3.3 Simulering av scenarier med mikrobeforurensning
4.1.1 Validering av modell
Para além da diminuição dos montantes disponíveis para combater o subdesenvolvimento a que estão vetados muitos países do nosso mundo, a quantidade de países que carecem dessa mesma ajuda para saírem da situação em que se encontram não pára de aumentar.
Parar com a ajuda para o continente africano significará uma maior degradação ambiental, um aumento de doenças, de conflitos e de refugiados.
A atenção de alguns doadores passou também a centrar-se em regiões que anteriormente não recebiam tão grandes percentagens de ajuda como o recebem agora. É o caso por exemplo dos países do Norte de África, que após o aparecimento mais acentuado do fundamentalismo islâmico, centrou a atenção dos países doadores que para ai canalizaram uma razoável percentagem das verbas para a ajuda, em detrimento dos países africanos a sul do Sahara, que deixaram de ser os receptores privilegiados da ajuda externa internacional em África como até ai vinha acontecendo.
" A relação entre a EU e os ACP, no plano orçamental estagnou ou degradou-se. As palavras de Emma Bonino, Comissária Europeia da Ajuda Humanitária, em entrevista à revista Défis-Sud, são bem elucidativas:
«(...) na época em que o mundo estava dividido em dois blocos políticos a África podia facilmente desempenhar um papel estratégico nas alianças. O valor de certos países media-se pela importância das suas posições geográficas e pelo preço a pagar para que eles se juntassem a um ou outro bloco. A importância de certos países de África dependia essencialmente da sua atitude em relação aos dois blocos e do peso do seu passado colonial. Com a queda do Muro de Berlim tudo mudou. O mundo deixou de estar bipolarizado a África desapareceu da prioridade política dos países do norte. Ela corre mesmo o risco de desaparecer de todas as prioridades. Os países mediterrâneos, por razões evidentes, têm muito mais importância aos olhos dos europeus. Alguns países africanos permanecem importantes na cena internacional porque são ricos em matérias- primas ou conservam uma importância estratégica, como a África do sul. Mas eu creio bem que o resto de África perdeu toda a importância política ou económica imediata. Em matéria política não fazemos, jamais, projecções a médio e longo prazo. O interesse transfere-se para os países de leste ou ex-soviéticos, política e economicamente mais importantes hoje." (AFONSO, Maria Manuela, 1995, p. 173 e174)
Em simultâneo, com a alteração da distribuição geográfica da ajuda, também as áreas na qual a ajuda é utilizada vem sofrendo progressivas alterações, tentando acompanhar as permanentes alterações do sistema internacional.
Uma cada vez mais significativa fatia das verbas utilizadas para o desenvolvimento dos PVD são utilizadas para fazer face a situações de emergência e para socorrer regiões que são devastadas por conflitos. Como facilmente se depreende, esta situação leva a que exista uma redução dos índices de desenvolvimento.
As intervenções que ao longo dos anos foram feitas por exemplo nos conflitos da Somália, Ruanda, Burundi, Sudão, Moçambique entre muitos outros países que sofreram conflitos militares, absorveu muitas das verbas que estavam destinadas ao desenvolvimento desses países.
" De acordo com os relatórios do PNUD, a Ajuda não é orientada para as áreas prioritárias do desenvolvimento humano. A educação básica, os programas de nutrição, os serviços de planeamento familiar e o fornecimento de água potável nos espaços rurais recebem pouca atenção. As diferenças para doadores são, contudo, marcantes: para a Dinamarca a participação nestes sectores é de 25%, enquanto que para a Alemanha é apenas de 2%, e as instituições multilaterais atribuem-lhes cerca de 16%. Nestas, destaca-se a UNICEF que se dedica exclusivamente a tais questões. Dentro dos sectores prioritários, a distribuição dos recursos favorece os centros urbanos relativamente às zonas rurais; o ensino superior recebe mais apoio do que a educação básica e, os cuidados primários de saúde beneficiam de menos de 30% do total consagrado a este sector.
Se o ambiente se tornou uma prioridade, há ainda um grande hiato entre objectivos declarados e o respectivo incremento. Para o PNUD, os fins e as motivações da Ajuda são demasiado vastos para que a mesma possa ser eficaz. Ela deveria concentrar-se num reduzido número de objectivos claros e globais e, a partir daí, assegurar-se da ligação entre intenções e resultados.
« Se a ajuda estivesse directamente ligada à satisfação de certos objectivos prioritários de desenvolvimento humano e fossem elaborados tratados mundiais de segurança humana, poderia ter um impacto profundo na sua distribuição. A afectação da APD seria determinada pela capacidade de cada país contribuir para a resolução daqueles objectivos. Em vez de distribuir esmolas aos clientes favoritos, a APD poderia chegar onde as necessidades fossem maiores. Passaria a ser menos uma questão de caridade e mais um investimento em segurança humana mundial»(PNUD: 77)
O respeito pelos direitos humanos, apesar das dissertações, também parece não ser tido em grande consideração na atribuição da APD (a Indonésia e a China são apenas dois exemplos). A promoção da capacidade empreendedora nacional e da «boa governação», apregoadas nos discursos políticos da Ajuda, nem sempre se verificam. A necessidade nem sempre está na razão directa da ajuda, muitas vezes os peritos nacionais são preteridos em relação a estrangeiros, e a
corrupção e a centralização podem mesmo aumentar." (AFONSO, Maria Manuela, 1995, p. 175 e 176)
Em suma, e conforme se pode verificar nos pontos anteriores, com o fim da Guerra Fria e devido às muitas alteração que dai decorreram, existem hoje novos desafios para a cooperação resultantes de várias situações, como são o caso da diminuição do volume da ajuda fruto das restrições orçamentais e da crise económica, a mudança na estrutura da ajuda que hoje em dia é cada vez mais bilateral em detrimento da cooperação multilateral, a alteração das áreas consideradas prioritárias nas quais o Norte de África assume cada vez uma maior importância, ao invés da África a Sul do Sahara que parece cada vez mais esquecida, as alterações na composição da ajuda que hoje se centra especialmente no combate a situações de emergência em detrimento do desenvolvimento a longo prazo, as condições impostas para a ajuda ser concedida nomeadamente a condicionalidade política, entre alguns aspectos mais que determinam hoje, " o início de uma nova era nas relações Internacionais da cooperação", tal como refere a autora Maria Manuela Afonso.