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1. Introduction

1.6 VUS

3.3.1 A seleção do grupo clínico

O diagnóstico da dislexia exige a participação de uma equipe interdisciplinar e a utilização de diferentes instrumentos de avaliação (CIASCA, 2003). Em função da inexistência de tal equipe em Belo Horizonte, optou-se por fazer a coleta no Ambulatório de Neuro-Dificuldades de Aprendizagem do Hospital das Clínicas da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas – FCM / UNICAMP, que é adequadamente instrumentalizado. Assim, a pesquisadora coletou os dados durante o segundo semestre do ano de 2005 junto a esse Ambulatório.

Nossa população clínica é pequena, pois, durante o período mencionado, esse foi o número total de sujeitos (dez) com o perfil descrito acima – com diagnóstico de dislexia –, capazes de ler, que participaram de avaliação, tratamento ou receberam devolutivas no ambulatório. A fim de aumentar o número amostral, outros pacientes dessa faixa etária, que já haviam recebido o diagnóstico de dislexia pela equipe do ambulatório foram também contactados para que retornassem, a fim de receberem orientações e também passarem pela nossa coleta de dados. Contudo, apenas uma criança compareceu, fechando o nosso número em 10 sujeitos disléxicos.

Assim, todos os sujeitos disléxicos participantes da pesquisa são pacientes já avaliados pelo referido Ambulatório da FCM – UNICAMP. Estes pacientes foram

avaliados por uma equipe interdisciplinar, constando de avaliação neurológica, neuropsicológica, pedagógica e fonoaudiológica com o diagnóstico confirmado de dislexia do desenvolvimento. É importante salientar que, embora a pesquisadora não tenha participado do processo de avaliação desses sujeitos, os dados analisados neste trabalho foram coletados na íntegra por ela.

No grupo de pacientes com o diagnóstico confirmado de dislexia do desenvolvimento (grupo clínico), metade da amostra foi submetida a um programa de remediação fonológica10, ou seja, um programa de tratamento constando de 20 sessões baseadas no desenvolvimento das habilidades de consciência fonológica (SALGADO, 2005). Assim, o grupo clínico (GC) foi dividido em dois subgrupos: um grupo de 5 crianças que não passou por nenhum tipo de tratamento – GC I, e um grupo de 5 crianças que passou pelo programa de remediação fonológica descrito em Salgado (2005) – GC II.

3.3.2 A seleção do grupo não-clínico

Os sujeitos do grupo não-clínico (GNC) são estudantes, também com idade entre 9 e 14 anos de idade, da 3a a 5ª séries, de duas escolas da rede Estadual de Ensino em Bragança Paulista – SP. Tais sujeitos que foram selecionados pelos professores utilizando-se os critérios desenvolvidos por Pinheiro; Costa (2005) são apresentados

10

Para maior aprofundamento sobre o tema, ver: SALGADO, C. A. Programa de remediação

fonológica em escolares com dislexia do desenvolvimento. 2005. Dissertação (Mestrado) – Faculdade

no ANEXO A. Pinheiro (2001) atenta para a discrepância que existe, muitas vezes, entre a avaliação da professora e a avaliação cognitiva de leitura conduzida posteriormente aos alunos pré-selecionados. Para diminuir o risco desta discrepância e aumentar a confiabilidade de nossos dados, aplicou-se aos professores regentes das classes a escala de Pinheiro e Costa que permitiu a classificação dos alunos, por critérios objetivos, em três categorias: a) alunos que lêem bem; b) alunos que lêem mais ou menos; c) alunos que lêem mal. A partir desta lista classificatória, foram escolhidos os sujeitos classificados como bons leitores, de modo a compor o número amostral de 30 estudantes sem queixas de alterações de linguagem oral e escrita.

Para que esses estudantes fossem classificados como bons leitores de acordo com os critérios de Pinheiro; Costa (2005), foram apontadas, pelos professores, as características que seguem. Em situação de leitura em voz alta, foram selecionados os estudantes capazes de:

• ler rapidamente as palavras “conhecidas”, as palavras “pouco conhecidas”, palavras “novas” e palavras inventadas;

• ler palavras corretamente;

• ler com ritmo, nem tão devagar, nem tão rápido;

• ler com entonação compatível com a pontuação, expressando emoções e sentimentos de acordo com o texto lido;

• demonstrar ter entendido o que leu quando indagado sobre o texto lido.

• identificar personagens, lugares e idéias principais do texto, após a primeira leitura;

• identificar o assunto a partir do título e vice-versa;

• escolher um título para passagens apresentadas sem título ou mesmo um título alternativo para passagens com título;

• resumir oralmente o texto lido.

Utilizamos, neste estudo, um grupo-controle composto por três vezes mais indivíduos do que o grupo-experimental, com o intuito de aumentar a validade interna dos achados. Quanto maior a amostra do GNC, mais podemos generalizar os dados para a população geral.

3.3.3 O pareamento da amostra

Os sujeitos participantes desta pesquisa foram então divididos em três grupos: GC I, que são as crianças com dislexia não submetidas ao programa de remediação fonológica (constituído por 5 indivíduos); GC II, constituído pelas crianças com o quadro de dislexia submetidas ao programa de remediação (constituído por 5 indivíduos); e o GNC, formado pelas crianças sem alterações no desenvolvimento da aprendizagem (constituído por 30 indivíduos).

Foi feito também um pareamento destes estudantes por série, de forma a haver um número proporcional de estudantes para cada série, tanto no GC quanto no GNC.

Assim, como o nosso GNC é três vezes maior do que o GC, buscamos três vezes mais estudantes de cada série para compor o GNC. Dessa forma, se na 3ª série temos dois estudantes com dislexia, no GNC, nós temos seis estudantes, e assim por diante, conforme discriminado na TAB. 1.

Tabela 1 – Distribuição dos sujeitos por série

Série Número de sujeitos GC I GC II GNC 3ª série 1 1 = 2 6 4ª série 3 1 = 4 12 5ª série 1 3 = 4 12

Como há, tanto no GC I quanto no GC II, séries com somente um sujeito representando-a, não foi possível realizar análises comparativas entre as séries. Assim, foi conduzido o teste estatístico F de Fischer-Snedecor, utilizando-se a série como fator de bloco, para minimizar o efeito da variável “série”. Utilizar uma variável como efeito de bloco é tentar diminui o efeito que essa variável possa fazer na hora da comparação de duas médias.

3.3.4 Aspectos éticos

O presente projeto foi submetido ao Comitê de Ética da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP, tendo sido aprovado em 03/02/2005, sob o protocolo nº 029/2005 (ANEXO B). Obtivemos autorização verbal e por escrito dos responsáveis

legais pelas escolas e pelo ambulatório da UNICAMP para a realização do estudo. Todos os sujeitos analisados foram informados quanto aos procedimentos, benefícios, riscos e confiabilidade do estudo. Dessa forma, somente foram gravados a leitura e o reconto das crianças que se dispuseram a participar da pesquisa e após seus pais ou responsáveis terem assinado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (ANEXOS C e D), como é garantido pela Resolução 196/96 11.