6. AVVSLUTTENDE DISKUSJON
6.1.1 Vitenskapelig artikkel som sjanger
No nosso trabalho, o que se revela é a segregação das classes sociais, que segundo Villaça (2001), é a que domina a estruturação das cidades, inclusive das cidades médias. Como explica o autor, de forma clara, a segregação não impede a presença, nem o crescimento de outras classes no mesmo espaço. Não existe presença exclusiva de camadas de mais alta renda, em nenhuma região geral de nenhuma metrópole brasileira (embora haja presença exclusiva de camadas de baixa renda em grandes regiões urbanas). Em uma região, o que determina a segregação de uma classe, é a concentração significativa dessa classe mais do que em qualquer outra região geral da metrópole. Há, de um lado, a concentração dos Conjuntos Populares; e do seu lado oposto, a concentração dos Condomínios Fechados de Luxo. Isso também se revela na cidade de João Pessoa. O autor ainda expõe que a segregação espacial das camadas de alta renda surge como elemento interno mais poderoso, no jogo de forças que determina a estruturação do espaço intra- urbano de nossas metrópoles.
Outra característica da segregação é esboçada por Harvey (2005) que relaciona a segregação a oportunidades de emprego (tempo); e o zoneamento permite ou induz determinados usos, centralidades e malha de vias urbanas. A segregação é apontada como
um fenômeno voluntário ou involuntário. Geralmente, associa-se a voluntariedade às classes mais abastadas e a falta desta, às mais necessitadas, cuja renda torna-se fator determinante da segregação. Essa dinâmica é considerada representativa da luta de classes. Se a segregação de uns leva à de outros, podemos dizer que, de fato, nenhuma das classes é efetivamente sujeito ou objeto, mas ambos (VILLAÇA, 2001).
Para Lojkine (1981), a segregação é uma manifestação da renda fundiária urbana, um fenômeno produzido pelos mecanismos de formação dos preços do solo; estes por sua vez, determinados pela nova divisão social e espacial do trabalho. Segundo o autor, o mais conhecido padrão de segregação da metrópole brasileira é o do centro em direção à periferia. O primeiro, dotado da maioria dos serviços urbanos, públicos e privados, e ocupado pelas classes de mais alta renda. A segunda, subequipada e longínqua, é ocupada, predominantemente, pelos excluídos. Nesse caso, o espaço passa a atuar como um mecanismo de exclusão, materializando as desigualdades sócias, no ambiente urbano construído. Quanto maiores diferenças existirem entre grupo e classes sociais, maiores as desigualdades de moradia, de acesso aos serviços públicos e de qualidades de vida, caracterizando a segregação sócioespacial.
A segregação socioespacial ocorre, portanto, como uma forma de desigualdade, conforme esclarece Castells (1983, p. 210)): [...] a distribuição dos locais residenciais segue as leis gerais da distribuição dos produtos e, por conseguinte, opera os reagrupamentos, em função da capacidade social dos indivíduos, isto é, no sistema capitalista, em função de suas rendas, de seus status profissionais, de nível de instrução, de filiação étnica, da fase do ciclo de vida, ocorrendo uma estratificação urbana, correspondente a um sistema de estratificação social, e, nos casos em que a distância social tem uma expressão espacial forte, ocorre a segregação urbana. Para Souza (2003), a diferenciação entre as áreas residenciais de uma cidade reflete a diferenciação entre grupos sociais.
No nosso objeto de estudo, é nítida a segregação, em que Gist e Fava (1968) apud Villaça à es la e e à aà dife e çaà e t eà seg egaç oà volu t ia à daà i volu t ia .à áà primeira se produz, quando o indivíduo, por sua própria iniciativa, busca viver com outras pessoas de sua classe, que é o que ocorre nos Condomínios Fechados de Alta Renda; a outra, a segregação involuntária, ocorre quando o indivíduo ou uma família se veem obrigados, pelas mais variadas forças, a morar num setor, ou deixar de morar num setor ou bairro da
cidade. Nesse sentido, a segregação dos excluídos, na periferia das metrópoles brasileiras, seria uma segregação involuntária. Essa última representa a segregação existente no Conjunto Gervásio Maia, onde a maior parcela da população ali residente é produto da remoção de pessoas que habitavam em favela, acampamentos de lona ou em prédios abandonados. Tal remoção é fruto do programa habitacional, realizado pelo Governo Municipal. Estes, por sua vez não escolheram morar ali, foram forçados.
Podemos afirmar que, anteriormente a remoção, a segregação desses habitantes era, também, involuntária, pois, devido a forças adversas a sua vontade, isto é, pela falta de moradia, desemprego, baixos salários e as precárias condições de vida, viam-se obrigados a buscar abrigo em barracas de lona e invadir prédios públicos abandonados, contrapondo-se a segregação produzida pelos Condomínios de luxo, isto é, uma segregação voluntária, em que buscam viver com outras pessoas de sua classe por sua própria iniciativa. Para Souza (2003), na segregação voluntária, as pessoas escolhem se querem se aproximar ou se afastar de certos pontos da cidade, relacionando essa segregação à busca por segurança, boas localizações, acessibilidade e fatores de amenidade, porém, na segregação induzida as pessoas não escolhem onde querem morar, são forçadas a isso.
Souza (2003), explica que os pobres são induzidos, devido ao seu baixo poder aquisitivo, a residir em locais afastados, porém, não é apenas a carência de infra-estrutura desses locais que contrasta com os bairros privilegiados da elite. O autor revela que a estigmatização em função do local da moradia é muito forte (periferia, cortiços e favelas), atrelando-se, a isso, problemas de integração e de convivência entre os grupos sociais diferentes. No Conjunto Gervásio Maia, através do relato dos moradores, verificamos que embora a correlação com a localização seja forte, esta não é a única questão que influencia a exclusão social e a segregação residencial. Os moradores relataram ter dificuldade em conseguir trabalho por serem rotulados de favelados e criminosos. Como diz o autor, a persistência de certos preconceitos e ódios, disseminados no interior da sociedade, dificulta a mobilidade de grupos minoritários.
O autor explica que, a ocupação da localização sem pagar por ela, as chamadas i vas es ,à te à eve tual e teà fa ilitadoà sà lassesà popula esà u à pou oà doà usuf utoà deà vantagens do privilegiado espaço produzido pela alta renda. Há um preço a ser pago pelas, vantagens desse espaço, um preço que os mesmos não podem pagar nem usufruir, como a
vantagem de um sistema viário produzido para o automóvel, o comércio e os serviços. Estes que, por sua vez, não podem pagar pelo valor da terra urbana, não tiveram escolha quanto à remoção e foram segregados involuntariamente por uma força maior que a sua, a força da política habitacional.
Tal remoção os levou para um bairro pobre, longe das áreas centrais da cidade, onde não há investimentos do mercado imobiliário e a terra ainda é desvaloriza, isto é, o espaço periurbano sudoeste da cidade de João Pessoa-PB. Verificamos, com esse estudo, que na referida cidade, os ricos tendem a conviver mais entre si e de forma isolada, dentro do tecido urbano da cidade, na tentativa de se refugiar dos problemas urbanos e do convívio com as diferenças socioeconômicas. Os pobres seguem a mesma tendência de morar e conviver com seus iguais, porém em caminhos opostos aos dos ricos, e muitas vezes, de forma involuntária, passando estas duas camadas sociais a induzir a nova forma de expansão e produção da cidade.
A segregação é um processo dialético, em que a segregação de uns provoca; ao mesmo tempo e pelo mesmo processo, a segregação de outros. Segue a mesma dialética do escravo e do senhor (VILLAÇA, 2001).