7 ORGANISASJON, ARBEIDSFORMER OG IKT
7.4 Vertikal samordning vs horisontal samordning
Muito já foi falado sobre o gerenciamento da cadeia de suprimentos, já vimos a evolução histórica que trouxe o seu desenvolvimento, vimos como a compreensão adequada de sua abrangência nos permite redesenhar organizações e seus processos, para maior competitividade. Agora é importante entender o conceito do gerenciamento da cadeia de suprimentos e analisar as abordagens permitem o entendimento deste gerenciamento na prática.
Pires (2009) traz o conceito que o Global Supply Chain Forum (GSCF) adotou para a gestão da cadeia de suprimentos:
“Supply Chain Management (SCM) é a integração dos processos de negócios desde o usuário final até os fornecedores originais (primários) que providenciam produtos, serviços e informações que adicionam valor para os clientes e stakeholders”.
Esse conceito ressalta que o foco do gerenciamento da cadeia de suprimentos está em processos que transpõem os limites da organização por si só. O conceito chave é a integração dos processos (integração de um processo com outro processo) e o fato de que eles são vistos desde o ponto inicial até o final (integração do processo dos diversos elementos da cadeia de suprimentos).
O importante é avaliar como o gerenciamento da cadeia de suprimentos se dá no contexto da organização. Para compreender como as práticas adotadas por esse modelo de gestão funcionam precisamos também compreender como ele afeta os processos funcionais tradicionais das empresas. A abordagem de Pires (2009) mostra a gestão da cadeia de suprimentos como expansão da gestão da produção, expansão da gestão logística, expansão da gestão de marketing e expansão da gestão de compras.
Pires (2009) revela que, o gerenciamento da cadeia de suprimentos apresenta uma vertente natural da expansão da gestão da produção. Os setores industriais já exploraram praticamente todos os limites internos em busca de eficiência. A competitividade passou a ser buscada em limites além das fronteiras das empresas. Os processos ao longo da cadeia de suprimentos, assim como colaboração em desenvolvimento de produtos e utilização de materiais passaram a ser objeto de atenção de gestores de produção.
Chase, Jacob e Aquilano (2006) mostram que o gerenciamento da cadeia de suprimentos é conciliado com diversas estratégias produtivas, como postponement (postergação) e inspeção da qualidade no fornecedor, por exemplo. O adequado gerenciamento da cadeia também evita a ociosidade por falta de abastecimento e direciona a programação de produção e requisição de materiais de forma mais precisa.
Pires (2009) mostra que a busca por competitividade encaminha profissionais de logística a se direcionem para o gerenciamento da cadeia de suprimentos. Essa pode revolucionar os processos logísticos de uma empresa. A gestão de estoques é um dos pontos principais. O compartilhamento e a colaboração ao longo da cadeia permitem redução no nível de estoque em praticamente todas as pontas. Também merece destaque a revolução que pode ser obtida na maneira de administrar a função de transportes, a mencionar, por exemplo, balanceamento e integração de fluxos e ganhos de escala com negociações de frete.
Ainda sobre transportes, segundo Ching (2010) normalmente as abordagens de gestão da cadeia resultam em embarques mais frequentes, porém o custo total mantém-se equilibrado, pois há maior programação dos transportes, maior previsibilidade e redução dos estoques. Como consequência os lead time também serão menores.
A abordagem de gerenciamento da cadeia de suprimentos muitas vezes utiliza modelos logísticos para atingir seus objetivos. Nesse contexto duas práticas são impotantes: o Milk Run e a Logística Rerversa. A logística reversa trata do fluxo de materiais no sentido de sua jusante. Hoje a Logística Reversa é questão de responsabilidade ambiental, de produtividade (em relação ao retorno de embalagens reutilizáveis) e de serviço ao cliente (casos de devoluções). Na prática do Milk Run os roteiros e horários de transportes são
predefinidos, dessa maneira a cadeia tem mais confiabilidade e previsibilidade, fatores esses que podem racionalizar processos gerando economia de custos. (CHING, 2010).
Pires (2009) ressalta que o gerenciamento da cadeia de suprimentos atua em uma área essencial do marketing – a previsão de demanda. Um dos focos nítidos é a adequada gestão das informações de demanda ao longo da cadeia. Além disso, a gestão dos canais de distribuição, que são objetos de estudo de marketing para posicionamento mercadológico e adequado nível de atendimento aos clientes também são contemplados pelo gerenciamento da cadeia.
A abordagem de Sales and Operation Planning, que será analisada posteriormente, é um instrumento claro de gestão da cadeia e que tem como fato principal a administração da demanda. Ela utiliza uma abordagem ampliada da de marketing, pois administra a demanda de maneira integrada com os recursos e estratégias da empresa, permitindo análises simultâneas e interfuncionais. (CHING, 2010).
