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5.1 Self- Identity and The Myth of Self-Perfection

5.1.1 The Modern Woman

Relevantes no processo de construção do conhecimento, as histórias de vida em formação (PINEAU, 2006) correspondem às experiências vivenciadas pelos sujeitos, as quais são resgatadas como forma de diagnóstico, possibilidade de conhecimento dos participantes e, sobretudo, como caminho percorrido pelos sujeitos para sua autoformação e compreensão de realidade.

São utilizadas em nossa pesquisa por se tratar de uma abordagem expressiva em educação que provocou um movimento socioeducativo que se preocupa com a educação permanente dos sujeitos, tratando enfaticamente dos aspectos subjetivos e formadores do Ser.

Essas histórias apresentam um caráter formativo cujo objetivo veicula-se à intenção de construir o conhecimento identitário e profissional de adultos. Caracteriza- se por possibilitar ao aprendente por meio de processos de individuação um mergulho em si, bem como por estimular o entrecruzamento entre as diferenças e semelhanças do eu e do outro, importantes para o reconhecimento de uma humanidade singular.

Revelam-se enquanto processo de elaboração de si e de aprendizagens no momento em que o sujeito reflete sobre as experiências vivenciadas. Essas experiências se tornam significativas no momento em que são formadoras, ou seja, que quando avaliadas tiveram repercussões sejam positivas, sejam negativas na vida dos sujeitos.

Esse processo construído por meio de diferentes momentos, através de diversificados instrumentos, tende a orientar o processo de formação do sujeito para a vida, ensinando-o, por meio de suas próprias experiências, a saber-viver e a buscar uma sabedoria que, para nós, assim como defende Josso (2004), não se constitui como utopia, mas se configura como algo inerente à existência humana.

Formarmo-nos em sabedoria significa pois que, a cada momento da nossa existência, temos de escolher agarrar – ou não – uma oportunidade para exercermos um juízo, uma ação, um comportamento, uma atitude interior, levando em consideração as perspectivas abertas pela procura de articulação das quatro buscas e apoiando-nos nas práticas de desenvolvimento da nossa atenção consciente. A sabedoria não é, pois um apanágio dos seres excepcionais que agem de forma ‘perfeita’; ela reside sim no fato de situarmos os mínimos gestos na perspectiva global e complexa, que nos oferece a articulação das quatro buscas, fundada numa atenção

consciente de si, dos outros e com o nosso meio natural (JOSSO, 2004, p. 108-109).

Reflexão, articulação entre pesquisa e formação, alternância entre individualidade e coletividade, subjetividade e inteligibilidade, escuta sensível, narração e interpretação: tudo isso compõe o processo autoformativo, que aqui utilizamos por considerar o humano como ser autopoiético, um ser que ao fazer-se história autorreorganiza-se, recria-se e reconstrói-se.

Essas histórias são instrumentos que em nossa pesquisa favorecem a autoterritorialidade. Com elas, os sujeitos contam sobre suas vidas, dialogam sobre experiências profissionais, e refletindo sobre elas vão se percebendo enquanto território humano. Um ser que é determinado em um espaço-tempo, que é marcado pelo que experiencia e pelas relações que estabelece com o meio natural e social no qual está inserido.

Como podemos perceber as questões do corpo, território e histórias de vida estão imbricadas e são imprescindíveis na compreensão da essência humana. Elas são dimensões desse Ser que é natureza, sociedade, espiritualidade, ludicidade e sensibilidade, que não podem ser esquecidas como princípios vitais da existência.

Desde os anos 2000, a pesquisa educacional no Brasil sinaliza para a expansão das fontes (auto)biográficas como instrumento investigativo, encontrando no quadro teórico, epistemológico e metodológico um novo horizonte que busca articular a vida (bio)grafia (escrita) eco(lugar) para refletir sobre os processos de aprendizagem de si, do outro e do mundo (PASSEGGI; BARBOSA, 2008).

Dessa forma, as narrativas de vida foram utilizadas como instrumento de pesquisa neste estudo, por ser uma linguagem que possibilita a reflexão do sujeito consigo e sobre suas relações pessoa/sociedade e meio. Acerca disso, Scholze (2008, p. 18) reforça: “As autonarrativas permitem refletir sobre o nosso lugar de pertencimento nas diferentes instâncias da vida”. Nas narrativas de vida, os participantes são levados a dialogar sobre momentos significativos que marcaram sua vida e que o constituem como os seres que são. É uma forma de balanço prospectivo (CHAMALIAN, 2008) em que os sujeitos corporalizam a sua historicidade, porque não apenas narram suas histórias, mas também escrevem sobre ela, deixando registradas para o mundo as

marcas que o constituíram numa dimensão temporal, trazendo de forma recursiva os significados da trajetória de vida importante resgate para a autoformação.

Pineau (2006, p. 334) demonstra que “as práticas existenciais de pesquisa- ação-formação [...] tentam articular o que está dividido, juntar e dar sentido a elementos e eventos interníveis de trajetos erráticos, caóticos”.

Assim, buscamos seduzi-los para o envolvimento na escrita narrativa, desde o ambiente decorado, músicas, objetos, gravações em fitas e por meio de construção de cenários imagéticos com uso de miniaturas. Esses relatos se davam em momentos diversos, às vezes no início da vivência ludopoiética, outras vezes durante o processo e na sua maioria no final da vivência.

Outro fator sensibilizador para as escritas das narrativas foram as questões norteadoras que em cada vivência apresentada aos professores em formação possibilitaram a estes descortinar-se para a escrita das autonarrativas. Em cada vivencialidade, uma questão foi apresentada como articuladora para o desenvolvimento da narrativa.

A primeira foi refletida através da interpretação da música Caçador de Mim de Milton Nascimento, numa escuta silenciosa de si, pelos recônditos do corpo-geográfico. Um revelar-se, manifestando as intersubjetividades na composição identitária do ser. Essa narrativa foi impulsionada pela frase inicial da música, fazendo-os sentipensar sobre si e sua formação humana.

Após apresentar ao grupo cartões com gravuras de instrumentos para construção civil, distribuídos no centro da sala, cada um dos alunos fez sua escolha a partir do questionamento: Com qual elemento você se identifica no processo de construção da escrita do seu memorial?

Em outra vivência, a memória da infância foi o nosso foco de discussão para construção da narrativa, nele apresentamos uma variedade de brinquedos que fizeram parte da infância dos pesquisados, solicitando que escolhessem um dos objetos que permitisse responder a seguinte questão: Qual o objeto tem representação significativa no seu processo de formação humana?

Nos outros encontros, utilizamos o Jogo de Areia como instrumento para mediar a construção das narrativas imagéticas e escritas, geradas pela interpretação do cenário simbólico, seguindo uma investigação do percurso formativo dos pesquisados nas diversas fases da vida, atendendo a uma temporalidade, norteadas pelas questões:

que momento da infância você considera como mais significativo no seu processo de formação humana? Quais experiências da adolescência influenciaram na sua formação? O que foi mais significativo no espaço da academia do curso Normal Superior para sua formação humana? Como as memórias reveladas nos encontros criam condições para uma prática educativa humanescente?

Assim, as narrativas se constituíram como instrumentos de análise e interpretação das vivências ludopoiéticas evidenciadas no Ateliê Corpo (bio) geográfico, identificando as contribuições para autoformação dos participantes.