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CONCLUSÕES E DESENVOLVIMENTOS FUTUROS

Neste último capítulo, são apresentadas as conclusões e os desenvolvimentos futuros.

5.1 Conclusões

O estudo de caso aqui apresentado, incide sobre a análise das alterações da cobertura do solo do Parque Nacional da Peneda-Gerês, a partir de imagens de satélite integradas numa plataforma de Sistemas de Informação Geográfica.

A seleção e o pré-processamento de imagens constituíram etapas preponderantes no decurso da avaliação das alterações da cobertura do solo. Uma seleção de imagens de datas anuais próximas, ou seja, de ciclos anuais idênticos, atenuam as discrepâncias na refletância causada pelo fluxo sazonal da vegetação e minimizam as diferenças do ângulo de incidência solar, contribuindo assim, para a melhoria dos resultados obtidos.

O processamento de imagens, estabelecido na metodologia, assentou fundamentalmente em 3 abordagens: a Análise de Componentes Principais (PCA), a Diferenciação do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) e a Classificação de Imagens.

A análise de componentes principais (PCA) mostrou-se uma importante ferramenta na deteção de mudanças da cobertura vegetal do solo no período em estudo. A interpretação deste método depende essencialmente da análise estatística sobre as transformações sucedidas, em particular da matriz de variância/covariância, da matriz de correlação, dos vetores e valores próprios. Dos 6 componentes principais, resultantes deste processamento, os três primeiros são capazes de explicar praticamente toda a variabilidade em valores de radiância. Os restantes componentes tendem a ser dominados por efeitos de ruído, podendo por isso, ser ignorados, diminuindo assim o volume de dados sem perda significativa de informação. Apesar dos resultados não serem de fácil interpretação, a PCA apresenta grande potencial para a deteção de áreas de mudanças na vegetação, uma vez que fornece sinais de ocorrência dessas alterações. Com base nos resultados estatísticos dos fatores de carga e na interpretação visual, os resultados apontam uma mudança na vegetação no segundo e terceiro componentes em qualquer um dos pares temporais em análise. Além disso, os resultados obtidos pela PCA mostram que se trata de um algoritmo rápido e fiável, que pode ser usado para detetar áreas de mudança em vários ecossistemas, e por isso, reveste-se de elevada importância em deteção

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remota. Contudo, foi necessário prosseguir com análises complementares que mostrassem que efetivamente se registaram alterações na cobertura do solo na área do Parque Nacional.

Por conseguinte, para determinar a trajetória das mudanças foi aplicado o algoritmo de diferenciação NDVI, sobre as imagens NDVI de cada uma das datas em análise.

Na execução da diferenciação de NDVI, foram estabelecidos limites de não mudança no gráfico de distribuição normal, equivalentes à soma e à subtração do desvio padrão à média dos pixéis da imagem de diferenciação. No entanto os limites usados foram definidos de forma conservadora. Um valor superior ao desvio padrão podia ter sido usado, como sugere a literatura de referência, desde que fosse possível criar uma amostra de pontos de controlo, distribuídos aleatoriamente para validar os resultados obtidos. Contudo, ratificar este grupo de pontos implicaria o acesso a ortofotomapas atualizados ou ao reconhecimento direto no terreno. Esta é uma matéria que pela sua elevada relevância poderá ser aprofundada em desenvolvimentos futuros.

Por seu lado, a classificação de imagens de satélite para os anos em estudo, foi efetuada tendo resultado em mapas temáticos da cobertura do solo do PNPG. Esta classificação foi realizada pelo método Não Supervisionado, tendo-se obtido mapas de classes para cada um dos 3 anos em estudo. Os mapas representam 5 classes previamente definidas, da cobertura do solo, sendo possível avaliar a percentagem de área por classe. Para além disso, permitiu fazer uma leitura comparativa da variação por classe ao longo do período em análise.

A classificação Supervisionada acabou por não ser realizada, uma vez que concretizar esta classificação implicaria o reconhecimento das diferentes coberturas do solo através de ortofotomapas ou através de levantamento de pontos de verificação no terreno. De outro modo não seria possível assinalar na imagem padrões espetrais sem o reconhecimento dos padrões espaciais. É uma abordagem que permanece em aberto, para desenvolvimentos futuros.

Os resultados da análise de componentes permitiram detetar quer gráfica, quer numericamente, a ocorrência de alterações. Foram também obtidos, mapas de diferenciação de índices de vegetação, que permitem uma análise da variação anual da vegetação, através de um mapa de cores que assinala geograficamente, incrementos e decrementos vegetativos. Os resultados do procedimento classificativo permitem uma avaliação quantitativa e qualitativa das classes da cobertura do solo e possibilitam a análise da sua variação temporal.

Por conseguinte, é possível detetar e avaliar as alterações da cobertura do solo através de técnicas de deteção remota e criar ferramentas de mapeamento e monitorização fiáveis para o estudo de áreas naturais, de elevado interesse ambiental.

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5.2 Desenvolvimentos futuros

Os resultados obtidos neste estudo, sobre a dinâmica da cobertura do solo, podem ser considerados um ponto de partida muito útil para melhorar a análise dos padrões espaciais e temporais das alterações da cobertura do solo.

Em desenvolvimentos futuros, poder-se-á prosseguir com o estudo dos limites a aplicar no método da Diferenciação de NDVI e com uma Classificação Supervisionada.

Contudo, este estudo demonstrou que é possível, a partir de uma série temporal de imagens de satélite, de acesso livre, e utilizando algoritmos de processamento de imagem, criar ferramentas de suporte à gestão de uma área natural como é o caso do PNPG.

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