A última semana de prática pedagógica na sala laranja incidiu sobre a motivação para o natal e o começo da ornamentação para o teto da sala, estando interligada com as duas temáticas anteriores, a família e a solidariedade.
Apresentando-se como a minha última semana de intervenção pedagógica quis compreender a existência de alguma evolução do grupo a nível do desenvolvimento da cooperação e partilha e reforçá-la, bem como proporcionar uma nova forma de iniciar uma temática através da musicalidade, algo do gosto do grupo. Nesse sentido, a motivação para o natal deu-se com um vídeo musical, seguindo-se uma atividade de expressão plástica cooperativa para decoração da sala e com uma história criada por mim, aliando sentimentos e símbolos natalícios ingleses.
A iniciação à temática do natal deu-se com a visualização e audição de um vídeo musical “Pó de Estrelas” de Maria de Vasconcelos, porque expressar ideias é mais fácil quando se dá com uma área que a criança gosta e partindo de imagens. Com este, pretendia que o grupo associasse a música à época que se aproximava, reconhecendo os símbolos e sons (ex.: o tocar dos sinos) associadas à mesma festividade. Esta iniciativa por conter um caráter de surpresa (com o que poderia aparecer) captou a atenção do grupo, observável através da sua perplexidade perante o ecrã, da sua curiosidade e gosto, desfrutando da ocasião, querendo ver mais uma vez, como pediu uma das crianças. A visualização deste vídeo musical deu-se duas vezes, havendo na segunda visualização uma familiarização com o som, tentando acompanhar musicalmente o canto, entoando palavras finais dos versos.
A partir da visualização do vídeo musical criou-se um momento de diálogo em que o grupo participou apontando os símbolos, objetos e pessoas presentes no mesmo, aproveitando o momento para partilhar as suas vivências e contato com o pai natal este ano, nos centros comerciais da região. Neste período de diálogo em grande grupo, as crianças da sala laranja souberam ouvir e completar o outro, esperando a sua vez para partilhar as suas vivências e até os seus pedidos para o pai natal, aproveitando este momento para explorar os valores predominantes nesta época de partilha e convívio em família, destacando a sua abrangência ao longo do ano. Para Hohmann, Banet e Weikart (1987) são estes os verdadeiros momentos de diálogo em que a criança é livre de falar, participar e responder “ (…) à sua maneira aos temas para que foram encaminhadas, revelam percepções, interesses e preocupações únicas. “ (p. 197).
Finalizada a exploração do vídeo musical, questionou-se com a chegada do natal a ausência de ornamentação da sala com um olhar conjunto sobre toda a sala, propondo a ornamentação da mesma em equipa. Nesse sentido, foi dinamizada uma atividade de expressão plástica, em que o trabalho de pares foi promovido com a pintura de uma pinha, um material presente em muitos arranjos florais ou no campo. O contato com este material foi uma oportunidade nova para a maioria das crianças, que a desconheciam ou assumiam que fosse como um ouriço e picasse, suscitando a curiosidade do grupo.
Figura 46. A pintura das pinhas e o resultado final
A pintura das pinhas surgiu para que o grupo contatasse com um material natural, conseguisse imaginá-lo e dar-lhe forma, no caso concreto da decoração da sala como pequenos pinheiros de natal, como podemos visualizar na Figura 46.
A ideia inicial, como podemos visualizar na planificação para esta semana no Apêndice 7, era a de pintar as pinhas cooperativamente com a escolha de uma cor em conjunto, para a verificação de desenvolvimento de alguma forma de comportamento/ação partilhada nas atividades. Além disso, a atividade criada oferecia o desenvolvimento individual da motricidade fina com a modelação do papel crepe, todavia dada a humidade da tinta a pinha fechou-se, não possibilitando a colocação de bolas de papel crepe modeladas como previsto. Assim, procurou-se dar enfâse à pintura, no desenvolvimento de um trabalho em equipa pela capacidade de cooperar e partilhar o poder com o outro, resolvendo justamente eventuais conflitos e pontos de vista, e sobretudo suscitar o desenvolvimento pessoal e individual da criança, com o aperfeiçoar das suas competências de utilização dos materiais e a responsabilização pelas suas escolhas e tarefas.
Como na maioria das atividades, onde se utilizou tinta referidas ao longo deste relatório, a pintura das pinhas constituiu-se como mais um momento de desfrutação da tinta e de uma
nova situação de contato com um objeto natural que nem todas as crianças conheciam, refletindo-se em momentos de observação para a pinha e desfrutação da tinta nas mãos, no diário e na placa de esferovite, com movimentos de vaivém para as diferentes direções com o pincel. Este momento de sujidade tem um carácter pedagógico e é definido por Hohmann e Weikart (2004) como natural num ambiente encorajador de exploração e aprendizagem ativa e espontânea em que “ (…) o entornar e o sujar são inevitáveis” (p. 50) e acrescento, necessários.
Para finalizar a minha intervenção na sala laranja e pela educadora cooperante estar a introduzir o inglês com o grupo, em conversação e com o consentimento da mesma, foi criada uma história em torno dos valores de partilha e amizade, tendo como personagem principal um símbolo natalício inglês, o boneco de gengibre (gingerbread man). Esta história teve um guião para reforçar os ideais de partilha que tinham vindo a ser trabalhados consciente/inconscientemente durante as semanas de intervenção na sala, consultável no Apêndice 20, respeitando também o trabalho da educadora na introdução do inglês e mantendo a temática introduzida e a trabalhar durante o mês de dezembro.
A nova história, como seria de esperar pelo interesse e gosto do grupo pela literatura, gerou curiosidade e calma no mesmo que nesse dia estava agitado, com o entusiamo natalício, acompanhando-a desde o início ao fim, em silêncio e ajudando na leitura das imagens, participando adequadamente no reconto da história, escutando o outro e aguardando a sua vez, ficando a conhecer em breves palavras quem era o Gingerbread Man na cultura inglesa e simbologia natalícia.
Partindo desta história desenvolveu-se a pintura individual de um molde em cartão do homem bolacha de gengibre (gingerbread man), idealizado pela educadora cooperante, para expor na instituição como decoração natalícia.
Figura 47. O gingerbread da sala laranja
Este homem bolacha pintado foi caracterizado, posteriormente com uma fotografia da cara de cada criança da sala laranja e decorado segundo o género (feminino/masculino), com acessórios como laços e botões, como o exemplo do género masculino visível na Figura 47.
3.5.3. Os Projetos Desenvolvidos Individualmente e em Grupo Direcionados Para o