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*71 XVIII Utland

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A História da Fé Bahá’í no Brasil está intrinsecamente relacionada com a ação do Guardião durante o tempo em que esteve à frente da administração da Fé Bahá’í, pois os primeiros Bahá’ís a pisarem em solo brasileiro na condição de pioneiro, com o objetivo de difundir sua religião, vieram estimulados pelas palavras de Shoghi Effendi em prol do serviço como pioneiros.

É importante enfatizarmos que a primeira Bahá’í a trazer para o Brasil a Mensagem de Bahá’u’lháh, foi uma jornalista norte americana, Martha Root, que logo após a convenção anual Bahá’í de 1919, em Nova Iorque, decidiu partir para a América do Sul, a fim de ensinar a Fé Bahá’í nesta parte do continente. O período em que permaneceu no Brasil fez contatos em jornais, bibliotecas e em diferentes tipos de associações. Percorreu diferentes cidades como Belém, Fortaleza, Recife, Maceió, Salvador e Santos.

Após sua visita ao Brasil, continuou a manter contatos regulares através de correspondência com os primeiros simpatizantes em Santos e

enviando-lhes materiais, assim como animando a Bahá’ís de outras partes do mundo a virem para o Brasil. Martha Root, segundo a historiografia Bahá’í, lançou as sementes das palavras de Bahá’u’lláh no Brasil, sementes estas que foram posteriormente semeadas com a Chegada da primeira pioneira Bahá’í no ano de 1921.

De acordo com os documentos e textos Bahá’í Leonora Stirling Armstrong, uma jovem norte-americana embarcou de Nova Iorque com destino ao Brasil, em 15 de Janeiro de 1921, sem conhecer uma palavra de português. Sozinha e com poucos recursos financeiros, chegou para iniciar sua vida como pioneira no Brasil. Passou alguns dias no Rio de Janeiro e de lá partiu para Santos, cidade onde havia um contato de Martha Root, Sr. Ângelo Guido Gnocchi, que a acolheu no período em que esteve em Santos.

A primeira fase de pioneirismo foi extremamente difícil para esta jovem: participou de um Congresso Nacional de Esperanto e fez uma apresentação a respeito da Fé Bahá’í. Conseguiu publicar artigos em Jornais e revistas e ensinou a Fé Bahá’í a todos os que conheciam. Permaneceu pouco tempo em Santos. No ano de 1922, decidiu voltar para Nova Iorque, porém, antes de sua partida, fez uma viagem pelas principais cidades do país, divulgando a Fé Bahá’í. Nesta viagem, fez muitos contatos importantes e encontrou nos diferentes lugares em que passava pessoas interessadas em conhecer a Fé Bahá’í.

De acordo com Marques (2006), Leonora, nos diferentes portos por que passava entre o Rio e Belém, como Vitória, Aracajú, Maceió, Cabedelo, Natal, Fortaleza e São Luiz, embora fosse curta a permanência, houve tempo para visitar editores de jornais e, em algumas cidades, contatar espiritualistas e outros grupos e, em certa ocasião, foi dada uma palestra em uma loja Maçônica.

Retornou a Nova Iorque no final de 1922, mas retorna ao Brasil em dezembro de 1923, desta vez na companhia de sua irmã e de Maude Mickle.

Em abril de 1924, chegou a Salvador, onde serviu como pioneira por muitos anos e elegeu a primeira Assembléia Espiritual Local dos Bahá’ís da Bahia e da América do Sul no ano de 1940, após quase 20 anos de dedicação e esforços de Leonora e de todos os que a cercavam. A primeira Assembléia foi composta pela Srª Worley, Leonora, Antonia Miranda, Manoel Antonio dos Santos, Eugenio Miranda, Maria Rocha Santos, Hortência Monteiro Sacramento e Hilda Rocha Santos.

Após a Assembléia Bahá’í da Bahia, foi eleita em 1946 a Assembléia Espiritual Local dos Bahá’ís do Rio de Janeiro, e em 1947 a Assembléia Espiritual Local dos Bahá’ís de São Paulo. Nesta primeira fase da Religião Bahá’í no Brasil, toda a atenção se voltava em realizar um proselitismo junto a brasileiros, objetivando a formação das Assembléias e o crescimento da comunidade Bahá’í entre a população originária da “terra”, ou seja, os nativos. Dessa forma, a religião Bahá’í se insere na categoria de religião universal; não se enquadra em hipótese alguma na categoria de religião de preservação de patrimônio étnico-cultural.

