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4. RESULTS

4.3 Results from observations

4.3.1 Whale shark observations from boats

O que um país produz, importa e exporta é importante na determinação do seu nível de renda ou do seu crescimento econômico?Ao investigar a resposta a essa questão, busca-se um melhor entendimento da rede de conexões que interligam o padrão de especialização da estru- tura produtiva, competitividade externa e a determinação do nível de renda e do crescimento econômico.

Em uma visão mainstream mais fundamentalista, a adoção de uma função de produção agregada tipo Solow, associada a alguma versão do modelo de vantagens comparativas de Heckscher-Ohlin, confere um papel bastante passivo às transformações na estrutura produtiva como promotoras de crescimento econômico. Nessa visão, a dotação de capital físico e humano, trabalho, recursos naturais aliados à qualidade generalizada de suas instituições determinam os custos relativos da economia. Dessa forma, o padrão de especialização apenas reflete essa estru- tura de custos relativos. O comércio exterior, por sua vez, deve apenas externalizar essa estru- tura de custos, ou seja, o país exporta bens que tem vantagens comparativas, ou custos relativos baixos, e importa bens que tem custos relativos altos ou, em outras palavras, não tem vanta- gens comparativas. A estrutura de custos é determinada pela dotação de fatores e, portanto, não existiria nenhuma vantagem em produzir algum produto específico que não estivesse em consonância com a estrutura de custos. Nessa visão, tentativas de alterar a estrutura produtiva, gerando incentivos a conquistar mercados internos e externos, que não aqueles que modificam a estrutura de custos, teriam como única consequência a distorção alocativa e o uso ineficiente de recursos públicos.

Entretanto, o retrato da década de 2000, que foi feito mais detalhadamente na introdução e que não é diferente dos grandes períodos na história econômica, é exatamente oposto. Ou seja, países como China e Índia, por exemplo, controlam o rumo da sua produção, gerando incen- tivos macro e micro para se especializarem em determinados tipos de bens. Isso sugere algo bastante simples: especializar-se em determinados bens pode ser melhor que se especializar em outros. Para resolver essa controvérsia, economistas de diferentes vertentes teóricas desen- volveram modelos que explicam por que seria melhor especializar-se em determinados bens e que características teriam esses bens.

Este ensaio tem como objetivo investigar as conexões empíricas entre a competitividade ex- terna, tal como refletida na pauta exportadora e importadora, e a determinação do nível de renda e do crescimento econômico para a década de 2000,1relacionando os resultados empíricos com

os modelos teóricos que investigam essa conexão.

Para isso, a primeira contribuição do artigo para a literatura será calcular, para a década de 2000,2 um índice que permita medir o nível de renda média ponderado associado a deter- minada pauta exportadora e importadora, ou, em outras palavras, um índice de qualidade da pauta exportadora e outro índice de qualidade da pauta importadora. O calculo da renda média ponderada associada à pauta exportadora foi baseada no estudo de Hausmann, Hwang e Rodrik (2005), que calcularam esse índice para o período de 1992–2003. A contribuição do artigo é não apenas verificar a evolução do índice nesta década, mas também estendê-lo para a pauta impor- tadora, uma vez que se acredita que a estrutura produtiva e o desempenho econômico possam ser de alguma forma afetados também pela qualidade das importações. Em dois dos modelos teóricos que trataremos neste ensaio (Modelo de Inovações Industriais Intencionais e Modelo de Crescimento sob Restrição Externa), a importação tem um papel primordial no desempenho econômico, seja através de comercialização de tecnologia, seja através da imposição de uma restrição de demanda.

Com base nesses índices, serão calculadas algumas estatísticas descritivas e serão feitos alguns testes econométricos visando refletir com mais clareza o papel da pauta exportadora e importadora no desempenho econômico, tendo em vista as questões colocadas pelas diferen- tes vertentes da teoria econômica sobre esse assunto, sendo essa uma segunda contribuição do ensaio. Desde já importa ressaltar que a construção dos índices de qualidade da pauta expor-

1Período para o qual existem razões para se acreditar que o posicionamento no mercado internacional foi

fundamental para o desempenho desigual entre as economias A introdução faz uma resenha da década de 2000 e mostra com mais clareza como o posicionamento no mercado internacional foi importante para determinar o desempenho relativo das economias.

2Define-se década de 2000 como os anos 2000 a 2008. O ano de 2009 não fará parte da análise por duas razões:

alguns países ainda não disponibilizaram os dados para esse ano e, a crise financeira do final de 2008 e 2009 pode afetar os resultados, adicionando um outro elemento de análise que não se pretende fazer neste estudo.

tadora e importadora não está baseado em nenhuma teoria específica, é apenas um cálculo numérico.O resultado desse índice será utilizado para discutir as diversas teorias sobre desem- penho econômico em economias abertas. Em outras palavras, as questões colocadas pela teoria guiarão os testes empíricos feitos com base nos índices, assim como suas interpretações. Dessa maneira, pode-se afirmar que esta é a terceira contribuição à literatura deste ensaio: utilizar os índices de qualidade da pauta exportadora e importadora para discutir as questões colocadas pela literatura teórica de crescimento ou o nível de renda em economias abertas.

Para atingir esse objetivo, o ensaio conta com cinco seções, além desta Introdução. A se- ção 2.2 faz uma revisão pontual dos modelos teóricos que tratam dessas co-influências entre pauta de comércio exterior e desempenho econômico. Ressalte-se, desde já, que a ideia não é um aprofundamento nesses modelos, o que seria difícil dado seu escopo e desnecessário do ponto de vista do argumento deste ensaio, mas sim sintetizar brevemente o argumento central de cada literatura. A seção 2.3 apresenta a metodologia de cálculo dos índices e dos testes em- píricos, assim como a base de dados utilizada. A seção 2.4 apresenta resultados do trabalho empírico. A seção 2.5 discute e interpreta os resultados empíricos à luz do que foi apresentado na seção 2.2, ou seja, discute em que medida os resultados empíricos validam, corroboram, negam, ou simplesmente não acrescentam nada às teorias que foram apresentadas. Por fim, as considerações finais tecem alguns comentários e procuram conectar o que foi apresentado neste ensaio com as extensões que serão desenvolvidas nos próximos ensaios desta tese.

2.2 Síntese dos modelos que estabelecem relações entre pauta