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O ambiente organizacional constitui-se num amplo e interessante espaço para o estudo do capital social, seja dentro dos limites formais da organização ou nas relações que se estabelecem entre as empresas. Algumas das categorias de análise propostas pelo conceito vêm sendo bastante utilizadas e parecem extremamente úteis frente a

mudanças ambientais dramáticas - e estão afetando não só as teorias existentes, mas também, a própria prática organizacional (VALE; AMÂNCIO; LAURIA, 2006).

Adler e Kwon (2009) consideram que o surgimento do conceito de capital social organizacional é devido a uma ampla necessidade teórica de explicar o que tem sido o cerne dos estudos organizacionais contemporâneos - a “organização informal”. Lembrando que o primeiro estudo científico a comprovar a influência dos grupos informais no

desempenho de trabalhadores foi o experimento de “Hawthorne”,

coordenado por Elton Mayo, no ano de 19273. Para Adler e Kwon

(2009), este seria o marco inicial para os estudos sobre capital social organizacional.

Leana e Van Buren (1999, p.01) são, entretanto, quem nos trazem ao primeiro conceito de capital social organizacional encontrando na literatura, numa construção unificadora, o qual se define

como um “recurso que reflete o caráter das relações sociais dentro da

organização, sendo realizada através da orientação para o alcance de objetivos comuns e confiança compartilhada entre os membros, que geram valor ao facilitar a ação coletiva bem sucedida”. Os autores argumentam que um nível mínimo de capital social, mesmo que se manifeste apenas sob a forma de regras específicas, é essencial para garantir que a organização sobreviva por um longo tempo, pois seria difícil imaginar uma organização sem qualquer capital social. Salientando que nesta concepção, o capital social estaria presente tão somente, no ambiente interno da organização, contrariando algumas vertentes.

Pani (2008) comenta que a literatura sobre capital social tem contribuído imensamente para as organizações e para as ciências administrativas através de uma maior compreensão de como um ator e suas atividades, incluindo as atividades econômicas, são dependentes do contexto da estrutura social em que atuam. Incorporam uma conceituação de capital social como um recurso de sistema de valores e aumentando um estoque de ativos negociáveis, de forma simultânea. Argumentam os autores que o capital social disponível para uma

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O experimento de Hawthorne trata-se de um clássico da história da ciência da Administração, no qual se buscou uma relação entre produtividade e condições físicas de trabalho, e, no entanto, se identificou que os trabalhadores são muito mais influenciados por aspectos comportamentais do que pelas condições físicas do local de trabalho. Deu-se, a partir daí, o inicio dos estudos da Escola das Relações Humanas (ROETHLISBERGER, F.J.; W.J. DICKSON, 1939).

organização, ou seja, o capital social organizacional é o líquido do capital social derivado de fontes externas (sintetizado pela visão estrutural) denominado de capital social estrutural, bem como de fontes internas (sintetizado pela visão individualista) denominado de

capital de reputação. Portanto, Pani (2008, p.6) define o capital social

organizacional como:

O conjunto de bens e recursos intangíveis à disposição da empresa para facilitar o ganho sócio-econômico em sua interação com os componentes internos e externos da rede. É a união entre o capital social estrutural e o capital reputacional. Capital social estrutural é originado a partir da posição da organização, relação e dependência incorporadas na estrutura da rede, na qual o capital social de reputação (ou simplesmente capital reputacional) resulta da relação da ação e a crença compartilhada da coletividade que é interna para a organização.

Da definição de Pani (2008), podemos inferir que o capital social estrutural se refere a relações interorganizacionais (posição da organização em determinada rede) e as relações intraorganizacionais provêm do capital social reputacional o qual se manifesta no contexto interno da organização e como o próprio nome diz, resulta na reputação da empresa. O capital social, para alguns autores, é também, um fator fundamental para permitir o compartilhamento de conhecimento interfuncional (CLERCQ; DIMOV; THONGPAPANL, 2013).

Desta forma, o conceito de capital social, quando aplicado ao contexto organizacional, permite examinar a forma como as relações sociais podem facilitar a troca de conhecimento. O capital de dentro de uma organização permite que os indivíduos possam localizar informações úteis, conseguindo recursos para, assim, realizar contribuições para a rede (STEINFIELD et al., 2009).

Nesta perspectiva, o capital social da organização para Anand, Glick e Manz (2002, p.58), “refere-se ao conhecimento e à informação aos quais as organizações podem ter acesso, utilizando seus

funcionários, seus vínculos formais e informais com agentesexternos”,

organizações. O objetivo principal do capital social, para eles, é a obtenção de conhecimento externo.

Drummond e Santos (2009) destacam a disposição para a ação conjunta que resulta em benefícios mútuos para os envolvidos como característica de bastante relevância frente ao cenário contemporâneo,

compreendendo o capital social como “resultado de características das

relações sociais dentro de organizações, considerando que os níveis de orientação a objetivos coletivos e de confiança compartilhados facilitam sua obtenção” (p.02).

Já Schneider (2009), acredita que os indivíduos podem reforçar o capital social organizacional, e, no entanto, ele pode existir independentemente deles, com base no histórico desta organização e sua reputação. Desta forma, ao tratar da relação entre o capital social organizacional e organizações sem fins lucrativos, a autora utiliza o constructo para se referir às redes de confiança estabelecidas entre organizações e comunidades de apoio às organizações sem fins lucrativos, por meio da qual uma organização pode alcançar seus objetivos.

