3. METODE
3.5 K VALITETEN PÅ STUDIEN
As informações utilizadas nesse estudo são provenientes dos microdados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (IBGE, 2010c), pesquisa de caráter amostral, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), para os anos 2008/2009. Essa pesquisa, realizada para uma amostra de 55.970 domicílios, situados nas áreas urbanas e rurais de todo território brasileiro, disponibiliza informações sobre a composição orçamentária doméstica e sobre as condições de vida da população, visando mensurar as estruturas de consumo, dos gastos e fontes de rendimento. Além disso, a pesquisa mostra informações antropométricas, bem como o consumo e despesa individual (IBGE, 2010d).
Como é proposta uma análise no âmbito domiciliar, o fato de existir preferências diversas entre os moradores é desconsiderado, visto que se investiga a aquisição dentro do domicílio, considerando-o como consumidor único. Assim, as variáveis foram agregadas por domicílio. A alimentação fora do domicílio, apesar de ter uma despesa equivalente a quase um terço da despesa total com alimentos, não pôde ser incluída neste estudo. Isso ocorreu porque a POF, neste caso, não apresenta as quantidades consumidas, o que impossibilita a construção dos valores unitários, além de, em alguns casos, os gastos com as refeições não aparecerem desagregados por tipo de alimentos consumidos12.
Todas as variáveis utilizadas foram criadas a partir dos seguintes registros da POF: Pessoas (registro nº 2), Condições de Vida (nº 4), Caderneta de despesas domiciliares (nº 11) e Despesas Individuais (nº 12). Da Caderneta de Despesa, extraíram-se as quantidades da cesta de bem em análise (Tabela 1), já expressas em quilogramas, parcelas de gasto, valores unitários e dispêndio total. Os produtos considerados no sistema de demanda neste trabalho foram escolhidos com base na classificação dos grupos alimentares da POF, devido a sua importância na aquisição domiciliar em relação aos demais itens dentro do subgrupo alimentar analisado, como também a sua importância para uma alimentação saudável e variada (IBGE, 2010e). Os 25 bens escolhidos correspondem a aproximadamente 80% da quantidade domiciliar per capita, permitindo obter um sistema representativo para o grupo alimentar em análise, sem criar um número excessivo de equações.
Os vetores e , utilizados no 1º e 2º estágio, respectivamente, são compostos por variáveis que permitem captar as diferenças no padrão de consumo entre os domicílios, em relação à composição, localização e hábitos (Quadro 2). No primeiro grupo de variáveis, pode-se captar como a estrutura familiar e as características do responsável pelo domicílio
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contribuem na aquisição de alimentos mais saudáveis. Considerou-se como variáveis categóricas: uma variável que identifica se o responsável pelo domicílio é do sexo feminino, se existem crianças e adolescentes, e se existem idosos. Incluiu-se também uma variável que identifica a escolaridade do responsável. A análise descritiva de todas as variáveis utilizadas são apresentadas na Tabela A1, no Apêndice.
Variáveis Descrição
Localização Domiciliar
Urbano Domicílio localizado em zona urbana=1; caso contrário=0 Norte Domicílio localizado na região Norte=1; caso contrário=0 Nordeste Domicílio localizado na região Nordeste=1; caso contrário=0
Sudeste Domicílio localizado na região Sudeste=1; caso contrário=0 Centro Oeste Domicílio localizado na região Centro-Oeste=1; caso contrário=0
Composição Domiciliar Renda Renda domiciliar per capita *
Chefa Chefe de família do sexo feminino = 1; caso contrário = 0 Escolaridade Anos de estudo do chefe de família
Criança Presença de criança=1; caso contrário = 0 Adolescente Presença de adolescente=1; caso contrário = 0
Idosos Presença de idoso=1; caso contrário = 0 Hábitos de Vida
Obesos Nº de pessoas no domicilio que estão acima do peso
Cigarro e álcool Gastos com bebidas alcoólicas e cigarros no domicílio=1; caso contrário=0
Atividade Física Gastos com academia=1; caso contrário=0
Avaliação Considera a alimentação adquirida adequada=1; caso contrário=0 Quadro 3 – Variáveis presentes nos vetores e .
