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6   Identitet  som  iscenesettelse

6.1   Visuell  kommunikasjon  blant  venner  og  jevnaldrende

Ap´os a defini¸c˜ao do que se desejava aprender sobre a usabilidade do sistema

EasyVoice, e da determina¸c˜ao concreta dos objectivos destes testes, foi ne-

um sistema ´e um dos aspectos que pode determinar o sucesso dos testes, visto que s˜ao estes utilizadores que v˜ao determinar as falhas de usabilidade que nele existem. Assim, sabendo-se que o grupo de utilizadores escolhidos para testar uma aplica¸c˜ao deve representar tanto quanto poss´ıvel o p´ublico alvo [47], e tendo presente a especificidade do EasyVoice, tentou-se escolher portadores de problemas na fala que tivessem, ou n˜ao, limita¸c˜oes motoras. Embora exista um amplo leque de pessoas com problemas na fala, causa- dos por diversos motivos, n˜ao foi uma tarefa f´acil encontrar uma popula¸c˜ao heterog´enea de volunt´arios para a realiza¸c˜ao destes testes.

O objectivo inicial era conseguir um vasto n´umero de volunt´arios que fos- sem portadores de problemas de fala, causados por diversas raz˜oes, inclusive pessoas que tivessem perdido a voz devido a doen¸cas como o cancro. Desta forma, come¸cou-se por contactar v´arias institui¸c˜oes e profissionais (e.g. tera- peutas da fala) para obter-se o contacto de pessoas com essas caracter´ısticas, tendo-se tamb´em contactado a Direc¸c˜ao Regional de Educa¸c˜ao do Algarve (DREA) de forma a conhecer-se alunos do ensino regular que apresentassem problemas de voz e fala. Contudo, apesar da maioria dessas pessoas e or- ganismos fornecerem alguns dados interessantes, n˜ao podiam fornecer todas as informa¸c˜oes necess´arias para um contacto directo com os portadores de deficiˆencias na fala porque tudo o que pode identificar determinado indiv´ıduo (e.g. nome, n´umeros de telefone) ´e considerado dado pessoal. A obten¸c˜ao desses dados tornou-se uma tarefa complicada e quando se eliminava uma quest˜ao de ordem burocr´atica surgia logo outra.

Era essencial ao desenvolvimento do projecto, e da pr´opria aplica¸c˜ao, que os testes de usabilidade n˜ao ficassem adiados por tempo indeterminado,

visto que desejava-se desenvolver este sistema baseado nas necessidades dos utilizadores recorrendo a uma implementa¸c˜ao iterativa (como foi abordado no cap´ıtulo 4). Por conseguinte, conhecendo-se alguns portadores de PC com problemas de dic¸c˜ao, entrou-se em contacto com eles e com a pr´opria APPC. Pode-se argumentar que este grupo de pessoas apenas representa uma pequena parte do vasto leque de utilizadores que podem recorrer ao sistema EasyVoice. Contudo, como vimos no cap´ıtulo 3, as limita¸c˜oes dos portadores de PC variam, consoante a sua classifica¸c˜ao, podendo ser quase impercept´ıveis ou muito not´orias. Desta maneira, pode-se dizer que embora um grupo de portadores de PC possa parecer muito homog´eneo, acaba por se revelar bastante heterog´eneo, reflectindo as necessidades e as dificuldades da maioria das pessoas com deficiˆencias na fala. Este grupo permite ainda analisar as necessidades dos utilizadores que, al´em dos problemas na fala, tamb´em possuem limita¸c˜oes ao n´ıvel da coordena¸c˜ao motora.

A selec¸c˜ao do grupo de utilizadores que realizou os testes tamb´em levou em considera¸c˜ao um conjunto de condi¸c˜oes. Alguns dos utentes da APPC n˜ao frequentam o ensino regular e, embora aprendam a escrever com os pr´oprios educadores da institui¸c˜ao, n˜ao dominam a escrita suficientemente bem para utilizarem sistemas que se baseiam em texto. Como j´a foi explicado nesta disserta¸c˜ao, os utilizadores do sistema EasyVoice necessitam de escrever as mensagens que desejam sintetizar e injectar na chamada telef´onica. Desta forma, a principal condi¸c˜ao colocada para a selec¸c˜ao dos utilizadores foi que soubessem escrever. Outra condi¸c˜ao, tamb´em importante, foi conseguir que a popula¸c˜ao n˜ao fosse apenas constitu´ıda por pessoas que dominassem os meios inform´aticos. `A partida esta aplica¸c˜ao ser´a utilizada na pr´atica por

um amplo conjunto de utilizadores, sendo que uns est˜ao acostumados a uti- lizar aplica¸c˜oes inform´aticas e outros podem ser quase inexperientes na uti- liza¸c˜ao de computadores. Assim, era importante que o grupo de utilizadores escolhido para a realiza¸c˜ao dos testes representasse essa realidade. Desta forma, durante o processo de entrevistas tentou-se determinar que tipo de utiliza¸c˜ao cada uma das pessoas fazia do computador para se achar um ponto de equil´ıbrio entre utilizadores avan¸cados e utilizadores menos experientes.

