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3. TEORETISK MODELLERING

3.3 Vertikal struktur og incentiver i legemiddelmarkedet

3.3.2 Vertikal prising og konkurranse

No decorrer desta tese, atribuí a metáfora de labirinto para os quatro compositores que filosoficamente tem dialogado com minhas idéias composicionais: Para Berio, dediquei-lhe o labirinto de abetos, intencionando posicionar o compositor em dois mundos aparentemente opostos: o divino, pela magia de sua obra e o secular, pelas suas emoções viscerais, humanas; para Ligeti, dediquei-lhe o labirinto dos trilhos de ferro, trilhos esses que conduziram sua vida ao exílio e quase ao holocausto. Entretanto, permitiram que o compositor desembarcasse nas históricas estações de cada um de seus estilos composicionais, e então seguir viagem; Para Varèse, dediquei-lhe o labirinto de plásticos e de cabos elétricos, conectando o compositor com o universo eletroacústico, da busca e do anseio por uma nova materialidade/realidade sonora; Para Bértola, dediquei-lhe o labirinto dos tijolos de vidros, buscando penetrar, mesmo que timidamente, os segredos de suas composições, entre o rigor e a poética das alturas e estruturas rítmicas e a atitude blasé em relação à arte de seu tempo.

O meu labirinto se reifica como um recamo intricado, composto alegoricamente de fios diversos, de materialidades distintas, do ouro ao arame, da seda ao barbante, da ráfia ao poliéster. Na junção de seus pontos, imagens longínquas e adormecidas se revelam tímida e vagarosamente, receosas a princípio de develar seus arcanos mais profundos. Essas imagens, de posse de seus próprios enunciados, apontam para discursos outros que, num deslize de sentido, se transformam em matéria sonora cujo destino será a corporificação da composição musical. Tem-se aqui a gênese, o embrião daquilo que se tornará uma obra musical potencial. Música como ciência – ciência no sentido de observação e formulação de hipóteses – faz sentido na minha concepção apenas quando a obra não mais me pertence, isto é, a partir de sua elaboração e sua fixação na forma de sua escrita musical, a mesma se torna passível de ser analisada sob vários aspectos, incluindo a natureza científica dela. Embora todo compositor por vez ou outra se comporte como musicólogo num determinado momento de sua carreira, o processo composicional muitas vezes passa inconsciente durante a criação e revela impudicamente o interior do seu criador. Talvez seja por isso que a compositora russa

Galina Ustvolkaya suplica que “todos aqueles que amam a minha música, deveriam se abster de fazer qualquer tipo de análise teórica dela...” (PENDLE, 2001, p. 288). No entanto, entendo que a criação

de uma composição musical é um processo ideológico, e que passa pelo mundo das ideias que o inspirará em seu trabalho, justificando-se plenamente o domínio dos objetos extramusicais no comando da obra em questão. Há uma vista do objeto, sua memória que traduzirá a inspiração. Na sequência, o consequente apagamento do processo composicional e por fim o seu sentido renascido. Por conta desse renascimento, o sentido passa a ser polissêmico, anacrônico, policrônico, migratório, deslizante, contraditório, vagando à deriva nas fronteiras do inconsciente se sujeitando muitas vezes e irresistentemente ao ato falho (lapsus creationes). A complexidade se faz presente na rede de sentidos provocadas pela relação sujeito x objeto e tudo que dessa relação emana; a instabilidade gera as expectativas de respostas entre o compositor, o intérprete em potencial e um ouvinte idealizado, além de apontar os possíveis atos falhos na composição; por fim a intersubjetividade (co)opera na identificação e/ou direção dos sentidos emanados da obra musical, num processo de busca de co- incidências e sintonização de sentimentos entre os intérpretes e ouvintes potenciais da mesma. Com o intuito de clarificar quaisquer desses enunciados, discorrerei sucintamente sobre algumas obras compostas dentro dessa ideologia, a partir do ano de 2009, até a obra criada durante a elaboração desta tese.

