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Diante de tudo que vimos a respeito da realidade da juventude dominicana, poderíamos nos perguntar qual o papel da Igreja diante dessa situação. Desde o começo da história da República Dominicana, a Igreja está presente no meio do povo em especial ao lado dos jovens. Às vezes, foi cúmplice na colonização desintegradora das culturas autóctones, mas também foi promotora de liberdade e solidária com os direitos dos mais indefesos.48 Um exemplo é Frei Bartolomeu de Las Casas49, um incansável defensor da dignidade humana, da luta pela justiça e do direito à vida dos índios.50 Nos

47 CELAM. Documento de Aparecida. Texto Conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino- Americano e do Caribe. Edições CNBB: Paulinas; São Paulo: Paulus, 2008, n. 328, p.149.

48Cf. CELAM. Pastoral da Juventude: Sim à Civilização do Amor. 2. ed. São Paulo: Paulinas, 1987, p.

86.

49 PALEARI, Giorgio. Espiritualidade e missão. Bartolomeu de Las Casas. Disponível em:

<http://www.pimenet.org.br/mundoemissao/espiritlascasas.htm >. Acesso em: 09 de março de 2010, 08:15.

50 Frei Bartolomeu de Las Casas: “A liberdade humana é, como a vida, a coisa mais preciosa e valiosa do

últimos decênios, a Igreja dominicana, diante da crescente degradação da vida do povo, conscientizou-se de que a missão é a evangelização pela juventude.

Diante das injustiças e das desigualdades sociais, produto das ditaduras, a Igreja dominicana nunca ficou calada, mas ergueu sua voz para denunciar com firmeza o ministério da iniquidade. Através dos bispos a Igreja descobriu os projetos ocultos dos que são criadores da opressão e anuncia com palavras e práticas o ideal de uma sociedade nova e livre.51 A Igreja na República Dominicana sempre demonstrou sua preocupação com os jovens, especialmente através de:

4.1. Escolas e Universidades Católicas. Talvez a Igreja da República Dominicana nunca tenha investido tanto em um setor do povo de Deus, em termos de recursos humanos e financeiros, como fez no século passado com a juventude. Como instrumento privilegiado para chegar a ela, a Igreja montou grande rede de escolas e universidades católicas. Este instrumento de evangelização teve grande influência na formação de várias gerações de cristãos, sobretudo em época em que o Estado não proporcionava escolas para os pobres. Hoje em dia, por diversos motivos este recurso se apresenta como instrumento de evangelização limitado e insuficiente.52

4.2. Ação Católica. Nos anos 1960-1966, a Ação Católica desenvolvia uma Pastoral de Juventude de meio específico através da JOC (Juventude Operaria Católica), da JEC (Juventude Estudantil Católica), da JUC (Juventude Universitária Católica), da JAC (Juventude Agrária Católica) e da JIC (Juventude Independente Católica). O movimento de ação católica teve grande influência na formação da juventude dominicana. Tinha como objetivo a participação dos leigos no apostolado da Igreja, na defesa dos princípios religiosos e morais, no desenvolvimento de uma sã e benéfica ação social sob a direção da hierarquia eclesiástica. Este movimento ajudou a juventude dominicana a descobrir qual é seu papel na vida da Igreja e dele surgiram jovens com vocação para sacudir a Igreja e a sociedade e para plantar semente de uma Igreja e de uma sociedade nova.53 A maior parte desses jovens vive uma experiência religiosa.

51 Cf. CELAM. Pastoral da Juventude: Sim à Civilização do Amor. 2. ed. São Paulo: Paulinas, 1987, p.

87.

52 Cf. Idem, pp. 56-57.

Fenômenos que marcaram a dinâmica do campo religioso foram intensificados quando se tratava da população jovem, como a busca continua por uma expressão de fé que desse sentido a sua vida.

