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Vi former figurer i papp, papir og papirmasse

In document Kunst og håndverk (sider 22-28)

o fato de haver “[...] muitas famílias desestruturadas, desorientadas, com hierarquia de valores invertida em relação à escola, transferindo responsabilidades suas para a escola. ” (VASCONCELLOS, 2004, p.26). Nesse sentido, Rego (1996, p.97) destaca que a “família, entendida como o primeiro contexto de socialização, exerce, indubitavelmente, grande influência sobre a criança e o adolescente. A atitude dos pais e suas práticas de criação e educação são aspectos que influenciam o comportamento da criança na escola”. Neste cenário, tem-se atribuído muitas funções ao professor e, portanto, Boarini (2013, p.125) chama atenção para que:

O professor é preparado e especializado ao longo de um período para compartilhar com o aluno a produção e sistematização do conhecimento. É o que denominamos de profissionalização, que deve ser exercida em sintonia com as políticas públicas de educação. Até nossos dias não consta que, para exercer a função materna e paterna, obrigatoriamente os interessados devem passar por aprovação em cursos especializados para esse fim. Cada pai/mãe educa seus filhos a sua maneira. Ainda que eventualmente o professor, sobretudo das séries iniciais, tenha que atender algum imprevisto estranho a sua formação, isso não o faz necessariamente substituto da função paterna/materna ou das funções parentais. São atribuições diferentes, embora devam caminhar para uma mesma direção.

Por outro lado, também se tem professores que não compreendem ou não aceitam as mudanças que aconteceram no âmbito social e educacional. Consequentemente a forma em que se ensinavam e se lidavam com os alunos algumas décadas atrás, não é adequada para a realidade que temos na atualidade, haja vista que:

[...] ainda se mantém a didática que considera o professor como o único detentor do saber em sala de aula. O aluno deve manter-se, horas a fio, calado e atento. O professor vai se habituando a trabalhar com os “limites do não pode”, ao invés de privilegiar os “limites da possibilidade”, [...] (CHAUÍ, apud BOARINI, 2013, p.128).

Com isso, verifica-se que a indisciplina de alunos no contexto escolar é fruto de diversas implicações sociais e educacionais. Sendo que, para Oliveira, Caetano e Bonete (2014, p. 01) esses fatores:

[...] podem ser reflexos das condições familiares dos alunos, das dificuldades de acompanhar as aulas, da falta de motivação pelo estudo, da falta de respeito a colegas e professores, falta de experiência de professores recém-formados ou ainda, falta de uma melhor formação de professores aptos a enfrentar esse problema.

Isso mostra que a indisciplina é um fenômeno de natureza complexa e que, portanto, a forma de superá-lo não pode se limitar a uma única alternativa. Nesse cenário, o professor de

matemática iniciante, que ingressa a profissão docente cheio de expectativas e que às vezes se depara com uma realidade totalmente diferente do que esperava encontrar enquanto profissional. Aliado a outros fatores formativos, Leite (2016, p. 36-37) destaca a importância de que “[...] o docente iniciante trabalhe em um ambiente que possibilite condições favoráveis, em todos os sentidos, a fim de possibilitar uma melhor inserção na carreira, assim como para potencializar a aprendizagem na prática profissional, contribuindo desta forma para o desenvolvimento profissional”.

Na concepção de Souza e Rocha (2013, p. 02) “entende-se por professor iniciante o profissional recém-formado, que está na escola na transição de aluno a professor, aquele que tem até cinco anos de prática”. Assim, Corsi (2005, p.7) citando Veenmann (1988), observa que “baseado em estudos realizados no início da carreira, estes também indicam que a indisciplina aparece em primeiro lugar dentre as dificuldades indicadas por professores iniciantes”. Pilz (2011, p. 90) também menciona o problema de professores de matemática iniciantes com a indisciplina dos alunos, além de problemas ligados “a motivação para a docência, a preparação das aulas e a falta de apoio da escola”. Além do mais, a indisciplina foi mencionada nas pesquisas de: Perin (2009) e Leite (2016). Sabe-se que a indisciplina dos alunos é um problema que todos profissionais têm enfrentado no cotidiano escolar.

Verifica-se que “[...] problemas com a indisciplina não é um fato isolado e sim mundial, porém o que se entende por indisciplina para um professor, pode se tornar criatividade e espontaneidade para outro” (PIO, 2016, p.131). O desafio ainda aumenta quando a indisciplina resulta em violência. Desse modo,

[...] no cenário contemporâneo, não basta às escolas se preocuparem apenas com as relações de ensino e de aprendizagem, com foco na permanência em sala de aula de alunos e professores, pois precisam se preparar para enfrentar s ituações de indisciplina juvenil e de conflitos, que podem degenerar em violência (MARTINS; BOTLER, 2016, p.01).

Zaragoza (2005, p.50), citado por Nono (2005), afirma que aliado a falta de experiência e por questões de cultura “o professor iniciante é ‘presenteado’ com as piores turmas, os piores horários e as piores condições de trabalho já que os professores experientes são os primeiros a escolher suas aulas no momento de atribuição das classes”. Tais aspectos repercutem negativamente para o professor iniciante, e consequentemente tem havido muita desistência nesse momento inicial da profissão. Quanto a isso, Oliveira (2016, p.7621) ressalta:

A preocupação pela qualidade da educação que as novas gerações recebem nas escolas ressalta a importância em se cuidar dos primeiros anos dos docentes. Os altos índices de abandono da docência, assim como a preocupação por melhorar a qualidade da formação docente, estão mostrando a necessidade de atender, de maneira especial, aos primeiros anos de exercício profissional docente.

Isso mostra que a indisciplina gera inúmeras consequências no âmbito escolar, dentre os quais, tem-se o professor iniciante que é afetado diretamente, podendo inclusive contribuir para que o docente abandone a profissão. Além do mais, o referido fenômeno atinge diretamente o processo de ensino-aprendizagem, visto que “há professores que perdem muito tempo de sua aula tentando acomodar seus alunos, conseguindo a atenção desejada para explicar o conteúdo e realizar as atividades [...]”. Nesse contexto, destaca-se ainda que “quando um grupo de alunos não está colaborando, sem dúvida o restante da turma também acaba por sofrer com isso. Enquanto uns acatam a disciplina e outros resistem a ela, o professor fica em meio a esta situação e seu trabalho acaba não sendo eficaz” (BANALETTI; DAMETTO, 2015, p.9). Com isso, verifica-se a urgência de que se promova debates e reflexões sobre a indisciplina no âmbito escolar, a fim de buscar alternativas com diferentes segmentos da sociedade para superar esse problema, que gera consequências não apenas para o professor, mas sobretudo para a aprendizagem e formação desses alunos, tidos como indisciplinados, e dos demais da sala de aula.

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