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7.2   Veien videre

O stresse ocupacional ocorre quando o trabalhador avalia as exigências do trabalho como excessivas para os recursos de coping que dispõe (Lazarus, 1995, cit. em Paschoal & Tamayo, 2005).

As variáveis que estão descritas na literatura científica como podendo influenciar este tipo de stresse, podem ser categorizadas em dois tipos de categorias que são as seguintes: variáveis de natureza situacional, como o suporte social (dentro e fora do trabalho), o exercício físico regular, e a interacção trabalho-família; e de natureza pessoal, como o estilo de coping, o locus de controlo, o padrão de comportamento de tipo A, a auto-estima, e a vulnerabilidade ao stresse (Paschoal & Tamayo, 2005). De acordo com Tamayo, Lima e Silva (2002, cit. em Paschoal & Tamayo, 2005), o

impacto do suporte social sobre o stresse ocupacional pode ser benéfico ou prejudicial, estando mais relacionado com a sua qualidade no quotidiano das organizações. Também a forma como a interacção entre o trabalho e a família se processa, podendo, de acordo com Cooper, Sloan e Williams (1999, cit. em Paschoal & Tamayo, 2005), ser tratada como um stressor organizacional, se houver conflito nesta área. De mencionarmos a influência que o exercício físico regular pode ter na regulação desta forma de stresse, designadamente porque, como esclarece Tamayo (2001, cit. em Paschoal & Tamayo, 2005), para além da dimensão física do exercício, pelo condicionamento cardíaco que provoca, a nível circulatório, uma diminuição das substâncias associadas ao stresse, ter também uma dimensão psicossocial, em que a interacção social e a comunicação interpessoal pode servir de estratégia para lidar com o stresse.

Por outro lado, no que respeita às variáveis individuais, para além do estilo de coping influenciar a forma como o stresse é vivido pelas pessoas, neste caso pelos trabalhadores, outros aspectos como o locus de controlo, em que existem evidências de que as pessoas com maior internalidade reagem de uma forma mais adequada ao stresse que as pessoas com maior externalidade (Marino & White, 1985, cit. em Paschoal & Tamayo, 2005).

Já no que concerne ao padrão de comportamento de tipo A (que se caracteriza por uma maior competitividade, impaciência e agressividade), a evidência cientifica sugere que estes indivíduos tendem a sofrer mais os efeitos negativos do stresse que os mais passivos (Paschoal & Tamayo, 2005).

Relativamente à auto-estima, Jex e Elacqua (1999, cit. em Paschoal & Tamayo, 2005) sugerem que as pessoas com baixa auto-estima apresentam uma maior vulnerabilidade ao stresse.

o que implica que os indivíduos se sintam ou não em stresse, podendo também ser entendido como o grau de auto-confiança que a pessoa desenvolve em relação a determinadas circunstâncias e que lhe possibilita sentir, ou acreditar que tem ou não, as aptidões ou os recursos pessoais e sociais necessárias para lidar com as exigências criadas pela situação.

Ainda para este autor, nas circunstâncias do nosso quotidiano, as nossas respostas às situações stressantes, não são ditadas pelas situações em si mesmo, mas sim pelas predisposições pessoais e pelos recursos que temos para enfrentar as mesmas, bem como pela interpretação que delas fazemos, em função dos valores e das aspirações que consideramos importantes, podendo considerarmos como factores predisponentes de uma maior vulnerabilidade ao stresse, os seguintes: factores de natureza física (que dizem respeito à dotação genética com que nascemos); factores de natureza psicológica (que incluem a personalidade e os esquemas mentais); e os factores de natureza social (como o estatuto socioeconómico).

Outros autores, como Lipp, Pereira e Sadir (2005), colocam também o enfoque nas crenças irracionais, as quais, segundo nós, podemos incluir nos esquemas mentais (pertencentes aos factores de natureza psicológica, mencionados por Vaz Serra, 2000). Outros ainda, como Pocinho e Capelo (2009) num estudo efectuado com professores, concluem que os indivíduos mais vulneráveis ao stresse são aqueles que não utilizam estratégias de coping orientadas para a resolução de problemas e que recorrem a estratégias de escape e de gestão de sintomas.

Tal como em relação ao conceito de stresse em termos gerais, os stressores susceptíveis de desencadear stresse ocupacional variam de pessoa para pessoa (Paschoal & Tamayo, 2005), podendo as razões para essa variabilidade estarem relacionadas com a personalidade, com a história pessoal, com as necessidades, e com as estratégias de

coping individuais (Hespanhol, 2005).

Contudo, grosso modo, sempre podemos dizer que estes stressores estão frequentemente associados à organização do trabalho, como sejam a pressão para a produtividade, a represália, condições desfavoráveis à segurança laboral, insuficiente formação profissional, relação abusiva entre supervisores e subordinados, falta de controlo na tarefa e ciclos sono-repouso desajustados (Carayon, Smith & Haims, 1999, cit. em Murta & Tróccoli, 2005).

Alguns autores, como Hespanhol (2005), categorizam as causas do stresse ocupacional em quatro tipos de causas, que são as seguintes:

- Intrínsecas ao trabalho, que estão relacionadas com as condições físicas do trabalho (barulho, vibração, temperaturas extremas, iluminação, factores higiénicos e clima), e com os requisitos das tarefas laborais (trabalho por turnos, sobrecarga de trabalho, monotonia no trabalho, exposição a riscos e perigos, responsabilidade por vidas, e viagens);

- Papel na organização (conflito de papel, ambiguidade de papel, conflito de limites e grau de responsabilidade);

- Progressão na carreira (promoção excessiva ou insuficiente, precariedade ou medo de perder o posto de trabalho, e estatuto na carreira profissional);

- Afinidades no trabalho (relacionamentos inadequados entre superiores e subordinados, entre colegas, e dificuldades em delegar responsabilidades);

- Estrutura e clima organizacional (falta de participação no processo de tomada de decisões, falta de consulta e comunicação efectivas, restrições injustificadas de comportamento, politicas da organização, ausência de sentimentos de integração na organização e estilos de liderança).

por um conjunto de problemas diversos, como sejam: as doenças cardiovasculares, designadamente a doença coronária, aumento da tensão arterial e do nível de colestrolémia, dor precordial, palpitações, arritmias cardíacas; cefaleias, habitualmente por tensão, distúrbios osteo-articulares relacionados com o trabalho (DORT), principalmente dor na musculatura cervical e nos ombros; problemas gástricos, como indisposição gástrica ou epigastralgia; desordem do sono, irritabilidade, nervosismo, fadiga, ansiedade, angústia, ímpetos de raiva, perda de concentração, humor depressivo, doenças psiquiátricas, suicídio, tabagismo, abuso ou dependência de álcool e de outras drogas; insatisfação profissional e aspirações reduzidas, burnout, absentismo laboral, turnover, conflitos laborais e deficiente controlo de qualidade (Hespanhol, 2005; Murta & Tróccoli, 2005; Couto, Vieira & Lima, 2007).