5.1 Two Mechanical Birds and a Melancholic Cage (2009)

Composta em três movimentos curtos (1- the mechanical hawk; 2- the mechanical crow; 3- the melancholic cage) para uma competição internacional promovida pelo Nieuw Ensemble de Amsterdam, onde foi contemplada entre 97 submissões. A instrumentação dessa obra compreende: Flauta (também Piccolo), Oboé, Clarinete Sib, Bandolim, Violão, Harpa, Piano, Violino, Viola, Violoncelo, Contrabaixo e Percussão. Esse trabalho foi criado tendo em mente pássaros mecânicos antigos236.

Longe de ser uma obra programática, Two Mechanical Birds and a Melancholic Cage

235Galina Ivanovna USTVOLSKAYA, ou Ustwolskaja ou ainda Oustvolskaia (em russo: Гали́на

Ива́новна Уство́льская) Nasceu em 17 de junho de 1919 em Petrogrado e faleceu no dia 22 dedecembro

de 2006 em São Petersburgo. Fonte: Wikipédia. Disponível em:

http://en.wikipedia.org/wiki/Galina_Ustvolskaya. Acesso em 08/10/2014.

236Refiro-me especialmente aos autômatos em forma de pássaros criados durante os séculos XVIII e XIX.

Essas pequenas joias com mecanismo intricado, semelhante ao mecanismo de um relógio eram cobiçadas pelas classes abastadas na Europa e Ásia, como um objet de vertu.

traz ao potencial ouvinte todos os sentimentos provocados por esses autômatos encantadores, sugerindo o movimento de engrenagens, chilros, nostalgia, e uma certa estranheza poética. Para o compositor, cada uma das seções traz um sentimento de desesperança e solidão, principalmente na última seção. Do ponto de vista de sua construção, Two Mechanical Birds and a Melancholic Cage se insere na corrente da “Escola da Nova Simplicidade”237. Cada seção fundamenta numa mistura de escala

Frígia e Mi menor. As peças fazem uso abundante de uníssonos para obter cores específicas, densa polirritmia que gera uma simultaneidade de tempos diferentes (policronias), conferindo à obra o caráter maquinal ideado. A última seção utiliza um fragmento temático que circula linearmente em movimentos diretos e retrógrados, sofrendo reorquestrações constantemente, ao estilo Klangfarbenmelodie. O procedimento é inspirado pela forma arredondada da gaiola, o que dificulta perceber, a princípio, onde ela começa e onde ela termina. Predomina uma extrema economia de meios, além de uma harmonia demasiadamente simplificada, centralizada em notas pedais do acorde de tônica.

FIGURA 12 – corvo mecânico – objeto extramusical para a primeira seção da peça238

237Tendência estilística entre alguns da geração jovem de compositores alemães no final da década de 70

e início da década de 80, supondo uma reação não somente à vanguarda musical européia das décadas de 50 e 60, especialmente contra as complexidades da Escola de Darmstadt. Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/New_Simplicity. Acesso em 03/04/2016.

FIGURA 13 – falcão mecânico – objeto extramusical para a primeira seção da peça

FIGURA 14 – gaiola melancólica – objeto extramusical para a terceira seção da peça239

O aspecto ‘mecânico’ presente em Two Mechanical Birds and a Melancholic Cage é explorado eventualmente em uma ou outra obra de minha produção e aponta dialogicamente para Ligeti, que teve entre as suas diversas facetas composicionais (que se transformaram em verdadeiras escolas independente de sua vontade) uma interessante e peculiar “fase mecânica”240.

