• No results found

Veitrafikkulykker

In document FylkesROS Buskerud (sider 37-42)

3   Virksomhetsbasert sårbarhet

3.3   Masseskader og transportulykker

3.3.1   Veitrafikkulykker

Foi objectivo da EDIA (Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estru- turas do Alqueva), ao contratar este Plano de Pormenor (no âmbito das contrapartidas estabelecidas por protocolo com a Câmara Municipal de Moura),3que, «face à excepcionalidade da situação e à radical mudança

paisagística (mas também ambiental e social) [...] surgisse uma resposta Aldeia da Estrela

92

2Plano de Pormenor da Estrela: Consulta para a Elaboração do Plano; Caderno de Encargos.

EDIA/Gestalqueva, Março de 2004, 3.

3Na realidade, foi a Câmara Municipal de Moura, única entidade competente para a

realização de estudos de suporte à gestão territorial, a promover a elaboração do Plano de Pormenor, ainda que, por uma questão obrigacional decorrente da execução da bar- ragem do Alqueva, tenha sido a EDIA a lançar o concurso e a contratar, posteriormente, o desenvolvimento do plano.

igualmente excepcional e [...] exemplar em termos de metodologia e re- sultados, no modo de lidar com problemas semelhantes». 4

Um plano de pormenor que possa orientar o futuro crescimento da aldeia, enquadrando a previsível procura turística que já se faz sentir, de modo a acudir às problemáticas que esse novo destino trará ao povoado, reencaminhando, em simultâneo, uma população sem grandes horizon- tes de trabalho (a maioria ocupava-se da agricultura nos campos hoje ala- gados), para uma actividade nova, cujo êxito também muito dependerá de um dinâmico apoio de proximidade.

Por outras palavras, um plano que possa, realisticamente, desenhar (em todos os sentidos), um futuro próximo para a aldeia, onde uma nova actividade – o turismo – venha a produzir a riqueza necessária para lhe garantir sustentabilidade.

Avaliação

Entre o relativo conforto económico do regresso da emigração e a aus- tera actividade agrícola hoje impossibilitada, a aldeia foi permanecendo praticamente imóvel e deserta até à chegada das águas do Alqueva.

Como refere o sociólogo, neste momento a aldeia conta com pouco mais de 100 habitantes, «sendo que parte da população ou está emigrada Plano de Pormenor da Aldeia da Estrela

Figura 21 – Placa fixada no alçado de uma das casas da aldeia, 2004

4Plano de Pormenor da Estrela: Consulta para a Elaboração do Plano; Caderno de Encargos.

EDIA/Gestalqueva, Março 2004, 2.

ou passa temporadas, mais ou menos longas, fora da aldeia». Mais de um terço desta população encontra-se na reforma, já que terá hoje mais de 70 anos.

Não terão sido estranhas ao lifting que a aldeia tem vindo a sofrer, mais recentemente, algumas das indemnizações que os pequenos proprietários receberam como compensação pela subida das águas por sobre os seus campos, pomares e hortas.

Um certo credo generalizado de que a chegada de forasteiros iria ser acompanhada por procura de casas na aldeia — sobretudo junto daqueles a quem a idade e os filhos estabelecidos noutras paragens levariam a pen- sar que a Estrela já nada mais lhes tinha para dar — terá, provavelmente, feito surgir a ideia da venda do pequeno património como uma solução interessante no rescaldo da trágica mudança de paradigma. As indemni- zações terão ajudado, então, a um certo impulso «modernizador» que atravessa toda a aldeia. Para outros, ou para alguns dos mesmos, a «mo- dernização» das casas terá correspondido a um desejo profundo e antigo e a pequena indemnização surgido como a oportunidade, até aí sempre negada, de um maior conforto, higiene, «beleza» e status. Certo é que a maioria das casas (cerca de 60%), apresenta hoje um aspecto quase novo ou recém-construído.

