4.1 The job interview narratives
4.1.1 Victor B
O sistema utilizado para controle de trânsito foi desenvolvido com o objetivo de centralizar, padronizar e tornar expedita a troca e análise dos dados referentes aos controles de movimentação animal gerados pelos órgãos executores de sanidade animal nas unidades federativas que já possuem alguma estrutura para o processamento dos seus dados de trânsito com utilização da Rede Mundial de Computadores e servidores centrais. Também foi disponibilizado um módulo de acesso direto ao servidor do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para os órgãos executores de sanidade animal nas unidades federativas que ainda não possuem nenhuma infra-estrutura de tecnologia da informação implantada relacionada ao controle do trânsito de animais que foi o subsistema utilizado para o experimento no Distrito Federal.
O sistema foi introduzido seguindo a análise do fluxo de informações e infraestrutura do sistema de informações para o controle veterinário e sanitário de acordo com as definições do “Manual de Padronização sobre organização das informações sobre estrutura dos órgãos executores de defesa agropecuária, Emissão e controle da Guia de Trânsito Animal (GTA) e constituição e manutenção de cadastro de propriedades rurais, exploração pecuária e produtor rural”, publicado pelo Departamento de Saúde Animal do MAPA (BRASIL, 2009). Foi centralizado em um banco de dados em ambiente ORACLE® e um sistema desenvolvido em JAVA® para ambiente WEB® para troca de informações entre os diferentes componentes do sistema de informações localizado no edifício sede do MAPA em Brasília com acesso pelo endereço eletrônico http://extranet.agricultura.gov.br/gta
Atualmente o sistema para controle de trânsito possui um planejamento de desenvolvimento para desenvolvimento por fases, sendo que a cada nova fase, novas funcionalidades são adicionadas, bem como as funcionalidades existentes são aperfeiçoadas quando a necessidade é identificada. A primeira fase que foi testada no Distrito Federal (DF) possui funcionalidades que permitem a emissão, impressão, consulta e o fechamento de guias de trânsito animal com a informação da data de chegada dos animais e o número desses que de fato foram transportados.
A operação do sistema é realizada por usuários vinculados ao MAPA ou aos órgãos executores de sanidade animal nas unidades federativas. Aos usuários dos órgãos executores de sanidade animal nas unidades federativas cabe no sistema a tarefa de manutenção dos cadastros das unidades de defesa e de usuários de suas unidades federativas, bem como a dos
demais cadastros de procedências e destinos de animais existentes no sistema que são: produtores, propriedades, explorações pecuárias, estabelecimentos e aglomerações de animais.
O órgão executor de sanidade animal no DF é a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento – SEAPA. Como não existem municípios no Distrito Federal, para o presente estudo foram utilizados os escritórios do órgão executor de sanidade animal (OESA) no Distrito Federal, que é a SEAPA, localizados no Plano Piloto (Central), Gama, Sobradinho, Planaltina e Brazlândia e no Núcleo Rural do Rio Preto. O Escritório Central conta com acesso à Rede Mundial de Computadores por banda larga ADSL® enquanto os demais escritórios utilizam o acesso via telefone celular com tecnologia GSM® ou 3G®.
4.2.2. Avaliação da implantação do sistema para controle de animais de produção no DF (SCT)
A avaliação da implantação do SCT no DF foi realizada com a comparação dos dados cadastrais dos proprietários de bovídeos do DF e também do saldo de bovídeos em suas propriedades.
4.2.2.1. Avaliação do saldo de animais nas propriedades
A estratificação de rebanho notificada pelos proprietários de bovinos e bubalinos no DF na primeira campanha de vacinação contra febre aftosa de 2009, realizada entre o 1° e 31° dia de maio e na segunda campanha contra febre aftosa de 2009, realizada entre 1° e 30° dia de novembro de 2009, encontram-se descritas nas Tabelas 4.1 e 4.2 respectivamente.