5.2 11 Paineis de Palavras Soltas (2010)

Esse trabalho foi realizado em parceria com a multiartista portuguesa Leonor Alvim (1935-2012), dentro de um projeto multidisciplinar da artista, intitulado “Projecto Cor Som Movimento”. Leonor Alvim acumulava as funções de pianista, sendo professora desse instrumento no Conservatório de Lisboa, poetisa e artista plástica. Nessa última função, desenvolveu uma arte peculiar que ela denominou de “Panos Collage”. Nas palavras de Leonor,

238Desenho de Mark Bash disponibilizado na internet – http://www.soimgs.com/images/mechanical-bird-

drawing/m-129397.html

239Imagem disponível em www.pixgood.com

240Essa fase relaciona tanto obras compostas ou transcritas para instrumentos mecânicos como a pianola,

por exemplo, (em arranjos que se tornariam impossíveis para a realização humana), ou o “Poème Symphonique” para 100 metrônomos; inclue também obras acústicas que buscam este efeito de máquina, mecanismo, engrenagem, relógio: Continuum e Hungarian Rock (ambas para cravo solo), L’escalier du Diable e Clocks and Clouds entre outros.

Panos Collage é uma técnica de “assemblage” de panos costurados que forma paineis, semelhantes à técnica de collage, construção de fragmentos de elementos coloridos de várias texturas que recriam espaços bidimensionais. As formas são costuradas à máquina e as costuras aparecem como grafismos, sendo a cor utilizada como elemento de reflexão de luz, com efeitos ópticos que determinam o movimento aparente das formas segundo a iluminação de sua superfície. Os panos são usados como as tintas da paleta de cores de um pintor e a luz também faz parte da reflexão dos tecidos. A relação das cores é semelhante à do espectro solar e da sua divisão de intervalos cromáticos de tons quentes e frios. Essa série de tonalidades permitirá o uso de tons intermediário que serão avaliados como timbres de cor em analogia com os timbres musicais. Esses trabalhos, que são construídos sem aviso prévio, vão revelar sua própria imagem pelo esvaziamento da matéria têxtil, até conseguir eliminar o imediatismo da sensação primária que remete os panos a uma simples forma decorativa e ao conquistarem essa luz interna que o fundo colorido tem contido, serão projectados como espaços com vida própria. A utilização da cor baseia-se no espectro solar com a sua divisão na seleção de cores que são avaliadas como timbres, aspecto análogo ao de um som e seus harmónicos. Panos Collage organizam- se em painéis que formam grupos temáticos, dentro de um discurso pictórico e cénico que será integrado com outras expressões culturais, num diálogo em contraponto. (ALVIM, 2011)241

O “Projecto Cor Som Movimento” é inteiramente dialógico em sua natureza. O ponto de partida foi um livro de poesias criado por Leonor Alvim que na sequência migrou para os painéis (Panos Collage). A parte musical veio em seguida. Leonor selecionou 11 poemas de seu livro que inspiraram 11 paineis distintos, confeccionados em grandes dimensões (200 cm x 200 cm em média). Seguindo a ordem aqui apresentada, a vernissage-recital de estreia se deu na Universidade Mackenzie, São Paulo, em 2011, com a soprano Janete Junqueira (Pouso Alegre, MG) e o próprio compositor ao piano.

Em 11 Paineis de Palavras Soltas, o compositor traçou algumas diretrizes para a obtenção dos materiais brutos a serem trabalhados. O primeiro gesto foi transformar as cores presente nos paineis em notas musicais, pesquisando diversos autores que desde a antiguidade clássica fizeram essa correlação, utilizando princípios místicos, metafísicos, sinestésicos e pseudocientíficos. Analisando as convergências e divergências das dezenas de tabelas pesquisadas, chegou-se a uma tabela orientada pelo índice de coincidências entre os autores pesquisados. O passo seguinte foi identificar as notas em cada painel para levantar as notas a serem utilizadas em cada composição. Por fim, se deu a ocorrência do domínio do objeto extramusical, ou seja, a partir da impregnação da imagem/forma/texturas/significados (pareidolias e sinestesias) no inconsciente do compositor, foi possível moldar cada composição a partir das notas achadas. Os paineis foram nomeados por Leonor Alvim. Achei pertinente manter os mesmos nomes nas composições musicais. As obras foram compostas para Piano solo e durante a performance foi feita a projeção das imagens de cada painel correspondente.

