2. Literature study
2.2. Waste heat recovery
Esse treinamento tem uma presença gigantesca no meu trabalho profissional, né? É especificamente depois do ano, acho que do ano 2000 eu retomei Silvia estava fazendo o doutorado eu também tava fazendo o Mestrado, numa área um pouco diferente na área de Teatro Aplicado, né que é outro aspecto da minha formação que eu não tinha colocado antes, mas basicamente no ano 2000 eu retomei é especificamente, meus vínculos com aquele tipo de trabalho que eu já vinha desenvolvendo desde 92, basicamente né? É... que teve uma interrupção aí entre noventa e cinco até dois mil, mas essas perguntas que tinham ficado suspensas então, é...voltaram a estar presentes em questões relacionadas com ao meu cotidiano no trabalho com o teatro é... então até
disciplinas muito diversas desde a História do Teatro a Metodologia é... na área do ensino das artes cênicas, de interpretação também, ou disciplinas também voltadas a questão do trabalho com o movimento especificamente, mas o tema da... da abordagem, da cena a partir da palavra, estava sempre presente na medida em que era possível que ele aparecesse nas disciplinas... é... e eu passei a estar definitivamente, poder estar mais próxima da questão, quando eu fiz concurso na Universidade de Brasília pra atuar na área de voz e performance foi quando eu me dediquei, passei a me dedicar exclusivamente para essa questão, pra essas questões, né? Então, agora paralelamente é... eu cada vez mais, pelas opções que acabei fazendo, estéticas, até... é... quis e também tive interesse de estar mais próxima a questões voltadas para o lugar da palavra na cena, né? E tive dando continuidade... depois de bastante tempo a um projeto que eu comecei a desenvolver no... é... no projeto de diplomação em graduação, que era aquela obra de Fernando Pessoa chamada ‘O Marinheiro’, uma obra de Teatro Estático, aonde existe uma concentração e um valor imenso dado a ação da palavra em cena. Quer dizer isso tem status e lugar, a palavra tem um lugar definitivamente e explicitamente um lugar de ação nessa obra. E trabalhando com uma obra que explicite tanto essa dimensão a gente também tem mais possibilidade de enfrentar as questões que estão presentes nesse lugar, tanto na nossa formação de ator em si o que a gente escuta, aprende, o que é... é digamos acaba... as coisas que acabam chegando pra gente como preconceitos, como dadas também... é... quanto pela nossa também distância mesmo cotidiana ou pela situação ne? De vocalidade, de oralidade citando o Zunthor que nos cerca, na qual nos somos parte... ou participamos, né? É... então cada vez mais, que r dizer, com tanto contato, com tanta proximidade a essas questões elas passaram a ficar cada vez mais latentes e a necessidade de resolve-las cada vez maiores, então trabalhando com um elenco, de pessoas que até tinham bastante contato com a questão da voz em cena a gente... ficou mais explícito, mais latente, o quanto de questões que a gente precisaria repensar ou reformular ou querer investigar, pra gente entender essa nossa, de onde é que vem essa nossa dificuldade de pensar que enquanto a gente diz, a gente de fato, faz algo. De dar esse status que de fato a gente entende que a palavra tem. Algumas vezes explicitamente em cena ou mais ou menos, mas tem né? E me deparei com várias resistências de diversas ordens, né? Desde o como a gente escuta ou do quanto a gente escuta, de um modo geral e, sobretudo em cena, porque, quer dizer o
quanto a gente percebe que essa dimensão da palavra, que a dimensão acústica de um modo geral em cena ela tem seu lugar, né? E... daí de você perceber o quanto isso também ta relacionado ao fato da gente não ver de... de fato chegar pra gente a partir de outro sentido que não é o olho, não é a visão, que é o ouvido. Do quanto é difícil, apesar de a gente poder dizer, na prática, concretamente, da gente, de fato perceber a materialidade da palavra, do som de modo geral, como algo concreto, né? E isso quando você está trabalhando com um texto que demanda que você... um tipo de entrega determinada, um tipo de... não sei se a palavra é conformidade, mas um tipo de aceitação que a ação esta no âmbito do que se diz aqui, né? Quando não existe essa vontade, quando não existe um desprendimento a isso fica muito difícil, quando todo, quando grande parte dos treinamentos, quando grande parte discurso na área da formação do ator e tal, tende a de fato minimizar esses aspectos ou a não compreende- los com tanta... com todas as suas especificidades, né? Acho que grande parte dessas questões acabam ficando de fora, acabam ficando naturalizadas, então aí, quer dizer, os problemas