se, muito empenhados, ativos, mas sobretudo felizes e confiantes. Recordo que estava ainda no início do meu estágio e constatar a conquista destes alunos alimentou a minha realização pessoal e profissional ao vê-los evoluir, percebendo que essa evolução tem de ser amparada, impulsionada e estimulada. No final, o feedback dos alunos foi bastante positivo. Para além de eles terem gostado, terem achado divertido, diferente, afirmaram terem ficado a compreender ainda melhor o ciclo da água porque o vivenciaram: “experimentamos ser as personagens do ciclo da água e percebemos o que elas fazem no ciclo”, como me confidenciaram.
Na área da expressão plástica, no dia 12 de janeiro, na sequência da aula de estudo do meio, que abordou os rios, realizamos uma atividade, englobando os blocos de pintura, recorte e colagem, com os objetivos (i) explorar as possibilidades técnicas: aguarelas, lápis de cera, lápis de cor, giz de cor e pincéis assim como de materiais: elementos naturais, lãs, areia, em suportes variados; (ii) exprimir-se criativamente; (iii) desenvolver a expressividade e a criatividade; e (iv) utilizar técnicas como o recorte e a colagem para a composição de cartazes ou painéis sobre os temas em estudo, neste caso, os principais rios portugueses, em conformidade com o programa (ME, 2004).
Agrupei os alunos em quatro mesas quadrangulares, de forma a facilitar a partilha dos materiais (aguarelas, lápis de cera, lápis de cor, giz de cor e pincéis, lã, areia e fita cola dupla) e a capacidade de trabalhar em grupo, pois a “organização, conservação e partilha do material de pintura contribuem, ainda, para as aprendizagens básicas da vida de grupo” (ME, 2004, p. 94). Posteriormente, forneci a cada aluno uma cartolina branca A4 com o contorno (de parte) do mapa da Península Ibérica, com escala ajustada, e dos principais rios portugueses, desde a nascente até à foz.
Os alunos registaram os nomes dos rios, com lápis ou caneta de cor. Depois de eu verificar se os rios tinham sido corretamente assinalados, os alunos colaram, com fita-cola dupla, pedaços de fio de lã azul em cima da linha para formarem o rio, respeitando o seu comprimento. Por fim, decoram a seu gosto o “fundo” do trabalho, assim como os contornos do mapa da Península Ibérica e a linha da costa colando areia. Este trabalho possibilitou um momento de consolidação, ao proporcionar que os alunos assinalassem os rios no mapa. Para além disso, foi possível verificar que, ao longo de toda esta experiência, a turma demonstrou entusiasmo, envolvimento e espírito de trabalho em grupo. No final, os trabalhos foram expostos na sala de aula (ver Figura 25), contribuindo para o gaudioso estado dos alunos.