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O conceit o de comunidade virt ual, a despeit o de muit as crít icas, aqui é empregado para det erminar diversas f ormas de grupos via CMC (comunicação mediada por comput ador), numa aproximação aos conceit os de Reingold (1994) e Cost a (2002). São est rut uras cuj o f oco de int eração se dá at ravés de redes digit ais de t elecomunicação, independent ement e de f ront eiras geográf ico-t emporais, de est rut uras sociais t radicionais e que se f ormam at ravés de int eresses comuns.

O recort e hist órico começa pelas BBS12 – ou bullet in board syst ems – que eram sist emas inf ormát icos que permit iam a conexão via modem, ant es mesmo do surgiment o da int ernet . A primeira BBS surgiu em 1978 e at é hoj e é possível encont rar BBSs em pleno f uncionament o. Em uma BBS era possível – ent re vários serviços - enviar mensagens, part icipar de f óruns de discussão e ent rar em salas de bat e papo, primordialment e at ravés de t ext o. Apesar de ainda não serem ut ilizadas imagens para represent ação de ident idade, quem ut ilizava os serviços da BBS precisava se ident if icar com um nome de usuário, geralment e um apelido (os “ nicknames” ). Já era usual o desprendiment o ent re quem a pessoa verdadeirament e era e quem gost aria de ser. Sendo assim, era possível um mesmo membro aparecer em dif erent es ambient es com diversos apelidos: em det erminado grupo, assumia um apelido f eminino (p.ex.: carol22), em out ro grupo, um apelido mais genérico (p. ex.: dent ist a_sp).

Semelhant es às salas de bat e-papo de uma BBS eram os IRCs (ou Int ernet Relay Chat ), sendo o mais f amoso deles o mIRC13, um programa de rede de comunicações baseada em t ext o onde os ut ilizadores se ident if icavam at ravés de apelidos.

Nessa época, a int ernet j á era explorada comercialment e – depois de 1995, ano marco do surgiment o da f igura dos provedores de acesso no Brasil. Ou sej a, j á havia a possibilidade de ident if icação at ravés das primeiras páginas pessoais com f ot ograf ias, mas como a maioria ainda não dominava as f errament as de criação para const rução de páginas da web, a grande part e da comunicação ainda era f eit a via sof t wares de t ext o.

O mIRC era o sot ware de “ chat ”14 que dominava o mercado, at é o apareciment o do ICQ (ou I Seek You), programa de mensagens inst ant âneas muit o popular, que t eve seu boom ent re 1997 e 1999 mas at ualment e est á em desuso. Out ros dois sof t wares surgiam nessa mesma linha, o comunicador inst ant âneo da AOL e o da Microsof t .

At ualment e o MSN15 da Microsof t é líder de mercado. Nele a

int eração ainda é em sua maioria baseada em t ext o, porém logo nas primeiras versões era possível escolher imagens para se ident if icar e at ualment e, a part ir da dif usão das conexões rápidas, out ros dois recursos se t ornaram habit uais: voz e vídeo.

Os BLOGs (ou weblogs), que são páginas da web at ualizadas por seu dono ou aut or (o “ blogueiro” ), são mais semelhant es aos f óruns de discussão. At ravés de “ post s” (ou post agens), o blogueiro insere coment ários e not ícias que j ulga pert inent e, numa espécie de diário onde os visit ant es podem deixar coment ários. Normalment e são rudiment ares em sua aparência, porém são f acilment e at ualizáveis. Sua int erf ace simplif icada f az part e do seu sucesso de dif usão em 1999, com o surgiment o de diversas f errament as de

13 ht t p:/ / www.mirc.com/ , acesso em 02/ 03/ 2007. 14

Bat e-papo.

at ualização, ent re elas, o Blogger16. Tal simplicidade signif icou a democrat ização da geração de cont eúdo para web, com t odos os seus pont os posit ivos e negat ivos.