A segunda fase da História da Religião Bahá’í no Brasil está interligada à história da Fé nos países da América do Sul e à Cruzada Espiritual Mundial Bahá’í de 10 anos. Esse fato se evidencia, entre outras coisas, com a realização de congressos e conferências de ensino de forma regular em diversos países da América do Sul e participavam deles delegados dos diferentes países. E, a partir da eleição em Abril de 1951 da primeira Assembléia Nacional do Continente Sul americano, manteve-se durante cinco anos, quando em 1956 passaram a ser duas, uma dos 05 países do Sul – Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia e outra dos 05 países do Norte – Venezuela, Equador, Colômbia, Peru e Brasil.

Nesta segunda fase ou etapa da história da Fé no Brasil, começaram a chegar os primeiros pioneiros Bahá’ís iranianos. A primeira família

iraniana a chegar ao Brasil foi a família Taherzadeh no ano de 1955. Após ela, chegaram as famílias Sihihí, Soltani, Eghari e muitas outras. As famílias se dirigiram para o sul e sudeste do país, locais onde seria mais fácil a adaptação e encontrar trabalho. Quando as famílias iranianas aqui chegaram já havia Bahá’ís brasileiros, frutos do trabalho pioneiro da norte-americana que aqui havia vindo ensinado a Fé Bahá’í.

A chegada das famílias iranianas intensificou as atividades Bahá’ís pelas diferentes regiões do país: Rio de Janeiro, São Paulo, São Vicente, ABC Paulista, Curitiba, Porto Alegre, são algumas das cidades onde os pioneiros se dirigiram e passaram a realizar um trabalho de ensino através da divulgação da Fé em jornais, palestras e reuniões nas casas onde eram convidadas as pessoas a participarem.

O ano de 1957 contou com a fundação da Editora Bahá’í no Brasil; o Sr. Djalal Egrari a fundou e foi seu gerente por 26 anos. A importância dessa editora no processo de desenvolvimento da Fé Bahá’í no Brasil é significativa, pois por meio de suas publicações os Bahá’ís poderiam tanto se aprofundar nos ensinamento Bahá’ís, como divulgarem as idéias de Bahá’u’lláh. A Editora Bahá’í do Brasil, hoje.

No início da década de 60, o quadro de desenvolvimento da comunidade Bahá’í no Brasil era de Comunidade com Assembléias Espirituais Locais em Salvador, Niterói, Rio de Janeiro, São Paulo, São Caetano, Campinas, Curitiba e Porto Alegre. Grupos de Bahá’í em Recife, Belo Horizonte, Cachoeira Dourada (Goiás) Mogi Mirim, Poços de Caldas e Santos, Bahá’ís isolados em Belém (PA) Jacareí (SP), Amargosa (BA), Petrópolis (RJ), Cruzeiro (SP) e Martinhos (PR) , nesta época não possuíam Bahá´’ís os Estados do Amazonas, Maranhão, Piauí, Ceará Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe e Espírito Santo.

No ano de 1961, foi eleita a primeira Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís do Brasil, a qual foi composta por Edmund Miessler, Habib Taherzadeh, Rangvald Taetz, Ildemir Lima, Vivaldo Ramos, Dr. Mário Dantas, Sra. Margot Worley, Muriel Miessler e Nilza Taetz.

A partir dos anos 70, iniciou-se o período de consolidação da Fé Bahá’í no Brasil, seguindo as orientações da Casa Universal da Justiça e o Plano de Nove Anos. Procuraram dirigir-se para as capitais brasileiras em que ainda não havia Bahá’ís e estabelecerem nelas Assembléias Espirituais Locais. A grande preocupação dos Bahá’ís era o ensino. Assim em diferentes partes do Brasil eram realizadas palestras com temas voltados para os princípios Bahá’ís da Igualdade entre o Gênero Humano, Paz Mundial, Eliminação de Preconceito e sobre a própria Fé Bahá’í, reuniões e exposição em praças objetivando levar a mensagem de Bahá’u’lláh ao maior número de pessoas possível.