Tabela 4.1. Estratificação do rebanho bovino e bubalino do DF, de acordo com a notificação dos proprietários na campanha contra febre aftosa de maio de 2009
0-12 meses 13-24 meses 25-36 meses > 36 meses Total Total
♂
♀
♂
♀
♂
♀
♂
♀
♂
♀
Soma 10094 9940 9137 11908 5945 13635 4515 31011 29691 66494 96185
Média 4,20 4,13 3,80 4,95 2,47 5,67 1,88 12,89 12,35 27,65 39,99
Desvio-
Padrão 14,37 11,20 17,29 15,90 15,59 22,44 17,45 32,21 56,09 68,88 117,93
Tabela 4.2 Estratificação do rebanho bovino e bubalino do DF, de acordo com a notificação dos proprietários na campanha contra febre aftosa de novembro de 2009
0-12 meses 13-24 meses 25-36 meses > 36 meses Total Total
♂
♀
♂
♀
♂
♀
♂
♀
♂
♀
Soma 10797 10167 8517 11173 6020 11550 5387 33280 30721 66170 96891
Média 4,66 4,38 3,67 4,82 2,60 4,98 2,32 14,36 13,25 28,55 41,82
Desvio-
Na realização da avaliação do saldo de bovinos e bubalinos nas propriedades do DF foram escolhidas aleatoriamente um total de 128 propriedades cadastradas na SEAPA-DF.
Foram realizadas visitas a 32 pequenas propriedades (SAMPAIO, 1998), com até 10 bovinos ou bubalinos, previamente cadastradas na SEAPA, escolhidas aleatoriamente e incluídas no sistema “GTA Eletrônica”, logo após a primeira campanha de vacinação contra febre aftosa de 2009 e em outras 32 pequenas propriedades (SAMPAIO, 1998) escolhidas também aleatoriamente com até 10 bovinos ou bubalinos, logo após a segunda campanha de vacinação contra febre aftosa de 2009.
Para avaliação de propriedades consideradas comerciais foram realizadas visitas a 32 propriedades com rebanhos acima de 10 bovídeos, previamente cadastradas na SEAPA, escolhidas aleatoriamente e incluídas no sistema “GTA Eletrônica”, logo após a primeira campanha de vacinação contra febre aftosa de 2009 e em outras 32 propriedades, escolhidas aleatoriamente com rebanhos acima de 10 bovinos ou bubalinos, logo após a segunda campanha de vacinação contra febre aftosa de 2009.
Os dados obtidos na contagem de animais nas propriedades sorteadas aleatoriamente nas duas campanhas foram comparados com os dados de declaração compulsória de vacina de aftosa (BRASIL, 2007) e também com a evolução dos rebanhos efetuada entre a primeira campanha de vacinação contra febre aftosa do ano de 2009 e a segunda campanha de vacinação contra febre aftosa de 2009, efetuadas com as informações das GTA emitidas pela SEAPA, nascimentos e mortes comunicadas e também com evolução do rebanho realizada entre a primeira e a segunda campanha de vacinação contra febre aftosa de 2009, quando a evolução do rebanho foi feita com os registros de trânsito e os dados de nascimentos e mortes registrados no sistema.
A avaliação das diferenças do saldo de animais declarado, o correspondente à evolução calculada e o observado antes e após a implantação do sistema GTA Eletrônica, foram realizados pela comparação de diferenças entre médias pelo teste t de Student Pareado utilizando-se o Sistema de Análises Estatísticas 7.0 (SISTEMA..., 1997).
4.3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Não houve diferença significativa (p>0,05) entre as diferenças dos dados obtidos na contagem de animais nas propriedades sorteadas aleatoriamente nas duas campanhas e comparados com os dados de notificação compulsória de vacina de aftosa nas respectivas campanhas de maio e novembro de 2009, por faixa etária, por sexo e no total de animais, antes e após a instalação do “Sistema GTA Eletrônica” tanto em rebanhos com até 10 bovinos quanto em rebanhos maiores. As diferenças entre a quantidade de bovinos e bubalinos nas vistorias e quantidade notificada pelos produtores nas duas campanhas de vacinação estão demonstradas nas Tabelas 4.3 e 4.4.
