Kapittel 4: Metode, datainnsamling og databearbeiding
4.5 Å være forsker/intervjuer i eget felt
Construí um diálogo por e-mail com os sujeitos de pesquisa; a maioria dos contatos aconteceu individualmente. Alguns respondiam mais prontamente, outros não. Descobri, aos poucos, que tinham acesso a computador e internet somente no polo, aonde iam, geralmente, duas vezes por semana e aos sábados para tutorias.
Passei ao planejamento das entrevistas. Buscava uma harmonia entre o paradigma que orienta a pesquisa qualitativa, a abordagem, os procedimentos e instrumentos da coleta de dados e a análise.
Com base em Flick (2004), organizei três fases de entrevistas, o que posteriormente foi adaptado para duas fases e um memorial de formação, o qual, inspirado na entrevista narrativa encontraria sua própria especificidade. A entrevista nessa pesquisa propiciaria ouvir o relato das trajetórias dos alunos – professores envolvidos nessa formação e como se deu a experiência de constituição docente em Matemática à distância. A possibilidade da entrevista poderia envolver momentos de relato oral e outros momentos de registro escrito que me auxiliassem a perceber como os sujeitos de pesquisa expressariam e compartilhariam (ou não) os saberes experienciais que acumularam no exercício da profissão e agora como seriam confrontados (ou não).
Uma narrativa, segundo Hermanns (1995 apud FLICK, 2004), assim se caracteriza:
Primeiramente, delineia-se a situação inicial “como tudo começou” então, selecionam-se os eventos relevantes à narrativa, a partir de todas as inúmeras experiências, apresentando-os como uma
123 progressão coerente de eventos “como as coisas avançaram” e, por
fim, apresenta-se a situação ao final do desenvolvimento “o que
aconteceu”. (p.109).
Nesse sentido, com as adaptações demandadas pela pesquisa, me propus ao seguinte roteiro de orientação para a entrevista, a partir do qual os sujeitos eram convidados a relatar sua relação com a Matemática e com a docência:
1ª fase – Relação com a Matemática – como os sujeitos construíram ou de que modo aconteceu a relação com a Matemática em suas vidas; como chegaram ao curso.
2ª fase – Relação com a Docência – como se tornaram professores de Matemática. Avanços e retrocessos.
O trabalho de campo se desenvolveu aos poucos e, durante o mês de agosto/2008, a primeira fase de entrevista foi realizada nos dois polos. A partir da primeira fase de entrevista, busquei ajuda externa para a transcrição do áudio. Isso levou algum tempo, pois foram várias horas de gravação, sendo uma média de uma hora e trinta minutos para cada um dos seis sujeitos. Nesse momento, também aconteceram gravações com alguns tutores presenciais, com foco na proposta do curso, na atuação deles na tutoria e na dinâmica do curso. O objetivo era apreender ao máximo o que o campo „manifestava por si só‟ através dos relatos de quem dele participava.
Ao trabalhar com as transcrições, fui me dando conta de quanta informação havia naquelas conversas que envolviam outras etapas da entrevista planejada. À medida que eu lia, fui destacando o que fazia sentido para os propósitos da investigação, para perceber que contribuições poderia me fornecer nessa etapa da coleta de dados. Fui destacando palavras-chave, buscando sentido e orientação no que eu poderia aprofundar na segunda etapa da entrevista. Diante das transcrições, das leituras e releituras das situações relatadas e do objeto investigado, busquei uma forma de interpretar e compreender o que os sujeitos destacavam em suas histórias da relação com a Matemática em suas vidas.
Minayo (1992) propõe um método hermenêutico-dialético para a aproximação e análise de conteúdo. Ela argumenta que a fala dos atores sociais necessita ser situada em seu contexto para melhor ser compreendida.
124 Um dos aspectos que ficaram mais claros é que eu iria para a segunda fase da entrevista, aprofundando dados da primeira e fazendo com que os sujeitos se sentissem mais à vontade e contassem sobre sua relação com a docência em Matemática.
Estive presente na segunda fase da entrevista, também presencial, no mês de novembro/2008. Realmente foi acontecendo o que eu previa. Os sujeitos se aproximaram mais, falaram mais e isso foi abrindo portas na investigação. Comecei a perceber que eu já fazia parte da vida deles, na medida em que eu propunha que eles refletissem sobre o que tinham vivido até agora ao darem início à sua formação superior. Essa etapa foi mais densa, pois retomei aspectos da primeira fase e levantei outro acerca da experiência docente em Matemática e suas relações. Mais uma vez as gravações se estenderam, e os seis sujeitos acompanhados puderam contar suas histórias de vida e formação.
Ao término dessa etapa, percebi que uma terceira fase de entrevista já não corresponderia ao que procurava e assim optei pelo memorial de formação.
Nesse tipo de memorial, os sujeitos eram convidados a relatar sua trajetória de ingresso e desenvolvimento no curso e o percurso no mesmo até aquele momento. Na análise dos memoriais, buscaria perceber a relação entre o exercício docente de Matemática e a formação no curso à distância.
Levei para cada um dos alunos-professores um caderno/bloco de papel, como um „presente‟, para que eles contassem ali, como já disse acima, a trajetória deles no curso de licenciatura em Matemática à distância até àquele momento. Esse memorial me ajudaria a compor um dossiê115 sobre cada sujeito.
Pedi a eles também cópia de trabalhos, provas e outras atividades que eles desenvolviam no curso, impressas ou virtuais. O que disso tudo se constituiria em dados da pesquisa? Como eu poderia tratar esses dados e ser o mais fiel possível? Todos eles, de alguma forma, ajudariam a compor o dossiê de cada um dos protagonistas da investigação? Construí um dossiê sobre cada sujeito da pesquisa, tecendo os diferentes procedimentos utilizados na coleta de dados. Ancorada nesses aportes, compus quadros analíticos sobre os sujeitos116 que me possibilitaram construir a narrativa sobre cada um deles, tentando,
115 Os dossiês foram estruturadores dos diferentes instrumentos de coleta de dados e desenvolvidos em
várias versões que pudessem ajudar na construção das narrativas dos sujeitos. Esses dossiês não fazem parte do corpo desse texto, mas geraram contribuições diretas à sua construção.
116
125 a partir de então, puxar fios para análise em torno da trama maior sobre a experiência do possível encontro entre saberes relativos à prática e saberes relativos à formação superior, em um curso de licenciatura em Matemática à distância.
Quando as pessoas contam histórias sobre si mesmas e sobre sua formação, narram acontecimentos e acabam se constituindo também nesse processo. Envolvida por tais questionamentos e buscando fundamentação teórica, deparei-me com Freitas (2006) e com a investigação realizada quando de sua tese de doutorado e percebi muitas aproximações, principalmente no que diz respeito à pesquisa narrativa e à elaboração de dossiês sobre os sujeitos. Meu caminho me levava a tratar de narrativas, a considerar esses sujeitos da investigação. Elaborar os dossiês dos dados coletados de cada sujeito e buscar o fio que pudesse unir essa trama era o desafio para a análise.
Por meio da narrativa, é possível expor análises tornando públicos os significados da experiência elucidada na investigação. A tensão entre experiências de vida e vida de experiências, do tornar-se professor/a, da política de formação à distância e os cenários dessa constituição docente do/a professor/a de Matemática é que se expressa no próximo capítulo.
Organizei os dados, compreendendo que eles não existem por si mesmos, mas são frutos de questionamentos que se fazem sobre os mesmos a partir de fundamentação teórica. Com base no que foi relevante nos textos, os possíveis eixos de análise foram emergindo.