2.1 Utvikling innen håndholdte datamaskiner
2.1.3 Videre utvikling
Conte-me um pouco sobre você e sua trajetória como contador a de histórias. Como você vê a arte de contar histórias no mundo de hoje? Quais são as principais conquistas e desafios do contador de histórias na contemporaneidade?
Você faz uso dos suportes digitais em seu trabalho? Como? Em que medida os multimeios da cultura digital facilitam ou dificultam o exercício de sua prática?
Em sua opinião, podemos fazer um bom uso dos suportes digitais para contar histórias?
RESPOSTAS:
. Em meados da de cada de , iniciei um trabalho de formaça o e valorizaça o da aça o de professores, em escolas pu blicas gratuitas das redes municipal e estadual de Sa o Paulo. Este trabalho, intitulado Makiguti em Ação, era vinculado a uma organizaça o filiada a ONU chamada Brasil Sokka Gakkai )nternacional. A aça o da qual eu fazia parte como volunta rio era a de contar histo rias – e neste perí odo na o havia muitas refere ncias para execuça o deste trabalho – e depois, a partir da fa bula apresentada aos professores, no s fazí amos um trabalho de pensar e experimentar possibilidades do dia logo da fa bula com as linguagens artí sticas, tendo sempre como enfoque a valorizaça o da aça o pedago gica e a pote ncia do encontro entre professores e alunos. Este foi o iní cio de minha trajeto ria. Ja no final da de cada de , formado em Arte Drama tica e com uma aproximaça o profí cua com o mundo dos contos , saí a aventurar-me contando histo rias para outros pu blicos, ale m dos professores. Foi neste perí odo que junto com duas amigas formamos o coletivo Cia. do Conto, que rodou algumas escolas e espaços culturais entre e . Em resolvi aprofundar-me em dramaturgia teatral, tendo a narrativa como fundamento e estudei com Luis
Ocidente, o que me fez me aproximar mais profundamente das leituras de Aristo teles e os primeiros mitos Ocidentais: )lí ada e Odisse ia, contados por (omero. Neste perí odo Abreu estava debruçado sobre a Restauraça o da Narrativa na contemporaneidade, o que me trouxe muitas indagaço es tanto em relaça o ao a mbito do teatro quanto em relaça o ao a mbito da narrativa oral. Estudava e contava muita histo ria neste momento, estamos falando do perí odo entre e . No ano de , fundei junto com formandos da Unicamp, egressos do curso de Artes Ce nicas, daquela Universidade, o Grupo Mini Cia. Teatro. Neste grupo montamos tre s espeta culos entre os anos de a . Foram eles: Sala de Estar; Abaixo das Canelas; e, Melhor na o incomoda -la. Em todos os espeta culos minha funça o era a de diretor e o foco da encenaça o: o conto e a escritura litera ria. Foi uma experie ncia riquí ssima, na qual enxerguei-me um diretor/narrador. Trabalhamos nos tre s espeta culos a partir do modo de produça o colaborativo, ou seja, cada um tinha a sua funça o, mas na o havia aquele que manda, que e o grande ge nio da obra , tudo era compartilhado. No ano de , por uma oportunidade, fui a Barcelona, passar uma temporada de meu mestrado, estudando com o filo sofo Jorge Larrosa Bondí a na Universidade de Barcelona. La encontrei outras formas de narrativa, mas a que mais me tocou foi a oralidade vinculada ao ge nero litera rio Ensaio ge nero cunhado por Michel de Montaigne no se culo XV) . Tive inu meras experie ncias com este trabalho de oralizar Ensaios diversos e produzir novos ensaios escritos. Literatura, filosofia e oralidade encontravam-se. Foi desta experie ncia que nasceu o desejo de pensar num curso de po s-graduaça o lato sensu em que esta junça o fosse possí vel no processo formativo. Aqui cabe uma pequena digressa o: desde venho trabalhando tambe m como formador de contadores, tendo como princí pio a busca – portanto a vontade de encontrar – por um caminho singular do narrador no ato de contar uma histo ria de maneira oral. Destas experie ncias fui sistematizando um possí vel caminho para despertar ou potencializar estas descobertas de caminhos. Voltando ao curso de po s-graduaça o lato sensu. Foi a junça o da experie ncia em Barcelona com os anos como formador que deu origem a esta proposta que rapidamente tornou-se realidade em . (oje estamos na quinta turma e mais de alunos ja formaram-se pelo curso e esta o atuando como profissionais e como formadores de outros contadores de histo rias.
. A retomada do conto deveu-se a muitas pessoas que nos anos e do se culo passado desbravaram tal retomada. O caso de Regina Machado, sua orientadora, que tem uma importa ncia muito relevante neste processo. Praticamente quando Regina começou este movimento em Sa o Paulo, havia pouquí ssimas experie ncias. Destas experie ncias dos desbravadores desta retormada – que na o aconteceu apenas no Brasil, pois sabemos que este movimento iniciou-se no final dos anos de na frança – o conto foi espalhando-se de uma maneira bastante sauda vel, mas trouxe com esta difusa o tambe m seus paradoxos. Por um lado a retomada do conto tinha como força propulsora a retomada de sentido nas experie ncias artí sticas, nas experie ncias de encontro, nas experie ncias relacionais, isto foi muito forte e presente na França sobretudo. De outro lado, vejo que com o passar do tempo, pensando no que aconteceu nos anos de e , esta eclosa o trouxe uma proliferaça o de profissionais muitas vezes pouco preparados para se colocar nesta experie ncia ta o complexa: fazer memo ria com o outro a partir de um ví nculo profundo com o imagina rio da humanidade. Aparentemente contar histo rias tornou-se uma arte mais fa cil que fazer teatro, sobretudo no a mbito dos modos de produça o mais simplificados da arte da narrativa. E este paradoxo esta presente ate hoje: uma arte mais fa cil do ponto de vista do modo de produça o e uma arte muito complexa do ponto de vista da experie ncia humana. Acho que os ganhos te m a ver com a perdas. Aumentou-se e muito o nu mero de contadores nas u ltimas de cadas e com este aumento houve tambe m a perda de uma verticalidade da experie ncia, pois a velocidade das contrataço es – por parte de Sescs, centros culturais, livrarias, etc - fazem com que, muitas vezes, os contadores na o tenham tempo de prepararem-se como deveriam. Outro fator que estou pensando muito ultimamente e a necessidade do contador de histo rias enfrentar o contempora neo. Explico: muitas vezes o reperto rio de histo rias e ainda do perí odo roma ntico alema o: caso dos irma os Grimm ou de um certo idealismo do que vem a ser este Brasil, caso da retomada quase que frenquente dos contos de Cascudo ou Silvio Romero; ou ainda, muito vinculado a s tradiço es filoso ficas do Oriente, distantes de nosso tempo, como os Budistas, Sufis, etc. Parece
da informaça o nos distancia. Enta o o que estou querendo dizer e , que a informaça o que nos distancia tambe m produz novos mitos, novas narrativas e novas formas destas narrativas serem narradas. Acho que o contador de histo rias contempora neo tem que olhar com os olhos da cara o seu tempo , como disse o filo sofo Giorgio Agamben e enfrentar a eterna tensa o entre forma e conteu do para encontrar as narrativas de hoje em dia logo com as que citei anteriormente.
. Na o faço uso e na o sei como poderia responder a esta questa o. Mas acho que tem tudo a ver com a minha resposta acima. Poderia ser um meio de experimentaça o para olharmos para o nosso tempo, no presente.