Abrangência População indígena (Alvo)
Distrito Norte Comunidade Wotchmaucü-Cidade de Deus
(povo Ticuna) e Comunidade Deni – Cidade de Deus (povo Deni).
Distrito Sul Distrito Sul Famílias Mundurucu e Mayoruna.
Distrito Leste Distrito Leste Comunidade Cokama, Dessano,
Apurinã, Tariano.
Distrito Oeste Comunidade Yapurahi (povo Sateré),
Comunidade Aikeru (povo Sateré e Maué).
Distrito Rural Sateré, Tuiuca, Tukano, Barassana (área do
Tarumã); Baré, Ticuna,
Kambeba, Tucano (rio Cuieiras no rio Negro).
Area Terrestre Povo Tukano (BR 174 km 04 Comunidade
Baiarôa); povo Sataré (AM 010).
Fonte: Secretaria Municipal de Saúde, 2010
No caso de Manaus a organização da saúde indígena foi formada por uma equipe composta por médico, enfermeiras, socióloga e assistente social, que se reuniam uma vez por mês para discutir a organização e implantação da ação nos Distritos de Saúde. Os objetivos da política municipal seriam:
Promover a assistência em saúde às populações indígenas do Município de Manaus, respeitando a diversidade étnico-cultural, em atenção à Constituição Federal e à Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos
Indígenas. Criar mecanismos para o atendimento em saúde a grupos indígenas que se instalam em ambientes urbanos. Realizar ações de prevenção e intervenção dos agravos à saúde dos Povos Indígenas que moram na cidade de Manaus. Integrar o atendimento dos indígenas de acordo com sua peculiaridade étnica nas ações técnicas especifica, tais como: saúde da mulher, saúde da criança, saúde mental, tuberculose, DST/AIDS, hanseníase, saúde do idoso, deficiente, bucal. Articular com a saúde do trabalhador de forma a identificar as condições de trabalho e saúde dos povos indígenas que moram na cidade. (SEMSA, 2010).
Diante da ausência de instrumentos que possibilitassem uma intervenção mais apropriada, a equipe elaborou um formulário com questões capazes de traçar um perfil da população nas zonas da cidade e ao mesmo tempo identificá-las. Em contato com a enfermeira responsável pela saúde indígena no Distrito Leste, elenca inúmeros problemas quanto a execução da ação junto aos indígenas na cidade.
Dentre os principais problemas, esta enfermeira destaca: a falta de recursos humanos para trabalhar na saúde indígena, tomando como exemplo o distrito de saúde leste onde havia somente ela atuando na área e que devido as dificuldades de acesso e de logística, muitas vezes ela deixava de realizar o trabalho, pois não dava conta de muitas atribuições sozinha.
Um dos problemas era a falta de transporte. Primeiro porque dependia da autorização para ir a área indígena e esta autorização só ocorria no caso de não haver outras atividades no distrito. Para agravar ainda mais, havia um reduzido número de motoristas no distrito o que deixava as áreas indígenas sempre em segundo plano na ordem da prioridade do atendimento. Para a enfermeira isso significava total falta de prioridade no desenvolvimento das ações de saúde indígena no município.
Além disso, alegou que a total falta de vontade política da prefeitura em relação a saúde indígena era nítida, diversas vezes havia feito relatórios apontando os problemas e requerendo soluções sem obter respostas e quando havia alguma resposta, não era animadora ou positiva, o que a desmotivava em relação ao trabalho.
Em entrevistada 7, responsável pela gestão da saúde indigena na SEMSA, informou que não havia dados consolidados sobre a realidade dos índios urbanos de Manaus e quando começou a desenvolver o trabalho de inserir uma política de saúde para essa população, nem mesmo os profissionais de saúde aceitavam essa demanda.
Logo no começo teve uma resistência muito grande da população. Dos profissionais. Então, qual foi nosso objetivo? Nosso objetivo foi, primeiro: Tornar essa informação palpável. Não deixar no espaço das idéias, do imaginário. Por que? Porque eles achavam que índio quando vinha pra cidade, deixava de ser índio. Então nos precisávamos quebrar isso. E através das capacitações que nós fizemos, viemos fazendo desde 2006, isso mudou. (Entrevistada 7, 2012).
Essa fala demonstra uma realidade ambígua nas ações de saúde tanto do Estado quanto do município e evidencia a maneira excludente como os índios são vistos e tratados dentro das políticas de modo geral e de maneira particular das políticas de saúde.
Esse é um problema no mínimo paradoxal, pois da mesma forma em que eles são considerados índios, portanto, responsabilidade exclusiva da FUNAI, por outro lado não são considerados cidadãos comuns, usuários em potencial do Sistema Único de Saúde que é universal, portanto, em seu pleno direito de acesso ao atendimento integral sem discriminação de cor, raça ou etnia.
Um dos problemas como descrito pela entrevistada, vem dos próprios profissionais que não consideram os indigenas usuários do sistema, portanto não se sentem responsáveis pelas suas demandas e nem preparados para cumprir esse papel de atender as especificidades que o atendimento exige. Por outro lado, é fato que para o atendimento especifico e diferenciado, os profissionais deveriam estar preparados para lidar com tais dimensões no cotidiano do trabalho em saude.
Essa assertiva recai sobre as discussões de Cardoso de Oliveira (1978) que fundamenta as análises sobre a fricção interétnica onde considera que os grupos tribais estão em constante contato nos níveis econômico, político e social, influenciando e influenciado pelo outro grupo formando um sistema que muitas vezes é corrompido como o sistema de reciprocidade em substituição ao sistema de acúmulo do dinheiro.
As relações entre essas populações significam mais do que uma mera cooperação, competição e conflito entre sociedades em conjunção. Trata-se – como tenho assinalado- de uma oposição ou, mesmo, uma contradição, entre os sistemas societários em interacao que, entretanto, passam a constituir subsistemas de um mais inclusivo que se pode chamar de sistema interétnico. (Cardoso de Oliveira, 1978: 85).
Os índios que passam a ocupar os espaços urbanos da mesma forma com que os imperativos urbanos adentram nos espaços rurais, ora na forma de políticas e
projetos, ora na forma globalizada, passam a in e econômicos nas aldeia
Apesar de todas as partir das unidades básic em que os profissionais indigenas através do pr dados no sistema. O núm ser visualizado no gráfico
NÚMER
Fonte: Elaborado pela pes
O gráfico mostra que rurais de Manaus e no D explica em parte a dificu municipal para os índios
A distancia e o quadr número de indigenas se TOT Leste Norte Oeste Rural TOTAL
a de necessidades práticas da socie influenciar sobremaneira as duas formas
ias ou na cidade.
s dificuldades, o trabalho de identificação sicas de saúde (UBS) e da Estratégia Saú ais atuavam e tinham a responsabilidad preenchimento de um formulário que d úmero de indigenas identificados a partir d ico abaixo:
GRÁFICO IV