241Texto extraído da homepage da artista. Disponível em:

FIGURA 16

Poema gerador:

Dilatado o sentimento que torna belo Tudo e nada... E sem nome nem rumo Agora é! Ontem e amanhã são hoje... Iguais... Todos os dias sem tempo Contidos neste querer sem medida

Cores/Notas Musicais:

azul: G - G# - C - D#; azul profundo azulado: C#; verde dourado

Impressões provocadas:

Tristeza, funeral, abóbadas, mármore, arabescos (ornamentos), passado, um sítar ao longe, tradição.

– Taj Mahal – Sentimento - Foto: Rafael Costa

Dilatado o sentimento que torna belo Tudo e nada... E sem nome nem rumo Agora é! Ontem e amanhã são hoje... Iguais... Todos os dias sem tempo Contidos neste querer sem medida

zul profundo: A#; azul escuro: F# - A; violeta erde dourado: F - E; amarelo: G; roxo: D

risteza, funeral, abóbadas, mármore, arabescos (ornamentos), passado, um sítar ao Foto: Rafael Costa

ioleta: E - B; verde

FIGURA 17

Poema gerador:

Cada vez mais longe o perto que somos Cada vez mais perto este mar sem fim De águas abissais onde escondo mágoas E te abraço nas algas e nos corais Da cor do nevoeiro que tudo abraça O nada e o frio que trespassa O vazio cheio de amor que se esvai E o pensamento se condensa sem palavras (...)

Cores/Notas Musicais:

preto: B; amarelo: E; amarelo esverdeado dourado: E; verde oliva: D#

alaranjado: C# - D - A#; c

azul: G - C- G# - D#; azul brilhante

Impressões provocadas:

Retrata o fundo do mar com peixes, arraias e águas

das águas-vivas e dos outros animais, resultando numa música simples, melodiosa, com um pouco de afetação, com as quiálteras sugerindo o impulso que as águas

para nadar...

17 – Mar 2 – Sem Palavras - Foto: Rafael Costa

Cada vez mais longe o perto que somos Cada vez mais perto este mar sem fim De águas abissais onde escondo mágoas E te abraço nas algas e nos corais Da cor do nevoeiro que tudo abraça O vazio cheio de amor que se esvai E o pensamento se condensa sem palavras

marelo esverdeado: F - C; amarelo esbranquiçado : D#; verde azulado: F#; aquamarina: F

carmesim: G# - C#; roxo: D - A - G# - B; azul profundo zul brilhante: F#; azul Ultramarino: A; índigo: A

etrata o fundo do mar com peixes, arraias e águas-vivas. Traduz uma ideia de bailado vivas e dos outros animais, resultando numa música simples, melodiosa, com um pouco de afetação, com as quiálteras sugerindo o impulso que as águas

Foto: Rafael Costa

marelo esbranquiçado: A#; verde : F - D; vermelho zul profundo: A#; : A - B - G# - E

raduz uma ideia de bailado vivas e dos outros animais, resultando numa música simples, melodiosa, com um pouco de afetação, com as quiálteras sugerindo o impulso que as águas-vivas fazem

FIGURA 18 – Poema gerador:

Quando o Sol se põe e vem a noite, devagarinho, acende estrelas Ilumina a terra e semeia sonhos que colho na beira

Sombra amiga que me acolhe, asa e voo que

Vultos diluem formas imprecisas que vagueiam por entre brilhos Sons e ausência que recheia a noite de mistérios

Sinto o anoitecer como se fora um corpo que desce, afunda E devora os outros corpos em sombras multiformes

Como tentáculos de uma imensa árvore, com vida e movimento As raízes são ramos e os ramos se tornam asas...planam Nos perfumes e cheiros que a noite traz nas brisas do oeste Anuncia o Inverno e as neves, unge

Rolo neste espaço sem medida, sensual a cálida Ecoa na pele, ressoa nas cordas dos cabelos, Medusas que encandeiam fogos-fátuos

Pirilampos da aurora. Coroada de brilhos, esqueço, flutuo - Sou noite na madrugada e a minha pele é a Terra!