Tabela 4.3. Diferença entre notificado e vistoriado na campanha de vacinação contra febre aftosa de maio e de novembro de 2009 em rebanhos menores ou iguais a 10 bovinos ou bubalinos.
0-12 meses 13-24 meses 25-36 meses > 36 meses
Total ♂ Total ♀ Total ♂ ♀ ♂ ♀ ♂ ♀ ♂ ♀ ♂ ♀ MAI X S 0,06 0,72 0 1,34 -0,16 0,88 0,44 3,03 0,09 1,17 -0,1 2,29 -0,31 2,00 -0,28 1,97 -0,32 3,39 0,06 2,9 -0,26 5,31 NOV X S 0 0,98 0,1 0,64 -0,03 0,59 0,09 1,44 0,12 0,84 0,72 1,37 -0,06 0,67 -0,16 3,43 0,03 1,45 0,75 3,15 0,78 3,04 X= Média, S= Desvio-padrão, MAI = maio e NOV = novembro
Tabela 4.4. Diferença entre notificado e vistoriado na campanha de vacinação contra febre aftosa de maio e de novembro de 2009 em rebanhos maiores do que 10 bovinos ou bubalinos.
0-12 meses 13-24 meses 25-36 meses > 36 meses
Total ♂ Total ♀ Total ♂ ♀ ♂ ♀ ♂ ♀ ♂ ♀ ♂ ♀ MAI X S 1,72 6,14 0,72 3,22 -3,03 8,13 -1,65 8,63 -6,4 17,9 -3,5 7,4 0,47 3,74 -4,7 12,4 -7,27 14,7 -9,1 18,2 -16,4 27,9 NOV X S 1,5 4,46 0,91 5,57 -3,19 5,02 -1,5 9,43 -5,69 3,16 -3,34 5,69 0,16 2,57 -3,87 9,88 -7,21 12,73 -7,8 16,24 -15,02 31,02 X= Média, S= Desvio-padrão, MAI = maio e NOV = novembro
São emitidas poucas GTAs para finalidades relacionadas ao trânsito entre explorações pecuárias como recria, engorda e reprodução em relação às GTAs emitidas com a finalidade de abate, o que ocasiona problemas no controle de saldo de animais nas propriedades. Na Tabela 4.5 estão descritas as finalidades das GTAS emitidas no DF para bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos, suínos e aves comerciais, sendo o abate é a principal finalidade descrita nas GTAs emitidas no DF. Isto em parte se explica o porque no DF a maior parte das fiscalizações e conferências de documentação são realizadas nos frigoríficos, barreiras interestaduais e nas aglomerações como leilões e exposições.
Tabela 4.5. Principais finalidades das GTAs emitidas no DF para bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos, suínos e aves comerciais.
Finalidade Eletrônica Manual Total
Abate 632 335 967 Engorda 59 170 229 Esporte 20 39 69 Exposição 73 84 157 Leilão 11 13 24 Comércio 99 0 99 Outros 13 1 14 Postura 10 9 19 Recria 102 67 169 Reprodutor 179 152 331 Total 1198 870 2078
No presente estudo, houve diferenças entre o total vistoriado nas propriedades e a quantidade de animais notificada pelo proprietário em todas as faixas etárias. Entretanto tanto na campanha de maio quanto na campanha contra febre aftosa de novembro houve diferença significativa entre o número de animais existentes e o notificado à SEAPA-DF (p<0,05) em rebanhos com mais do que 10 animais nas categorias de machos de “13-24 meses” e de “25-36 meses” e “fêmeas de 25-36 meses” e “fêmeas maiores do que 36 meses” e no “total de animais”, conforme demonstrado nas Tabelas 4.6, 4.7, 4.8 e 4.9. No caso dos machos de “13-24 meses” um dos fatores que pode ter contribuído para a diferença significativa existente na faixa etária e que não ocorreu no grupo de fêmeas de mesma idade é a obrigação de vacinação contra brucelose o que resulta em um maior controle das fêmeas jovens. No caso de “fêmeas maiores que 36 meses” a diferença em relação aos machos ocorreu provavelmente porque a maior parte dos machos nesta faixa etária e utilizada como reprodutores e também o seu número é menor em relação às outras faixas etárias existentes nas propriedades.
