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Virksomhet 6

In document HMS handlingsplaner i Drammen kommune (sider 89-96)

O uso da estrutura lógica está relacionado à percepção da unidade temática do texto. Os leitores proficientes no texto impresso fazem as conexões entre as idéias e sabem como e porque elas estão interconectadas. Esse processo é feito automaticamente enquanto a leitura flui. Porém, quando o leitor percebe que houve uma quebra na continuidade das idéias, busca, geralmente, orações/períodos citados anteriormente e que tenham relações com o trecho desconectado dos demais.

Na leitura do hipertexto, esse processo requer um maior esforço do leitor, pois, algumas vezes, o único elo de ligação explícito no texto é o hiperlink e o leitor

um navegador de hipertextos aumentarão quando ele acessa uma multiplicidade de textos e deseja relacioná-los, pois neste caso a exigência cognitiva é sensivelmente maior. (Marcuschi, 1999:38-9).

Nesta pesquisa, 60% dos participantes não mencionaram o uso da estrutura lógica, o que poderia significar que a interconexão entre as idéias possa ter sido feita fluentemente e a estrutura lógica tenha sido percebida claramente pelos hiperleitores. Porém, os outros sujeitos, quando perceberam quebra na continuidade das idéias ou relações inadequadas entre elas, usaram estratégias que pudessem reestabelecer essa quebra da unidade temática. Percebemos isso, através do exemplo abaixo, quando S1E3, navegava no site www.recicloteca.org.br, que divide-se em duas temáticas: reciclagem de lixo e água (conforme explicitado na metodologia) e clicou no link Reciclagem Solidária. Antes de ler o texto referente a esse link, desistiu da leitura por achar que a temática era voltada para outro assunto, já que estava lendo textos sobre água, e fez o seguinte comentário:

(55) ((VC)) Tem alguma coisa a ver com a água ou é outra coisa? Eu acho que eu tinha que voltar era pra cá. (S1E3)

Após o comentário, interrogamos sobre o motivo de sua desistência. Então, S1E3, por achar que a nossa intervenção era para indicar-lhe que deveria ter lido o texto, tentou conectar a idéia desse link com a temática que estava sendo apresentada anteriormente e buscou uma lógica entre os dois links. Ativou seu conhecimento prévio e fez uma relação com a reciclagem de água que ocorre no Japão, como podemos observar na seguinte fala:

talvez seja (?) como lá no Japão, eles utilizam a água da caixa, eles usam pra lavar roupa e utilizam pro jardim (?) das escadas. Deve ser ((RI)). (S1E3)

Esse exemplo comprova a observação de Marcuschi (1999:38) de que

quando o hipertexto não apresenta relações semânticas ou cognitivas imanentes porque liga textos diversos, podem ocorrer relações incoerentes na seqüenciação de unidades textuais. E isso pode afetar irremediavelmente a compreensão. Acrescenta ainda que os

leitores do hipertexto terão maiores dificuldades em relacionar os segmentos, exigindo destes uma maior carga cognitiva, que o autor chamou de stress cognitivo.

Posteriormente, o mesmo sujeito percebeu que o link era sobre reciclagem de lixo, mas, mesmo assim, permaneceu lendo o texto. No mesmo protocolo, ainda percebeu outra violação brusca da continuidade temática e comentou:

(57) ((VC)) Aqui ele começou a falar sobre o re-uso da água e acabou falando da agricultura orgânica, do algodão colorido. ((LA)) O cultivo do algodão colorido...(...) É, achei estranho (...) Então eu achei que eles iriam falar da técnica usada, como era que fazia para reutilizar essa água na agricultura e ele só fez dizer isso e começou a falar da agricultura orgânica e que lá estão fazendo esse projeto, na Paraíba, de agricultura orgânica do algodão colorido e não falou mais nada sobre a água. (S1E3)

Uma quebra de unidade temática também foi percebida por S5E2, encontrando, assim, dificuldades na leitura. O hiperleitor clicou no link Artigos sobre saúde e biotecnologia e tentou encontrar relação entre esse tema e o artigo A dislexia em sala de aula que escolheu para ler. Ao ser interrogado sobre o motivo pelo qual abriu esse link, comentou:

(58) ((VC)) A dislexia em sala de aula devido a minha área ser educação e também já achar que fator biotecnológico está envolvido nessa estrutura. (S5E2)

Após ler uma parte do texto ainda comentou:

(60) ((VC)) Ah, está aqui... ((LA)) Os padrões dos movimentos oculares ... maior que outras.

E concluiu:

(61) ((VC)) (...) ele se deteve mais à parte conteudista, no assunto dele, que era dislexia. Mas eu queria ver que grau de envolvimento isso tinha com a biotecnologia. Quando acabou do que eu li, ele só deu apenas falando sobre a visão, mas ele não diz o que a biotecnologia ia influenciar.