Salienta-se que a escolha de utilizadores mais experientes que a generali- dade do p´ublico alvo pode trazer uma falsa sensa¸c˜ao de seguran¸ca. Por outras palavras, estes utilizadores tˆem a tendˆencia para ser mais tolerantes com cer- tas falhas de usabilidade do interface (e.g. menus demasiado complexos) que um utilizador menos experiente. Por´em, a escolha de participantes mais inexperientes do que a maioria dos utilizadores tamb´em pode originar traba- lho desnecess´ario, visto que estas pessoas ir˜ao encontrar mais problemas de usabilidade do que aqueles que devem ser solucionados [15]. Numa situa¸c˜ao t´ıpica estes dois grupos, utilizadores experientes e inexperientes, deviam re- alizar os testes de usabilidade em separado com algumas tarefas idˆenticas e outras diferentes [47]. Contudo, no caso particular dos testes realizados ao sistema EasyVoice, tentou-se seleccionar uma popula¸c˜ao que representasse a grande maioria do p´ublico alvo. Desta forma, a popula¸c˜ao que participou nos testes tinha, na sua globalidade, conhecimentos m´edios de inform´atica.

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E importante referir que deste processo de angaria¸c˜ao, e selec¸c˜ao, de vo- lunt´arios para a realiza¸c˜ao dos testes de usabilidade, apenas se conseguiu uma popula¸c˜ao de quatro pessoas maiores de idade. ´E um facto que a po- pula¸c˜ao poderia conter mais alguns elementos, que cumpriam o conjunto de

condi¸c˜oes para participarem nos testes, mas o facto de serem menores de idade levou a que se tivesse de pedir um conjunto de autoriza¸c˜oes aos pais e encarregados de educa¸c˜ao. E, embora na maioria dos casos os respons´aveis legais tivessem colaborado em tudo o que lhes foi solicitado, existia o grande problema de transportar as crian¸cas at´e o local dos testes, visto que o pro- jecto n˜ao tinha meios para garantir esse transporte. Assim, a popula¸c˜ao que realizou os testes de usabalidade foi constitu´ıda por dois elementos do sexo masculino e dois elementos do sexo feminino, de idades compreendidas entre os 28 e 48 anos, que apesar das suas limita¸c˜oes encontram-se perfeitamente integrados na sociedade e levam uma vida muito activa. A tabela 5.1 apre- senta as caracter´ısticas dos elementos que participaram na realiza¸c˜ao dos testes e, consequentemente, contribu´ıram para os melhoramentos efectuados no sistema (principalmente ao n´ıvel do interface). Salienta-se, contudo, que para preservar a identidade das pessoas envolvidas nestes testes, todos os nomes apresentados nesta disserta¸c˜ao s˜ao fict´ıcios.

Tabela 5.1: Caracter´ısticas dos elementos que participa- ram nos testes de usabilidade.

Nome Idade Sexo Tipo de PC

Pedro 28 Masculino Paralisia Cerebral Atet´osica

Rui 40 Masculino Paralisia Cerebral At´axica e Diplegia ligeira

Vera 44 Feminino Paralisa Cerebral Hemipar´esia Esp´astica direita

Maria 48 Feminino Paralisia Cerebral Tetrapar´esia Esp´astica de predom´ınio `a esquerda e At´axia

Numa situa¸c˜ao ideal, quando um projecto de desenvolvimento de uma aplica¸c˜ao tem or¸camento para a realiza¸c˜ao de testes, a popula¸c˜ao que parti- cipa no estudo de usabilidade deve ser grande de forma a permitir uma an´alise estat´ıstica dos dados recolhidos. Por´em, nos casos em que n˜ao se pretende obter relevˆancia estat´ıstica, as popula¸c˜oes s˜ao tipicamente compostas por um grupo de seis a doze participantes dividido em dois ou trˆes sub-grupos de trˆes a cinco pessoas [15]. Ali´as, estudos indicam que um grupo de trˆes a cinco pessoas ´e capaz de encontrar a maioria dos problemas de usabilidade [15, 48]. Os testes de usabilidade ao sistema EasyVoice realizaram-se com apenas quatro participantes, visto que como j´a foi abordado, existiram dificuldades burocr´aticas que impediram o recrutamento de mais volunt´arios. Contudo, apesar da dimens˜ao da popula¸c˜ao que testou o software ser reduzida, acredita- se que os estudos realizados com estes participantes serviram para detectar e solucionar a maioria dos problemas de usabilidade do EasyVoice [48]. Claro que a dimens˜ao desta popula¸c˜ao oferece um grau de seguran¸ca menor do que se os testes tivessem sido realizados por um vasto conjunto de utilizadores, mas nem quando as aplica¸c˜oes s˜ao exaustivamente testadas por uma grande quantidade de utilizadores se pode garantir que est˜ao 100% livres de falhas. Ap´os a selec¸c˜ao da popula¸c˜ao que participou no estudo de usabilidade,

contribuindo para o melhoramento do interface do sistema, come¸cou-se a elaborar as tarefas a incluir nos testes.