propriedades com rebanho igual ou menor do que 10 bovinos ou bubalinos escolhidas aleatoriamente após a primeira campanha de vacinação contra febre aftosa de 2009.
0-12 meses 13-24 meses 25-36 meses > 36 meses Total ♂ Total ♀ Total
♂
♀
♂
♀
♂
♀
♂
♀
♂
♀
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
1a. NOT 0,75 0,88 0,56 1,19 0,34 0,65 1,41 2,33 0,37 1,29 0,84 1,25 0,56 1,27 1,59 1,58 2,02 2,82 4,40 2,79 6,42 4,76 1a. Visita 0,69 0,74 0,56 0,91 0,50 0,84 0,97 1,38 0,28 0,46 0,94 1,80 0,87 1,50 1,87 1,64 2,34 1,90 4,34 2,50 6,68 3,02Tabela 4.7. Estratificação do rebanho bovino e bubalino e diferença resultante da contagem de animais ou notificação - NOT dos proprietários em 32 propriedades com rebanho igual ou menor do que 10 bovinos ou bubalinos escolhidas aleatoriamente após a segunda campanha de vacinação contra febre aftosa de 2009.
0-12 meses 13-24 meses 25-36 meses > 36 meses Total ♂ Total ♀ Total
♂
♀
♂
♀
♂
♀
♂
♀
♂
♀
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
2a. NOT 0,97 1,28 0,69 0,86 0,72 0,96 0,75 1,14 0,31 0,82 1,31 1,57 0,53 1,22 2,37 4,06 2,53 2,59 5,12 3,81 7,65 4,36 2a. Visita 0,97 1,03 0,59 0,76 0,75 0,95 0,66 1,00 0,19 0,47 0,59 1,24 0,59 1,36 2,53 2,06 2,50 2,20 4,37 2,00 6,87 2,22Tabela 4.8. Estratificação do rebanho bovino e bubalino e diferença resultante da contagem de animais ou notificação - NOT dos proprietários em 32 propriedades com rebanho maior do que 10 bovinos ou bubalinos escolhidas aleatoriamente após a primeira campanha de vacinação contra febre aftosa de 2009. 0-12 meses 13-24 meses 25-36 meses > 36 meses Total ♂ Total ♀ Total
♂
♀
♂
♀
♂
♀
♂
♀
♂
♀
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
1a. NOT 5,19 ± 7,05 6,63 ±10,71 3,50 ± 5,92A 6,41 ± 10,89 1,41 ± 4,2A 3,84 ± 6,89A 2,16 ± 2,70 19,31 ± 21,76A 12,26± 11,07A 36,20 ± 40,1A 48,45± 49,7A
1a. Visita 3,47 ± 4,30 5,91 ± 10,37 6,53 ± 5,71B 8,06 ± 11,93 7,84 ± 7,08B 7,34 ± 11,45B 1,69 ± 2,334 24,00 ±24,66B 19,53 ± 11,29B 45,31 ± 39,1B 64,84 ± 50,6B
AB
Letras diferentes na mesma coluna significam diferença pelo teste t de Student Pareado (P<0,05)
Tabela 4.9. Estratificação do rebanho bovino e bubalino e diferença resultante da contagem de animais ou notificação - NOT dos proprietários em 32 propriedades com rebanho maior do que 10 bovinos ou bubalinos escolhidas aleatoriamente após a segunda campanha de vacinação contra febre aftosa de 2009.