Extraídos do reduzido catálogo da simbólica de representação con- temporânea portuguesa, amadurecidos por muitos anos de incómodos Aldeia da Estrela

94 Figura 22 – O novo vernáculo

popular, 2004

Figura 23 – Mais uma casa vazia à venda, 2004

pés direitos, frágeis coberturas estruturadas a madeira por cima das peri- gosas lareiras e de repetitivos cuidados de perpétua caiação, chegaram os múltiplos sinais exteriores que, aos nossos olhos ávidos de arquitectura «popular», soam com agressividade: os panos de azulejo em vez da cal, desperdícios de mármore a compor laváveis envazamentos, as tintas de óleo texturadas «para durarem mais»; em vez da que considerávamos modesta, mas «exacta» proporção alentejana, os pés direitos suburbanos da «vivenda de dois pisos, quatro frentes e jardim»; em vez dos (imagi- nados) honestos telhados de aba e canudo balançando em beiral simples sobre a rua, a espessura das grossas lajes de betão sobre as quais se deitam as múltiplas águas resplandecentes de «telha lusa», ou onde sobressaem chaminés novas e com desenhos ao desafio, simbolizando esse virar de página de existências difíceis que, agora, a água e o vazio que instaurou, vieram tornar de novo absurdas.

Foi neste registo realista, no entanto, que nos interessou iniciar a pro- posta de intervenção.

A Aldeia da Estrela e o seu construído, não constituem um conjunto notável. O que resta de um modesto povoado alentejano, pobre, de raiz rural, não é suficiente, sequer, para se instituir como colecção; um registo Plano de Pormenor da Aldeia da Estrela

Figura 24 – «Múltiplos sinais exteriores que, aos nossos olhos ávidos de arquitectura ‘popular’, soam com agressividade», 2004

que pudesse transmitir memória; um agrupamento que, por qualquer razão, surgisse exemplar.

A rede de ruas, muito esquemática, tem um carácter quase só funcio- nal, com a rua principal caminhando por sobre o festo dos montes, es- pinhando-se, tentativamente, por sobre os promontórios a sul que hoje apontam à água. Nenhum espaço público com alguma notoriedade a pontua; nem uma praça, nem um largo, nem um pequeno jardim.

As modernizações de carácter já muito (sub)urbano dominam o perfil estabilizado da aldeia com os quintais desmazelados e pobres a escreve- rem, numa vista da água, uma imagem tão pouco interessante como pouco consistente do todo.

Nada, a não ser o enorme espelho líquido agora em volta, contribui para uma identificação, uma sinalização, uma caracterização da aldeia, que a torne distinta de outras, mais ou menos anónimas, que povoam o Portugal mais recente.

E no entanto é assim que vive aquela população, naquele espaço físico que se habituaram a amar, naquele construído de que são autores colec- tivos, naquela situação mais real que imaginária, mais pragmática que pi- toresca.

Nada, também, nos autorizou a questionar os caminhos pessoais que conduziram ao existente.

Tudo, no entanto, tentámos fazer para que o que existe pudesse vir a adquirir outro(s) brilho(s) no contágio com o novo, para que a impres- Aldeia da Estrela

96 Figura 25 – O perfil quase estabilizado da rua principal da aldeia, 2004

Figura 26 – «Quintais desmazelados e pobres», 2004

cindibilidade da sua urgência, para salvar economicamente o lugar, pu- desse vir a produzir novos sentidos, encontros, significados.

Procurámos uma perspectiva inclusora, ao invés de uma mais sobran- ceira ou culturalista. Como referem Venturi, Scott Brown e Izenour (1977),

Os arquitectos perderam o costume de contemplar sem espírito de crítica o ambiente, porque a moderna arquitectura ortodoxa é progressista, para não dizer revolucionária, utópica e progressista; não está satisfeita com as condi- ções existentes. A arquitectura moderna tem sido tudo menos tolerante. Os arquitectos preferiram mudar o meio ambiente a valorizá-lo.

Ou, como José Pedro Vicente (1979),

O projectar, qualquer que seja o plano factual do entendimento, sempre terá que ser inclusor, jamais se situando por exclusão – ou na exclusão. Construir – porque habitar – é fazer parte e ser parte; não o estar à parte.

Olhámos o existente como se olha a nobreza de um casco histórico vivo; em volta, a água e o resto; o «resto» resgatando possibilidades de completamento.

Plano de Pormenor da Aldeia da Estrela

Figura 27 – Divisão cadastral da aldeia, 2005 02 Aldeia da Estrela Parte II.qxp_Layout 1 05/03/15 10:34 Page 97

In document FylkesROS Buskerud (sider 37-42)