Mais adiante também serão apresentados os Programas de Resposta Rápida e os programas colaborativos na cadeia, tais práticas, ou modelos gerenciais, em síntese são maneiras de atender rapidamente e de forma flexível as variações na demanda, em larga escala e a um custo eficiente. Por meios deles é possível proporcionar nível de atendimento diferenciado em termos de disponibilidade de produtos, sortimento e rapidez na entrega. Os programas também são fortemente responsáveis por uma gestão de custos equilibrada ao longo da cadeia de suprimentos. Elementos chave no posicionamento mercadológico. (PIRES, 2009).
Finalmente, a gestão da cadeia de suprimentos como uma ampliação da atuação da gestão de compras. Os desafios advindos de questões como comércio eletrônico, parcerias de negócios, novos modelos produtivos, novos sistemas logísticos, fizeram com que a gestão de compras ampliasse seus esforços além dos processos tradicionais. Os exemplos mais fortes disso são o outsourcing (terceirização) e o globalsourcing (planejamento de operações distribuídas globalmente) fortemente presentes na Nike (PIRES, 2009).
A maneira apresentada para visualizar como a gestão da cadeia de suprimentos amplia as funções tradicionais é útil para entender algumas implicações práticas desse modelo de negócios, mas não se pode esquecer que o gerenciamento da cadeia de suprimentos é um modelo de gestão que administra processos que são em sua maioria interfuncionais e interoganizacionais.
Pires (2009) apresenta processos chaves como foco da gestão da cadeia de suprimentos: a gestão das relações com clientes; a gestão do serviço ao cliente; a gestão da
demanda; o atendimento de ordens; a gestão do fluxo de manufatura; e o desenvolvimento e comercialização de produto.
Para uma boa gestão das relações com os clientes é fundamental categorizá-los e compreender suas necessidades para desenhar operações que os atendam em quesitos que ofereçam maior valor, mas de maneira racionalizada. Já a gestão do serviço ao cliente diz respeito ao acompanhamento e ao fluxo de informações, de maneira recíproca, em todo o ciclo do pedido. (PIRES, 2009).
A gestão da demanda deve ser gerenciada de maneira a buscar informações mais precisas e forma mais rápida para que os estoques e operações possam ser mais rapidamente ajustados, esse processo visa atender demandas de forma flexível, com nível de serviço alto e custo competitivo. (CHING,2010).
O processo de atendimento de ordens está muito relacionado com o que conversamos sobre o processamento de pedidos. As organizações buscam cada vez mais atender o “pedido perfeito”, há uma nova terminologia considerada por alguns, como aq evolução do Just in Time (JIT) que é On Time in Full (OTIF), ou seja, atendimento integral e no tempo certo. Para isso deve haver uma coordenação e integração perfeitamente harmônica com os elos da cadeia e com os próprios departamentos. (BERTAGLIA, 2009).
No que diz respeito a gestão do processo de manufatura no gerenciamento da cadeia de suprimentos é evidente o esforço no sentido de adotar o modelo Make to Order (MTO) para garantir um fluxo de manufatura mais enxuto, também há preocupação em tornar o fluxo ininterrupto para balancear custos e manter atendimento constante com estoques reduzidos e programação de transportes antecipada. Para isso é necessário que outro processo seja bem administrado: a gestão das relações com os fornecedores. Esse processo envolve a categorização dos fornecedores para o desenvolvimento de parecerias sólidas, com os fornecedores chave busca-se desenvolver relações de longo prazo baseados na lógica ganha- ganha, desenvolvimento de produtos e materiais de maneira colaborativa, operações integradas e compartilhamento de informações de estoque são exemplos fundamentais para o sucesso da gestão. (CHASE, JACOBS E AQUILANO, 2006)
Para a gestão do desenvolvimento do produto e comercialização é necessário gerenciar o ciclo de vida dos produtos e o desenvolvimento de novos, busca soluções que tragam sinergia na cadeia para atender as necessidades dos clientes. É necessário portanto trabalhar de forma conjunta para coletar informações ao longo da cadeia de suprimentos e tomar ações conjuntas para que em casos de lançamento de produtos ou promoções não aja
gargalo por falta de programação de um dos elementos da cadeia de suprimentos. (Pires, 2009).
Foi possível notar que o gerenciamento da cadeia de suprimentos ampliou o campo de atuação de algumas funções tradicionais e se tornou um novo modelo de gestão que administra processos com visão para além das tradicionais barreiras funcionais e organizacionais para coordenar e integrar todos os envolvidos e atender demanda do mercado de forma mais competitiva.
Os processos e as funções no escopo da gestão da cadeia de suprimentos são, evidentemente, um novo paradigma. Para que se obtenha êxito com esse modelos gerencial é preciso que a organização e os profissionais estejam alinhados com seus princípios. Pires (2009) mostra o gerenciamento da cadeia de suprimentos como uma filosofia gerencial com as seguintes características: abordagem sistêmica para gerenciar o fluxo de bens e informações dos fornecedores aos clientes finais; orientação estratégica para integração e sinergia dentro das empresas e com os agentes fora das empresas também; e foco no cliente e na criação de valor que cada agente da cadeia de suprimentos deve gerar.