Utvikling over tid for total oppholdstid i akuttmottak
6.4. Validitet og generaliserbarhet
Discutir turismo no espaço rural é uma tarefa complexa e instigante. Sua realidade é o resultado de uma combinação histórica de tempos, de diferentes realidades culturais, sociais, políticas, econômicas e territoriais. O meio rural estava essencialmente, ligado às práticas agrícolas, que se desenvolveria para a produção de alimentos, urgentemente necessária para o abastecimento da população, que crescia em proporções consideráveis. Dessa forma, a agricultura foi-se desenvolvendo a partir das necessidades específicas de cada parte do mundo e no caso da Microrregião de Viçosa, teve na cafeicultura, o seu principal produto.
Várias mudanças ocorreram, na sociedade, ao longo da história. Novos valores surgiram, principalmente após a Revolução Industrial, e o processo de urbanização se tornou cada vez mais intenso e distinto da realidade rural. Essa realidade se modificou, ao longo do tempo. Hoje (2010), é difícil mencionar a totalidade do rural separado do urbano. A economia passou por várias modificações: avanços industriais, inclusive da agricultura; reestruturações produtivas; aumento da produção e da riqueza; entre outras. Na área de estudo, isso se expressa pela interação entre os serviços tipicamente urbanos e a prática diária que envolve as propriedades rurais.
A expansão capitalista surtiu efeitos nos dois espaços, possibilitando trocas intensas entre eles, não somente econômicas, mas sociais e culturais. As diferenciações do rural e do urbano e a classificação do que é um e outro envolvem várias implicações, já que existem diferentes lugares, diferentes identidades e diferentes realidades sócio-culturais. O rural sofreu modificações nas suas próprias estruturas internas e foi influenciado por elementos urbanos provenientes dos constantes fluxos entre esses dois espaços, intensificados com a globalização, com a diminuição das distâncias, com o crescimento dos mecanismos de informação, com a banalização do automóvel, e por outros fatores.
O crescimento econômico, de certa forma, favorece as regiões mais dinâmicas, mais centrais, mais acessíveis e equipadas, deixando à margem regiões “periféricas”, menos dotadas de fatores de produção, acentuando as disparidades regionais, contribuindo para o
abandono dos recursos locais e para o êxodo, podendo gerar desertificação humana e diversos problemas de preservação de recursos, sejam eles materiais ou imateriais. Essas regiões, carentes de investimentos, na falta de perspectivas necessitam de desenvolvimento que ultrapasse a esfera política e a livre circulação capitalista. São necessárias estratégias de desenvolvimento local, fato que não ocorre na área de pesquisa, pois esse desenvolvimento ainda está longe da realidade local.
Muitos espaços rurais envolvidos com o turismo se inserem nessa lógica: regiões não- centrais, de pouco desenvolvimento, cujas causas podem estar na própria estrutura física do local, solos pouco férteis, clima desfavorável, relevo muito acidentado, entre outras. As causas podem estar também na acessibilidade do lugar, que dificulta as iniciativas e investimentos econômicos. As causas podem ser inúmeras, originadas da própria propriedade – como, por exemplo, na forma de administrar os rendimentos -, como também podem partir da própria conjuntura econômica local, regional, nacional ou mundial, como crises econômicas relativas à produção agrícola, etc.
O desenvolvimento do espaço rural, a partir disso, passou a ser pensado além da esfera agrícola, com contribuição das novas políticas, mais atentas aos efeitos ambientais causados pela nova agricultura, com a difusão das culturas voltadas ao meio ambiente, tudo isso resultado das mudanças de contexto, da agressividade do capitalismo, induzindo ao reconhecimento da multifuncionalidade desse espaço, combinando desenvolvimento econômico e conservação da paisagem humana e natural.
A atividade turística expressa relações com os lugares, que compreendem elementos velhos e novos. Os lugares podem se constituir em um potencial turístico e se tornarem um fenômeno econômico, político, social e cultural. Em algumas áreas rurais o turismo pode representar uma alternativa, mesmo que secundária, de geração de renda, tendo por característica marcante o sobretrabalho e a abrangência de um espaço circunscrito ao local É o que se averigua na Microrregião de Viçosa.
