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7.4 Videre arbeid

Processos que representam o fazer e o acontecer, ou seja, ações que geralmente são concretas são chamadas de Processos Materiais. Nesse tipo de Processo, um Participante faz alguma coisa, realiza uma ação. Um critério para identificarmos o Processo Material é o uso da pergunta: “O que X fez?” (EGGINS, 1994). Os Participantes envolvidos nos Processos Materiais são denominados Atores, aqueles que tornam possível a mudança e/ou acontecimento material e, geralmente são realizados por grupos nominais. Os Participantes mais comuns no Processo Material são o Ator (aquele que executa a ação) e a Meta (Participante para quem o Processo é direcionado). Existe um outro tipo de Participante que pode ser confundido com a Meta, que é a Extensão. Halliday (1985 apud EGGINS, 1994) diferencia os dois termos citados, sendo a Meta um participante dependente do Processo e a Extensão aquele participante que é uma extensão do Processo. Um outro tipo de Participante no Processo Material é o Beneficiário. Esse Participante é aquele que é beneficiado pelo Processo. Ele pode ser separado em dois tipos: os Recebedores (aqueles para quem algo é dado) e os Clientes (aqueles para quem algo é feito).

2.2.2 Processos Mentais

Halliday (1985 apud EGGINS, 1994) chama os Processos que representam pensamentos ou sentimentos de Processos Mentais. Frequentemente estamos falando sobre o que fazemos (Processos Materiais), mas também sobre o que pensamos ou sentimos

(Processos Mentais) e, por isso, os Processos Mentais dizem respeito ao nosso mundo interior, ou seja, orações de conscientização. Eles denotam emoção e, geralmente estão graduados: odeio – detesto – não gosto – gosto – amo. Eles têm capacidade de projetar outras orações, dando a elas o status de ideias ou conteúdos da consciência, e as orações projetadas são chamadas de orações de ideias. Em relação a esse tipo de Processo, a pergunta é: “O que você pensa/sente/sabe/acha sobre x?”.

Halliday (2004) classifica as orações Mentais em quatro tipos: perceptivas, cognitivas desiderativas e emotivas. As orações Mentais Perceptivas constroem fenômenos do mundo com base nos cinco sentidos: perceber, ver, noticiar, escutar, sentir, provar, cheirar. As Mentais Cognitivas não remetem propriamente aos cinco sentidos, mas trazem o que é sentido, pensado, desejado à consciência da pessoa: pensar, acreditar, supor, considerar, saber, imaginar, sonhar. As orações Mentais Emotivas ou Afetivas expressam graus de afeição: gostar, lamentar, adorar, amar; e, por fim, as orações Mentais Desiderativas exprimem desejo, vontade, interesse em algo: querer, desejar, esperar, concordar, recusar.

2.2.3 Processos Relacionais

As orações Relacionais servem para caracterizar e identificar, relacionando um Participante com sua identidade ou pertencimento de classe. Na caracterização, o Participante não é específico, geralmente um grupo nominal indefinido, e na identificação, o Participante é específico, ou seja, um grupo nominal definido. O pertencimento de classe (caracterização) é percebido através do Processo Relacional Atributivo, e a identidade (identificação), por meio do Processo Relacional Identificativo. Halliday (2004) comenta que o sistema linguístico opera com três tipos de relação: intensiva, possessiva e circunstancial, e cada um desses tipos atua de duas formas diferentes: atributiva e identificativa. Esses dois sistemas dão origem a seis categorias de orações relacionais, conforme disposto na FIG. 3, a seguir:

Intensivo

Circunstancial:

Circunstância como Atributo Circunstância como Processo

Possessivo:

Possessão como Participante Possessão como Processo

Intensivo Circunstancial:

Circunstância como Participante Circunstância como Processo

Possessivo

Posse como Participante Posse como Processo Atributivo

Identificativo Processo

Relacional

FIGURA 3 – Tipos de Orações Relacionais

Percebemos que há uma importante diferença entre o modo atributivo e o modo identificativo: o modo identificativo é reversível (Pedro é um líder / O líder é Pedro) enquanto o modo atributivo é irreversível (não podemos dizer: Velho é Pedro).

O Processo Relacional Atributivo Intensivo envolve o estabelecimento de uma relação entre dois termos: o Atributo (qualidade, classificação, descrição) e o Participante a quem o Atributo é direcionado, que é chamado de Portador. O Portador é sempre um substantivo ou um grupo nominal. A relação estabelecida é “X é um membro da classe A”, e, nesse caso, o Atributo será também um grupo nominal, geralmente indefinido. Uma oração atributiva não é reversível, isto é, não há forma passiva desse tipo de oração: o sujeito sempre será o Portador.

O Processo Relacional Identificativo Intensivo “contrasta com o Atributivo semanticamente e gramaticalmente” (EGGINS, 1994, p. 258). Semanticamente, não se trata de classificação, mas de definição. O sentido é “X serve para definir a identidade de Y”. Gramaticalmente, tal definição envolve dois Participantes: uma Característica e um Valor. Os dois são grupos nominais, normalmente definidos, enquanto nos Atributivos o Atributo é um grupo nominal indefinido. As orações Identificativas podem formar orações passivas, ou seja, são reversíveis.

A reversibilidade desse tipo de Processo Relacional gera o problema da identificação do lado da oração em que está a Característica e o Valor. Isto, segundo Eggins (1994), pode ser determinado semanticamente e gramaticalmente. Semanticamente, a Característica deve ser um sinal, nome, forma, proprietário ou ocupante, e o Valor dá o significado, referência,

função, status ou papel. A Característica, então, é um grupo nominal que contém o “nome”, e o Valor é um grupo nominal que dá “classificação”. Gramaticalmente, podemos fazer um teste para resolver o problema proposto: basta substituir o verbo da oração por um sinônimo Identificativo Intensivo, determinar se a oração resultante é ativa ou passiva e qual elemento funciona como sujeito – a Característica sempre será sujeito na voz ativa, e o Valor sempre será sujeito na voz passiva.