0-12 meses 13-24 meses 25-36 meses > 36 meses Total ♂ Total ♀ Total
♂
♀
♂
♀
♂
♀
♂
♀
♂
♀
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
x±s
2a. Not 5,22 ± 5,88 6,16 ± 10,11 3,72 ± 6,56A 6,09 ± 9,64 1,81± 2,90A 4,47 ± 7,30A 1,19 ± 1,90 17,66 ± 19,48A 11,94 ± 9,72 34,38±37,12A 56,32 ± 46,7 A 2a. Visita 3,72 ± 4,97 5,25 ± 9,15 6,91 ± 7,34 B 7,59 ± 7,65 7,50 ± 8,11B 7,81 ± 8,31B 1,03 ± 2,82 21,53 ± 17,32B 19,16 ± 8,63 42,18±39,12B 61,34± 54,7 BMorris et al. (2002) relataram que, no controle de doenças não existe necessidade de um controle exato da quantidade de animais nas propriedades e o mais importante é a existência de uma lista com todas as explorações existentes. Rosemberg (1986) propôs um indicador de entrada e saída de animais e a relação entre as faixas etárias para qualificação do risco de transmissão de doenças, de forma que este indicador depende de uma boa quantificação das fases de criação de bovinos. O saldo de animais nas propriedades é quesito presente nas avaliações feitas no Brasil por países importadores de produtos pecuários, a Diretoria Geral de Sanidade do Consumidor da União Européia (DG SANCO) que, em auditoria realizada sobre o processo de rastreabilidade em rebanhos bovinos brasileiros no ano de 2009, relatou como uma das inconformidades apresentadas nas explorações pecuárias as diferenças de estratificação nos rebanhos em relação ao cadastro nos órgãos executores de sanidade animal nas UF (OESA) com a Base Nacional de Dados do SISBOV-BND. Já o Centro Panamericano de Febre Aftosa (PANAFTOSA) preconizou a existência do cadastro de propriedades e animais na avaliação dos serviços veterinários oficiais (OPS, 2006).
Freitas (2007) ressaltou o efeito das auditorias fiscais e que a dificuldade em se saber os valores devidos pelo Fisco afetam a conformidade dos setores auditados. Bittencourt et al. (2006) avaliando trabalhos científicos referentes às conformidades do Sistema de Informação Hospitalar no Brasil, relataram três estudos que objetivaram medir a confiabilidade das informações colhidas e também relataram problemas nas informações encontradas. Em relação às informações oficias sobre a defesa agropecuária existem poucos estudos referentes à sonegação ou erros nas notificações de informações na defesa agropecuária. Thrusfield (2004) relatou, de forma genérica, a falta de confiabilidade dos dados oficiais relativos à sanidade animal, enquanto Mitchell et al. (2005) relataram que 12,1% dos registros de movimentação de animais na Inglaterra apresentaram problemas e puderam ser aproveitados para análise do trânsito de animais. Luchiari Filho (1995) relatou a dificuldade de obtenção das idades de bovinos nos frigoríficos inclusive utilizando a avaliação da dentição.
Mesmo sem apresentar redução nas diferenças entre a população existente nas explorações pecuárias e o saldo notificado após a implantação do sistema informatizado de controle de trânsito, o seu processo de implantação gerou benefícios inerentes à informatização (Castro et al. 1999). Heckmann et al. (1989), Modesto et al.
(1992) e Scochi (1994) detectaram inconsistência de dados e preenchimento equivocado de documentação oficial em registros hospitalares. No caso do DF, no período de implantação do sistema foram apresentadas 3.123 explorações pecuárias pela SEAPA para cadastro na base informatizada, sendo que apenas 2.317 foram cadastradas, de forma que o restante das explorações pecuárias não foi cadastrada por insuficiência de informações em relação ao exigido pelo MAPA ou por erros constatados nas informações prestadas. No período analisado, foram emitidas 1.198 GTAs de bovinos, bubalinos, aves comerciais, suínos e caprinos utilizando o SCT e foi averiguado apenas um erro de programação, que foi corrigido após sua constatação, que originou 20 guias emitidas com erros de ortografia. No mesmo período foram emitidas 870 GTAs sem utilização de sistema informatizado, sendo que todas estas GTAs apresentaram algum tipo de erro e em algumas mais de um erro, como listado na Tabela 4.10.