Em muitos espaços rurais, no Brasil, o turismo vem-se desenvolvendo e seduzindo produtores rurais como prestadores de serviços, que abrem suas propriedades e reorganizam as unidades de produção agrícola. Assim, o rural passa a ser um atrativo para os moradores das áreas urbanas, cada vez mais interessadas em consumir esse espaço como espaço de lazer, como um refúgio para o combate ao estresse, como forma de descanso e contato com a natureza, fazendo com que um considerável contingente de pessoas se desloque para o campo. Com isso, as oportunidades de desenvolvimento do turismo rural, em propriedades familiares, têm suscitado novas expectativas para a geração de renda, mesmo sendo elas de caráter
suplementar, o que vem atraindo e estimulando novos proprietários da área de estudo a também investirem no turismo, em suas propriedades.
Considerando que certas áreas rurais necessitam se desenvolver economicamente e que o turismo pode ser uma alternativa interessante de atividade não-agrícola de geração de renda e emprego, é preciso considerar que cada localidade tem seus valores sócio-culturais, seus ritmos, relações sociais e de produção historicamente fixados. O turismo resulta em fluxo de pessoas e serviços, significa encontro e desencontro; a cultura do lugar entra em contato com outras culturas, de lugares distintos.
É preciso pensar o turismo com o cuidado de não fazer do espaço uma simples mercadoria, sem conteúdos imateriais. Os moradores dessas áreas traçaram suas identidades, seus modos de vida, seus hábitos e costumes, que devem ser relevados dentro do desenvolvimento local. É imprescindível preservar esses elementos e pensar na qualidade de vida das populações locais e sua reprodução, a partir das características sócioculturais e ambientais. Analisando essa afirmação, e transportando-a para a área de estudo, acreditamos que essa preocupação ocorra de forma positiva entre os proprietários rurais.
O turismo apresenta uma importância considerável na atualidade, principalmente como atividade econômica. Em muitos lugares ele é o maior responsável pelo desenvolvimento local; seu crescimento e seu potencial, entretanto, não proporcionam somente benefícios, mas vários impactos negativos são gerados a partir dessa atividade. Assim, para minimizar esses efeitos negativos e garantir o desenvolvimento sócio-espacial no sentido de geração de emprego e renda, é necessário um planejamento de desenvolvimento local ligado ao turismo que vise à proteção dos recursos naturais e humanos.
Entretanto, tais fatos ainda não podem ser apontados como contemplados nas políticas públicas de turismo, ou mesmo junto ao Circuito Turístico do qual as propriedades rurais da pesquisa fazem parte. É o que se pretende averiguar no capítulo dois deste trabalho.
A chegada do turismo nas propriedades rurais nem sempre vem trazendo, em seu interior, o verdadeiro significado de desenvolvimento e este, quando aparece, tem apenas um cunho econômico, ignorando as funções naturais, sociais e culturais que os envolvidos com a atividade turística possuem, resultando num sobretrabalho na produção familiar, em todas as propriedades rurais envolvidas com o turismo.
Entendemos que, aos poucos, essas propriedades rurais vão inserindo pluriatividades que mobilizam seus membros familiares, onde todos se desdobram para atender às necessidades produtivas da fazenda e, ao mesmo tempo se preparam para receber o turista ou mesmo o excursionista em finais de semana ou feriados. Isto caracteriza uma dupla jornada de
trabalho para esses proprietários, que conseguem receber os turistas na condição de produtores rurais, produzindo café.
Mas que transformação é essa que vem ocorrendo? Como se dá essa transformação do produtor rural em um receptor de turista ou mesmo administrador de eventos turísticos? Como os usos e apropriações, pelo turismo, possibilitam o desenvolvimento local? Tomando- se a área de estudo como referência, essas são algumas das indagações que pretendemos analisar, ao longo deste trabalho.
Para isso, estaremos buscando entender as transformações que vêm ocorrendo em várias propriedades rurais da Região do Minho, em Portugal e também na Microrregião de Viçosa, visando, ao mesmo tempo identificar os vários usos e apropriações que o turismo vem realizando, nas referidas regiões.
2.3.1 - A PLURIATIVIDADE COMO FATOR DE DESENVOLVIMENTO LOCAL