6 Anbefalinger om veien videre
6.6 Videoløsninger
Como já mencionado, esta OPS vem desenvolvendo desde junho de 2008 atividades de promoção da saúde e prevenção de riscos e doenças em sua sede situada na cidade de São Paulo. Trata-se de um programa voltado para idosos, desenvolvido por uma equipe multidisciplinar composta por médico, assistentes sociais, psicólogo, nutricionistas, enfermeiro e educador físico e cujos objetivos são a melhoria da qualidade de vida dos idosos participantes, a reinserção social dos mesmos e a racionalização dos custos com a assistência a saúde.
Destaca-se que esta é a composição da equipe atual, pois, em seu início, apenas participavam do projeto, médico e assistente social, dando-se a incorporação dos demais profissionais conforme o andamento do trabalho. O primeiro desafio encontrado quando da implantação do programa foi o estabelecimento do marco metodológico que o nortearia.
Partindo-se dos conceitos de promoção da saúde e envelhecimento ativo e pensando iniciar com ações de educação em saúde com vistas ao emponderamento dos participantes, concluiu-se que não seria possível trabalhar com uma metodologia entendida como uma “educação bancária” no sentido que Paulo Freire atribui ao termo e sim com uma visão de educação crítica, problematizadora da realidade, como um processo compartilhado e reflexivo construído a partir de ações conjuntas tais como planejamento participativo, trabalho em grupo, pesquisas e que estimulasse as potencialidades humanas.
A educação é imprescindível para a formação de pessoas críticas e inovadoras que questionem, com autonomia, a realidade na qual estão inseridas, problematizando fatos e criando conhecimentos e práticas. Freire (2004) complementa essa concepção ao acrescentar que o respeito à autonomia e à dignidade dos indivíduos é um imperativo ético e não um favor que pode ou não ser concedido aos outros.
Silveira (2008) destaca que a pedagogia freiriana favorece a construção do pensamento crítico, da conscientização e criatividade, podendo ser utilizada em qualquer grupo etário sempre partindo de sua realidade. No trabalho com os idosos, permite reagir e ultrapassar a visão ingênua sobre a sociedade e o momento histórico em que se vive transformando o idoso de oprimido em sujeito que enfrenta as adversidades da realidade excludente.
Segue a autora ressaltando que as ações sócio-educativas devem incorporar a importância da formulação de novos projetos de vida, perspectiva esta assumida pelos idosos, visando o exercício da cidadania e a defesa de seus direitos. Neste sentido, a pessoa idosa é entendida como agente de intervenção que deve se envolver em processos de transformação para que a velhice seja vivida com dignidade e plenitude, constituindo-se em agente responsável pela construção de condições de vida com qualidade.
Destarte, desmistifica-se a imagem da velhice e o paternalismo com que o idoso muitas vezes é tratado, promovendo uma prática pedagógica fundamentada na concepção do idoso como sujeito histórico que, ao mesmo tempo em que está inserido na cultura, pode reconstruir continuamente sua velhice.
Constrói-se, portanto, um espaço pedagógico baseado em relações interpessoais, para que o aprender seja um processo de trocas, um espaço de convivência onde os atores sociais, facilitadores e idosos, marquem sua presença e modifiquem o ambiente físico e visual numa construção coletiva.
Ressalta Stano (2007) que, desta forma, o aprendizado ocorre no sentido da compreensão do outro, de suas reações, suas dificuldades, seus interesses. Estas idéias se relacionam com a posição do Ministério da Saúde (2006a) que, ao tratar do envelhecimento e saúde da pessoa idosa, afirma que trabalhar o idoso em grupos possibilita a ampliação do vínculo entre a equipe e a pessoa idosa, complementando a consulta individual com informações, orientações e educação em saúde.
Este procedimento permite a intensificação da socialização podendo representar novas perspectivas para o idoso, além de maior aceitação pela e na sociedade. Cabe
observar que o Ministério defende que o grupo constituído a partir de interesses e temas em comum, deve ser visto como um espaço privilegiado de rede de apoio, meio para discussão das situações comuns. Desta forma, permite descobrir potencialidades, trabalhando a vulnerabilidade e elevando a auto-estima.
Os grupos de idosos proporcionam convívio social, sendo que o idoso consegue se redescobrir, trocar experiências de vida e viver em uma estrutura fortalecida dentro da sua própria comunidade.
Santos e col. (2006) destacam que a metodologia dos grupos de promoção da saúde em idosos, enquanto estrutura de intervenção coletiva e interdisciplinar, leva à transformação contínua do nível de saúde e condições de vida dos participantes, contribuindo assim para a superação do modelo biomédico de atenção à saúde.
Tendo como pressupostos teóricos os acima expostos bem como os conceitos e premissas já debatidos nos capítulos anteriores, a OPS iniciou um trabalho em grupo com idosos beneficiários portadores de DCNT.
O grupo de idosos do qual participam os sujeitos desta pesquisa é conduzido por meio do desenvolvimento de atividades práticas e de reflexão, tendo como instrumentos deste trabalho: dinâmicas, rodas de conversas, discussões de temas, oficinas, prática de atividade física e participação em cursos e palestras. A trajetória do grupo foi marcada desde o início por diversas ações coletivas participativas estabelecidas a partir de uma identidade grupal, onde objetivos, metas e resultados são construídos, estabelecidos e percebidos pelo próprio grupo.
A freqüência dos encontros, inicialmente mensal, vem sendo aumentada a pedido do grupo e hoje já ocorrem reuniões até três vezes por semana. Alguns dos temas abordados nas reuniões: Estatuto do Idoso, Família e o Idoso, Identidade do Grupo, Identidade Pessoal, Memória.
O grupo elaborou, após discussão ao longo dos onze meses de interação, seu próprio “Contrato de Convivência”, atividade contínua que tem como intuito a reflexão do grupo para o cuidado no trato com os colegas, com os materiais utilizados durante todas as atividades desenvolvidas, com os espaços utilizados para estas atividades, entre outros, já que fazem parte do contexto grupal. Trata-se de espécie de contrato grupal, cuja manutenção é realizada pelo próprio grupo, que assim estabelece suas próprias regras. (MENDIZÁBAL e CABORNERO, 2004)
Em todos os encontros do Grupo de Idosos, a equipe coordenadora realiza uma breve apresentação que contempla objetivos, apresentação da equipe atuante, atividades
desenvolvidas, parcerias, entre outros. Em seguida é realizado um breve resgate da trajetória do grupo, a fim de situar os novos participantes no espaço e nas atividades, garantido o entendimento da proposta e dando oportunidade para a integração e esclarecimento de dúvidas.
Isto posto, passa-se a explicitar os procedimentos metodológicos.