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A NALYSERE

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Com a finalidade de coletar as informações necessárias para análise da produção das vogais do espanhol, utilizamos: a) A ficha e questionário do informante; b) Testes de produção.

3.4.1.1 Ficha e questionário dos informantes95

Contactamos, primeiramente, os professores das turmas a serem investigadas, para expor nosso propósito. Após a autorização dos docentes para a realização da pesquisa, passamos à aplicação da FQI. Expomos nossos objetivos aos alunos e informamos que se tratava de um trabalho de pesquisa sem, no entanto, mencionarmos o foco de nossa observação. O período letivo na instituição começou no ano de 2011.1, tendo início em fevereiro, e a partir do mês de março, iniciamos a aplicação da ficha. Todo esse processo foi bastante difícil, pois tivemos que ir até a sala de aula dos grupos selecionados, mais de uma vez, para aplicar a ficha, pois nunca conseguíamos encontrar todos os alunos da turma em um mesmo dia e, além disso, ficávamos aguardando a autorização do professor para entrar na sala em um horário mais adequado a fim de não atrapalhar sua aula. Uma vez selecionados os informantes que se enquadravam no nosso perfil, fazíamos uma breve consulta para saber se eles gostariam de participar da pesquisa. O fato é que os alunos ainda se mostravam intimidados diante da situação e se sentiam receosos em participar. Alguns se negavam a participar e, então, tínhamos que buscar aqueles que se dispusessem e se enquadrassem no perfil esperado.

Cada informante teve um código a ser preenchido pela pesquisadora, resguardando, assim, sua identidade. A ficha foi respondida previamente em sala de aula com o objetivo de obter dados dos informantes, telefone e e-mail, para que pudéssemos contactá-

los, posteriormente, além de buscar informações importantes que pudessem nos ajudar ou interferir na pesquisa. Essa ficha teve como objetivo maior, selecionar os informantes, a fim de verificar o perfil do aluno.

O entrevistado teve sua ficha codificada96 em dígitos ordenados de forma crescente, apresentando as seguintes características:

Quadro 16 – Codificação da ficha e questionário do informante

Dígitos Categorização Códigos

Primeiro dígito: sexo Masculino G

Feminino G

Segundo dígito: localidade de nascimento

Fortaleza 1

Interior do Estado 2

Terceiro dígito: nível de proficiência na l1

Graduando em Letras com habilitação em língua portuguesa e língua espanhola e suas respectivas literaturas

Y

Graduados Z

Quarto dígito: nível de proficiência na l2

Semestre II P

Semestre VI Q

Semestre X R

Quinto dígito: número de identificação do

informante

Informante 1 ao informante 10 1 a 10

Exemplifiquemos o processo de codificação do informante através da seguinte ocorrência: g1YQ1. A sequência mostra que o informante é do sexo feminino (g), nasceu em Fortaleza (1), é graduando em Língua Portuguesa e Língua Espanhola e respectivas literaturas (Y), cursa o sexto semestre da graduação na UFC (Q) e é, na sequência dos informantes coletados, o primeiro deste grupo (1).

A FQI contem os dados pessoais dos informantes e um questionário. Os discentes foram questionados quanto:

Ao conhecimento da língua espanhola;

Ao conhecimento de outras línguas estrangeiras;

Ao interesse de ordem subjetiva e de ordem culturalpolítica-econômica pelo estudo da língua espanhola;

Ao contato com a língua espanhola;

Ao estudo específico na área de pronúncia;

Às facilidades e dificuldades dentro e fora da sala de aula de língua espanhola; Às dificuldades na área de pronúncia;

Ao grau de dificuldade relacionado à pronúncia na LAL.

O questionário mostra, também, o perfil dos discentes da Licenciatura em língua portuguesa e língua espanhola e respectivas literaturas da Universidade Federal do Ceará.

3.4.1.2 Testes de produção

Aplicamos, no total, três testes de produção: teste de produção 1 (Estilo formal ou de laboratório (palavras)), teste de produção 2 (Estilo formal ou de laboratório (sentenças)) e teste de produção 3 (Estilo informal ou espontâneo (entrevista)).

Para a elaboração dos testes de produção, nos baseamos em manuais e livros de fonética do espanhol, de autores como: Hermoso e Dueñas (2002); Díaz (1999); Masip (1998a); Masip (1998b) e Sánchez e Matilla (1974). Fizemos algumas alterações para auxiliar na meta dos nossos objetivos e foi necessário mais de um encontro com os discentes para aplicação dos testes. Em um primeiro momento, aplicamos o teste de produção 3 e, em um segundo momento, os testes de produção 1 e 2.

Sabemos que a presença do pesquisador, do microfone e do aparelho de gravador de voz interferem bastante na naturalidade da coleta dos dados. O intuito de registrar como as pessoas falam espontaneamente é um problema que Labov (1972) denomina paradoxo do observador. Seguindo este pressuposto de base sociolinguística, tentamos minimizar, diante dos informantes, a presença do pesquisador e do gravador, elementos essenciais para a coleta de dados. Conversavámos antes da gravação com os informantes, esclarecíamos que o nosso objetivo não era avaliar e pedíamos que eles se sentissem à vontade. Levando em consideração tais fatores, aplicamos testes em estilos diferentes a fim de constatar se há diferença significativa quanto à produção dos fonemas vocálicos em estudo.

