Kapittel 8. Tekstanalyse: komposisjon og visuelle elementer
8.3 Vurdering av visuelle elementer i forhold til RST-struktur
O objetivo principal deste estudo passa por compreender se o risco percebido pelo consumidor influencia o abandono do carrinho de compras mobile. Para tal, foram incluídas no modelo de estudo diferentes dimensões do risco percebido – risco financeiro, risco de desempenho, risco físico, risco social, risco psicológico, risco de tempo/conveniência, risco de privacidade e risco do dispositivo/tecnologia. Procura-se dar resposta à questão de investigação: “Qual a influência do risco percebido no abandono do carrinho de compras mobile?”.
No questionário foram utilizadas escalas já elaboradas e validadas na literatura. Foi pedido aos respondentes que avaliassem, através da escala de Likert de sete pontos, as afirmações apresentadas, mediante a sua experiência com o mobile shopping. O número total de respostas foi de 431, sendo que, 369 corresponderam à amostra de estudo, os respondentes com experiência no mobile shopping.
Iniciou-se a análise com a caracterização da amostra. Com um total de 369 respostas, a maioria dos respondentes é do sexo feminino (n=257) e com idades entre os 18 e os 28 anos (n=199). Em relação à ocupação e rendimento, a maioria encontra-se empregada (n=198) e com rendimentos entre os 600€ e 1199€ (n=163).
49 A análise prosseguiu com a realização de análises fatoriais, primeiro ao conjunto das dimensões do risco percebido em estudo e, em segundo, aos itens do abandono do carrinho de compras mobile. Foi concluído que são necessárias somente três dimensões para descrever os dados – os riscos relacionados com a transação e o objeto de consumo, os riscos intrínsecos ao consumidor e os riscos relacionados com o dispositivo/tecnologia – levando à reformulação das hipóteses de investigação.
Os itens do risco de tempo/conveniência foram eliminados do estudo. No contexto mobile, estudos realizados no âmbito das reservas de viagens e da adoção de serviços móveis bancários concluíram que esta dimensão do risco percebido era significativa (Luo et al., 2010; Park & Tussyadiah, 2017). Este facto pode dever-se à existência, cada vez mais, de alternativas mais rápidas de pagamento e entrega de encomendas, e de aplicações e websites de uso mais intuitivo e fácil, diminuindo o tempo dispensado pelo consumidor na realização da compra.
Com o intuito de estudar a associação entre as variáveis em estudo, recorreu-se ao coeficiente de correlão Rho de Spearman. Apesar das correlações apresentarem valores fracos, com a sua análise conseguimos concluir que a variável do risco percebido que tem uma associação linear maior com o abandono do carrinho de compras mobile é a variável dos riscos relacionados com a transação e o objeto de consumo (p<0,01). Para além disso, todas as variáveis do risco percebido encontram-se positivamente correlacionadas com o abandono do carrinho.
Através da regressão linear múltipla conseguimos concluir que apenas uma das hipóteses é confirmada, como podemos ver na Tabela 21. No entanto, como analisado anteriormente, o modelo de regressão em estudo explica uma percentagem reduzida da variabilidade total do abandono do carrinho de compras mobile, apenas 5,6%. A restante variabilidade é explicada por fatores que não foram incluídos neste estudo.
H1 Os riscos relacionados com a transação e o objeto de consumo percebidos pelo consumidor na compra mobile, influenciam positivamente o abandono do carrinho de compras mobile.
Confirmada
H2 Os riscos intrínsecos percebidos ao consumidor, influenciam positivamente o abandono do carrinho de compras mobile.
Não
confirmada H3 O risco do dispositivo/tecnologia percebido pelo consumidor na compra mobile,
influencia positivamente o abandono do carrinho de compras mobile.
Não
confirmada Tabela 21 - Resultados do teste de hipóteses
50 A hipótese um (H1) é confimada, ou seja, os riscos relacionados com a transação e o objeto de consumo têm uma influência significativa na predição do abandono do carrinho de compras mobile. Existe uma relação positiva entre estes riscos e o abandono, com valores de coeficiente de beta (β) e de correlação positivos. Para além disso, esta variável é a que apresenta uma média de respostas mais elevada (𝑋̅=4,35) comparativamente às restantes.
Pelo que, um aumento na perceção de riscos relacionados com a transação e objeto de consumo, leva ao aumento da probabilidade de abandono do carrinho de compras. Acresce referir que, as preocupações que apresentam respostas com valores mais elevados de média e moda igual ao ponto mais elevado da escala nesta variável são as preocupações relacionadas com o fornecimento do e-mail (𝑋̅=5,10), cartão de crédito (𝑋̅=4,36) e informação pessoal (𝑋̅=4,63). Estas preocupações encontram-se relacionadas com riscos financeiros e de privacidade.
Tal como Krithika & Rajini (2018) concluíram no seu estudo focado no contexto online, há uma preocupação elevada com a partilha de informação pessoal dos consumidores com terceiros, sendo uma prática comum na indústria do retalho. Este estudo reforça esta conclusão e demonstra ainda que os consumidores se preocupam com o recebimento de e- mails indesejados e com o fornecimento dos dados de cartão de crédito.