Cores/Notas Musicais:

marrom: A#; preto: B; vermelho escuro verde oliva: D#; azul brilhante

D# - F

Impressões provocadas:

Início de alguma coisa, fase, estação, sentimento, afirmação, negação, fim coisa.

– E a Minha Pele é a Terra - Foto: Rafael Costa

Quando o Sol se põe e vem a noite, devagarinho, acende estrelas Ilumina a terra e semeia sonhos que colho na beira-mar

Sombra amiga que me acolhe, asa e voo que adormece

Vultos diluem formas imprecisas que vagueiam por entre brilhos Sons e ausência que recheia a noite de mistérios

Sinto o anoitecer como se fora um corpo que desce, afunda E devora os outros corpos em sombras multiformes

a árvore, com vida e movimento As raízes são ramos e os ramos se tornam asas...planam Nos perfumes e cheiros que a noite traz nas brisas do oeste Anuncia o Inverno e as neves, unge-se com os frutos do Outono! Rolo neste espaço sem medida, sensual a cálida noite, arrepia Ecoa na pele, ressoa nas cordas dos cabelos,

-fátuos

Pirilampos da aurora. Coroada de brilhos, esqueço, flutuo Sou noite na madrugada e a minha pele é a Terra!

ermelho escuro: F – C; escarlate: C#; carmesim

zul brilhante: F#; laranja: D - F - F# - B - A - D#; laranja amarelado

nício de alguma coisa, fase, estação, sentimento, afirmação, negação, fim Foto: Rafael Costa

armesim: G# - C#; laranja amarelado:

FIGURA

Poema gerador:

Quando o Sol se põe e vem a noite, devagarinho, acende estrelas Ilumina a terra e semeia sonhos que colho na beira

Sombra amiga que me acolhe, asa e voo que adormece

Vultos diluem formas imprecisas que vagueiam por entre brilhos Sons e ausência que recheia a noite de mistérios

Sinto o anoitecer como se fora um corpo que desce, afunda E devora os outros corpos em sombras multiformes Como tentáculos de uma imensa árvore, com vi As raízes são ramos e os ramos se tornam asas...

Nos perfumes e cheiros que a noite traz nas brisas do oeste Anuncia o Inverno e as neves, unge

Rolo neste espaço sem medida, sensual a cálida noite, arrepia Ecoa na pele, ressoa nas cordas dos cabelos,

Medusas que encandeiam fogos-fátuos

Pirilampos da aurora. Coroada de brilhos, esqueço, flutuo - Sou noite na madrugada e a minha pele é a Terra!

Cores/ Notas Musicais:

marron: A#; vermelho alaranjado C#; escarlate: C#; laranja: D – D#; amarelo esbranquiçado

Impressões provocadas:

O clima desta peça é de final de ciclo,

calma, uma ideia de passagem, fim de uma etapa, fim de um dia... doce, delicada e cheia de ressonâncias...