Os Bahá’ís procuravam divulgar as idéias de Bahá’u’lláh em jornais de cada região onde serviam como pioneiros e, de acordo com depoimento dado pela Sra. Shoghi, procuravam nas diferentes regiões do país fazer contato com os jornais e escrever artigos. Isso ocorreu no ABC paulista, na cidade de Santo André, onde a comunidade Bahá’í manteve durante algum tempo uma coluna em que faziam artigos sobre temas de interesse do público e divulgavam ao mesmo tempo os ideais Bahá’ís. Nesta época, muitos brasileiros de diferentes regiões do país passaram a sair como pioneiros ou instrutores viajantes, procurando “servir” a Fé nas diferentes regiões do país.

Servir a Fé significa, na verdade, dedicar-se ao ensino de seus ensinamentos ao maior número de pessoas possível e ao mesmo tempo trabalhar para que os propósitos de Educação para paz, de igualdade na diversidade, eliminação de preconceitos sejam estabelecidos na sociedade. Ao servir a Fé, acredita-se estar servindo a humanidade, uma vez que o propósito fundamental da Fé Bahá’í é a estruturação de uma sociedade mais harmoniosa. Neste processo

de pioneirismo, a mensagem de Bahá’u’lláh foi levada para diferentes comunidades indígenas.

Os anos 80 foram marcados por uma acentuada preocupação com projetos sócio-econômicos, voltados mais especificamente para a Educação. Assim, foram criadas diferentes instituições de cunho educacional, objetivando ao mesmo tempo difundir as idéias Bahá’í e colaborar para a formação de uma sociedade mais harmoniosa e implantar uma cultura de paz estruturada na idéia de que a Educação é um dos pilares fundamentais para a transformação social. Criou, assim, em diferentes regiões do país, instituições voltadas para a Educação.

Em Brasília (DF), criou-se a Escola das Nações, que propicia uma Educação voltada para conceitos de unidade da humanidade e de cidadania mundial; em Manaus (AM), possui a ESCOLA VOCACIONAL MASSROUR; em Iranduba (AM) estabeleceu o INSTITUTO POLITÉCNICO RURAL; na Ilha do Marajó, em Salvaterra (PA), ofereceu àquela coletividade o CENTRO EDUCACIONAL DE SALVATERRA; no interior do Estado de São Paulo dirige a ASSOCIAÇÃO MONTE CARMELO, destinada a educar crianças carentes e tem o seu CENTRO EDUCACIONAL BAHA’Í SOLTANIÉH. Na Bahia, existem diversos projetos de desenvolvimento para as populações carentes na periferia de Salvador, dentre outros mais.

Segundo os Bahá’í, a Comunidade Bahá’í foi a primeira organização não-governamental formalmente acreditada junto às Nações Unidas, há cerca de 50 anos, apoiando todas as ações das Nações Unidas para o estabelecimento da paz mundial, tolerância e o entendimento entre os povos do mundo. Seu envolvimento com projetos voltados para a implantação de uma cultura de Paz e de uma Educação voltada para resgatar a essência do homem, trabalhando princípios éticos e a cidadania mundial, está relacionada à própria

doutrina deixada por Seu Fundador Bahá’u’lláh. Nos anos 80, a comunidade Bahá’í brasileira se envolveu efetivamente em um movimento pela Paz e em diferentes regiões e cidades brasileiras foram realizadas passeatas, palestras em diferentes instituições civis.

Vale ressaltarmos que, em 1986, designado pelas Nações Unidas como sendo o Ano Internacional da Paz, a Comunidade Bahá’í do Brasil recebeu a máxima distinção daquele importante Ano Internacional como "Mensageira da Paz", em documento oficialmente expedido pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, Dr. Javier Perez de Cuéllar.

Os Bahá’ís do Brasil participaram efetivamente da Eco 92 e dentro de sua política de implantação da Paz durante a realização da Conferência Mundial para Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Comunidade Bahá’í dirigiu a palavra a todos os Chefes de Estado e Governo na Conferência Oficial e ofereceu à cidade do Rio de Janeiro e a todos os que promoveram a Conferência Mundial, o belo monumento em forma de ampulheta, dedicado à Paz Mundial, estabelecido no Aterro do Flamengo, e concebido pelo renomado artista Siron Franco, que também é um membro da Comunidade Bahá’í. Na cintura do monumento, foram colocadas porções de terra de 85 países, exemplificando a conhecida frase de Bahá’u’lláh de que "a terra é um só país e os seres humanos seus cidadãos".

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