4.3. Os Movimentos da Ação Católica Especializada. A sua história nos anos 60 se achou marcada por duplo embate. De um lado, sua intenção de assumir o desafio de uma presença como fermento da Igreja nos setores sociais mais dinâmicos do convulsionado processo sociopolítico da República Dominicana desses anos; de outro, sua participação crítica na dinâmica das transformações pastorais na Igreja, originadas pelo impulso renovador do Concílio Vaticano II e pelos documentos de Medellín. Aqui a Igreja usa o auxílio das ciências, como a sociologia, a economia, a estatística, a psicologia social, a política, para entender as causas sociais que produzem essa sociedade que não está como Deus quer.54 Em fins daquela década, os movimentos chegaram a viver momentos culminantes e de crise, em que entrava em jogo a sua própria existência. Pelo seu batismo, os jovens são corresponsáveis pela Igreja e sua missão no mundo.

4.4. Os Movimentos de Encontro. Durante os dez anos seguintes (1966-1976) a Ação Católica especializada foi substituída por uma Pastoral de Juventude baseada em encontros de jovens, tipo Cursilho. Os movimentos visavam resolver os problemas pessoais dos jovens. A raiz do problema social era o egoísmo do indivíduo. Mudando o jovem, automaticamente se estaria mudando a sociedade. Alguns aspectos positivos destes movimentos de encontro foram: sua capacidade para reunir os jovens em grande número, para mudar uma imagem negativa do jovem diante da Igreja e para aproximá-lo da hierarquia. Foi responsável, em grande parte, pelo surgimento dos grupos de jovens nas paróquias. Em muitos lugares da República Dominicana, a partir de fins da década de 1970, os Movimentos de Encontros entraram em crise, ao passo que em outros lugares, onde ainda exerciam influência, o desafio residia em saber como adaptá-lo a uma realidade política, social diferente e como inseri-los em uma pastoral de juventude

orgânica dentro da Igreja local.55 Formando lideres dentro do próprio grupo que tivesse disponibilidade em acolher e acompanhar os jovens56.

4.5. Os Movimentos Internacionais. A partir de 1980, dá-se o crescimento de novos Movimentos Internacionais, como: Cursilhos de Cristandade, Focolares, Renovação Carismática, Catecumenal, Encontros Matrimoniais, Comunhão e Libertação. Alguns deles realizam trabalhos específicos também com os jovens. Estes movimentos se afastam de organizações anteriores como Ação Católica, no sentido de que a espiritualidade se torna finalidade muito mais acentuada do que a missão no mundo e o trabalho em prol de sua transformação.57 Estes movimentos conseguiram atrair a juventude da classe média, pois lhe oferecem mensagem adaptada à sua condição humana. Sabem dar-lhe segurança e identidade, estabelecer comunhão e participação entre eles.58

4.6 O Conselho Episcopal Latino-Americano e a Pastoral de Juventude. No mês de agosto de 1968, reuniu-se em Medellin (Colômbia) a II Conferência Episcopal Latino-Americana. O Papa Paulo VI em seu discurso fala: “é digno do máximo interesse e de imensa utilidade” dedicar o documento n.5 e suas conclusões à pastoral da juventude. Foi a primeira vez que se elaborou, em nível da América Latina, um documento oficial da Igreja sobre o assunto.59

4.7. A Pastoral da Juventude Orgânica. Foi o novo instrumento teórico que começou a surgir em quase todos os países da América Latina, a partir da segunda metade da década de 70, e que substituiu os Movimentos de Encontros de cunho local ou nacional. Esta pastoral surgiu a partir da necessidade sentida pela coordenação dos grupos paroquiais em vários níveis. Na República Dominicana, começou-se a organizar

55 Cf. Idem, p. 23.

56 Anexo XVI, Relação do líder com o grupo.

57 Cf. CELAM. Pastoral da Juventude: Sim à Civilização do Amor. 2. ed. São Paulo: Paulinas, 1987, pp.

61-62.

58 Cf. Idem, p. 63. 59 Cf. Idem, p, 64.

a coordenação da paróquia, por setor (ou zona), por diocese, por região e em nível nacional.60