A hipótese dois (H2) não é confirmada. Os riscos intrínsecos ao consumidor não influenciam significativamente o abandono do carrinho de compras. O consumidor, ao longo da compra mobile perceciona pouco estes riscos, fazendo com que não sinta preocupações sociais, psicológicas e físicas. Lim (2003) concluiu, também, no seu estudo que os riscos relacionados com o consumidor não são significativos no electronic commerce. No entanto, na definição destes riscos, Lim (2003) apenas inclui preocupações sociais, o que difere da conceção deste estudo (Lim, 2003).
As preocupações sociais não foram significativas, igualmente, em estudos relacionados com os serviços móveis bancários e reservas de viagens através de dispositivos móveis (Luo et al., 2010; Park & Tussyadiah, 2017). Isto pode ser consequência da elevada penetração e aceitação dos dispositivos móveis na sociedade, sendo que a compra de produtos e serviços através destes dispositivos não causa a perda de estatuto social. Fazendo com que as questões sociais percam a sua relevância no contexto do mobile shopping.
Este estudo diferencia-se de estudos anteriores no que respeita às preocupações psicológicas. Os respondentes demonstraram que na experiência que têm com o mobile
51 shopping não sentiram tensão ou ansiedade. O que pode estar relacionado com o aumento da realização de compras móveis e do conhecimento que o consumidor tem sobre este processo, fazendo com que se sinta psicologicamente mais confortável ao realizá-lo.
Relativamente ao risco do dispositivo/tecnologia, concluiu-se que este não influencia significativamente o abandono do carrinho de compras mobile, ou seja, a hipótese três (H3) não foi confirmada. Importa referir que, nas respostas do questionário, a conecção lenta à Internet foi a preocupação mais relevante para os consumidores dentro dos itens desta variável.
Esta conclusão vai de encontro ao resultado do estudo realizado por Kim et al. (2015) em que se demonstrou que o risco do dispositivo não tem impacto na intenção de utilizar smartphones. Todavia, difere do estudo realizado por Park & Tussyadiah (2017) que concluiu que o risco do dispositivo é significativo na avaliação de reservas de viagens através de dispositivos móveis. O que diferencia estes dois estudos é que Kim et al. (2015) se concentraram apenas nas características e performance do smartphone, enquanto Park & Tussyadiah (2017) se centram na confiabilidade da tecnologia.
A escala utilizada neste estudo para a dimensão do risco do dispositivo/tecnologia foca-se, principalmente, em preocupações com as características do dispositivo móvel (p.e. teclado e ecrã). Podendo justificar, assim, o facto de esta investigação retirar a mesma conclusão que Kim et al. (2015) para esta dimensão. Ou seja, as características dos dispositivos móveis não representam uma fonte de risco para o consumidor. Esta conclusão pode dever-se ao facto de os consumidores estarem, cada vez mais, familiarizados com estes dispositivos e as suas características.
Podemos concluir que, os riscos relacionados com a transação e o objeto de consumo continuam a influenciar o consumidor nas compras mobile e, consequentemente, o abandono do carrinho de compras. Pelo contrário, os riscos intrínsecos ao consumidor e o risco do dispositivo/tecnologia são pouco percecionados por este e não contribuem para o abandono do carrinho de compras mobile.
Para além das conclusões retiradas sobre as hipóteses de investigação, considerou-se importante perceber se as características demográfias idade e género influenciam os resultados obtidos, cuja análise é apresentada de seguida.
Para testar se a distribuição das variáveis do risco percebido é igual em todas as faixas etárias, recorreu-se ao teste não paramétrico de Kruskal-Wallis. Este teste permite “comparar as distribuições de duas ou mais variáveis pelo menos ordinais em duas ou mais amostras
52 independentes” . Importa relembrar que este estudo incluiu 6 faixas – menos de 18 anos, entre 18 e 28 anos, entre 29 e 39 anos, entre 40 e 50 anos, entre 51 e 61 anos e 62 anos ou mais – e que há uma considerável diferença no número de respostas entre as faixas.
Como podemos ver na Tabela 22, para um nível de significância de 0,01, não se rejeita a hipótese nula de igualdade de distribuição das variáveis nas diferentes faixas etárias nas três variáveis do risco percebido. Assim, as faixas etárias não afetaram muito a resposta dos consumidores nas variáveis do risco percebido.
Teste Kruskal - Wallis
Variáveis Sig.
Riscos relacionados com a transação e o objeto de consumo 0,400
Riscos intrínsecos ao consumidor 0,501
Risco do dispositivo/tecnologia 0,226
Tabela 22 - Comparação da distribuição das variáveis do risco percebido pela idade
Fonte: SPSS
Para testar se a distribuição das variáveis do risco percebido é igual nos dois géneros, recorreu-se ao teste não paramétrico de Mann-Whitney, que permite comparar a distribuição de uma variável pelo menos ordinal em duas amostras independentes (Marôco, 2014).
Através da Tabela 23, podemos perceber que, para o nível de significância de 0,01, rejeita-se a hipótese nula de igualdade de distribuição das variáveis nos dois géneros apenas na variável dos riscos relacionados com a transação e o objeto de consumo.
Teste Mann-Whitney
Variáveis Sig.
Riscos relacionados com a transação e o objeto de consumo 0,004
Riscos intrínsecos ao consumidor 0,998
Risco do dispositivo/tecnologia 0,015
Tabela 23 - Comparação da distribuição das variáveis do risco percebido pelo género
Fonte: SPSS
Assim, podemos concluir que, globalmente, a idade e o género não afetaram muito as respostas dos consumidores em relação aos diferentes riscos percecionados.
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