técnicos que você... de fato teria, que de fato são os problemas técnicos que aquela obra te impõe, eles acabam ficando impossíveis de serem resolvidos, quando você não tem um grupo de atores que esta disposto a perceber todas essas questões então ele acaba ficando nesse caso, quase que impossível, né? E daí essas experiências elas cada vez me chamavam mais atenção pra essa espécie de alheamento, como se a gente tivesse ficado mesmo... com debilidade em um tipo de produção, a um tipo de percepção também, que acho que ta diretamente associado é... quando a gente se disponibiliza a ouvir é... e todas as questões muito sutis... que tão nessa relação entre o treinamento corporal, né? Que... que acaba ficando em... em oposição ao treinamento vocal. Uma coisa que eu acho muito... que eu sempre achei muito instigante num primeiro momento no trabalho da Silvia é que... é as aulas de técnica vocal, elas mais pareciam a princípio com aulas de corpo e movimento, por exemplo, tinha toda uma preocupação em trabalhar com todo o teu corpo, em desenvolver alguma possibilidade de controle, no caso ela trabalha com... com aspectos centrais pra técnica corporal a Eutonia que tem bastante a ver com a flexibilização de tônus e com o estímulo da consciência óssea e da musculatura esquelética. É... então todo esse trabalho de trazer você para você mesmo, e de fazer... e de gerar recursos pra que você perceba o seu corpo de fato no espaço e gerar recursos pra que você tenha algum tipo de controle e flexibilidade pra o que você ta se disponibilizando a fazer. Esse tipo de trabalho mais do
né? Otimiza as tuas possibilidades também. Então quer dizer, sempre teve uma preocupação muito explícita, quanto a questão corporal de modo geral, né? O que veio, a ficar mais explicitado na definição que ela vai produzir, sobre o que é a voz em cena, né? Quer dizer a definição de voz como uma produção corporal capaz de produzir significados complexos na cena. Essa definição ela iguala, ela coloca no mesmo patamar de produção corporal a voz em relação ao movimento, que também nessa perspectiva é considerada como uma produção corporal, que também gera significados e tal. E voz tem essa especificidade que é a especificidade da palavra que consegue focar que consegue precisar significados bastante complexos, né? Então sempre fez uma diferença muito grande porque as referências anteriores, dentro da formação amadora e tal... que eu tinha sobre voz eram sempre muito vinculados a articula bem, ou falar alto sempre a audibilidade e a articulação, né? E a discussão, é... em algumas instâncias nas aulas de interpretação sobre atitude e intenção, mas nada também muito objetivo e preciso e ali a gente já começava a redimensionar essa perspectiva desde o treinamento que não considera a gente como uma laringe ambulante, como ela mesma diz... mas a partir do seu corpo como um lugar que você produz fala, como um lugar de produção. Então isso já modifica muita coisa, você tem possibilidade de perceber as diversas relações entre a minha produção vocal, a minha emissão, é... os meus apoios, os meus pontos de apoio do meu corpo sobre esse ambiente, sobre o chão é... e todas as questões de... muitas vezes, né? De fixação de tônus ou de falta de flexibilidade, de... de disponibilidade de adaptação do teu corpo a algumas demandas. Quer dizer, a produção de voz, é outra questão que trabalha muito especificamente com a produção de voz em altas intensidades, quer dizer que tem uma diferença muito grande do trabalho de um fonoaudiólogo, que você ta trabalhando esteticamente com a voz, você ta desenvolvendo aquela potencialidade para produzir é... um resultado estético. Então, também existem todas as especificidades em torno daquele tipo de produção específica, quer dizer que não é qualquer outro tipo de produção, dentro dessas especificidades e dessas condições e como é que meu corpo se relaciona com essa demanda que é uma demanda também muito grande, né? É...então quer dizer em várias dimensões cada vez mais especificando e... e... a gente também podendo perceber a diversidade né? De... de lugares que essa voz pode tomar na nossa experiência cotidiana mesmo, ne? É... então, só sintetizando o tema do... desse reforço, né? A questão do corpo como lugar de
produção e não essa dicotomia entre o movimento e a voz ou corpo e a voz, corpo geralmente associado ao movimento e a voz geralmente sendo associada alguma coisa ao intelecto por isso as pessoas com tantas desconfianças em relação as narrativas, isso aqui não é algo sempre as reclamações elas sempre perpassavam inseguranças questão.
Parte IV - Como você vê a preparação e o desempenho vocal nos atores de