Os testes em estilo formal foram elaborados por nós e permitem as realizações das vogais médias em diversas posições na palavra. No caso do teste em estilo informal,

poderemos ter mais ocorrências de determinadas posições que outras e, para dar conta de todas as posições, necessitávamos ouvir os áudios até conseguir um mínimo de realizações para cada um dos contextos analisados.

Elaboramos os testes conforme cada fonema em estudo separadamente. Destacamos as sílabas tônicas em sublinhado e o contexto analisado, em negrito97. Após a elaboração de todos os testes, organizamos todas as palavras em um só grupo, bem como as sentenças98. O objetivo era fazer com que os alunos não percebessem nossos propósitos. No total, o teste de produção em estilo formal para o aluno conteve quarenta e três palavras e vinte e seis sentenças, apresentadas em uma folha de papel ofício com letra em caixa-alta, a fim de facilitar a leitura do aluno.

a) Teste de produção 1: estilo formal ou de laboratório (palavras)

A tarefa de cada aluno consistiu em ler em voz alta e, em ritmo normal, palavras apresentadas pelos entrevistadores em uma folha de papel ofício. Nos instrumentos, tivemos a presença das vogais médias em análise nos contextos tônicos e pretônicos. Selecionamos as palavras, tentando gerar graus de dificuldade, e levamos em consideração palavras da língua espanhola existentes, ou não, na LM, que alternam, ou não, sua pronúncia na língua materna. Uma mesma palavra podia, ou não, conter mais de um contexto, seja tônico ou pretônico, e conter tanto o fonema  como o fonema . Os alunos foram orientados a reler as palavras caso tivessem necessidade, sendo anuladas as questões lidas antecipadamente por um dos entrevistadores-bolsistas; sobre este último fato, ressaltamos que tivemos apenas três ocorrências dessa natureza no corpus. Ficamos atentos à leitura dos alunos, caso eles saltassem alguma palavra e, quando isso acontecia, solicitávamos que lessem o item. Analisamos todas as palavras pronunciadas quando acontecia repetição de um mesmo item.

b) Teste de produção 2: estilo formal ou de laboratório (sentenças)

A tarefa de cada aluno consistiu em ler em voz alta e, em ritmo normal, sentenças apresentadas pelos entrevistadores em uma folha de papel ofício. Nos instrumentos, tivemos a presença das vogais médias em análise nos contextos tônicos e pretônicos. Elaboramos as

97 Ver, no apêndice C, a elaboração dos testes de produção em estilo formal ou de laboratório (palavras e sentenças) para a pesquisadora.

98 Ver, no apêndice D, os testes de produção em estilo formal ou de laboratório (palavras e sentenças) aplicados aos discentes.

palavras contidas nas sentenças, tentando gerar graus de dificuldade, e levamos em consideração palavras da língua espanhola existentes, ou não, na LM, que alternam, ou não, sua pronúncia na língua materna. Uma mesma palavra podia, ou não, conter mais de um contexto, seja tônico ou pretônico, e conter tanto o fonema  como o fonema . As mesmas palavras do teste de produção 1 aparecem no teste de produção 2.

Tentamos manter um certo equilíbrio entre o número de realizações para as vogais médias. Apresentamos agora o quadro de distribuição das palavras e sentenças de acordo com os contextos, tipo de teste, total de ocorrência e realizações para o fonema :

Quadro 17 – Distribuição das palavras e sentenças para o fonema 

Contextos Tipo de teste Total de

ocorrência Total de realizações Tônico Palavras 16 17 Sentenças 12 16 Pretônico Palavras 10 12 Sentenças 7 12

Apresentamos agora o quadro de distribuição das palavras e sentenças, conforme os mesmos contextos anteriores, apresentados para o fonema :

Quadro 18 – Distribuição das palavras e sentenças para o fonema 

Contextos Tipo de teste Total de

ocorrência Total de realizações Tônico Palavras 12 12 Sentenças 7 12 Pretônico Palavras 12 13 Sentenças 8 13

Este teste consistiu em manter uma conversação em língua espanhola entre entrevistador e entrevistado. Não elaboramos perguntas prévias, mas nos orientamos através das perguntas e das respostas dadas às questões na FQI pelos alunos. Além disso, perguntávamos sobre questões de ordem pessoal, como família, atividades de lazer, experiências de vida, entre outros aspectos.

A conversação durava, em média, trinta minutos. Com os alunos de semestre inicial era mais difícil manter essa média devido ao fato de ainda terem pouco conhecimento da LE. Além disso, percebemos que eles ficavam mais inibidos na hora da aplicação deste teste.

Com o intuito de fazer com que todos os alunos se sentissem tranquilos e à vontade para se manifestar, esclarecemos que nosso objetivo não era avaliá-los. Esclarecemos também que não poderíamos ajudá-los com relação ao uso da língua estrangeira, devendo estes buscar as estratégias necessárias para minimizar suas dificuldades no momento da conversação. Os cinco primeiros minutos de todos os testes de estilo informal foram descartados devido ao fato de serem estes os momentos de maior tensão.

Precisamos o tempo da ocorrência, utizando os minutos e segundos para facilitar a revisão. No exemplo portugués [..:] 5:10.0 (I g3YP1 – EIE – Contexto  pretônico).

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