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Kapittel 5 - Diskusjon og analyse

5.3 Autorative og opponerende diskurser

5.3.1 Vern og verdi innenfor den autorative diskursen

O Marischal College, no século XVIII, foi amplamente influenciado por ministros protestantes tanto que o lema era: “na terra com o aprendizado, nos céus com Cristo” (FRASER, 1896, p. 20), ou seja, a religião tinha uma aliança com o progresso, por isso o Marischal College manteve uma associação com a Universidade de Glasgow. Esta era uma universidade que estava interessada na melhoria do país por meio da busca de soluções científicas: máquinas a vapor, a manufatura do carvão, essas melhorias podiam ser almejadas e vistas em Glasgow.

Manter o Marischal tão perto de Glasgow era na verdade objetivar um centro futuro de desenvolvimento em várias áreas de todas as ciências. Neste momento muitos americanos estavam se beneficiando das opções proporcionadas pelo desenvolvimento da cultura escocesa. Assim, não é por menos que muito dos formadores de Princeton estudaram na Escócia neste período.30 A efervescência entre tecnologia e desenvolvimento econômico se tornou em desafio no aspecto religioso devido às teorias racionalistas e empíricas. E por certo as figuras que formaram Princeton estiveram a par destes conflitos intelectuais.

Broadie mostra um pouco mais do contexto do Marischal quando fala que entre Aberdeen e Glasgow havia uma disparidade; enquanto em Glasgow havia uma preocupação com conceitos mais tolerantes, que no futuro influenciaram os Jacobinismos31, e tinha em seu quadro de alunos uma gama maior de membros

30 Um detalhe importante é que tanto Glasgow como o Marischal estão em regiões portuárias, são de fato

centros estratégicos que fizeram com que no tempo de Reid todas as informações estivessem ao alcance dos interessados, assemelhando-se assim às cidades portuárias como no tempo do auge dos gregos e romanos. Basta dizer que neste período temos uma época que filosoficamente se depara com os conceitos empíricos e racionalistas. E quanto ao crescimento populacional, motivados pelo desenvolvimento tecnológico; a população, mesmo depois das imigrações para América, cresceu de 10.000 em 1700 para 22.000 no meio do século e 27.000 no final de 1798 (BROADIE, 2003, p. 21).

31 Friedrich Heinrich Jacobi (1743-1819) “foi um alemão defensor da fé em Deus cuja existência não poderia ser demonstrada pelo entendimento filosófico”. Segundo Lucien Jerphagnon, a intenção de Jacobi era

da Igreja Episcopal Anglicana, mais devotada aos conceitos atuais da época; em Alberdeen havia uma “intolerância presbiteriana”. Enquanto Glasgow manteve relações mais íntimas com o Báltico, França e Londres, devido aos frequentadores das universidades, que eram filhos de mercantes, advogados, representantes comerciais, homens do exército, negociantes judeus, administradores civis; Aberdeen se manteve “intolerante” às investidas iluministas vindas daqueles países (BROADIE, 2003, p. 21). O resultado é que Aberdeen se estruturou para o iluminismo com uma cautela diferente de Glasgow. Como vimos acima, o lema “na terra com o aprendizado, nos céus com Cristo” era a base das cidades igrejas do King’s College e do Marischal College32. A religião era de fato mantida com certa força apologética33. Isso nos leva a entender os motivos de assimilação da filosofia de Reid por meio de uma teologia mais ortodoxa em Princeton no futuro.

Outro detalhe importante no período em que Reid frequentou o Marischal era que todos os professores, além da forte influência de Newton, tinham também a influência de dois filósofos: George Berkeley (1685-1753) e Conde de Shaftesbury (1671-1713). O primeiro com o imaterialismo – que fará parte de nossa discussão sobre a filosofia de Reid e o segundo foi o inventor da expressão “sentido moral”; foi com ele que se começou a valorização do sentimento como a maior fonte de moralidade, mais do que a razão – “nossa moralidade é fonte de prazer na contemplação da virtude” (HONDERICH, p. 956, tradução nossa) –, e a religião é a única forma de estimular essa atitude natural, como diria Honderich (p. 956).

convidar-nos “a deixar a razão ao ultrapassarmos o entendimento em um “salto perigoso”, que por meio de um ato de que “desvela a existência”, a consciência da nossa liberdade do nosso dever” (p. 134-135). É o que chamaríamos de sentir Deus. O mesmo Lucien Jerphagnon chamará Reid de um filósofo fideísta, “pois foi contra o idealismo de Berkeley e o ceticismo de Hume por meio da referência do senso comum, isto é, o conjunto das crenças comuns aos homens sensatos” (p. 134). Sobre esta tese de Jerphagnon discutiremos mais a frente, quando falaremos sobre o pensamento de Thomas Reid.

32 Isso irá permanecer, de certa forma, depois que Reid deixar de olhar com bons olhos para o imaterialismo de Berkeley e o ceticismo filosófico de Hume. Tudo porque Reid vai refutar estas doutrinas defendendo o interesse do senso comum e do cristianismo (BROADIE, 2003, p. 21).

33

Pelo que parece isso mudou em 1720 com o aparecimento na Faculdade de Marischal de três professores jovens - Colin MacLaurin, George Turnbull e Thomas Blackwell Jr. Maclaurin chegou em 1717 reforçando as ideias Newtonianas que tinham sido trazidas mais cedo à cidade há cerca de dez anos pelo Professor Thomas Bower (BROADIE, 2003, p. 21). Estes professores vieram de Endiburgo, trouxeram consigo a modernidade filosófica, mesmo sendo homens que combatiam o deísmo tão comum em sua época, estes homens traziam consigo uma forma de pensar nova e desafiadora, muito mais ligados ao contexto que Aberdeen procurou manter-se mais afastado. Um exemplo dado por Broadie mostra que George Turnbull, o grande mestre de Reid, “acreditou que todo o conhecimento e padrões de gosto e moralidade estavam baseados na experiência; ele tentou demonstrar esta tese nos trabalhos, na lei natural, arte antiga e depois educação” (p. 21, tradução nossa).

Como tudo na época, a educação de Reid é de forma clara uma educação por padrões iluministas e forte reação apologética. Isso pode ser visto na forte influência de George Berkeley.