FOTOLOG

Com a propagação dos BLOGs, surgiram os FLOGs (ou f ot ologs), que f uncionavam como diários da vida cot idiana na web, só que cont ados at ravés de imagens e f ot ograf ias. O mais f amoso deles é o Fot olog17, que at é j unho de 2007 cont ava com mais de dez milhões de cont as abert as, quase t rezent as mil imagens, t endo em média a inserção de quase duzent as mil f ot os por dia. Nos FLOGs as imagens são apresent adas em ordem cronológica e os coment ários de visit ant es f icam logo abaixo. Assim como os BLOGs, os f ot ologs t ambém são de f ácil at ualização: não é necessário aprender linguagens de programação para compart ilhar suas imagens.

Um FLOG é ligado a out ro at ravés de pequenas imagens chamadas de “ t humbnails” , int erligando sit es com a escolha pessoal de seu criador: f ot ologs de assunt os similares, de amigos ou de f ot ógraf os inspiradores. O principal obj et ivo é divulgar suas imagens para o maior número possível de pessoas, além de receber coment ários sobre suas imagens.

Alguns “ f loggers18” t êm como público alvo seus f amiliares e

amigos. Out ros ut ilizam a f errament a para market ing pessoal massivo, o que t ransf ormou anônimos em celebridades com f ãs dispost os inclusive a pat rocinar as cont as de seus ídolos. É o caso da j ovem de cabelo mult icolorido MariMoon19, a mulher inspirada em Alice no País das Maravilhas,

16 ht t p:/ / www.blogger.com/ acesso em 25/ 03/ 2007. 17 ht t p:/ / www.f ot olog.com/ , acesso em 25/ 04/ 2007. 18

Dono ou aut or de um f ot olog.

HelenBar20, a babá gót ica Sinist ra21 , o t ranf ormist a Alisson Got hz22 (t odos brasileiros) e da erot izada e bem sucedida Nat ascha Merrit23.

Aut o-ret rat o de MariMoon De f logger à celebridade, com aj uda de seu visual colorido MariMoon começou com aut o-ret rat os em seu f ot olog, chamou a at enção de muit os visit ant es, apareceu em revist as e t elevisão e abriu uma loj a24 na int ernet que vende roupas e acessórios parecidos com os seus (ela é f igurinist a), além de dar dicas de como deixar seu cabelo colorido.

Ao cont rário de MariMoon, que most ra seu cot idiano em f ot os e sit uações corriqueiras, HelenBar e Sinist ra são f iguras f emininas const ruídas digit alment e.

HelenBar Sinist ra

20 ht t p:/ / www.f ot olog.com/ helenbar/ , acesso em 28/ 06/ 2007. 21 ht t p: / / www. f ot olog. com/ sinist ra/ , acesso em 28/ 06/ 2007. 22 ht t p:/ / www.f ot olog.com/ alissongot hz/ , acesso em 28/ 06/ 2007. 23

ht t p:/ / www.digit algirly.com/ , acesso em 02/ 01/ 2007.

HelenBar e Sinist ra const roem ambient ações digit ais at ravés de vest iment as, maquiagem e cenários híbridos para auxiliar a t rama. Mas apesar de emprest arem corpo e rost o para suas personagens, pref erem mant er sua verdadeira ident idade em segundo plano.

Alisson Got hz vai no sent ido quase opost o, t razendo suas personagens para sit uações cot idianas. Não é raro encont rá-lo em event os da vida not urna paulist ana t ravest ido com perucas e maquiagem exuberant es e chamat ivas. As ações ent re Fot olog e cot idiano complement am a const rução de sua ident idade. Alisson Got hz mescla recursos de maquiagem e de sof t wares de manipulação de imagem (como o phot oshop) para criar seus personagens exót icos.

Alisson Got hz

Já Nat asha Merrit t se f ot ograf a incessant ement e com uma câmera digit al, em ângulos e sit uações surpreendent es, normalment e envolvendo suas experiências sexuais com amigas e amigos, além mais diversos t ipo de acessórios erót icos.

Nat shcha Merrit t

A maioria dos aut o-ret rat os de Merrit l é f eit o ao alcance do braço e com a iluminação disponível (sem produção), o que gera em muit as imagens o pixelado t ípico de imagens digit ais f eit as com pouca luz. Det alhes ínt imos são escancarados ao público quando Merrit resolve publicar suas imagens na web. A aut o-exposição excessiva e radical rendem a Nat ascha Merrit uma bela publicação25 pela Taschen Books, um grande edit ora de livros de art e.