Tabela 4.10. Erros encontrados na emissão de GTA sem utilização do sistema informatizado. Brasília, 2010.
Erro Quantidade Frequência Carimbo de identificação fora do padrão 870 100% Sem código de propriedade 870 100%
Rasuras 42 4,83%
Sem finalidade 12 1,38%
Sem meio de transporte 6 0,69%
Sem assinatura 5 0,57%
Sem espécie 7 0,80%
Erros de ortografia 63 7,24%
Campos ilegíveis 57 6,56%
Desacordo com o manual do MAPA 37 4,25%
Com a emissão da GTA eletrônica, não existe a necessidade de armazenamento de guias em papel para arquivo e não existe a digitação posterior para as análises de trânsito e o preenchimento de relatórios. As análises de cadastros são feitas com muito mais rapidez. Foi reduzida a redundância de dados e inclusão de dados inconsistentes. Os relatórios e banco de dados são compartilhados pelos usuários do OESA e também do MAPA. Existe uma hierarquia de acesso aos dados, bem como o registro aos
acessos garantindo a confidencialidade e segurança. Kayzer (2006) relatou a importância da tecnologia da informação no planejamento e gestão da sanidade e na agilidade na tomada de decisões. A utilização do sistema informatizado no DF possibilitou a constatação de 21 fraudes documentadas na emissão de documentos para trânsito inexistente com destino a frigoríficos em outras UF.
Houve um crescimento da emissão de GTAs utilizando o sistema informatizado ao longo dos seis meses avaliados (Figura 4.1). No mês de setembro de 2009 houve um aumento na emissão de documento eletrônico porque foi realizada uma das grandes aglomerações pecuárias no DF (exposição agropecuária) e a maior parte dos animais já saiu do parque de exposição com a utilização do novo sistema.
Figura 4.1. Número de GTAs emitidas utilizando-se sistema informatizado e utilizando metodologia tradicional no período de 01 de junho de 2009 a 30 de novembro de 2009. Brasília, 2010.
Os principais motivos para emissão de GTAs pela metodologia tradicional durante o período analisado estão listados na Tabela 4.11.
Tabela 4.11. Motivos para emissão de GTA sem a utilização do sistema eletrônico. Brasília, 2010.
Motivo Quantidade Frequência Falta de cadastro de origem 22 2,53% Problemas na conexão à base de dados 172 19,77% Falta de cadastro do destino 304 34,94% Problemas no “software” 198 22,75%
Sem descrição 174 20%
Total 870 100%
A falta de conexão com os cadastros de propriedades de outras UF impediu a emissão eletrônica pela falta de destino documentado no sistema. Apesar de ter havido treinamento para todos os 21 usuários cadastrados para emissão de GTA eletrônica no DF, três dos funcionários autorizados foram responsáveis por 50,11% das emissões de GTAs fora do sistema informatizado. Segundo CÓCARO et al. (2007) o baixo nível de conhecimento pode prejudicar a adaptação a novas tecnologias.
4.4. CONCLUSÕES
No período analisado, a instalação de um sistema informatizado para controle de trânsito de animais e cadastro de explorações pecuárias no Distrito Federal não ocasionou redução na diferença entre o rebanho de bovinos e bubalinos existente nas propriedades e o rebanho notificado pelos produtores ao Serviço Veterinário Oficial do DF.
Houve discrepância significativa (P<0,05) entre o número de bovinos e bubalinos notificado e o existente nas explorações pecuárias nas categorias de “13-24 meses” e “25-36 meses” em machos e nas categorias de “25-36 meses” e “maior que 36 meses” em fêmeas em rebanhos com mais de 10 animais.
4.5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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