Por fim, Nahapiet e Ghoshal (1998, p. 243), autores-chave para a perspectiva adotada neste estudo, trabalham na hipótese de criação de valor nas organizações através do capital social presente nas suas

estruturas, conceituando o termo da seguinte forma: “a soma dos

recursos potenciais e atuais, enraizados na estrutura interna, disponíveis através dela e derivados da rede de relacionamentos possuídas por um individuo ou uma organização social”. O capital social é composto, portanto, da rede e dos ativos que podem ser mobilizados através desta rede.

A abordagem de capital social utilizada neste estudo é a de Nahapiet e Ghoshal (1998), aplicada aos contextos interno e externo da organização, nas dimensões estrutural, cognitiva e relacional, utilizando- se o modelo de Román e Rodríguez (2004a) para exemplificar a análise, realizando uma mescla entre os indicadores, conforme será explicado mais adiante.

A seguir trazemos uma esquematização (Quadro 2) dos conceitos encontrados sobre capital social organizacional, incluindo alguns autores que conceituam capital social e permitem aplicá-lo a contextos organizacionais. O referido quadro tem como objetivo identificar as diversas vertentes de estudo do tema, justificar a escolha da abordagem para o presente estudo, podendo-se identificar as

diferentes metodologias de análise a partir das dimensões ou componentes elencados.

Quadro 2 – Autores, definições e diferentes abordagens do capital social organizacional Autor(es) Contexto interno e/ou externo Dimensões/ componentes Definição Adler e Kwon (2009) Interno e externo Redes, crenças, regras, normas e confiança.

O capital social é o recurso disponível para atores individuais ou coletivos,

criado através da sua localização e conteúdo de redes de relações mais ou

menos duráveis. Anand, Glick e Manz (2002) Externo Apesar das inúmeras fontes e formas de obter capital social, os autores optam por categorizar o capital social com base na natureza do conheciment o –explícito versus tácito.

O capital de uma organização “[...] refere-se ao conhecimento e à informação

aos quais as organizações podem ter acesso, utilizando

seus funcionários, seus vínculos formais e informais com agentes externos” (p.58),

incluindo clientes, organizações parceiras e funcionários de outras organizações. Cohen e Prusak (2001) Interno Conheciment o, acesso, engajamento e segurança.

“Capital social consiste no estoque ativo de conexões entre as pessoas: a confiança, compreensão mútua, valores e

comportamentos compartilhados, ligam os membros das redes humanas e

comunidades e fazem a ação cooperativa possível” (p.04). Drummon

(2009) organizações. das relações sociais dentro de organizações, considerando que os níveis de orientação a

objetivos coletivos e de confiança compartilhados

facilitam sua obtenção” (p.02). Leana e Van Buren (1999) Interno Associabilida de e confiança

Recurso que reflete o caráter das relações sociais dentro da

organização, sendo realizada através da orientação para o alcance de objetivos comuns e confiança compartilhada entre os membros, que geram valor ao facilitar a ação coletiva

bem sucedida. Nahapiet e Ghoshal (1998) Interno e externo Estrutural, relacional e cognitiva

A soma dos recursos potenciais e atuais, enraizados

na estrutura interna, disponíveis através dela e

derivados da rede de relacionamentos possuídas por

um individuo ou uma organização social. O capital

social é composto, portanto, da rede e dos ativos que

podem ser mobilizados através desta rede.

Pani

(2008) Interno e externo

Estrutural e de reputação

O conjunto de bens e recursos intangíveis à disposição da empresa para facilitar o ganho

sócio-econômico em sua interação com os componentes internos e externos da rede. É a união entre o capital social estrutural e o capital reputacional (p.06).

Pennings e

Lee (1998) Interno e externo

Organização como ator político ou ator racional.

O capital social das organizações constitui uma propriedade ou bem coletivo

que pode ser mediada por indivíduos, mas é unicamente

organizacional. O capital social é ainda mais exclusivo

e difícil de apropriar que o capital financeiro e humano,

tendo em vista o envolvimento contínuo de

duas ou mais partes.

Román (2001, p 18) Interno e externo Estrutural, cognitivo e institucional (Redes, confiança, normas, valores e atitudes, e marco institucional).

“Capital social é a capacidade de um determinado grupo

social para adquirir informações, incorporá-las a

processos econômicos e gerenciar tais processos”.

Schneider

(2009) Interno e externo Histórico e reputação

O capital social traduz-se em relações baseadas em padrões de reciprocidade, reforçadas

pela confiança, as quais permitem às pessoas e instituições obterem acesso a

recursos diversos, tais como serviços sociais, voluntários

ou de financiamento. Steinfield (2009) Interno e externo (individual) Bounding, bridging e linking.

O termo capital social, em geral, refere-se aos recursos

que derivam das relações entre as pessoas em diferentes

contextos sociais. Quando aplicado ao contexto organizacional, o conceito permite examinar a maneira pela qual as relações sociais podem facilitar a troca de

conhecimento.

Uphoff

(2000) Interno e externo

Estrutural e cognitiva

“O capital social é uma acumulação de vários tipos de

ativos sociais, como componentes cognitivos,

psicológicos, culturais e institucionais, que aumentam

a quantidade (ou probabilidade) de

comportamentos cooperativos mutuamente benéficos”

(p.216).

Fonte: elaborado pela autora a partir da pesquisa bibliográfica realizada. Importante destacar que não há um consenso teórico. Por exemplo, Lins (2004) considera que o tema ainda se apresenta de forma embrionária na literatura administrativa, sendo empregado mais frequentemente na área da gestão do conhecimento, no que tange à criação, desenvolvimento e manutenção do capital intelectual de uma organização e em práticas de gestão voltadas para sua própria criação e manutenção.

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