O link clicado pelo hiperleitor anunciava que os artigos seriam sobre saúde e biotecnologia e o texto lido não fez relação com os temas especificados. O hiperleitor, ao perceber essa violação, tentou encontrar a unidade temática do texto e concluiu sugerindo que o texto não estava condizente com o que se propunha. Se, para os hiperleitores desta pesquisa, proficientes em texto impresso e experientes com leitura na Internet, é difícil estabelecer uma lógica entre alguns links, imaginemos quantos problemas os leitores iniciantes e sem experiência com hipertextos poderão enfrentar para a compreensão, pois, conforme Marcuschi (1999:38), é um mito a expectativa da

associação natural entre um item e um bloco textual suposta pelos teóricos do hipertexto. Assim, os links devem servir como nexos intertextuais e contribuir para

facilitar a compreensão. Quando isso não ocorre, a compreensão fica comprometida, como observamos nos exemplos (55) a (61). Segundo Alliende & Condemarín (1987), a compreensão de um texto pode ser dificultada se entre as orações não aparecer nenhum nexo para ligá-las, pois obriga o leitor a deduzir os nexos que o texto omitiu. A compreensão do hipertexto é, pois, dificultada porque esses elos são, muitas vezes, substituídos pelos hiperlinks. O esforço do hiperleitor é consideravelmente maior quando os blocos de textos conectados não têm relações intrínsecas. Nesse sentido,

cognitivo.

Também S5E1 procurou estabelecer uma lógica entre os links e percebeu que não havia relação entre eles. Vejamos o que afirmou quando perguntamos porque abriu um certo texto:

(62) ((VC)) Porque quando ele colocou que eram as primeiras intervenções do homem no meio ambiente, eu fiquei curiosa de saber que intervenções foram essas. E por que esse aqui? Porque eu quero ver se esse ali vai fazer alguma diferença lá com aquele ou se ainda continua colocando o homem como o centro do meio ambiente. (S5E1)

E concluiu:

(63) ((VC)) Esse trecho aqui não atingiu as minhas expectativas  (?) do meio ambiente, como aquele outro que coloca o homem como o centro do meio ambiente eu achei que esse aqui fosse dar essa relação com o primeiro texto (...), mas ele falou aqui de outras coisas, dos átomos que fazem parte do meio ambiente e que nós somos formados por eles, o que bebemos, o que comemos. (S5E1)

Observamos também nas seguintes falas de S2E1, S4E2 e S2E3 que esses sujeitos procuraram estabelecer uma lógica no que estavam lendo, conforme os seguintes comentários:

(64) ((VC)) Eu voltei aqui porque ele fala ((LA)) Na seqüência principal estão as estrelas que estão na sua meia vida. ((VC)) Aí eu fui observando aonde era a seqüência principal que eu tinha passado dela. (S2E1)

(65) ((VC)) Aqui, pela introdução que eu estou podendo observar que tem lá a página que eu estava vendo anteriormente tratava sobre a história da ciência, aqui ele vai falar um pouco sobre a área que ele, esse Amaury, ele trabalha que é sobre uma área de meteorologia que tem e não tem a ver porque tudo é uma seqüência, a ciência é da seqüência aqui dos fatos. A parte que ele está olhando da meteorologia e se a gente for aprofundar mais o estudo vai ver que tem muito a ver com a introdução que a gente viu anteriormente. (S4E2) (66) ((VC)) Aqui a gente já pode ver que já tem uma relação com a entrevista que ele está dando lá, que ele está vendo as imagens da (.) que lá ele estava falando sobre a meteorologia e aqui ele está tendo a imagem, algumas fotos com relação à entrevista. Esta parte já é outra coisa, a geologia, já é outro rumo da ciência. (S4E2)

(67) ((VC)) Quando eu li bem aqui, eu pensei o seguinte: o que o Código Morse tem a ver com a meteorologia? (S2E3)

((VC)) Pelo menos em parte quando falam da questão das estrelas (?) ao universo, uma certa relação em parte do texto. (S2E1)

Conforme esses relatos, percebemos que há uma certa dificuldade, até mesmo para leitores proficientes, em encontrar relações entre os diversos links do hipertexto, pois como afirma Foltz (1996: 119) o hipertexto pode proporcionar menos

deixas contextuais que os textos lineares (...). Em um texto linear, um leitor não- proficiente poderia depender da informação da estrutura linear para o contexto, mas o mesmo contexto pode não ser tão evidente no hipertexto.

3. 1. 4. 1 Considerações sobre a estratégia usar a estrutura lógica

 O fato de os hiperleitores não mencionarem, no protocolo, qualquer evidência da estratégia uso da estrutura lógica pode evidenciar que a compreensão da leitura fluiu naturalmente, podendo os sujeitos fazerem a interconexão das idéias.

 Quando os hiperleitores percebem um rompimento na unidade temática, buscam encontrar relações, usando seus conhecimentos prévios ou outras partes do hipertexto;

 Os hiperleitores sentem dificuldades em estabelecer relações entre alguns links no hipertexto quando estes não seguem uma continuidade temática;

 Como os hipertextos possuem links que ligam textos diversos e os hiperleitores, ao abrir um site, têm expectativas e propósitos diversificados, cada hiperleitor pode

e textos conectados entre si.

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