Além das orações Relacionais Intensivas, encontramos dois outros tipos de Processos Relacionais: Circunstancial e Possessivo. Ambos ocorrem em Processos Atributivos e Identificativos.

Segundo Eggins (1994, p. 262),

Processos Relacionais Circunstanciais codificam significados sobre a dimensão circunstancial (...): localização, maneira, causa etc. A Circunstância, então, pode ser expressa em uma oração como um constituinte circunstancial em um processo material, mental, comportamental ou verbal, ou através de um Processo Relacional.

No Atributivo Circunstancial, a Circunstância é frequentemente expressa no Atributo, e o verbo permanece intensivo. Como ocorre com todos os Processos Atributivos, a oração não forma passiva. O sentido Circunstancial pode também ser codificado no próprio Processo; nesse caso, este é identificado como Circunstancial.

Com o Processo Identificativo Circunstancial, é possível identificar o sentido da Circunstância, tanto por meio do Participante quanto por meio do Processo (Eggins, 1994). Quando o sentido circunstancial é codificado pelo participante, a Característica e o Valor serão elementos de tempo, lugar etc., e o verbo permanece intensivo. Podemos perceber o que foi dito em “Ontem foi o último dia que o vi”, em que “ontem” é uma Característica Circunstancial de tempo, e o “último dia que o vi” é um Valor Circunstancial de tempo. A Circunstância também pode ser expressa pelo Processo, caso em que este será identificado como Circunstancial.

No tipo Possessivo, a relação entre os dois termos é de pertencimento. No Processo Relacional Atributivo Possessivo, a posse é representada por meio dos Participantes, sendo o Atributo o possuidor, e o Processo permanece intensivo. A posse também pode ser codificada através do Processo, por meio dos verbos possessivos ter e pertencer. Nesse caso, geralmente o Portador é o possuidor.

No tipo Identificativo, a posse também pode ser expressa através dos Participantes ou do Processo. Quando ela é expressa através do Participante, o verbo intensivo é ser ou estar, com a Característica e o Valor codificando o possuidor e o possuído. O Processo Relacional

Identificativo Possessivo mais comum é possuir, que forma passiva, de modo que a Característica e o Valor podem ser sujeitos.

2.2.4 Processos Comportamentais

O Processo Comportamental está entre o Mental e o Material (vide FIG. 2). Esse Processo é em parte ação, mas uma ação que tem de ser experienciada por um participante consciente e, por isso, representa processos fisiológicos ou psicológicos. Pela proximidade dos Processos Comportamentais com os Processos Mentais, há um contraste natural entre eles. Por exemplo, olhar é comportamental, ver é mental.

A maioria dos processos comportamentais tem somente um Participante, o Comportante, e frequentemente expressa uma forma de fazer que não é extensiva a outro Participante. Porém, o Processo Comportamental também pode conter um segundo Participante e, nesse caso, é chamado de Extensão. Se há outro Participante que não é expressão do Processo, ele é chamado de Fenômeno.

Processos Comportamentais tendem a ocorrer com Circunstâncias de maneira e causa e, assim como os Processos Materiais, os Processos Comportamentais não podem ser projetados ou reportados. Além disso, vale lembrar que eles envolvem um ser consciente como participante.

2.2.5 Processos Existenciais

Os Processos Existenciais indicam a existência de coisas. Esse tipo de Processo, no português, envolve principalmente os verbos haver e existir, e o único Participante obrigatório é o Existente, que pode ser um fenômeno de qualquer tipo, embora ele, geralmente, seja um evento (ação nominalizada).

2.2.6 Processos Verbais

Os Processos Verbais são Processos de ação verbal: dizer e todos os seus sinônimos. Eles geralmente apresentam três Participantes: Dizente, Receptor e Verbiagem. O Dizente é o participante responsável pelo Processo Verbal e não precisa ser um Participante consciente, embora geralmente o seja. O Receptor é aquele para quem o Processo Verbal é dirigido. A

Verbiagem é uma nominalização do Processo Verbal: um nome expressando algum tipo de comportamento verbal (afirmação, pergunta, réplica, resposta, estória etc.).

Assim, como os Processos Mentais vistos anteriormente, os Processos Verbais têm a capacidade de projetar uma segunda oração, por meio de citação (relação de independência entre as orações projetada e projetante) ou de relato (relação de dependência entre as orações projetada e projetante). Porém, enquanto os Processos Mentais relatam ou citam ideias, os Processos Verbais relatam ou citam o discurso (falado ou escrito). A oração projetante pode vir em qualquer posição: antes ou depois da oração projetada, e uma análise da estrutura da transitividade de cada oração deve ser feita.

De forma resumida, o sistema representacional da linguagem é organizado gramaticalmente pela metafunção ideacional e sua classificação de Processos, Participantes e Circunstâncias. Nesta pesquisa, interessa-nos investigar como os participantes representam suas experiências em termos de ação – e por isso a escolha de classificação dos Processos –, bem como identificar as formas de representação que podem estar mais ligadas a seu mundo externo (representação de coisas, eventos e qualidades) e/ou a seu mundo interno (representação de pensamentos, crenças e sentimentos). Para além dessa estratégia analítica, interessa-nos investigar como os participantes atuam entre si, organizando suas representações de mundo e suas atitudes com relação a esse mundo e, para isso, faremos o mapeamento do componente atitudinal do sistema de avaliatividade, conforme especificado a seguir.