Nota: * variável usada apenas no 1º estágio.
Outra variável considerada é o logaritmo da renda domiciliar per capita, incluída apenas no vetor (1º estágio da estimação), optando-se por utilizar nas equações de demanda do 2º estágio o dispêndio total com os n bens, visto que preserva a restrição da aditividade, além de permitir a hipótese de separabilidade do orçamento (COELHO, 2006).
As variáveis de localização permitem verificar as diferenças de consumo entre as regiões geográficas e as zonas de residência. Assim, utiliza-se uma variável que identifica a diferença de consumo entre as áreas urbanas e rurais. Para as dummies que representam as regiões geográficas, a região Sul é considerada como base de comparação, pois é a região que
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tem maior participação dos grupos alimentares considerados no consumo calórico domiciliar (IBGE, 2010b).
Além dessas variáveis, como se supõe que os hábitos de vida saudáveis dos indivíduos possam influenciar o consumo dos tipos de alimento analisados, são incluídos no sistema de demanda as variáveis que representam a existência de pessoas obesas no domicílio, o consumo de bebidas alcoólicas e de cigarros (proxies para baixa preocupação com a saúde), a preocupação com a prática de exercícios físicos, expressa pela existência de gastos com essas atividades (proxy para preocupação com a saúde) e o reconhecimento do tipo de alimentação adquirida pelo responsável do domicílio, consideradas como proxies para os cuidados com a saúde e conscientização dos hábitos alimentares. O número de obesos é identificado pelo número de pessoas com IMC (Índice de Massa Corpórea) acima do valor definido em Cole et al. (2000), que caracteriza o estado de obesidade, de acordo com o IMC por faixa etária. As variáveis relacionadas ao gasto com cigarros e álcool, bem como ao gasto com atividades físicas, são dummies que identificam se existiu algum destes no domicílio. Por fim, criou-se uma dummy que identifica se o domicílio adquire sempre os alimentos desejados, como forma de captar se os produtos analisados fazem parte das preferências domiciliares, ou seja, se domicílios que consomem sempre os alimentos desejados tendem a consumir alimentos saudáveis. Assim, essa variável capta a autopercepção do tipo de dieta realizada dentro do domicílio.
Dos 55.970 domicílios entrevistados pela POF, 1.199 não informaram alguma das variáveis demográficas consideradas. Também foram retiradas 116 observações, cujos preços finais, obtidos após a estimação pelo procedimento de Cox e Wohlgenant (1986), possuíam valores muito discrepantes. Ressalta-se que alguns domicílios declararam o consumo de banana, porém não declararam despesa. Esses casos não foram retirados e os preços imputados equivalem ao preço médio da UF. A amostra final possui 28.128 observações, correspondente aos domicílios que declararam o consumo de pelo menos um dos bens (incluindo o bem residual).
Para permitir uma análise por faixas de renda, os domicílios foram divididos de acordo com quartos da distribuição de renda per capita, devido às possíveis discrepâncias de consumo. O primeiro grupo (rendimento inferior) pertence ao 1º quartil da distribuição de renda domiciliar per capita, que inclui domicílios com renda até R$285,02/ pessoa. No segundo grupo (rendimento intermediário) estão os domicílios com renda per capita entre de
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285,02 e 984,45 (2º e 3º). No grupo com rendimento mais alto estão os domicílios do 4º quartil da distribuição, cuja renda per capita é superior a R$ 984,45 (Tabela 3).
Tabela 3 – Intervalos de renda per capita considerados para a classificação das classes de rendimento
Quartil Classe Intervalo de renda per capita
1º Inferior Até R$ 285,02/ pessoa
2º e 3º Intermediária de R$ 285,03 e até R$ 984,45/ pessoa
4º Superior maior que R$ 984,45/ pessoa
Fonte: Resultados da Pesquisa.
Ressalta-se que, apesar dos microdados utilizados pertencerem a um plano amostral complexo, a estimação por NLSUR não tem suporte para estimações do tipo “survey13”. Logo, essa é uma limitação presente neste trabalho, decorrente da estrutura do modelo que não permite a estimação considerando o desenho amostral.
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