FIGURA 19 – Douro I - Foto: Rafael Costa

Quando o Sol se põe e vem a noite, devagarinho, acende estrelas Ilumina a terra e semeia sonhos que colho na beira-mar

Sombra amiga que me acolhe, asa e voo que adormece

diluem formas imprecisas que vagueiam por entre brilhos Sons e ausência que recheia a noite de mistérios

Sinto o anoitecer como se fora um corpo que desce, afunda E devora os outros corpos em sombras multiformes

Como tentáculos de uma imensa árvore, com vida e movimento As raízes são ramos e os ramos se tornam asas... planam Nos perfumes e cheiros que a noite traz nas brisas do oeste Anuncia o Inverno e as neves, unge-se com os frutos do Outono! Rolo neste espaço sem medida, sensual a cálida noite, arrepia Ecoa na pele, ressoa nas cordas dos cabelos,

-fátuos

Pirilampos da aurora. Coroada de brilhos, esqueço, flutuo Sou noite na madrugada e a minha pele é a Terra!

ermelho alaranjado: C# - A# - D; vermelho: C# - B – G;

: D - F# - F; amarelo: E – G – D – B; amarelo alaranjado marelo esbranquiçado: A#; verde: F# - C#; verde oliva: D#

esta peça é de final de ciclo, "expressivo como um pôr do sol"

calma, uma ideia de passagem, fim de uma etapa, fim de um dia... doce, delicada e ; carmesim: G# - marelo alaranjado: F

"expressivo como um pôr do sol" - passando uma calma, uma ideia de passagem, fim de uma etapa, fim de um dia... doce, delicada e

FIGURA 20: Douro II – Pedras - Foto: Rafael Costa

Poema gerador:

Nas rochas cinzas recortadas como chamas em papel Vibram flautas de canas e estevas rústicas amareladas Erguem-se ariscas, seduzidas pelas águas que as bolinam

Afagos e mordidas de rápidos, doces curvas, seios de pedras amaciadas Por séculos de corridas, veias de sangue esvaziado em lagares

Onde bebo e esqueço a serra, tocando o azul no alto a perder de vista Minha casa de temores, deslizo pelas alturas, vertigem de grandeza (...)

Cores/Notas Musicais:

marrom: A#; preto: B; carmesim: G# - C#; laranja amarelado: D# - F; laranja: D – F – F# - B – A – D#; verde oliva: D#; azul brilhante: F#;

Impressões provocadas:

Esta peça traz alguns elementos moçárabes e a melancolia do canto dos barqueiros em seus rebelos, retratado na região grave do piano.

FIGURA 21: Ocaso - Foto: Rafael Costa

Poema gerador:

Que bela sou no Poente, pinto rosa, ciclâmen azul e prata Meus olhos são a paleta que veste o mar e as nuvens, horizontes Arco-íris entornados docemente, em matizes e timbres

Sombreados, deslizando no Poente

Que formosa vejo, vislumbro a taça que recebe pomo Laranja e fogo, fatiado, que mergulha e se afoga Baptismo de água e mar, firmamento, Viagem Na outra margem espero... Do outro lado do mundo

Cores/Notas Musicais:

marrom: A#; ouro amarronzado: G; laranja: D – D#; laranja rosado: F – F#; vermelho: G – G# – B; ; cinza metalizado: D#; cinza azulado: D#; violeta: A – A# - F – B; carmim: C

Impressões provocadas:

FIGURA 22: Luz e Sombra (vermelho e preto) - Foto: Rafael Costa

Poema gerador:

Encontro a distância que me separa, a noite do dia A sombra da luz! Estas trevas de ser sozinha, sabendo Que tudo o que conheço nada mais é

Apenas o ténue fio de prata que liga à vida

Razão fátua que se dilui na incerteza de ser apenas O que julguei. Para além e para aquém tudo e nada Tão grande o infinitamente pequeno de onde vim... (...)

Cores /Notas Musicais:

azul: G; azul brilhante: F# vermelho: C - E – A; preto: B; bege: F# - D

Impressões provocadas:

Barco ao longe; calmaria; melancolia; reflexos rápidos na água ora tranquilos, ora violentos; sinos de bóias; dia começando, dia terminando

FIGURA 23: Mar I – Golfinhos Vestidos de Azul - Foto: Rafael Costa

Poema gerador:

Entre escuros e claros indago a cor